TESTE: Citroën Aircross XTR 7 Turbo 200 2026
A Citroën resgatou para a linha 2026 a sigla XTR —de eXTReme– como parte da sua nova estratégia para dar um caráter mais aventureiro a modelos compactos. No caso do Aircross 7, que como o nome indica tem sete lugares, a versão XTR representa o topo da gama, unindo um visual mais robusto, que sugere aptidão para enfrentar estradas de terra e um bom nível de equipamentos, sem abrir mão da praticidade para famílias. O primeiro XTR da marca foi no antigo C3, que disponibilizou essa versão de 2006 a 2011
por Ricardo Caruso

O Aircross 7 já era conhecido por oferecer uma boa opção de SUV compacto com terceira fileira de bancos removível, o que o torna versátil para uso urbano e familiar. Com a chegada da versão XTR, a Citroën busca ampliar a atração para consumidores interessados em algo do tipo “aventureiro light”, sem necessariamente dispor de capacidades off-road mais extremas.

POWERTRAIN
O Citroën Aircross XTR 7 2026 utiliza o motor 1.0 turbo flex da Stellantis, que entrega 125 cv de potência máxima com gasolina e 130 cv com etanol, ambos a 5.750 rpm. O torque máximo é de 20,4 mkgf (ou 200 Nm) a 1750 rpm, o que permite mais agilidade em baixas rotaçoes; ele é acoplado a uma transmissão automática do tipo CVT com sete marchas simuladas.

Esse torque, elevado para um motor de 1.0 turbo, sugere que a engenharia trabalhou para extrair desempenho útil: não apenas em acelerações, mas também para tornar o carro “esperto” mesmo em condições de carga (sete passageiros ou cinco mais bagagem).


A adoção do câmbio CVT favorece o conforto de condução, especialmente em trânsito urbano, onde a variação de marchas não é percebida como em uma caixa automática convencional. Também ajuda a manter o motor em faixas eficientes de rotações, especialmente quando combinado ao bom torque disponível já em rotações baixas.

Com isso, aceleração de zero a 100 km/h é feita em 9,6 segundos com etanol e 10,2 s com gasolina. A velocidade máxima anunciada é de 197 km/h, com etanol. Esses números mostram bom equilíbrio: não é um esportivo, nem essa é sua proposta, mas com esse conjunto motor/transmissão, o Aircross XTR oferece desempenho muito honesto e competitivo para um SUV compacto sete lugares, especialmente se o foco principal for o uso familiar em cidades e estradas.



Nas nossas medições, o consumo em ciclo urbano foi de 7,9 km/litro com etanol e 11 km/l com gasolina para a versão XTR 7. Em estrada marcou 9,4 km/l com etanol e 13,2 km/l. Com tanque de combustível de 47 litros, a autonomia teórica chegaria a 620,4 km.
Esses valores refletem bem a versão de sete lugares: maior peso, possível carga extra e dimensão implicam em consumo um pouco mais elevado do que modelos menores, mas ainda competitivo para a proposta.






O Aircross XTR 7 tem 4.320 mm de comprimento, 1.796 mm de largura, 1.678 mm de altura e distância entre-eixos de 2.675 mm; o vão livre em relação ao solo é de 23,3 cm e o peso de 1.272 kg. A capacidade do porta-malas é de 493 litros com a configuração de cinco lugares. Com sete lugares, o espaço para bagagem fica, claro, bem reduzido.
Essas medidas mostram como o Aircross XTR 7 equilibra bem a necessidade de acomodar sete ocupantes -o que é raro- sem tornar-se um carro excessivamente grande. Isso é importante para quem precisa de um carro familiar, mas quer manter boa agilidade em ambiente.

O Aircross XTR 7 2026 utiliza uma configuração de suspensão padrão para o segmento, com ajustes focados no conforto característico da marca, extremamente confortáveis sem comprometer a segurança.


Na dianteira usa sistema McPherson, independente, com molas helicoidais e amortecedores. Na traseira, eixo de torção, semi-independente, com molas helicoidais e amortecdores hidráulicos. Esse conjunto é típico de SUVs compactos familiares: a suspensão dianteira independente ajuda no conforto e estabilidade nas curvas, enquanto o eixo de torção traseiro é uma solução econômica e eficiente quando não se exige suspensão tipo multilink, mais cara e sofisticada, oferecendo boa robustez para uso misto.
O Citroën XTR 7 2026 possui um sistema de freios composto por discos ventilados na dianteira e freios a tambor na traseira, além de diversos sistemas eletrônicos de assistência. A presença dos discos ventilados na dianteira melhora a eficiência de frenagem, especialmente quando se carrega carga ou passageiros, por dissiparem bem o calor gerado nos discos. Já os tambores atrás são a escolha tradicional em veículos mais baratos, já que são mais econômicos na produção do modelo e adequados à proposta e compromissos de uso familiar leve.
Completa o conjunto mecânico a direção com assistência elétrica, o que ajuda na manobrabilidade urbana e reduz o esforço do motorista. O diâmetro de giro é de 10,8 metros, razoável para um SUV de seu porte, facilitando manobrar em trechos urbanos.

O Aircross XTR 7 é bem calçado. Traz rodas de liga leve de 17 polegadas, com pintura grafite acetinado, Os pneus são 215/60, Pirelli Scorpion HT (uso misto, projetados para rodar tanto no asfalto quanto em trechos menos pavimentados). A escolha desse tipo de pneu reforça a proposta aventureira-tranquila do veículo.


