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TESTE: Fiat Toro Volcano 1.3 Turbo 2026

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Desde sua estreia em 2016, a Fiat Toro consolidou uma nova categoria de veículos no mercado brasileiro: o segmento das “picapes intermediárias”, aquelas posicionadas entre as compactas tradicionais e os modelos médios com chassi e tração integral mais robusta. Em sua linha 2026, recentemente apresentada, a versão Volcano 1.3 Turbo Flex que AUTO&TÉCNICA avaliou representa a proposta mais equilibrada da gama, combinando desempenho eficiente com conteúdo tecnológico, mantendo o custo de aquisição mais racional que as configurações diesel. A versão custa hoje, em preço sugerido, R$186,5 mil.

por Ricardo Caruso

A picape Toro é um impressionante caso de sucesso no mercado brasileiro. Recebeu sua segunda atualização desde 2016. Ao completar 10 anos, a picape recebeu retoques no visual, novos equipamentos e manteve tanto as versões quanto as motorizações já utilizadas, ou seja, 1.3 turbo e o 2.2 turbodiesel. Na verdade a Fiat se deu bem no segmento das picapes. com a Strada, Toro e Titano; a Stellantis ainda dispõe das RAM.

Esta segunda série de mudanças traz na Fiat Toro 2026 um pouco da nova identidade global da marca, com linhas mais retas. Na frente, muito bem desenhada, as luzes diurnas com LEDs ficaram maiores, e o para-choque está mais vincado. A grade tem barras verticais pronunciadas, destacando ainda mais o logo “Fiat”; a parte inferior do para-choque recebeu novos elementos, como já aconteceu com Pulse, Fastback e Cronos. Nas laterais, novas rodas de aro 18, calçadas com pneus 225/60.

Na traseira, as lanternas receberam novo reposicionamento dos elementos internos, trabalham com LEDs, e o para-choque segue a mesma ideia visual do dianteiro, com duas saídas verticais de ar simuladas nas extremidades. A tampa da caçamba segue com a excelente abertura lateral, agora com novo puxador, também mais quadradinho. Estes para-choques redesenhados acrescentaram 9 mm (menos de 1 cm) no comprimento da Toro, que agora é de 4.954 mm. O efeito visual não é só de contemporaneidade, mas também sugere algo mais parrudo.

O nosso teste, que você acompanhará a seguir, foi realizado em três situações distintas: circuito urbano, estrada em alta velocidade e pequenos trechos mistos com carga parcial, permitindo analisar comportamento dinâmico, consumo, ergonomia, uso da caçamba e viabilidade para o público alvo (trabalho + uso familiar).

A Toro avaliada usa o excelente motor 1.3 T270, fabricado pela Stellantis em Betim (MG). Trata-se de um motor de concepção moderna, com quatro cilindros em linha; 16 válvulas com comando variável (MultiAir III), bloco e cabeçote de alumínio; turbo-compressor com válvula de alívio eletrônica; injeção direta e flex, com 176 cv de potência máxima (etanol) e 171 cv (gasolina) a 5.750 rpm, e torque máximo é de 27,5 mkgf a 1.750 rpm

Diferentemente de motores turbo convencionais que focalizam basicamente o alto desempenho, o T270 adota calibração que busca a maior entrega do torque em baixas rotações, para compensar o peso do veículo (em torno de 1.670 kg). O torque máximo chega cedo e é mantido numa ampla faixa — entre 1.750 e 4.500 rpm — o que contribui para retomadas de velocidade rápidas, mesmo com carga.

A transmissão usada é a automática Aisin AT6, com conversor de torque, que apresenta trocas suaves e trabalha de maneira silenciosa, privilegiando o conforto. As relações são bem definidas, favorecendo a aceleração inicial sem prejudicar o consumo. Em descidas, há atuação do “Grade Logic” (ou Grade Logic Control – GLC), tecnologia de gerenciamento eletrônico de câmbio automático que adapta o padrão de trocas de marchas ao estilo de direção do motorista e às condições da via, como subidas e descidas.  Na Toro, retém as marchas para ajudar nas frenagens. A tração é dianteira e há possibilidade de engates manuais pela alavanca.

