Charger SIXPACK R/T e Scat Pack 2026: a Dodge reinventou -e salvou- seu clássico

O clássico modelo americano foi reinventado. Pode ser comparado a uma espécie de “SUV no mundo dos muscle cars“: sedutor, confortável e capaz, muito capaz. E isso é ótimo. Após o fracassado lançamento da nova geração do Dodge Charger totalmente elétrico há cerca de um ano, os dois primeiros modelos a gasolina, cupê e sedã, finalmente chegaram. Apresentamos aqui os novos modelos Charger Daytona Scat Pack e Charger R/T, ambos equipados com o motor 3.0L Twin-Turbo SIXPACK.
por Ricardo Caruso

Isso mesmo, são duas opções de motorização e versões de duas e quatro portas em todos os modelos Charger 2026. O Charger Scat Pack de duas portas e Daytona Scat Pack de duas ou quatro portas. Esses novos carros são parte da linha SIXPACK e, como o nome sugere, tanto a versão R/T quanto o Scat Pack 2026 são equipados com o motor de seis cilindros em linha, Hurricane, de 3.0 litros turbo, de seis cilindros em linha da Dodge.

Não é o Dodge Charger do seu avô e nem de longe o que foi fabrcado no Brasil. Agora com 60 anos, o clássico americano foi reinventado. É um carro confortável, rápido e luxuoso, e isso é muito bom. Os rivais de longa data do Charger —Chevrolet Camaro e o Ford Mustang— reduziram gradativamente o tamanho de seus motores V8. A Dodge reviu seus motores atuais e os aprimorou com uma nova transmissão. O Charger agora ostenta um motor de seis cilindros e, ao contrário do Camaro e do Mustang, traz tração integral de série.

“É um muscle car com tração traseira que se comporta como um SUV para uso diário o ano todo”, diz Matt McAlear, chefão da Dodge. “Tem tração nas quatro rodas quando você precisa e tração traseira quando você quer”.
A Dodge está lançando o modelo que promete ser o mais vendido da linha: o Charger R/T de quatro portas e 420 cv de potência, com preço inicial de US$ 49.995 (equivalente a R$ 266 mil). Após o fracasso de vendas da versão elétrica Daytona mesmo com 670 cv de potência, a nova linha Charger chega com opções de cupê de duas portas ou sedã de quatro portas. Ambos são equipados com o motor de seis cilindros em linha Hurricane da marca. Os compradores podem escolher entre diferentes níveis de acabamento, incluindo R/T, R/T Plus, o Daytona Scat Pack de 550 cv de potência (a partir de US$ 54.595, R$ 291 mil) e o Daytona Scat Pack Plus.

Com espaço de porta malas líder na categoria e banco traseiro muito confortável, este é o Charger mais familiar da Dodge de todos os tempos. “Você pode apertar um botão para tração traseira e alternar para o modo Sport, ou pode carregá-lo com cinco pessoas, quatro malas grandes e partir para a viagem em família”, diz McAlear. Ele perdeu o ronco do motor V8 que o tornou o beberrão favorito das ruas por décadas. Em troca disso, a Dodge priorizou uma condução mais silenciosa e bastante potente, que custa um pouco menos no posto de abastecimento. Isso levanta uma dúvida: é isso mesmo que os compradores do Charger querem? Modelos elétricos, com certeza, não fazem parte da lista de desejos dos fãs do modelo.

A Stellantis, via Dodge, espera que o Charger possa expandir sua base de clientes fiéis, indo além dos nostálgicos velhotes da geração baby boomer, dos entusiastas da Mopar e dos carros de polícia, partindo para conquistar um mercado inexplorado: pessoas que nem imaginavam ter na garagem um muscle car.

Por fora é o mesmo Charger de sempre. Capô longo, linhas limpas e para-lamas traseiros alargados, que lhe conferem uma postura “musculosa”. Uma tampa traseira quase imperceptível se integra perfeitamente aos painéis da carroceria para proporcionar mais espaço no porta-malas e melhorar a aerodinâmica. A versão de quatro portas é 2,5 cm mais longa que o modelo anterior, enquanto tanto o cupê ]quanto o sedã são 5 cm mais largos.


Segundo Greg Howell, chefe de desenho exterior da Dodge, o cupê mantém as proporções que sugerem o alto desempenho do Charger: “Quando você olha para o cupê, ele tem uma grande distância entre-eixos e a porta é bem longa, o que é agradável. Ninguém faz isso hoje em dia”, explica.

O carro tem vários modos de condução, incluindo neve molhada, automático, esportivo e tração traseira. O amplo para-brisa proporciona excelente visibilidade e o motor é silencioso o suficiente para que os ocupantes possam ter uma interminável conversa tranquila, típica de viagens longas. O interior equilibra o divertido -como o botão de partida oval e a alavanca de câmbio com empunhadura tipo “pistola”-, com detalhes sofisticados, como o teto panorâmico de vidro, a tela touch screen de 16 polegadas e o volante com o topo plano e revestido em Alcântara.




