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TESTE: Jeep Compass Longitude Night Eagle T270

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O Jeep Compass ocupa uma posição importante no mercado brasileiro desde que começou a ser produzido nacionalmente, em setembro de 2016. Ao longo de sua trajetória, o modelo consolidou uma identidade própria, combinando desenho robusto e elegante, posição de dirigir elevada, acabamento elaborado e uma gama de motores que evoluiu para acompanhar as exigências de desempenho e eficiência impostas pelo mercado. A versão Longitude combina o motor 1.3 turbo flex, câmbio automático de seis marchas e um “pacote” tecnológico interessante para manter o Jeep Compass competitivo em uma das categorias mais disputadas do mercado brasileiro.

por Ricardo Caruso

Na linha 2026 dp Jeep Compass, a versão Longitude procura equilibrar preço, equipamentos e desempenho. Posicionada entre as configurações de entrada e as mais sofisticadas (pela ordem Sport 1.3, Longitude 1.3, Serie S 1.3 e Blackhawk 2.0), atende ao consumidor que deseja um SUV médio ainda atual e bem equipado sem necessariamente pagar pelos recursos exclusivos das versões superiores.

A unidade testada por AUTO&TÉCNICA trazia o conjunto visual Night Eagle, com visual “all-black” (escurecido), que substitui os cromados da versão tradicional por acabamentos em preto brilhante (black piano) na grade dianteira, frisos das janelas, rodas de liga-leve, retrovisores e emblemas do veículo.

A receita mecânica combina o motor T270 turbo flex, transmissão automática de seis marchas e tração dianteira. O conjunto privilegia a utilização cotidiana, com potência suficiente para deslocamentos urbanos e rodoviários e uma calibração voltada à facilidade de condução.O Jeep Compass 2026 é produzido no Brasil sobre a plataforma Small Wide 4×4 (compartilhada com Renegade e Fiat Toro).

O Compass Longitude também precisa enfrentar uma concorrência mais exigente. Toyota Corolla Cross, Volkswagen Taos e Caoa Chery Tiggo 7, entre outros, disputam consumidores que valorizam espaço, tecnologia, desempenho e custos de utilização. Nesse cenário, o Jeep aposta na combinação entre a imbatível tradição de marca, desenho reconhecível de longe e cabine que transmite sofisticação.

Desenho: identidade sem exageros

A carroceria do Compass preserva os elementos que ajudaram a consolidar sua imagem. A grade dianteira com as patenteadas sete fendas verticais funciona como a assinatura visual da marca Jeep, enquanto os faróis afilados e o capô elevado reforçam a impressão de robustez.

A dianteira tem presença marcante, mas não depende de soluções excessivamente extravagantes ou exageradas visualmente para se impor. O conjunto mantém proporções equilibradas e transmite a sensação de um veículo preparado para diferentes condições de utilização, inclusive no fora de estrada.

Na lateral, os para-lamas pronunciados e a linha de cintura relativamente alta contribuem para a aparência de solidez. As dimensões são compatíveis com as de um SUV médio, sem alcançar o porte de modelos de categorias superiores. O Compass traz comprimento de 4,40 metros, largura de 1,82 m, altura de 1,63 m e distância entre-eixos de 2,64 m. O vão livre para o solo é de 20,5 cm. Completando o visual lateral, o Jeep Compass Longitude 2026 sai de fábrica com rodas de liga-leve aro 18 e pneus na medida 225/55.

A traseira segue uma linha conservadora, com lanternas horizontais e tampa do porta-malas (que tem 476 litros de capacidade ou 1.180 litros com os bancos rebatidos) de grandes dimensões. O resultado é um desenho facilmente reconhecível, que envelhece aos poucos e de maneira favorável.

Na Longitude, a apresentação externa é mais discreta do que nas configurações com acabamentos cromados ou elementos exclusivos. Essa característica pode agradar a quem prefere uma aparência sofisticada e levemente esportiva, sem o apelo visual mais agressivo de versões especiais.

Motor T270: quatro cilindros e 1,3 litro

O excelente motor T270 é um dos componentes centrais da estratégia da Jeep no Brasil. Com quatro cilindros em linha, 1.332 cm³, 16 válvulas, turbocompressor e injeção direta, ele procura combinar desempenho adequado ao porte do Compass com eficiência compatível com as exigências atuais.

