A&T Files

AUTO&TÉCNICA FILES #125 ESPECIAL – Quatro Rodas X Auto Esporte: comparativo de testes do Chevette 1973

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Ao invés de teste comparativo, um comparativo de testes. Desde muito cedo, eu e o Ricardo Caruso éramos ávidos consumidores de revistas de automóveis, de hot rods a Fórmula, de carros antigos a fora de estrada. Uma oportunidade de ouro, por exemplo, era ir a alguma livraria de aeroporto ou na banca da Cidade Jardim (em São PAulo) e deixar lá boa parte do salário em troca de revistas americanas ou europeias. As nacionais eram poucas, entre elas as clássicas 4 Rodas e Auto Esporte (isso nos anos 1970) e, mais tarde, a legendária Motor 3 do não menos legendário José Luiz Vieira, que muito nos inspirou.

por Rubens Caruso Junior

Quando criamos AUTO&TÉCNICA, em 1995, nossas coleções passaram a integrar o arquivo da editora, até que uma enchente (na verdade, um cano de calha quebrado…) “dissolveu” quase tudo. O que sobrou ainda representa uma boa diversão, já que quase tudo publicado há 50 anos ou mais tornou-se clássico.

Hoje vamos trazer uma ideia diferente no Files: um “Comparativo de Testes”, analisando como 4 Rodas e Auto Esporte avaliaram uma das grandes novidades de 1973 (ano que teve, entre outos, VW Brasilia e Dodge 1800): o Chevrolet Chevette. Ambas chegaram às bancas em maio de 1973 e são sobreviventes dos arquivos de A&T. Confira!

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INTRODUÇÃO
No teste, a cargo do saudoso amigo Expedito Marazzi, 4R abre com uma leve crítica: “Se o novo carro da GM fosse um pouco mais econômico e tivesse um painel menos confuso, teria recebido notas de bom a ótimo em todos os itens do nosso teste”. Já AE, cuja matéria não está assinada mas presume-se do piloto e também amigo Luiz Fernando Terra Smith, de acordo com o expediente da revista, apontou que “O entrosamento ‘homem-máquina’ é imediato no Chevette, (…) como se já fôssemos velhos conhecidos”.

INTERIOR
“A General Motors teve a intenção de dar ao Chevette o acabamento interno correspondente ao segmento de mercado ao qual o veículo se destina. Dessa forma, os tapetes são de borracha moldada e os revestimentos dos bancos feitos de vinil preto. Os encostos dos bancos são estofados com crina moldada e os assentos com espuma modelada”, descreveu AE.QR opinou: “O volante é meio inclinado para a esquerda, um pouco grosso e liso: em dias de calor, com as mãos úmidas, ele escorrega um pouco”.

MOTOR
4R tratou do tema destacando que “o motor do Chevette tem muita ‘raça’, porém adaptado para andar na rua de uma forma que lhe deva proporcionar vida longa. Assim o carburador usado pela GM é propositalmente pequeno, para estrangular o motor e torná-lo suficientemente manso”. AE foi numa linha parecida: “O virabrequim fica apoiado em cinco mancais, para garantia de durabilidade.

DESEMPENHO
“A sonoridade do motor é agradável e dá a impressão de esportividade, sem chegar a ser ruidosa. Isso convida a uma saída mais ‘quente’ e a resposta à aceleração é imediata, fazendo os pneus ‘cantarem’ no asfalto em 1ª. e 2ª. marchas”, segundo AE; “Para um carro de 1.400 cc e 880 kg, a aceleração é boa, tendo torque suficiente desde as baixas rotações. A velocidade máxima poderia ser um pouco melhor, considerando-se que o Chevette tem comando no cabeçote”.

CONSUMO
“Com o carro andando a uma velocidade entre 80 e 120 km/h, a média de consumo é normal, variando entre 8 e 12 km/litro. Nas altas velocidades —acelerador até o fundo— o consumo piora bastante. Nas duas condições do teste de aceleração foi de 7 km/litro”, escreveu 4R. Já AE não tratou do tema, certamente pelas condições deste primeiro teste: “O Chevette que dirigimos nas ruas internas da fábrica da General Motors do Brasil, em São José dos Campos” e “Nessas circunstância é que nos acercamos do Chevette, ainda dentro das linhas de montagem” indicam que era realmente um primeiro contato com a novidade.

SUSPENSÃO
“Muito firme nas curvas e em altas velocidades, a suspensão do Chevette está perfeitamente dimensionada para ele, quando usado nas estradas”, celebrou 4R, destacando que “para uso nas ruas da cidade poderia ser um pouco mais macia. Já AE comentou: “a suspensão correspondeu plenamente quanto à maciez e muito particularmente quanto à estabilidade. Esta se mostrou excepcional em estadas de terra que mal merecem esse nome”.

ESTILO
Nesse quesito, AE reproduziu um trecho do press release: “Com poucos cromados, sem ser despido, sobressai pela funcionalidade e capricho nos detalhes gerais. Grande área envidraçada oferece visão panorâmica”, enquanto 4R aprofundou ressaltando que “O Chevette tem um bonito perfil e linhas suaves, que fazem o carro parecer menor do que é. Os volumes são bem distribuídos: o aspecto geral é o de um modelo europeu, bastante funcional, sem nada supérfluo”.

CONCLUSÕES
“O Chevette é disponível em versão única, com dois conjuntos de equipamentos opcionais (conveniência e conforto), além de opções separadas”, resumiu AE, informando ainda que estavam disponíveis 10 cores, entre elas o laranja-fogo, o amarelo-grand-prix, mostarda e preto-formal; “Em mecânica e estrutura, o Chevette é o carro nacional mais atualizado”, arrematou 4R.

CURIOSIDADES
Do teste de AE: “Um comentário bem a propósito é que, durante parte do tempo em que estivemos dirigindo o Chevette, caiu ‘aquela’ chuva. Fechamos bem os vidros e acendemos o cigarro: vamos ver se vai ficar tudo embaçado. Não embaçou de jeito nenhum, não ficou fumaça, não esquentou a cabine.

Já em 4R, “Para suspender o abaixar os vidros, são necessárias oito voltas das manivelas, o que torna a operação um tanto cansativa”. Aparentemente o lançamento do Chevette pegou a edição pronta, pois o teste foi publicado como “Extra”, última pauta da revista, página 137. Deve ter dado trabalho!

Bons tempos das revistas impressas, que tiveram seu auge nos anos 1990, com dezenas de fábricas de fora disputando “no tapa” o mercado com as marcas instaladas há décadas no Brasil. Crise após crise a publicidade foi encolhendo, a internet foi dominando, os pretensos “influenciadores”, adotados pelos departamentos de marketing das marcas, tomaram quase todo espaço de jornalistas gabaritados tecnicamente, e hoje as bancas são pequenos “shoppings” que vendem de tudo. Até revistas…

Fica aqui a homenagem de AUTO&TÉCNICA a essas publicações pioneiras (e sobreviventes!), que contavam com profissionais como Expedito Marazzi, Nehemias Vassão, Emilio Camanzi, Sérgio Duarte e Cláudio Laranjeira (na 4 Rodas), ou Mauro Forjaz, Heitor Feitosa, Raul Machado Carvalho, Luis Carlos Secco, Luiz Fernando Terra Smith (na Auto Esporte) e tantos outros que faziam parte do imaginário de milhares de leitores (nós inclusive), titulares de uma profissão de sonhos: testar e escrever sobre automóveis. A todos eles, nosso muito obrigado.

Para ver todo o material já publicado dos arquivos históricos de A&T, clique aqui!


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