Em termos de segurança, esta versão XTR conta com quatro airbags. Ele traz ainda freios com ABS, ESC (controle eletrônico de estabilidade), ASR (controle de tração) e EBD (distribuição eletrônica de frenagem). Há reforço estrutural no teto para permitir carga extra no rack; segundo a Citroën, até 30 kg podem ser transportados ali.
A combinação desses elementos reforçam a segurança ativa e passiva, demostrando que a versão XTR não é apenas estética aventureira, mas uma versão projetada para resistir a uso um pouco mais exigente e transportar seus ocupantes com segurança.

Já no quesito equipaments, o Aircross7 XTR é bem recheado: sistema multimídia “Citroën Connect” com tela de 10 polegadas e espelhamento de smartphone sem fio (Android Auto/Apple CarPlay); painel de instrumento digital de sete polegadas; “piloto automático” com regulador/limitador de velocidade; sensor de estacionamento traseiro; travamento automático das portas e do porta-malas com o veículo em movimento; vidros elétricos dianteiros e traseiros com função “one-touch” de subida/descida e proteção antiesmagamento; bancos com revestimento sintético que imita couro com costuras em tom verde claro (“Light Green”), mesmo tom usado nos adesivos externos, e o volante também é revestido.
Os bancos da terceira fileira são rebatíveis e removíveis, o que oferece flexibilidade para alternar entre espaço para bagagem e uso familiar. Há ainda aerofólio traseiro, teto pintado de preto, emblemas “XTR” no exterior e interior, detalhes em preto brilhante e verde claro e decoração específica da versão
A combinação desses itens reforça que o posicionamento Aircross XTR 7: não se trata apenas e uma versão visualmente diferenciada, mas algo bem pensada para famílias que querem versatilidade e, dentro do possível, um pouco de espírito aventureiro.
Ao volante, o Aircross XTR 7 oferece uma condução tranquila e equilibrada, ainda mais considerando o motor turbo e o torque mais elevado. A resposta do acelerador nas baixas rotações é bastante satisfatória, algo especialmente útil quando o veículo está carregado, seja de passageiros e/ou de bagagens.






O câmbio CVT ajuda a manter o motor sempre em uma faixa confortável de giros, evitando trocas bruscas e garantindo suavidade, principalmente nas manobras urbanas. No caso de aceleração mais agressiva, o CVT simula as marchas para dar a sensação de transição, sem os trancos de uma caixa automática convencional.
A suspensão, por sua vez, mostra-se muito bem calibrada: a dianteira McPherson absorve bem ondulações e buracos, enquanto o eixo de torção traseiro faz seu papel de forma eficiente, mesmo quando há carga extra. Em estradas de terra, os pneus mistos Pirelli Scorpion HT ajudam a manter a aderência sem comprometer demais o conforto.

Nas frenagens, os discos ventilados dianteiros garantem bom poder de parada, mesmo em situações de carga. Já os tambores traseiros funcionam adequadamente para este tipo de uso. Em curvas, embora não seja um carro esportivo, o Aircross XTR 7 transmite segurança: o controle eletrônico (ESC, ASR) ajuda a manter estabilidade, e a direção elétrica tem resposta adequada para ajustes de trajetória, mantendo o carro previsível nas curvas.
A terceira fileira é um dos pontos mais importantes dessa versão: dois bancos individuais rebatíveis e facilmente removíveis permitem configurar o interior conforme a necessidade. Para uso familiar, é perfeito para crianças, mas para longas jornadas com adultos, talvez haja limitações de espaço dependendo do tamanho dos que por ali se acomodam. Já para quem precisa de espaço para bagagem, remover ou rebate-los é uma opção.

O reforço estrutural para suportar carga no teto (até 30 kg) é um toque prático: possibilita a instalação de bagageiro ou itens de aventura leve (caixa de teto, bike, rack etc.), sem comprometer a segurança ou a integridade estrutural.
O Citroën Aircross7 XTR Turbo 200 AT tem preço a partir de R$ 129.990. Não tem opcionais e é disponível em três cores, sendo a Preto Perla a única sem custo adicional. Para as outras, os preços variam de R$ 2.900 para a Branco Banquise (como a da unidade avaliada) até R$ 3.500 na Cinza Artense, ambas com teto preto.
CONCLUSÃO
O Citroën Aircross7 XTR surgiu como uma proposta muito bem sacada pela marca, para quem quer um SUV compacto, de sete lugares e com um toque aventureiro, mas sem abrir mão de conforto, eficiência e um bom “pacote” de segurança. Ele não é dedicado a trilhas pesadas, mas seu desenho, pneus e estrutura reforçada permitem uma versatilidade superior ao de muitos SUVs urbanos.

Para famílias que valorizam espaço, praticidade e um carro para toda obra, o Aircross XTR 7 é uma alternativa bastante competitiva. Seu motor turbo flex entrega desempenho adequado e, ao mesmo tempo, permite bom nível de consumo para trechos mais longos, especialmente quando abastecido com gasolina. A transmissão CVT dá suavidade ao manejo, e a terceira fileira de bancos removível aumenta bastante a flexibilidade de uso.
Em poucas palavras: é um SUV familiar bem equilibrado, com apelo “aventura leve”, que agrada tanto no uso urbano quanto nas escapadas na terra ou viagens.Levando em conta o que oferece —motor turbo, sete lugares, acabamento diferenciado e muitos equipamentos — esse valor posiciona a versão como uma opção bastante atraente para quem busca um SUV familiar premium acessível e com jeitão aventureiro. Entre os pontos fortes, destacamos a versatilidade de espaço, bom torque, conforto ao volante, visual aventureiro, segurança e boa autonomia. É um modelo que deve ser considerado.

