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Escapamento em carro elétrico? O que a GM pensa disso

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Os carros elétricos podem se beneficiar de um sistema de escapamento, só que não da maneira que você imagina. Como assim, um sistema de escapamento instalado num carro elétrico? A General Motors registrou uma patente que transforma esta ideia numa solução para melhorar a segurança. Confira.

por Marcos Cesar Silva

Durante anos, a ideia de um “escapamento” num carro elétrico serviu quase sempre para duas coisas: provocar risos ou gerar ruído artificial. Mas a General Motors decidiu seguir um objetivo diferente. Registrou uma patente para aquilo que pode ser descrito, tecnicamente, como um “escapamento para veículos elétricos”. Só que não. O sistema não serve para simular o ruído de um motor térmico, nem para impressionar no semáforo. Serve para evitar incêndios.

Em situações raras, como defeito de fabricação, dano estrutural após um acidente ou degradação interna, pode ocorrer nos carros elétricos um fenômeno químico nas baterias conhecido como fuga térmica, ou thermal runaway.

Uma célula da bateria começa a gerar mais calor do que o sistema consegue dissipar, então esse calor se propaga para as células vizinhas e inicia uma reação em cadeia. Nessa situação extrema, são liberados gases inflamáveis a temperaturas elevadas. É aqui que entra em ação o novo sistema de escapamento desenvolvido pela General Motors.

Este sistema patenteado pela GM não tem nada de estético nem de sonoro. Funciona como uma válvula para liberar, de forma controlada, o calor e os gases. Quando sensores detectam uma condição crítica dentro do “pacote” de baterias, um conjunto de válvulas e canais internos abre-se para encaminhar os gases quentes e combustíveis para uma câmara central, onde são liberados para o exterior de forma controlada.

Patente General Motors

A lógica é simples: reduzir pressão, remover calor e evitar que a ignição se propague para as células vizinhas. Em vez de deixar a energia térmica acumular dentro da bateria até o ponto de ruptura, o sistema cria um “caminho de fuga” controlado.

Do ponto de vista técnico, isto está mais próximo de ser uma válvula de segurança de um equipamento industrial do que de um sistema de escapamento convencional. Se não for possível impedir totalmente a falha inicial, pelo menos que essa situação não destrua o conjunto completo de baterias nem comprometa a estrutura do veículo. O ideal é que nunca entre em funcionamento ao longo da vida útil do veículo.

Outros construtores já estão explorando soluções semelhantes. A Stellantis, por exemplo, desenvolveu um sistema que inclui um filtro inspirado nos catalisadores automóveis, capaz de remover componentes indesejáveis da mistura gasosa antes que esta seja liberada para o exterior.

Na prática, a proposta da GM na verdade é um sistema com válvulas de alívio de emergência. No registo da patente, a GM não detalha como são filtrados os gases expelidos, que podem ser tóxicos, limitando-se a descrever o mecanismo de libertação e encaminhamento dos mesmos. Ainda assim, em caso de acidente ou de uma bateria defeituosa, este sistema pode ser decisivo na diferença entre substituir apenas o conjunto de baterias ou o veículo completo.


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