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GWM prepara superesportivo híbrido com motor V8 biturbo

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Enquanto marcas chinesas como a BYD continuam apostando quase todas as suas fichas na eletrificação, a Great Wall Motor (GWM) prepara-se para apresentar um modelo superesportivo equipado com motor V8 a gasolina. Todo novo, parcialmente eletrificado e 100% desenvolvido pela marca.

por Ricardo Caruso

A imagem que mostramos abaixo foi a primeira liberada pela GWM. Foi publicada pelo chefão da marca, Wei Jianjun, lembrando que este será o primeiro supercarro da marca chinesa e que será apresentado oficialmente no próximo Salão de Xangai. Apesar de estar totalmente coberto na foto, feita no âmbito das celebrações dos 35 anos da GWM, percebe-se que se trata de um supercarro de proporções generosas: capô longo, bitolas largas e entradas de ar laterais de grandes dimensões, o que denuncia o posicionamento do motor na traseira. Os alvos? Ferrari e Lamborghini. Mas mais que isso, servirá como cartão de visitas da empresa.

Ter como referência os supercarros europeus da Lamborghini e Ferrari é algo inevitável nesse sofisticado segmento, mas há talvez uma rivalidade doméstica maior. No caso o Yangwang U9, o supercarro da BYD com quatro motores elétricos e 1.287 cv de potência máxima e 168 mkgf de torque, que foi lançado em setembro do ano passado, como o primeiro superesportivo da marca. Seu preço na China é equivalente a R$ 1,3 milhões e, até o mês passado, já havia vendido pouco mais de 160 unidades. A GWM prevê preço em torno de R$ 1 milhão para seu modelo.

O BYD Yangwang U9, de quatro motores elétricos.

Os primeiros dados oficiais deste motor V8 já são conhecidos e não impressionam tanto quanto as absurdas 10.000 rpm do novíssimo motor do Lamborghini Temerario. Este motor da GWM terá 4.000 cm3 de capacidade, dois turbocompressores e será capaz de alcançar “apenas” 8.000 rpm. O projeto está em desenvolvimento desde 2021, com o nome interno de “BG”, e pode estrear uma nova submarca na empresa, a “自信汽车” (Zixin Qiche), que se pode traduzir mais ou menos por “Automóvel Confiante”, registrada no início deste ano. Segundo os poucos dados divulgados, além dos 4.0L e da capacidade de alcançar as 8.000 rpm (um feito difícil neste tipo de motor), conta ainda com sistema de injeção duplo — direta e indireta — e duas bombas de óleo, para garantir desempenho e confiabilidade em condições extremas.

Além disso, sua construção privilegia a leveza, com uso de alumínio no bloco e ausência quase total de componentes em plástico, algo também raro nos dias de hoje; itens plásticos sofrem com a variação de temperatura e são mais frágeis. Este motor já foi mostrado, acoplado a uma caixa de câmbio automática de oito velocidades com conversor de torque, funcionando em conjunto com um motor elétrico montado entre o bloco e a transmissão.

Cinco anos de desenvolvimento depois, nem na precavida China, epicentro da eletrificação automotiva mundial, os gloriosos motores de combustão querem desaparecer. Longa vida aos motores V8! Ao optar por um sistema híbrido plug-in combinado com um fantástico V8, a marca chinesa quer oferecer o melhor dos dois mundos: um motor elétrico para a cidade e um V8 potente para quando a adrenalina chamar, seja nas estradas ou longe do asfalto, já que se comenta a aplicação desse motor, “amansado”, em modelos híbridos da Tank e Wey, duas de suas submarcas.


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