Insano: o inacreditável VW Golf GTI de 12 cilindros
Como parte das comemorações dos 50 anos do Golf GTI, a Volkswagen recuperou de seus galpões e levou para a pista o radical conceito W12-650 de 2007, um dos protótipos mais extremos ligados ao modelo jamais construído. O super hatch com motor central W12 e 650 cv (daí seu sobrenome) mostra até onde a marca alemã se animou para celebrar o primeiro meio século de existência do seu ícone esportivo.
por Ricardo Caruso

O Volkswagen Golf GTi foi um dos modelos que popularizou a designação “GTI”, que significa “Grand Touring Injection” (originalmente “Gran Turismo Iniezione”), usada para identificar as versões de alto desempenho de diversos carros esportivados. O modelo celebra meio século de história em 2026 e a marca alemã quer marcar esse momento com a edição especial Golf GTI Edition 50. No entanto, quando se pensa no GTI mais radical alguma vez criado, nenhum exemplar de produção se aproxima deste inacreditável protótipo W12-650.

Apresentado originalmente em 2007 em Wolfsburg e pintado de branco, este one-off foi concebido para mostrar até onde a engenharia do Grupo podia ir naqueles tempos —sem as limitações da homologação para uso em rua. Parece que a ordem para os engenheiros foi “peguem o que temos de melhor nas prateleiras”. E assim foi. Nenhum Golf foi tão largo, rápido e potente quanto este exemplar único, equipado com motor 6.0W12 biturbo de 650 cv vindo de um Bentley.

Isso mesmo. Para esta recriação comemorativa, o concept ressurgiu pintado em na cor “Tornado Red” e mantém a sua receita extravagante: um motor W12 biturbo de seis litros proveniente do Bentley Continental GT, montado atrás dos bancos dianteiros.

A potência e torque —cerca de 650 cv e 75 mkgf— é enviada exclusivamente às rodas traseiras por meio de uma caixa de câmbio automática de seis velocidades, herdada do Volkswagen Phaeton. O resultado final passa muito longe de qualquer GTI convencional.
GALERIA: o VW Golf GTI W12-650 em 2007, na cor branca, como foi mostrado originalmente. Impressionante 18 anos depois…




Óbvio que este W12-650 não tem qualquer relação com eletrificação; o termo “híbrido” é até usado pela marca na divulgação do modelo, mas aplica-se à combinação de componentes de alto desempenho que estavam disponíveis em diversos produtos do Grupo VW, incluindo — fora o motor Bentley e o câmbio Phaeton — os freios dianteiros de Audi RS4, o eixo e freios traseiros do Lamborghini Gallardo, a carroceria do Golf Mk5 alargada em 16 cm e outros sedutores detalhes que permitiram acomodar o esquema de motor central e melhorar a estabilidade do projeto, puramente experimental e impossível de ser produzido em escala.

Para tornar este carro em realidade, a equipe de engenheiros e técnicos escalada pela VW recorreu, como vimos antes, a um Golf GTI de quinta geração, do qual manteve apenas o capô, os grupos óticos e as portas (ligeiramente modificadas). Todo o restante foi mudado, sem a menor piedade e economia.

O carro é funcional, e anda muito, mas muito mesmo. A aceleração de zero a 100 km/h é feita em 3,7 segundos, e a velocidade máxima chega a 325 km/h. Valores que impressionam ainda hoje, 19 anos depois de sua apresentação. Este protótipo supera de longe qualquer Golf GTI ou R de produção.

O modelo se diferencia também por vários elementos exclusivos, entre os quais o teto em fibra de carbono, para-choques dianteiro e traseiro modificados, saída de escapamento quádrupla, tomadas de ar laterais específicas e a coluna C redesenhada com o vidro recuado para melhorar o arrefecimento do motor. As rodas de 19 polegadas escondem rodas aro 19 e pneus traseiros de 295 mm, necessários para tentar controlar a tração traseira pura —algo inédito num Golf.

Este projeto mostra que o início dos anos 2000 foi a época mais criativa e ousada do Grupo Volkswagen e dos carros com a marca VW. O que dizer de um Passat equipado com motor W8? Ou um modelo conversível com teto rígido retrátil tripartido e, ainda, com teto solar? O luxuoso Phaeton? O Bugatti Veyron? O SUV Touareg em serie limitada com motor W12?

Tudo isso refletia a visão ambiciosa de Ferdinand Piëch, antigo chefão do Grupo VW, conhecido por apostar em engenharia sem limites e sem compromissos. Essa filosofia levou ao desenvolvimento do Bugatti Veyron e também a fracassos comerciais como o Phaeton. Por isso, Piëch permanece uma das figuras mais influentes da história da indústria automotiva. Afinal, quem mais teria coragem de dar o OK para a montagem de um Golf como esse W12-650?


