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TESTE: Peugeot 2008 GT Hybrid 2026

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O Peugeot 2008 foi lançado oficialmente no Brasil em abril de 2015, inicialmente produzido em Porto Real (RJ). A primeira geração chegou como um SUV compacto, repleto de tecnologia e competindo em um segmento muito disputado e que virou moda, equipado com motores 1.6 aspirados e a versão topo de linha THP turbo. Em 2019 o modelo recebeu atualizações visuais e mecânica, continuando a exibir sua vitrine de tecnologia. A segunda geração, conhecida como “Novo 2008”, chegou em agosto de 2024, com desenho todo renovado e alinhado com o modelo europeu. Passou a vir da Argentina, equipado com o motor T200.

por Ricardo Caruso

Por esses 11 anos de mercado, o Peugeot 2008 conquistou respeito no extremamente competitivo segmento de SUVs compactos, pelo seu visual tipicamente europeu e refinado, bom nível de acabamento e comportamento dinâmico equilibrado. Para 2026, a Peugeot apostou em um passo evolutivo que dialoga direto com as tendências de eficiência energética sem abrir mão da relação custo/benefício: o Peugeot 2008 Hybrid. Mais do que um belo conjunto estético ou tecnológico, esta versão híbrida leve (MHEV) chegou para redefinir o que se espera de um SUV urbano e rodoviário no Brasil, oferecendo economia, conforto e pragmatismo no uso diário.

Quando lançou seu sistema híbrido leve nos Fiat Pulse e Fastback, a Stellantis deu um claro passo adiante. Agora colocou nas concessionárias os Peugeot 208 e 2008, com o motor T200 1.0 — turbo e eletrificado — confirmando que sua aposta nessa solução é definitiva. E assim ela vai preenchendo todo os espaços do mercado, com diversas marcas, carros atuais e soluções inteligentes.

O Peugeot 2008 é montado em uma plataforma toda diferente do que a Fiat aplica em seus SUVs. Mais atual, é a plataforma CMP, que nasceu com um projeto já eletrificado na Europa, inclusive para modelos 100% elétricos. Isso coloca este SUV com certa vantagem diante até mesmo dos Fiat híbridos nacionais.

 A plataforma CMP (Common Modular Platform) é uma base estrutural modular e global, usada pelo Grupo Stellantis (anteriormente criado pela PSA Peugeot Citroën e Dongfeng) para veículos compactos e médios. Ela é versátil, permitindo a fabricação de hatchs, sedãs e SUVs, além de suportar motores a combustão, híbridos e 100% elétricos (e-CMP). 

Para esta primeira avaliação do sistema na marca Peugeot, utilizamos o 2008 GT Hybrid 2026, que custa R$ 179.990 (preço sugerido, mas encontrado em promoções por até R$ 159 mil), o mais completo da linha. Ele usa o conhecido motor 1.0 turbo em conjunto com o sistema híbrido-leve da Stellantis, de 12 volts, que não é um híbrido puro, mas cumpre o que promete.

No caso do 2008, a proposta da motorização híbrida nos 208 e 2008 2026 não é exatamente o que faz muitos olhinhos brilharem quando ouvem a palavra mágica “híbrido”. O modelo é equipado com um sistema Mild Hybrid, ou híbrido leve (MHEV), que usa um motor 1.0 Turbo Flex de três cilindros (o Turbo 200) com um gerador elétrico BSG (Belt Starter Generator) e uma bateria de 12 V montada sob o banco do motorista.

Na prática, esse sistema proporciona redução de até 10% no consumo urbano e 8% nas emissões de CO₂, segundo dados da Peugeot. É um sistema que, em nenhum momento, traciona o veículo em modo 100% elétrico, não substituindo o motor de combustão em velocidades estáveis ou acelerações e retomadas mais fortes. Mas cumpre com louvor outras funções importantes: suaviza a atuação do Start/Stop (batizado de Advanced Start & Stop), recupera energia em desacelerações (e-Braking) e frenagens (e-Coasting), e reduz o esforço do motor em acelerações tranquilas.

A potência máxima é de 130 cv (etanol) e 125 cv (gasolina), com torque máximo de 20,4 mkgf (em ambos combustíveis), o que garante ao Peugeot 2008 Hybrid excelente desempenho, agradando no uso diário. O sistema híbrido acrescenta, quando em uso, cerca de 4 cv de potência e 1 mkgf de torque. A aceleração de zero a 100 km/h é feita em torno de 9,8 segundos, com velocidade máxima de 195 km/h, números realmente muito bons para um SUV compactamente motorizado e com foco no equilíbrio entre desempenho e consumo. No trânsito urbano, com gasolina, marcamos 13,8 km/litro de consumo médio, número excelente.

A Stellantis melhorou o software do 2008. Isso notamos no uso do Start/Stop, com atuação realmente mais suave e frequente, sem nenhum tranco; o pequeno motor elétrico atua bem no 1.0 turbo, principalmente em baixas velocidades e arrancadas, onde o câmbio CVT, ao invés de impor rotação mais alta, deixa essa missão para o motor auxiliar, conseguindo boa constância na aceleração. Pelo painel, é possível acompanhar a atuação do sistema. 

