Honda joga a toalha na briga com os chineses
Há anos quem realmente estende de automóveis vem alertando: a nova meca da indústria automotiva não está na Europa ou nos Estados Unidos, e sim na China. Goste você ou não, isso é irreversível A indústria automotiva chinesa está redefinindo as regras do jogo em nível global com uma combinação letal de rapidez, custos de fabricação ultrabaixos, qualidade e extrema eficiência.
da Redação

Enquanto as montadoras tradicionais (ou “marcas legadas”, que tentam viver do passado, como são chamadas agora pela indústria de tecnologia) lutam para se adaptar, as cadeias de suprimentos chinesas demonstram capacidade que deixa até mesmo executivos com décadas de experiência no setor sem palavras.
No final de fevereiro de 2026, Toshihiro Mibe, chefão da Honda, visitou uma fábrica de determinado de fornecedor de componentes em Xangai, na China. O que ele viu o impressionou profundamente: uma fábrica totalmente automatizada, sem operadores à vista, e com processos logísticos integrados que permitiam a fabricação de componentes de alta qualidade a custos imbatíveis. A fábrica, que também fornece para a Tesla, representava a essência da vantagem chinesa: rapidez, preço baixo e qualidade .
Segundo a imprensa japonesa, Mibe resumiu sua impressão com uma frase incomum para um executivo japonês: “Não podemos fazer nada a respeito”. Não foi uma rendição, mas sim o reconhecimento da lacuna competitiva na cadeia de suprimentos. Simplesmente jogou a toalha.
Os números reforçam as preocupações da marca japonesa. As vendas da Honda na China despencaram de um pico de mais de 1,6 milhão de unidades em 2020 para aproximadamente 645 mil em 2025, contração de cerca de 1 milhão de veículos. Essa tendência continua em 2026, com quedas mensais superiores a 15% e chegando a 40% em alguns períodos. A utilização da capacidade produtiva da empresa naquele país gira em torno de 50%, bem abaixo do patamar de 70-80% normalmente exigido para gerar lucro.
O problema é que esse declínio não se limita aos veículos com motor de combustão. Ninguém na China quer os modelos elétricos da Honda e, no resto do mundo, a cada dia a marca perde mais interessados. Com isso, os números apontam para um problema mais profundo: a empresa vendeu apenas 17.000 unidades em 2025, representando apenas 2,5% de suas vendas naquele mercado.
Com isso, a marca -que se apequenou e já perdeu o rumo no Brasil- teve que repensar sua estratégia de eletrificação, cancelando projetos como o Honda Civic ( SUV e Sedan) e o Acura RSX destinados ao mercado norte-americano, o que gerará imensos prejuízos de cerca de US$ 15,8 bilhões. Além disso, a joint venture com a Sony para os modelos Afeela também foi encerrada.
O susto para a Honda vai além de uma única visita aos chineses. Tudo é mais profundo. Os fabricantes chineses reduziram o ciclo de desenvolvimento de um novo veículo para cerca de 24 meses, em comparação com os quatro a cinco anos (ou mais) tradicionalmente exigidos pelas marcas mais antigas.
Empresas como BYD, Geely, SAIC e Leapmotor não apenas dominam o mercado interno, mas também expandem sua atuação para outros países. Em fevereiro, já eram 15 as marcas chinesas operando no Brasil, número que deve chegar a 19 ainda neste primeiro semestre. Os chineses já dominam mais de 10% do mercado de automóveis no Brasil.
Jim Farley, chefão da Ford, afirmou que a capacidade de produção atual da China poderia abastecer todo o mercado norte-americano e “eliminar todos os outros fabricantes do ramo de fabricação de automóveis”. Enquanto isso, executivos da Toyota expressaram, em reuniões internas, um sentimento de “crise existencial” caso uma mudança radical em seus métodos operacionais não seja implementada.
A vantagem da China reside não apenas no preço, mas na combinação de escala, inovação contínua e agilidade.
Diante dessa situação de penúria, a Honda está tomando diversas medidas. A empresa planeja dar maior autonomia à sua divisão de Pesquisa e Desenvolvimento, transferindo milhares de engenheiros para uma nova subsidiária de engenharia com mais liberdade criativa do que nos últimos anos. O objetivo é acelerar o desenvolvimento e recuperar terreno na área de inovação.
A concorrência chinesa não oferece apenas veículos mais baratos e com atualizações frequentes, mas também um ecossistema completo que inclui fabricação de baterias, desenvolvimento de software, componentes mais baratos e logística apurada.