Na configuração flex divulgada para a linha 2026, a potência máxima é de 176 cv (etanol ou gasolina) a 5750 rpm, enquanto o torque máximo chega a 27,5 kgfm (ou 270 Nm, daí o sobrenome) a 1750 rpm. O turbocompresso , como todos sabem, permite aumentar a quantidade de ar admitida nos cilindros, elevando a capacidade de produzir potência sem a necessidade de uma cilindrada maior. A injeção direta contribui para controlar a alimentação de combustível conforme as condições de funcionamento.

A cilindrada relativamente pequena não deve ser interpretada de maneira isolada. Em motores modernos sobrealimentados, a disponibilidade de torque e a calibração eletrônica têm influência significativa sobre a resposta percebida pelo motorista. Apenas como uma comparação boba, o motor 1300 do Fusca, projeto que começou no final dos anos 1930, tinha 46 cv de potência máxima. Quase 100 anos depois, um motor moderno e cheio de recursos com esse da Stellantis, é mais de quatro vezes mais eficiente.

De volta ao mundo atual. no Compass, o torque máximo disponível em rotações relativamente baixas favorece as arrancadas e as retomadas. Essa característica é especialmente útil no trânsito urbano, em aclives e em ultrapassagens que exigem aceleração adicional. A boa potência máxima, por sua vez, permite manter com absoluta tranquilidade um desempenho compatível com o porte do veículo em rodovias.

É uma solução que procura equilibrar força e eficiência, sem recorrer ao motor de maior potência reservado à configuração Blackhawk, o espetacular Hurricane 4, 2.0 Turbo, que entrega 272 cv de potência e 40,8 mkgf (400 Nm) de torque.

Transmissão automática de seis marchas

O T270 trabalha com transmissão automática de seis marchas e conversor de torque, a caixa Aisin AWF6F25. A escolha e calibração aplicada favorece a suavidade nas arrancadas e nas manobras, além de tornar a condução menos cansativa no trânsito congestionado.

Em condições normais, a transmissão procura manter o motor em uma faixa de funcionamento adequada à velocidade e carga solicitada. Quando o motorista exige mais aceleração, a caixa pode reduzir uma ou mais marchas para aproveitar melhor a potência disponível.

Nas ultrapassagens, essa capacidade de redução é importante para melhorar a resposta do conjunto. Entretanto, o resultado depende da velocidade inicial, da inclinação da pista e da carga transportada, claro. Essa transmissão não tem a pretensão de oferecer o comportamento de uma caixa esportiva, mas está alinhada à proposta familiar do Compass Longitude. O conversor de torque também favorece a progressividade e deslocamentos lentos.

Desempenho: força disponível

Os 176 cv e os 27,5 kgfm de torque oferecem uma base mecânica perfeitamente adequada à proposta do Compass Longitude. O comportamento efetivo depende de diversos fatores variáveis, incluindo massa do veículo, temperatura ambiente, combustível, carga transportada e condições dos pneus.

Em utilização urbana, a disponibilidade de torque em baixas rotações favorece a resposta inicial. Em rodovias, a transmissão pode reduzir marchas quando é necessário recuperar velocidade ou enfrentar aclives sem dificuldade alguma.

Com o veículo carregado, tipo cinco ocupantes mais bagagem, as exigências aumentam. Nessas condições, o motor precisa trabalhar com maior frequência em rotações elevadas para manter o ritmo, principalmente em subidas longas. O Compass não se apresenta como um SUV esportivo, mas oferece uma combinação de potência e torque compatível com o uso familiar.

Os números de desempenho são bons e dentro da proposta do Compass Longitude. A aceleração de zero a 100 km/h foi feita em 10,2 segundos, e a velocidade máxima marcada na nossa avaliação foi de 205 km/h, lembrando que o modelo nessa versão pesa 1585 kg.

Consumo: depende…

O consumo é um dos aspectos mais importantes na avaliação de um SUV médio familiar, como o Compass O motor turbo pode trabalhar de maneira eficiente quando submetido a cargas moderadas, mas o resultado depende, claro, da forma de condução. Acelerações intensas, trânsito congestionado e velocidades elevadas tendem a aumentar o gasto de combustível.

A utilização de gasolina ou etanol também modifica os resultados. Como o etanol possui menor conteúdo energético por litro, é normal que o consumo volumétrico seja maior com esse combustível. A escolha economicamente mais vantajosa depende dos preços praticados na região e das médias efetivamente obtidas. Simplificando: quer mais economia? Use gasolina. Quer melhor desemenho? Use etanol.

