Familiar? Mercedes-AMG GT SUV é um hipercarro de 1153 cv.
A configuração com três motores proporciona desempenho e distribuição de torque no mesmo nível dos hipercarros, tornando este modelo o SUV mais potente do mundo.
O novo Mercedes-AMG GT SUV, que acabou de ser apresentado, é o utilitário esportivo de produção mais potente do mundo, superando o Lotus Eletre e o Porsche Cayenne Electric. Chegou com até 1153 cv de potência e 200 mkgf de torque máximos.
por Ricardo Caruso

O novo veículo elétrico de cinco lugares é o primeiro SUV a ser desenvolvido inteiramente pela AMG e será vendido em três versões diferentes. Na versão 63, a topo de linha, o GT SUV acelera de zero a 100 km/h em 2,7 segundos e faz de zero a 200 km/h em 7,2 segundos, tornando-se o SUV da AMG com a aceleração mais rápida até o momento. Sua velocidade máxima é pode chegar aos 270 km/h (com o opcional “AMG Driver’s Package”).

Os números de desempenho são ainda mais impressionantes se considerarmos o peso do SUV, que varia de 2585 kg a 2695 kg, dependendo da versão e da capacidade da bateria.

Com a mesma potência máxima do recém-lançado AMG GT 63 Coupé de quatro portas elétrico, o GT SUV supera os 1048 cv produzidos pelo hipercarro híbrido AMG One e tem quase o dobro da potência do GLE 63 S com motor V8, que disponibiliza 603 cv.
O GT SUV 63 é o modelo topo de linha de uma gama que também inclui os modelos 55 e 53, menos potentes. O GT 53 já está à venda na Alemanha, com preços a partir de US$ 127 mil. Os modelos 55 e 63 devem chegar aos mercados europeus em abril de 2027.

A AMG também planeja expandir a linha de GT SUVs com um modelo cupê de visual mais arrojado, cujo lançamento está previsto para o início do próximo ano.
A base deste GT SUV, segundo veículo elétrico exclusivo da divisão de desempenho da Mercedes, é a nova plataforma AMG.EA, a mesma utilizada no GT Coupé quatro portas, junto com um sistema de propulsão que utiliza três motores elétricos de fluxo axial da empresa britânica Yasa, pertencente à Mercedes, um sistema elétrico de 800V e uma bateria com células cilíndricas arrefecidas a óleo.
A AMG afirmou que essa configuração foi desenvolvida pensando em desempenho controlado, dentro da tendência de veículos elétricos de alto rendimento reduzirem a potência à medida que as temperaturas do motor elétrico e da bateria aumentam durante aquelas acelerações repetidas mais entusiasmadas e condução prolongada em alta velocidade. Assim, embora a potência máxima de 1153 cv seja o número principal, é mais significativo no uso diário que o GT SUV seja capaz de entregar 711 cv contínuos, o que significa que ele pode manter o alto rendimento por períodos prolongados.

O sistema de transmissão utiliza dois motores de fluxo axial na traseira e um terceiro motor na dianteira, que se desconecta quando não é necessário. Cada um dos motores traseiros opera por meio de sua própria caixa de câmbio de velocidade única, permitindo a funcionalidade completa de vetorização de torque. A vetorização de torque (torque vectoring) é uma tecnologia aplicada em automóveis que controla e distribui a força do motor (torque) de forma independente para cada uma das rodas de tração do veículo, em vez de dividir essa força de maneira igual e constante.

Já o intermediário GT SUV 55 reduz a potência máxima do sistema para 805 cv e 181 mkgf, mas ainda assim acelera de zero a 100 km/h em 3,1 segundos. E o SUV GT 53 -de entrada- usa um sistema de transmissão diferente, com dois motores de ímã permanente convencionais, um em cada eixo, produzindo a potência combinada de 536 cv e 80 mkgf de torque, o que permite aceleração de zero a 100 km/h em 4,2 segundos.