Diferente de picapes maiores e com chassi, a Toro parte de uma estrutura monobloco, mais rígida torsionalmente e com melhor filtragem de vibrações. A suspensão combina sistema McPherson na dianteira e multilink na traseira.

Esse esquema entrega comportamento mais próximo das SUVs do que das picapes, absorvendo irregularidades com precisão e sem o típico “quicar” da traseira das picapes vazias. Em alta velocidade, a Toro mantém estabilidade direcional notável, com o peso de direção variando eletricamente.

O sistema de freios inclui discos nas quatro rodas, ABS com EBD e freio de estacionamento elétrico com Auto Hold, que elimina assim a alavanca no console e é acionado automaticamente ao desligar o veículo. O pedal de freio tem curso progressivo e respostas lineares. Em frenagens de emergência, o controle de estabilidade atua rapidamente, mantendo a trajetória firme. Além do controle de estabilidade, há assistente de partida em rampa, estabilidade de reboque (TSA) garantido pelos sistemas de auxílio eletrônicos e sistema de manutenção de faixa, entre outros.

A velocidade máxima é de 197 km/h e a aceleração de zero a 100 km/h é feita em 10,2 segundos, sempre com etanol. Marcas muito boas para uma picape de seu porte. O consumo na cidade é de 8,3 km/litro (etanol) e 11,8 km/l (gasolina); na estrada esse números sobem para 9,5 km/l (etanol) e 11,9 km/l (gasolina). As calibrações corretas do turbo e do câmbio automático explicam essas boas marcas.

Por dentro, excelente acabamento. O interior traz bancos com bom apoio lombar, regulagem elétrica para o motorista e posição elevada de dirigir. Os bancos são revestidos de material sintético que imita couro e acomodam bem cinco ocupantes. A visibilidade é ampla para a frente, mas o formato da caçamba limita um pouco a visão traseira, compensada pela câmera ali instalada com linhas dinâmicas.

A central multimídia tem tela vertical de 10,1 polegadas, com sistema de navegação integrada, conectividade Android Auto e CarPlay sem fio, processador rápido (usa a plataforma Uconnect de última geração) e é simples de operar. O painel traz ainda instrumentos digitais (tela de sete polegadas), comandos físicos bem posicionados para climatização, volante multifuncional revestido e com ótima empunhadura; o ambiente é luxuoso.

A caçamba tem 937 litros de volume, revestimento, “capota marítima” e capacidade de carga de até 650 kg (1 tonelada na diesel). A tampa traseira bipartida é uma boa sacada da Fiat e permanece como um prático diferencial. O espaço da caçamba serve mais ao uso urbano e recreativo diário do que ao transporte de carga pesada.

CONCLUSÃO

A Toro Volcano 1.3 Turbo 2026 entrega com maestria equilíbrio entre desempenho, conforto e tecnologia. Para quem não necessita de tração 4×4 ou alta capacidade de carga, ela se mostra a escolha mais racional da linha Toro. Seu comportamento dinâmico é superior às picapes médias de chassi e o nível de acabamento eleva a experiência de uso urbano e rodoviário.

Aqui vai um segredinho. O executivo da Fiat que trabalhou na criação e desenvolvimento da picape Toro, levou o projeto várias vezes para a itália, onde tentou apresentar a Sergio Marchionne, o falecido CEO da marca de 2004 a 2018. De cara, o genial Marchionne desprezou a ideia. O executivo insistia a cada reunião e foi até ameaçado de demissão caso insistisse mais nesse assunto. Com o tempo, Marchionne acabou cedendo, analisou o projeto com atenção e aceitou a ideia, dando o OK para o seguimento dos trabalhos.

A Fiat Toro Volcano 2026 equipada com o motor 1.3 T270 Turbo Flex consolida um conceito que mudou o mercado brasileiro de picapes: o monobloco urbano de uso misto, combinando atributos de SUV médio com capacidade de transporte superior aos SUVs. A Toro Volcano 1.3 oferece o conjunto mecânico mais coerente para o uso típico do consumidor urbano da categoria. Com seu motor de alto torque útil, baixa vibração, boa eficiência com etanol, mais o comportamento dinâmico refinado, entrega na dose certa o melhor equilíbrio entre conforto, desempenho e economia da categoria.




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