No uso do dia a dia, o maior mérito do conjunto MHEV é no conforto ao rodar e em emissões de poluentes (algo que o brasileiro ainda não aprendeu a considerar como importante), e o consumo surpreende de maneira positiva. Em nossos testes, o 2008 MHEV marcou, como vimos, 13,8 km/litro na cidade (gasolina), número que se destaca entre os SUVs compactos com motor 1.0 turbo, assim como os 15,8 km/litro na estrada (gasolina). 

Os números oficiais do Inmetro, alcançados em ambiente controlado, colocam o 2008 Hybrid em boa situação, e na prática se consegue marcas melhores. Pelo Inmetro, o carro faz cerca 13,0 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada com gasolina; com etanol, os valores são de 9,0 km/l urbano e 9,6 km/l rodoviário — números que se traduzem em autonomia de aproximadamente 644 km com gasolina por conta do tanque de 47 litros.

O câmbio é uma transmissão automática CVT com simulação de sete marchas, que busca atuar no universo que abrange conforto, resposta rápida e consumo eficiente. Esta caixa não tem trocas “esportivas” definidas, mas trabalha para manter o veículo em regimes de rotação que favoreçam a economia sem sacrificar as respostas prontas nas retomadas ou em ultrapassagens.

Em uso urbano mais intenso, a regeneração de energia e o sistema Start/Stop trabalham a favor do motorista e com atuação constante, ajudando a economizar combustível em congestionamentos e paradas frequentes, ainda que esses ciclos também possam tornar a condução um pouco mais intrusiva para aqueles usuários que não aprovam ou não se adaptaram com o liga/desliga do motor.

Como vimos lá no começo, esta geração do Peugeot 2008 foi apresentada em agosto de 2024, e como a marca injustamente ainda não decolou em vendas (por conta de erros do passado), é ainda um carro que chama atenção por seu belo visual, em especial da dianteira, uma aula de desenho automotivo. Por fora, nada mudou nesta versão GT para 2026, fora o logo Hybrid na traseira. Por dentro, poucas e boas novidades, como a nova interface do multimídia e a atualizações à distância “over the air”.

 Em termos de dimensões, o Peugeot 2008 GT Hybrid traz:

  • Comprimento: 4.309 mm
  • Largura: 1.776 mm
  • Altura: 1.548 mm
  • Distância entre-eixos: 2.612 mm
  • Porta-malas: 419 litros
  • Altura do solo: 22,7 cm

A versão híbrida preserva as linhas marcantes da carroceria do 2008, e traz faróis Full-LED e rodas diamantadas de 17 polegadas exclusivas (e de desenho irretocável). O acabamento bicolor da pintura, com teto em preto brilhante, e detalhes como as costuras dos bancos, conferem um ar premium ao SUV, que se destaca na categoria.

O interior segue com o interessante painel de instrumentos Peugeot i-Cockpit, com volante bem compacto e de base plana, instrumentação digital e configurável e central multimídia de 10,3 polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Esse conjunto multimídia, aliado a uma interface simples de operar e conectividade fluida, atende com eficiência tanto às expectativas dos motoristas quanto à praticidade do dia a dia.

A posição de dirigir não é alta, como é normal nos SUVs, mas baixa como em um carro normal. Chama atenção mesmo pelo i-Cockpit, onde o cluster é visível por cima do volante, e por isso o volante é menor e o painel mais alto. Os mais conservadores torcem o nariz, mas é uma experiência diferente e interessante. Encontrar a posição ideal para dirigir é fácil, por conta dos dos ajustes de inclinação e distância do volante, e da altura do banco do motorista. 

A Peugeot não economizou equipamentos: além dos itens básicos esperados em um SUV dessa faixa de preço, o 2008 Hybrid traz sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera 360° VisioPark, controle de velocidade de cruzeiro, sensores de chuva e crepuscular, teto solar panorâmico e um pacote de assistências ao condutor.

Pela faixa de preço, sentimos falta do piloto automático adaptativo e sistema ativo de permanência de faixas, presentes em alguns modelos concorrentes. Mas traz alerta de colisão com frenagem automática, alerta de saída de faixas, leitor de placas e alerta de ponto-cego, entre outros.

Conclusão

Aos poucos, de uma forma ou de outra, a eletrificação vai se popularizando no Brasil. O Peugeot 2008 Hybrid 2026 não é um híbrido plug-in ou um modelo elétrico puro, nem promete autonomia gigantesca ou zero emissões. O que ele entrega —com competência— é um SUV compacto eficiente, atual e bem equipado, que alia a tradição europeia da marca e suas inovações nem sempre bem entendidas por aqui, a uma proposta híbrida acessível e pragmática para o Brasil. Sua oferta ao mercado é clara: boa economia de combustível, perceptível no dia a dia, sem complicar a rotina do motorista com recargas externas ou soluções de mobilidade que demandem alterações profundas no carro.

Para quem busca um SUV que combine muito estilo, tecnologia e um passo à frente em termos de eficiência energética —sem abrir mão da versatilidade e conforto— o 2008 Hybrid surge como uma opção tranquila e muito bem ajustada às necessidades e condições atuais dos consumidores brasileiros.


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