TESTE: Citroën Basalt Shine T200
O segmento de SUVs compactos no Brasil ganhou um novo capítulo com a chegada do Basalt em outubro de 2024, modelo da Citroën que aposta em uma fórmula bastante específica: desenho de SUV cupê, preço bastante competitivo e conjunto mecânico já consolidado dentro do grupo Stellantis. Na versão Shine 2026, antigo topo de linha da gama (o cargo agora é da nova versão Dark Edition), o modelo busca equilibrar racionalidade e estilo. E é justamente nesse ponto que se concentra sua proposta.
por Ricardo Caruso

O Citroën Basalt Shine é hoje o modelo mais vendido da marca no País e aposta em uma equação direta e que agrada a muitos: motor turbo, câmbio automático e preço abaixo dos principais SUVs compactos. É o terceiro integrante do projeto “C-Cubed” da marca, e o utilitário chega à linha 2026 com ajustes no acabamento e novos equipamentos, mantendo a proposta de oferecer bom custo/benefício. Portanto, não espere um alto nível de sofisticação, mas sim um carro bastante honesto e eficiente.

O “C-Cubed” é um projeto da Citroën para mercados emergentes, como Brasil e Índia, focalizado em três veículos compactos baseados na plataforma modular CMP. Assim, esta “família” inclui o hatch C3, o SUV de sete lugares Aircross e o SUV cupê Basalt, focalizando em robustez, bom espaço interno e relação custo/benefício.

O Citroën Basalt Shine 2026 que AUTO&TÉCNICA avaliou tem preço sugerido de R$ 113,9 mil. O valor o posiciona cerca de R$ 25 mil abaixo de modelos como Fiat Pulse, Peugeot 2008 e o próprio Citroën C3 Aircross com motorização semelhante, já que são todos da Stellantis. Também surge como alternativa a sedãs 1.0 turbo do mercado, como Hyundai HB20S, Chevrolet Onix Plus e Volkswagen Virtus, entre outros.

Visualmente, o Basalt Shine segue a tendência que agrada aqui no Brasil, a dos SUVs cupês nacionais, como Fiat Fastback, BMW X4 e Volkswagen Nivus, mas com abordagem mais voltada ao custo/benefício. A carroceria traz linhas fluidas, queda acentuada da coluna C e traseira elevada e bem resolvida, conferindo ao modelo visual esportivo sem abrir mão da funcionalidade e eficiência. Curiosidae: em termos globais, quem inaugurou essa categoria foi o SsangYong Actyon, em 2005; a primeira geração da BMW X6, de 2007, injustamente leva essa glória.



As dimensões do Basalt são generosas para o segmento. O SUV cupê compacto, como já vimos, tem foco em espaço e porta-malas, medindo aproximadamente 4,34 metros de comprimento, 1,82 m de largura (com espelhos), 1,58 m de altura e 2,64 m de distância entre-eixos. O generoso porta-malas tem 490 litros de capacidade e a altura do solo é boa para enfrentar lombadas e valetas, com 208 mm. Esse conjunto garante presença visual robusta e, mais importante, excelente aproveitamento interno, um dos grandes diferenciais do carro.




Sob o capô, o Basalt Shine 2026 utiliza o conhecido motor 1.0 Turbo 200 (T200) de três cilindros em linha, montado transversal, que entrega 130 cv (etanol)/125 cv (gasolina) e 20,4 mkgf de torque. O câmbio é automático CVT com simulação de sete marchas. Importante, o comando de válvulas é acionado por corrente, e não por correia de borrracha banhada a óleo, que já equipou diversos modelos no Brasil sem problemas, mas foi a ruína do Chevrolet Onix.

No caso do Basalt, o motor T200 1.0 turbo (130 cv e 1.191 kg) tem boa relação peso/potência, de 9,16 kg/cv, e com isso o SUV apresenta respostas rápidas em acelerações urbanas e retomadas corretas nas estradas. Acelera de zero a 100 km/h em cerca de 9,5 segundos e tem velocidade máxima de 199 km/h. Marcas boas, lembrando sempre que a proposta do carro não é de desempenho esportivo, e sim de custo/benefício. Trata-se de um powertrain amplamente testado e usado em modelos da Stellantis, com foco em eficiência e baixo consumo, sem abrir mão de desempenho adequado para o uso urbano e rodoviário.

O conjunto trabalha com câmbio automático do tipo CVT, que simula sete marchas, e mostra funcionamento alinhado à proposta do modelo. Em altas rotações, mantém o comportamento típico dos motores 1.0 turbo. Durante o teste, o consumo registrado foi de 12,3 km/litro na cidade e 13,9 km/l na estrada com gasolina. Abastecido com etanol, o consumo registrado foi de 8,5 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada. Em uso real, esses números obviamente podem variar conforme o “estilo” do motorista, em especial em trânsito urbano intenso, mas o Basalt permanece muito competitivo entre os SUVs compactos turbo.


