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Manutenção: os cuidados com o óleo do motor

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Na maioria das vezes, algo que parece insignificante pode se tornar um grande problema. É o caso do óleo do motor, que à primeira vista pode ser encarado apenas como mais um componente do nosso carro, mas é essencial para o bom funcionamento do motor. Um descuido com o óleo pode levar a uma avaria grave, que colocará em risco a segurança e o seu bolso. Negligenciar o óleo nas especificações recomendadas no Manual do Proprietário nem sempre acaba bem.

por Marcos Cesar Silva

A principal e mais básica função do óleo no nosso veículo é reduzir o atrito entre as várias peças metálicas que compõem o motor, ajudando a protegê-las do desgaste e da corrosão. Por isso, é importante manter o óleo do nosso veículo em boas condições e estar atento a quaisquer problemas para evitar complicações maiores.

Problemas comuns

Se não nos lembrarmos de trocar o óleo regularmente no período determinado pelo fabricante, o motor de seu carro poderá apresentar problemas sérios, como os seguintes:

Travamento do motor por falta de óleo: Um motor trava -literalmente- quando suas peças internas ficam bloqueadas devido à falta de lubrificação adequada, função essencial do óleo. Atrito em excesso aumenta a temperatura, as peças móveis podem quebrar ou dilatar e, assim, travarem. Em resumo, metal contra metal sem óleo entre eles significa atrito excessivo, desgaste prematuro e quebra. Isso acontece se você estiver dirigindo com pouco ou nenhum óleo, se o óleo estiver vencido ou for de má qualidade, se você estiver usando o tipo errado de óleo ou se o filtro de óleo estiver entupido.

Corrente de comando de válvulas sem óleo: a corrente gira em alta velocidade e fricciona contra guias e engrenagens, portanto, sem óleo para lubrificar, resfriar e prevenir o desgaste, temos aqui um problema sério. Sem óleo, a corrente desliza e perde a sincronização, fazendo com que o motor funcione mal. Além disso, ela pode ficar frouxa, pular um ou mais dentes e, em última instância, causar a falha do motor. Existem motores, como os usados atualmente pela GM, em que o comando de válvulas é acionado por correia de borracha, extremamente problemática e sensível às condições e características do lubrificante. Atenção redobrada nesse caso, pois óleo lubrificante e borracha não é a melhor das combinações.

Nível baixo de óleo do motor: Um nível baixo de óleo significa que há menos óleo do que é precisa para o funcionamento correto e seguro. Se o óleo não chegar a todas as peças de forma eficaz, isso aumenta o atrito e causa desgaste. Além da lubrificação, como mencionado, o óleo também resfria o motor; portanto, se houver pouco óleo, o motor irá superaquecer, acelerando sua deterioração. Essa falta de óleo causaria os outros problemas mencionados e levaria a danos graves.

Como detectar algo errado

Evitar esse problema depende em grande parte da realização de verificação e manutenções regulares, incluindo trocas de óleo e outros cuidados necessários. No entanto, também podemos ficar atentos a vários sinais de alerta que indicam que algo está errado, e o culpado é o óleo.

Analisando os problemas mencionados anteriormente, os sintomas são claros e óbvios. Quando o motor trava, ele simplesmente para de funcionar, o carro para repentinamente e não liga novamente. Antes de chegar a esse ponto, podemos ter notado sinais de alerta, como a luz vermelha do óleo acesa, um forte ruído metálico, alta temperatura do motor, perda de potência e cheiro de queimado .

Se o problema estiver relacionado com a corrente a de comando, os sinais de falha seriam os seguintes: um ruído metálico ao ligar o motor, o barulho de uma corrente solta batendo em algo, a luz do óleo acendendo em vermelho, o carro perdendo potência e o motor funcionando de forma irregular. O maior problema com a corrente é que ela não quebra repentinamente e, em geral, quando detectamos o desgaste e o dano, já é tarde demais. Já as correias de borracha, como no caso dos Chevrolet nacionais, podem se romper de maneira repentina. E aí válvulas e cabeçote já eram…

Um nível baixo de óleo é fácil de detectar, pois o carro irá alertá-lo com uma luz vermelha acesa no painel. É importante saber que, assim que essa luz acender, você deve desligar o motor e parar o carro, pois a situação já estará em estado de alerta, e continuar dirigindo só piorará a situação e colocará o motor em perigo. Outros sintomas incluem ouvir um ruído metálico, sentir cheiro de queimado, superaquecimento do veículo ou perda de potência. A queda do nível de óleo ao mínimo pode ser devido ao consumo natural ou a um vazamento.

