O pioneiro Porsche Tapiro Concept 1970, que inspirou o DeLorean
Este é o Porsche que a maioria nem imaginava que existisse. Era um protótipo único (o chamado “one off“), conhecido como Porsche Tapiro (tapiro vem de tapir, ou anta, herbívoro comum na América do Sul). Foi desenhado pelo genial Giorgetto Giugaro, da Italdesign. Este carro foi um projeto conjunto da Volkswagen e da Porsche, baseado no chassi do Porsche 914/6, utilizando sua mecânica e motor boxer arrefecido a ar de 2,4 litros e seis cilindros, montado na posição central.
por Ricardo Caruso

O carro foi a presentado no Salão do Automóvel de Turim em 1970, o primeiros protótipo da Italdesign com carroceria em formato de cunha (que se tornou uma característica do estúdio) e realmente chamou muita atenção do público. No ano seguinte foi exibido no Salão de Automóveis Importados e Carros Esportivos, em Los Angeles.



Sua elegante carroceria representou um rompimento com a estética automotiva tradicional. Embora inicialmente inspirado no Volkswagen Porsche 914/6, a versão de Giugiaro não tinha semelhança alguma com os 914. Ao contrário, inspirava-se mais nos contornos angulares do De Tomaso Mangusta do que no
Alfa Romeo Iguana, por exemplo.

Ele influenciou bastante os desenhos seguintes do próprio Giugiaro, incluindo grandes criações, como o Maserati Boomerang e o DeLorean DMC-12. Comparado com o carro em que se baseava, o Tapiro era quase oito centímetros mais comprido e 10 centímetros mais largo, mantendo a mesma distância entre-eixos. Sua altura foi reduzida em 10 centímetros.

Linhas bem definidas, ângulos marcantes e cantos afilados definiam seu visual exterior, marcando a estreia da “forma em cunha”, que se tornaria icônica nos anos seguintes. Apresentando elementos avançados, como portas tipo “asa de gaivota” para acesso tanto aos passageiros quanto ao motor, o Tapiro ultrapassou os limites do desenho automotivo da época. Foi ainda o primeiro carro a ter aberturas em forma de “asa de gaivota” nas portas e nos painéis traseiros do compartimento do motor.

A ampla área envidraçada sempre foi um importante elemento de desenho utilizado por Giugiaro em suas criações, e isso fica claro quando se observamos o Tapiro de cima. A traseira do carro tinha uma ampla área em plexiglass, enquanto na dianteira, no alto do parabrisa- havia uma entrada de ar funcional.

A carroceria incorporava uma robusta estrutura central de aço em forma de cruz, que servia como dobradiças das portas e do capô longitudinalmente, além de funcionar como uma barra de proteção transversal. Sob sua aparência marcante, encontrava-se um chassi e mecânica robustos, baseados no Porsche 914/6, proporcionando ao carro desempenho excepcional (era um modelo funcional).

A configuração com motor central-traseiro, tração traseira e câmbio manual de cinco marchas garantia uma experiência de direção entusiasmante. O Tapiro era impulsionado por um potente motor boxer de 2,4 litros, montado longitudinalmente e arrefecido a ar, que gerava 220 cv a 7800 rpm. Com velocidade máxima oficial de aproximadamente 245 km/h, era uma presença impactante nas ruas e estradas.

No entanto, sua história não foi isenta de turbulências. Em 1972, depois de viajar por alguns poucos Salões, o carro foi vendido para um industrial espanhol, que o utilizava como seu veículo de uso diário. Tragicamente, em 1973, foi vítima de um incêndio, segundo a história criminoso, provocado por ativistas que protestavam contra as políticas trabalhistas do proprietário. Uma bomba explodiu, queimando o carro, mas não destruindo o chassi.

A carcaça queimada foi recomprada pela Italdesign e ficou em exposição na coleção de Giorgetto e Fabrizio Giugiaro, que integra o “Musei do Automotoclub Storico Italiano”, localizada em Moncalieri, Itália,