No uso, o Basalt entrega sempre respostas progressivas e prontas. O turbo entra em ação cedo, favorecendo retomadas e uso em cidade. O câmbio CVT prioriza a suavidade de funcionamento, mantendo o motor em rotações ideais, sem vacilos e com funcionamento silencioso.
As acelerações estão dentro do que se espera no segmento, e o torque em baixa rotação garante boa elasticidade. Como dissemos, não é um carro esportivo, mas cumpre bem o papel de SUV familiar, com eficiência e estilo que foge do lugar comum dos SUVs.


A suspensão é um dos pontos altos do projeto mecânico do modelo. Com foco no conforto —característica tradicional da Citroën— o Basalt absorve bem irregularidades, especialmente em pisos (?) urbanos brasileiros. Tem boa filtragem de impactos e de irregularidades do piso, rolagem (rolling) de carroceria controlada e direção leve e precisa em baixa velocidade. Equipado com conjuntos de sistema McPherson na frente e eixo de torção atrás, a suspensão é robusta e garante boa estabilidade. O SUV utiliza belíssimas rodas de liga-leve aro 16 (com acabamento diamantado e furação 4×108, a mesma dos Ford e Peugeot) bem calçadas com pneus 205/60.

Mesmo com a altura elevada, o comportamento em curvas é previsível, sem surpresas. Não há pretensão esportiva, destacamos sempre, mas o equilíbrio geral agrada muito. Seus freios são com discos ventilados na dianteira e a tambores na traseira, contando com ABS, tudo dentro do padrão da categoria.




O espaço interno é outro dos grandes trunfos do Basalt. O entre-eixos generoso, de 2,64 m, garante excelente espaço para pernas no banco traseiro, boa largura para três ocupantes e porta-malas de 490 litros (VDA), que está entre os maiores da categoria.
Por outro lado, o acabamento segue uma linha simples, mas com tudo bem cuidado. Predominam plásticos rígidos, com montagem bastante correta. Uma boa mudança para todos os Basalt 2026 são os comandos dos vidros elétricos traseiros, que antes eram localizados no console central e agora foram reposicionados nas próprias portas. Isso proporciona mais conforto e ergonomia aos ocupantes. Ainda na traseira, o console central traz duas tomadas USB do tipo C.

Mas ainda há pontos de ergonomia que precisam melhorar. Para travar ou destravar as portas, o comando para isso fica localizado à esquerda do painel, em posição baixa e próxima da coluna de direção. Por não estar sempre visível, o motorista precisa inclinar-se para acioná-lo, o que está longe de ser prático e seguro. No mesmo local também ficam ainda os controles do modo de condução Sport (poderia estar junto ao volante), do limitador de velocidade, do bloqueio dos vidros traseiros e do ajuste dos retrovisores. Questão de fácil solução para a engenharia da Stellantis.

A versão Shine traz um “pacote” de recursos e equipamentos bastante equilibrado: central multimídia com tela de 10 polegadas e com espelhamento de smartphone sem fio; painel digital de sete polegadas; ar-condicionado digital; bancos revestidos de material sintético que imita couro; quatro airbags; controle de tração/estabilidade e acabamento bem cuidado, sem ser luxuoso. A proposta dos Basalt é clara: oferecer o essencial com boa usabilidade, evitando itens supérfluos que elevem o custo final.

Em termos de segurança, o “pacote” inclui controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e quatro airbags, frontais e laterais. Embora não seja o mais avançado do segmento em assistências ADAS, cobre o básico esperado. No final do ano passado, o carro foi reprovado pelo Latin NCAP, recebendo zero estrelas. O resultado obviamente é exagerado e injusto, e não reflete o que o carro oferece nesses quesitos, e foi obviamente contestado pela marca, que defendeu que o veículo cumpre todas as normas de segurança nacionais e possui altos padrões de proteção aos ocupantes, de maneira ativa e passiva.

O Basalt Shine 2026 se destaca pelo preço competitivo dentro da categoria, posicionando-se abaixo de rivais diretos com conjuntos semelhantes. A proposta que direcionou o projeto é clara: melhor espaço interno, preço mais baixo e equipamentos essenciais. Isso o torna uma escolha racional, especialmente para famílias ou para quem prioriza funcionalidade.
CONCLUSÃO
Fiel ao que se planejou para ele, o Basalt Shine 2026 entrega espaço interno amplo, porta-malas generoso, motor turbo eficiente e preço competitivo. Para atender isso tudo, o acabamento não é exatamente luxuoso (apesar de correto) e não oferece assistência à condução, o que pode desagradar clientes mais exigentes mas não compromete.

Assim, para quem prioriza espaço, desempenho e valor/preço finais (são coisas diferentes…), o SUV cupê da Citroën se coloca como uma das opções mais acessíveis com motor turbo e câmbio automático no mercado brasileiro. O Citroën Basalt Shine 2026 não quer ser o mais tecnológico, nem o mais refinado da categoria, e é exatamente isso que o torna interessante.
Ele entrega excelente espaço interno, mecânica eficiente e confiável, conforto acima da média e preço agressivo (R$ 113,9 mil). Contas feitas, trata-se de um SUV extremamente racional e honesto. Para quem busca bom custo/benefício e espaço interno, é hoje uma das escolhas mais inteligentes do segmento.