Estão disponíveis duas capacidades de bateria utilizáveis, 106 kWh (na versão de entrada) e 128 kWh (nas duas versões mais potentes), que proporcionam autonomias máximas de 585 e 700 km, respectivamente, dependendo da especificação escolhida. A velocidade máxima de carregamento é de 600 kW para a bateria menor e 710 kW para a maior.

A AMG afirma que a bateria de 128 kWh pode adicionar, na recarga, 450 km de autonomia em 10 minutos, enquanto uma carga de 10 a 80% leva 12 minutos em condições ideais de carregamento, embora a maioria dos carregadores comuns na Europa tenha velocidades limitadas a valores muito mais baixos.
O SUV GT também oferece o sistema “Active Ride Control+” da AMG, que combina molas pneumáticas com amortecedores interligados hidraulicamente para controlar a inclinação lateral, o balanço e a oscilação da carroceria, dispensando o uso de barras estabilizadoras convencionais. Isso é de série no GT SUV 63 e opcional no GT SUV 55, assim como os discos de freio de carbono-cerâmica.

O primeiro SUV totalmente desenvolvido pela AMG adota um desenho diferenciado, que o afasta bastante dos seus “irmãos” da linha Mercedes equipados com motores de combustão interna. Entre os principais elementos exteriores, destaca-se a dianteira, com uma grade frontal fechada (então não é grade, certo?), contorno iluminado e oito elementos verticais. Tal como no GT Coupé quatro portas, a estrela de três pontas na frente será iluminada nos mercados onde a legislação permitir.

Além disso, o GT SUV possui para-choque dianteiro com estrutura robusta e múltiplas entradas de ar para arrefecimento, incluindo aberturas horizontais acima e abaixo da grade e aberturas verticais em cada lateral.

Os faróis dão continuidade ao tema de desenho apoiado na estrela de três pontas, com três elementos individuais alongados que remetem ao logo da Mercedes e formam a assinatura da luz diurna. Entre eles, o capô apresenta dois ressaltos e bordas laterais elevadas sobre os para-lamas dianteiras.

A tampa traseira recebeu um extenso spoiler, para suavizar o fluxo de ar ao redor da vigia, que por sua vez é bastante inclinada. Abaixo dela, encontra-se um painel horizontal preto, semelhante em estilo ao usado no GT Coupé de quatro portas, incorporando um elemento de iluminação opcional, fino e de largura total, e seis lanternas traseiras redondas com grafismos da estrela de três pontas.

Com 5084 mm de comprimento, 2001 mm de largura e 1656 mm de altura, o SUV GT 63 é 130 mm mais comprido, 17 mm mais estreito e 126 mm mais baixo do que o SUV GLE 63 S, e sua distância entre-eixos de 3040 mm é 45 mm maior.

Por dentro, o SUV GT compartilha o painel de instrumentos centrado no motorista como no sedã, com uma tela digital de 10,2 polegadas, outra tela touchscreesen central de 14 polegadas e mais uma tela, também sensível ao toque, opcional, de 14 polegadas para o passageiro, entre outros detalhes importantes.

Os modelos 63 e 55 possuem três controles rotativos para ajustar a resposta do acelerador, o comportamento em curvas e a intervenção do controle de tração. Embora compartilhe a mesma arquitetura básica do GT Coupé quatro portas, o GT SUV utiliza um arranjo de acondicionamento de baterias diferente.

Ao contrário da versão de quatro portas, que possui recortes no conjunto de baterias para acomodar os pés dos passageiros traseiros e assim manter a linha do teto baixa, o SUV GT apresenta o assoalho traseiro completamente plano, possibilitado por sua carroceria mais alta.
A AMG anuncia 607 litros de capacidade de bagagem atrás dos bancos traseiros, aumentando para 1740 litros com os encostos traseiros rebatidos. Há também um compartimento de bagagem dianteiro com capacidade de até 111 litros.