Os óleos lubrificantes são classificados em três principais categorias:

Mineral: primeiro, o óleo mineral é feito a partir do petróleo bruto e é indicado para motores mais antigos e menos exigentes. Dessa forma, sua viscosidade é maior, o que proporciona lubrificação mais espessa, embora possa precisar de trocas mais frequentes.

Semissintético: em seguida, temos o óleo semissintético, que é uma mistura entre o mineral e o sintético. Ele oferece um equilíbrio entre custo e desempenho, além de prolongar a vida útil do motor. Portanto, é uma opção interessante para quem busca um bom custo/benefício.

Sintético: por fim, o óleo sintético, que é desenvolvido em laboratório e apresenta alta performance, maior durabilidade e proteção superior para o motor. Assim, é ideal para carros modernos e de alto desempenho.

Para cada problema, uma solução

É importante ressaltar que prevenir problemas é tão simples quanto realizar a manutenção regular e trocar o óleo quando necessário. Se isso não foi feito e você está enfrentando dificuldades, é crucial resolvê-las o mais rápido possível para evitar danos maiores ao seu veículo. Dedo de frentista de posto de abastecimento está anos-luz distante de ser a maneira correta de identificar a situação do óleo do motor de seu carro.

Verificar o nível do óleo é o primeiro passo para prevenir problemas maiores. Isso deve ser feito com o motor frio. Insira a vareta de medição várias vezes, limpando-a entre cada inserção. O nível de óleo deve estar entre as marcas de mínimo e máximo. Se estiver próximo do mínimo, complete o nível de óleo. É crucial não misturar óleos (marcas e especificações), não usar qualquer óleo e não colocar óleo em excesso. Se você só completar o óleo, sem trocar no período certo, acabará criando uma borra enorme no cárter, o que entupirá os canais de lubrificação e filtro, e acabará com o motor de seu carro de maneira prematura.

O óleo deve ser trocado normalmente a cada 10.000 a 15.000 quilômetros. As trocas de óleo devem seguir as recomendações do fabricante do veículo, mas, em geral, os prazos recomendados são:

Carros com óleo sintético: a cada 10.000 ou 15.000 km, dependendo da especificação.

Carros com óleo semissintético: a cada 7.500 ou 10.000 km, ou a 6 meses.

Carros com óleo mineral: a cada 5.000 km ou 6 meses.

Filtros e aditivos

Também é importante verificar o filtro de óleo, pois um filtro sujo permite que óleo sujo e contaminado circule pelo motor. No máximo substitua o filtro a cada três trocas de óleo, mas por ser um item muito barato, recomendamos fazer a troca óleo-filtro em conjunto. Além disso, é importante ficar atento a vazamentos, que podem ser detectados por manchas no chão onde o veículo estava estacionado ou por uma cuidadosa observação do motor. Nesse caso, você deve verificar o bujão de drenagem, o encaixe do filtro e as juntas do motor e do cárter, ou levar seu veículo a um mecânico. A tampa de válvulas é um item que também pode apresentar vazamentos.

Outro cuidado é evitar a adição de aditivos ou “restauradores de metal” ao óleo lubrificante. Cada fabricante de óleo já aditivou seu produto com o necessário, e aditivos paralelos podem provocar reações químicas que destroem as características originais do lubrificante. Outros “aditivos” utilizam cloro em sua composição. A presença desse elemento em motores automotivos é controversa, pois pode reagir com a umidade e formar compostos ácidos que corroem componentes de motor, como alumínio e rolamentos. 

Produtos “condicionadores de metal”, como o Militec, por exemplo, são frequentemente associados ao uso de cloro em sua fórmula. Já foram alvo de análises da Agência Nacional de Petróleo, que identificaram a presença de cloro e alertaram para possíveis riscos de corrosão, além de terem sido multados por “comercialização de produto sem registro” como aditivos. Por outro lado, os fabricante defendem a eficácia e segurança de seus produtos, mas com base em estudos independentes, o que está longe de ser 100% confiável.

Evitar problemas maiores também envolve prestar atenção. Se você ouvir batidas e ruídos metálicos ao ligar o motor, algo pode estar errado com o óleo. Resumindo, em carros novos, o ideal é verificar o nível de óleo uma vez por mês, trocar o óleo e o filtro no prazo recomendado, ficar atento a ruídos incomuns e luzes de advertência, e usar o óleo correto para a marca e modelo do seu veículo. Em carros mais antigos, importantíssimo fazer a verificação do nível toda semana e não seguir soluções mágicas divulgadas na internet, que sugerem alterar a especificação do lubrificante sem nenhum embasamento técnico.


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