Em percursos urbanos curtos, o anda-e-para frequente e o funcionamento prolongado em baixa velocidade prejudicam a eficiência do consumo, como é normal. Em rodovias, a condução em velocidade estável pode favorecer o consumo, embora velocidades muitoelevadas aumentem a resistência aerodinâmica.

Os números oficiais do Inmetro indicam que na cidade o consumo é de 10,1 km/litro (gasolina) ou 7,3 km/l (etanol) e, na estrada, 12,1 km/l (G) ou 8,6 km/l (E). Na nossa avaliação, marcamos números cerca de 20% melhores, por conta da diferença dos métodos de medição.

Suspensão e comportamento dinâmico

O Compass utiliza suspensão independente do tipo McPherson na dianteira e sistema independente multibraço na traseira. Essa arquitetura permite controlar os movimentos das rodas e conciliar em boa equação conforto, estabilidade e aderência.

A calibração da suspensão precisa levar em conta dadis como a altura da carroceria, a massa do veículo e a utilização prevista. Um SUV familiar deve oferecer estabilidade em rodovias, mas também precisa absorver irregularidades sem transmitir impactos excessivos aos ocupantes na buraqueira urbana. Em curvas, a transferência lateral de carga é inevitável, pois vidros são elementos pesados e fuicam posicionados no alto. O trabalho da suspensão, dos pneus e dos sistemas eletrônicos é justamente esse, de manter respostas sempre progressivas e previsíveis.

A posição de dirigir elevada no Compass proporciona boa visibilidade, mas também significa que o comportamento da carroceria difere daquele de um automóvel baixo. O Compass procura controlar essas movimentações sem adotar uma calibração excessivamente rígida. Em pisos irregulares, o conforto depende da qualidade do amortecimento, da pressão dos pneus e da carga transportada.

A avaliação completa desse quesito exige rodagem em diferentes superfícies, incluindo asfalto liso, trechos ruins e pavimentos com ondulações. Em todas o Compass Longitude se mostrou muito bem resolvido.

Direção e freios

A direção conta com assistência elétrica, como a maioria dos carros nacionais (incluindo as eletro-hidráulicas), o que facilita as manobras e reduz o esforço exigido em baixa velocidade. Conforme aumenta a velocidade, de maneira progressiva a direção fica mais pesada.

Em rodovias, a calibração proporciona firmeza suficiente para permitir correções precisas de trajetória. O sistema é integrado com a central eletrônica do veículo e “conversa” com o controle de estabilidade (ESC), freios ABS e assistentes de condução ADAS (como o centralizador de faixa e assistente ativo de direção).

Os freios sempre precisam administrar com precisão a energia de um veículo , em especial se ele for relativamente pesado. Os sistemas eletrônicos de segurança auxiliam no controle do veículo durante frenagens e manobras de emergência, mas não eliminam os limites físicos de aderência.

O sistema de freios do Jeep Compass Longitude conta com discos ventilados na dianteira (diâmetro de 305 mm) e discos sólidos na traseira (278 mm), claro que com ABS. As principais características e tecnologias do conjunto são frenagem autônoma de emergência, freio de etacionamento elétrico e Auto Hold.

Interior: acabamento e ergonomia

O habitáculo é um dos pontos importantes para o posicionamento de mercado do Jeep Compass. O painel combina superfícies de diferentes texturas, linhas horizontais e uma apresentação que procura transmitir sofisticação; são diversos materiais de boa qualidade combinados, e os bancos são revestidos de matgerial sintético que imita couro.

A posição de dirigir elevada facilita a percepção do trânsito e proporciona uma sensação de domínio visual. Os ajustes dos bancos e da coluna de direção permitem acomodar diferentes estaturas, e avaliação ergonômica deixa claro o correto apoio das pernas, a posição dos braços e a visibilidade dos instrumentos. A disposição dos comandos de uso frequente é importante para evitar distrações. Funções como climatização e ajustes básicos são acessadas de maneira intuitiva.

A qualidade do acabamento fica clara não apenas na aparência, mas também na qualidade dos revestimentos, como já dissemos, na precisão da montagem das peças e na ausência de ruídos indesejáveis. A versão Longitude procura equilibrar ótima apresentação e funcionalidade, sem necessariamente reproduzir todos os materiais e recursos exclusivos das versões superiores.

