Conceito: Peugeot E-T16 elétrico e com mais de 800 cv
Três motores elétricos e desempenho de carro de competição
A Peugeot levou ao recente Salão Automóvel de Paris o carro-conceito mais potente da sua história, o E-T16 Concept. Este esportivo de tração integral tem três motores elétricos que produzem 815 cv, acelera de zero a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e chega aos 300 km/h em 16 segundos. Criado no espírito do legendário 205 Turbo 16 de rali dos anos 1980, antecipa também o desenho e a tecnologia que irão direcionar a próxima geração do Peugeot E-208.
por Marcos Cesar Silva

Desenvolvido pelos engenheiros da Peugeot Sport, o E-T16 Concept utiliza três motores elétricos: um aciona as rodas dianteiras e dois acionam as rodas traseiras. A potência total do sistema chega aos 600 kW (ou 815 cv), com relação peso/potência inferior a 2 kg/cv.

Um sistema eletrônico de distribuição do torque reparte continuamente a força motriz entre os eixos dianteiro e traseiro e, individualmente, entre as duas rodas traseiras. Isto ajuda a aumentar a velocidade nas saídas de curvas e a aproveitar melhor toda a potência disponível.

A vetorização de torque controla de forma continua a distribuição de força e potência entre os eixos dianteiro e traseiro, e entre as rodas traseiras. É possível escolher entre três modos de condução, que ajustam a disponibilização de potência, distribuição de torque e configurações da suspensão. Além dessas possibilidades de condução estão o modo “Track” (pista), que libera todo o potencial do carro, e ainda um quarto modo, que permite aos motoristas ajustarem as configurações conforme a preferência.

A frenagem fica a cargo de discos de 380 mm de diâmetro nas quatro rodas. A Peugeot utiliza pneus Michelin com 275 mm de largura na frente e enormes 315 mm atrás. O carro é todo eletrônico, mas traz freio de estacionamento hidráulico com alavanca de acionamento vertical, como os utilizados nos carros de rali.

Segundo a Peugeot, o E-T16 consegue completar três voltas seguidas em consecutivas em Nürburgring, percorrendo mais de 60 km sem que a potência seja limitada pelo sobreaquecimento da bateria.

O E-T16 utiliza uma bateria de 85 kWh e sistema elétrico de 800 volts. O fabricante anuncia autonomia WLTP de até 400 km e carga de 10 a 80% em menos de 15 minutos. O arrefecimento da bateria mereceu especial atenção. Em vez do sistema convencional pela parte inferior, a Peugeot Sport utiliza um sistema “Side Cooling” derivado de competição, que dissipa o calor pelas laterais das células da bateria.
Esta solução ajuda a manter a temperatura da bateria sob controle, mesmo durante utilização intensa e prolongada. Isso é importante porque a capacidade real de um modelo elétrico potente em pista depende não só da potência máxima, mas também da capacidade de fornecer essa potência continuamente.
Em comparação, o Renault 5 Turbo 3E dispõe de 549 cv (397 kW), e a potência do protótipo da Peugeot é mais de 50% superior. Ao contrário da Renault, porém, a Peugeot não confirmou a produção em série do E-T16.

Os para-lamas foram alargadas, as entradas de ar agressivas e a grande asa traseira dupla evocam os carros de ralis do Grupo B daqueles tempos. A carroceria em cinza fosco e a faixa vermelha que a percorre também remetem para o modelo histórico que o inspirou. O elemento mais marcante do projeto encontra-se na traseira.
Tal como no 205 T16 original, toda a seção traseira da carroceria se abre para cima, deixando à vista os motores elétricos, a suspensão e a estrutura de suporte em fibra de carbono. No modelo original, isso ajudava e muito na manutenção e reparos.
Um conjunto com asa dupla traseira de duas lâminas ajustáveis e separadas, e grandes saídas de ar melhoram a aerodinâmica. A Peugeot combina estes elementos com a sua nova linguagem de desenho “Feline Future”, cuja “assinatura” luminosa surgirá na dianteira do futuro E-208.
O elemento central do interior é o “Hypersquare” da Peugeot, um comando retangular que substitui o volante convencional. Funciona com um sistema de direção por fio (steer-by-wire), sem ligação mecânica entre o comando de direção e as rodas dianteiras.

Uma tela configurável no centro do Hypersquare do E-T16 mostra a velocidade, os tempos de volta e outras informações importantes. Outra tela panorâmica, de 21 polegadas, ocupa o espaço à frente do motorista/piloto.
No interior, a Peugeot utilizou ainda fibra de carbono, alumínio e “Pelinova”, um material feito de couro reciclado, sobras de produção de empresas que trabalham com esse material e que seriam descartados. Os bancos esportivos estão montados numa estrutura de fibra de carbono, enquanto os cintos de segurança de quatro pontos mantêm os ocupantes em segurança e no lugar, mesmo sob elevadas acelerações laterais.
Confira o vídeo:
Embora o E-T16 continue, pelo menos por enquanto, sendo um protótipo, a Peugeot confirma que a tecnologia de direção Hypersquare e a próxima geração do i-Cockpit estarão presentes no próximo E-208. A questão é se mais alguma coisa desse carro chegará à produção. A marca explicou que o E-T16 é a visão definitiva do próximo E-208, mas isso não significa que um hatch nostágico, de visual tão agressivo, elétrico e de mais de 800 cv esteja a caminho da produção.
O E-T16 não antecipa de forma direta um modelo de produção, mas é um cartão de visitas tecnológico, concebido para unir a vitoriosa herança da Peugeot nos ralis à próxima geração de automóveis elétricos. O conceito por enquanto serviu para mostrar elementos de desenho para o futuro da marca, a próxima geração do interessante i-Cockpit e as possibilidades da propulsão elétrica de altíssmio desempenho. Além disso, confirma que a Peugeot pretende levar ao segmento um sistema de direção por fio que, atualmente, ainda é algo fora do comum na indústria.
Por sua vez, para quem quer sonhar alto, os seus 815 cv de potência já colocam o desempenho do modelo em nível de super-esportivos elétricos, e dos bons. Ainda mais interessante de se observar, porém, é a atenção dada pelos engenheiros da Peugeot ao gerenciamento térmico da bateria, à aerodinâmica e à distribuição precisa do torque.
Até agora, a Peugeot comercializou os seus modelos esportivos de rua sob a designação “GTi”. O E-T16 mostra que esta tradição poderá continuar na era elétrica em um nível técnico completamente diferente.

O maior valor do E-T16, porém, não está em chegar aos 300 km/h em 16 segundos. Muito mais importante é a possibilidade de, no futuro, ver parte da sua tecnologia aproveitada num Peugeot E-208 mais acessível.