Europa: motores a combustão não são mais líderes de mercado
O momento temido por muitos -pessoas físicas e jurídicas- chegou. De acordo com os dados divulgados pela União Europeia, EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) e Reino Unido, os veículos eletrificados não recarregáveis atingiram a fatia recorde de 34,4% do mercado naquele continente.
por Marcos Cesar Silva

O mercado automotivo europeu cresceu 2,4% em 2025 se comparado com o ano anterior, totalizando 13.271.270 vendas de carros novos. No entanto, o dado mais relevante não está no volume de vendas, mas sim na transformação do mix tecnológico: mais de um em cada três automóveis vendidos foi híbrido, seja híbrido leve ou híbrido completo.
De acordo com os dados agregados da União Europeia, da EFTA e do Reino Unido, os veículos eletrificados não recarregáveis atingiram o patamar recorde de 34,4% do mercado europeu. Trata-se do valor mais elevado já registrado naquele continente.
Em sentido oposto, os automóveis exclusivamente a gasolina recuaram para 26,1% do total de vendas, menos sete pontos percentuais do que em 2024, confirmando a tendência de perda de protagonismo dos motores tradicionais de combustão.
Uma das principais razões para este crescimento histórico dos híbridos é o avanço da oferta. A tecnologia deixou de estar limitada a segmentos específicos e passou a abranger praticamente todo o mercado, desde modelos tipicamente urbanos como o Fiat Panda até modelos de elevado desempenho, como o Audi RS6, passando por uma vasta gama de SUV de diferentes marcas e dimensões.
Os sistemas híbridos leves tornaram-se quase onipresentes, por representarem a solução mais simples e acessível, tanto para os fabricantes como para os consumidores, para reduzir —ainda que de forma moderada— o consumo de combustível e as emissões.
Esta opção tem também uma forte componente regulatório. Os fabricantes que operam na Europa estão sujeitos ao limite médio de emissões de 93,6 gramas de CO₂/km, calculado com base nos automóveis vendidos. Embora os híbridos leves não sejam suficientes por si só para atender integralmente estas metas, funcionam como um primeiro passo essencial.
Em paralelo, os híbridos completos estão se firmando como uma alternativa cada vez mais eficaz e deixaram de ser domínio exclusivo da Toyota, que continua a liderar deste segmento em vários mercados europeus. Um número crescente de fabricantes está apostando nesta tecnologia, incluindo o Grupo Volkswagen, que deverá lançar os seus primeiros modelos híbridos completos já em 2026, começando pelo novo T-Roc e, posteriormente, pelo Golf.
O fator preço também tem sido determinante. Em muitos casos, os automóveis híbridos apresentam valores próximos dos seus equivalentes a combustão, beneficiando ainda, em alguns países, de incentivos fiscais ou isenções de impostos. Na França, por exemplo, quanto maiores forem as emissões de CO₂, maior é a taxa de impostos aplicada no momento da compra.
E se os híbridos avançam, o diesel perdeu o sentido e continua desabando de forma acentuada. Por muito tempo dominante em grande parte da Europa, este tipo de motorização perdeu seus atrativos, levando vários fabricantes a abandoná-lo por completo ou a reduzir drasticamente a oferta.
Em 2025, a participação de mercado do diesel caiu para apenas 7,7%, abaixo dos 10,4% registrados em 2024. Para comparação, os automóveis 100% elétricos alcançaram 19,5% do mercado, mais do que o dobro da quota do diesel, enquanto os híbridos plug-in também o ultrapassaram, com 9,5%.
Os números confirmam uma rápida e inevitável mudança estrutural no mercado automomotivo europeu, marcada pelo declínio progressivo das motorizações tradicionais e pela consolidação dos híbridos como tecnologia dominante na transição energética do setor.