Tecnologia e conectividade

A linha 2026 do Compass trouxe recursos digitais importantes para o uso cotidiano. Na configuração Longitude, a central multimídia de 10,1 polegadas e o quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas integram a apresentação tecnológica divulgada pela marca para o modelo. O quadro de instrumentos digital permite apresentar informações de condução em formato configurável.

O sistema multimídia reúne funções de entretenimento, comunicação e conectividade. A integração com smartphones facilita o acesso a aplicativos compatíveis, incluindo serviços de navegação e reprodução de áudio.

Apple CarPlay e Android Auto tem conexão sem fio (wireless); o GPS é nativo, integrado de fábrica; a climatização permite o controle do ar-condicionado digital dual zone direto pela tela ou física; a versão Longitude incluir carregador de celular por indução (sem fio) e integração completa com os comandos de som no volante.

Segurança: assistência ao motorista

Na linha 2026, a Jeep dotou o Compass Longitude de recursos de assistência à condução, e a versão vem de série com o pacote ADAS (Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista) Nível 2, o que inclui comutação de farol alto/baixo automática; ACC (piloto automático adaptativo com Stop & Go); ADA (Assistente Ativo de Direção/Assistente de Centralização em Faixa) e Frenagem Autônoma de Emergência e Reconhecimento de placas de velocidade, entre outros.

Esses sistemas podem auxiliar o motorista, mas não tornam o veículo 100% autônomo, apenas com algumas vontades próprias. O motorista precisa permanecer atento, manter sempre as mãos no volante e estar preparado para assumir o controle. A segurança passiva também deve ser considerada, e esse Compass inclui faróis em LED com luzes de condução diurna e assistente de iluminação em curvas (cornering lights), seis airbags de série e câmera de ré e sensores traseiros de estacionamento.

Espaço interno e porta-malas

O Compass Longitude foi projetado para transportar cinco ocupantes. Na dianteira, a posição elevada e a largura do habitáculo favorecem o conforto. Na traseira, o espaço para pernas depende da posição dos bancos dianteiros, mas nada que fuja à regra de modelos de seu porte.

Como ocorre em vários SUVs médios, três adultos no banco traseiro podem viajar com um pouco menos conforto do que dois, principalmente em trajetos longos.

O rebatimento dos encostos traseiros, como vimos antes, amplia a versatilidade do porta-malas.

Mercado e concorrentes

O Jeep Compass é uma espécie de referência no segmento dos SUVs médios, espécie de inimigo a ser derrotado, e atrás dele é que vieram os concorrentes, sempre com propostas distintas.

O Toyota Corolla Cross aposta na outrora boa reputação da marca e oferece versões com diferentes tecnologias de propulsão, mas peca no barateamentio da suspensão traseira. O Volkswagen Taos destaca espaço interno e comportamento rodoviário e o Caoa Chery Tiggo 7 procura atrair compradores com uma oferta de equipamentos e acabamento competitiva.

O Jeep responde com desenho próprio, posição de dirigir elevada, motor turbo flex e uma combinação de recursos tecnológicos. Mais o carisma da marca.

Conclusão

O Jeep Compass Longitude T270 2026 -no caso da avaliação com o “pacote Night Eagle” procura reunir as características mais importantes desejadas por quem utiliza um SUV médio diariamente.

O motor turbo flex oferece a combinação de potência e torque adequada ao porte do veículo. A transmissão automática privilegia a facilidade de condução, enquanto a suspensão independente nas quatro rodas contribui para a proposta de conforto e estabilidade.

O interior reúne recursos digitais e conectividade, e os sistemas de assistência à condução disponíveis na linha ampliam o conteúdo tecnológico.

A principal ressalva é que o Compass não deve ser avaliado apenas pela aparência ou pela lista de equipamentos. Consumo real, custo de manutenção, espaço útil e preço de aquisição precisam entrar na decisão, e no caso do Compass Longitude, nenhum problema quanto a isso.

O Longitude é a versão que procura encontrar o ponto de equilíbrio entre preço, desempenho e equipamentos dentro da linha Compass. Sua força está na combinação de atributos, e não em uma característica isolada. Para o consumidor que procura um SUV médio turbo, confortável e tecnologicamente atualizado, permanece uma alternativa relevante, talvez a mais interessante de todas.

E o preço? O Jeep Compass Longitude 2026 com o “pacote” opcional Night Eagle tem preço sugerido de R$ 203.890, enquanto a versão base da mesma versão, sem opcionais, sai por cerca de R$ 201.490. No atual cenário do mercado, vale cada moeda.


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