As versões mais interessantes parecem mesmo ser a R/T e a Daytona Scat Pack. Ambas são oferecidas na configuração padrão ou Plus, mais equipada. Embora grande parte do conteúdo do R/T e do Scat Pack seja bastante similar, existem algumas diferenças, pequenas ou grandes. Para entender melhor as duas versões do Dodge Charger 2026, destacamos cinco itens principais onde o Charger R/T e o Daytona Scat Pack mais se diferenciam.
Motor: duas versões
Como mencionado no início desta matéria, o motor de seis cilindros em linha turbo de 3.0 litros equipa ambas as versões do Charger SIXPACK. No R/T, ele vem com potência padrão de 420 cv e 64 mkgf de torque, máximos. Com menor pressão do turbo, o motor opera com taxa de compressão mais alta, de 10,4:1, e atinge a potência máxima a 5.200 rpm. Em comparação, o motor do Scat Pack produz 550 cv e 72 mkgf com uma taxa de compressão mais baixa, de 9,5:1, e potência máxima a 6.200 rpm.

A potência extra do Scat Pack se traduz nas estradas, já que a Dodge afirma que ele acelera de zero a 100 km/h em 3,9 segundos, enquanto o R/T precisa de um pouco mais de tempo, atingindo 100 km/h em 4,6 segundos. Há uma diferença maior na velocidade máxima, mas isso tem mais a ver com os pneus do que com o desempenho real do motor. O R/T de entrada é limitado a 270 km/h, enquanto o Scat Pack pode chegar a espantosos 284 km/h.
Com taxa de compressão mais alta e menos potência, o Dodge Charger R/T 2026 é mais econômico em termos de combustível, embora seus 7,2 km/litro de gasolina na cidade e 11 km/l na estrada não sejam números impressionantes. Ainda assim, é melhor que o Scat Pack, que tem consumo estimado de 6,8 km/l na cidade e 9,7 km/ na estrada.
Suspensão e Freios
O Dodge Charger Scat Pack 2026 vem com apenas uma opção de suspensão, chamada Performance. O R/T também pode ter a configuração de suspensão Performance se o “pacote” Performance Handling Group for selecionado. Caso contrário, ele vem de série com a suspensão Touring . Mas há também uma terceira opção para os clientes do R/T, que fica entre as configurações Touring e Performance, chamada suspensão Sport . Esta faz parte do “pacote” Blacktop Group.
Com os freios, a história é semelhante. O Scat Pack vem de série com o conjunto de freios Brembo de grande porte, que também pode ser aprimorado como parte do “pacote” Performance Handling Group no R/T. Caso contrário, o R/T vem apenas com discos e pinças de freio de aço convencionais. Outros aprimoramentos que o Performance Handling Group oferece ao R/T e que são de série no Scat Pack incluem bloqueio de linha, controle de largada, escapamento com válvulas e muito mais.
Rodas e Pneus
Não faltam opções de rodas para os Dodge Charger SIXPACK 2026. O R/T vem de série com rodas de 18×8,5 polegadas e, no lançamento, oferece duas opções de rodas de 20 polegadas: 20×9 e 20×10. As rodas de 18 polegadas de entrada vêm com pneus Nexen, na medida 245/55. As rodas de 20x 9, mais estreitas, também vêm com pneus Nexen na medida 255/45. As rodas maiores fazem parte do conjunto R/T Performance Group e vêm com os maiores pneus disponíveis para essa versão: Goodyear de alto desempenho para 275/40ZR20.

O Scat Pack vem de série com rodas de 20×10 e pode ser equipado com outra roda exatamente do mesmo tamanho. Além disso, existem mais duas opções de rodas de 20 polegadas, estas com 11 polegadas de largura. As rodas de 20×10 vêm com pneus Goodyear 275/40 de alto desempenho, enquanto as rodas mais largas de 20×11 têm pneus Goodyear 305/35 de alto desempenho nas quatro rodas. Se isso ainda não for suficiente em termos de aderência, os pneus 305 podem ser substituídos por pneus Goodyear de alto desempenho.
Exterior e Interior
Por fora, o R/T e o Scat Pack podem ser configurados de forma quase idêntica. As únicas diferenças são os emblemas e as rodas. Fora isso, a maior diferença ocorre se alguém optar pelo “pacote” Carbon & Suede no Scat Pack, que substitui as capas dos retrovisores laterais por capas de fibra de carbono.

Por dentro, a versão de entrada R/T vem de série com recursos não disponíveis no Scat Pack, como espelho retrovisor sem escurecimento automático, bancos totalmente em tecido, volante sem aquecimento e sistema de som com seis alto-falantes. As combinações de materiais dos bancos também podem variar entre o R/T e o Scat Pack, dependendo dos kits de opcionais. Por fim, outra diferença entre o R/T e o Scat Pack está relacionada ao paote Carbon&Suede (Carbono e Camurça), disponível apenas no Scat Pack.

