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Seis carros que tem a Yamaha no DNA

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Dependendo do que você mais gosta, o nome Yamaha pode direcionar para uma de duas coisas: motocicletas que alinham entre as melhores do planeta ou pianos e baterias e outros instrumentos realmente bons. Talvez motores de popa, se você for um entusiasta de barcos, ou quadriciclos ou carrinhos de golfe ou jet skis...

A última coisa em que você vai pensar são carros, mas pouca gente sabe que a marca japonesa já se aventurou algumas vezes no setor automotivo. Assim como empresas como a Cosworth, a Yamaha –a fabricante de motocicletas, e não de instrumentos musicais– é uma daquelas empresas às quais as montadoras recorrem quando precisam de um motor com características realmente especiais, que elas não têm condições de desenvolver por conta própria. Ela está, por exemplo, presente no motor Ford Zetec ou nos V6 dos Taurus SHO.

por Ricardo Caruso

Na verdade, o envolvimento da Yamaha com carros remonta a quase 60 anos– praticamente desde a própria existência da empresa. A Yamaha Corporation foi fundada oficialmente em 12 de outubro de 1897 (com origens em 1887), construindo órgãos musicais. A divisão de motocicletas, a Yamaha Motor Company, foi fundada e estabelecida em 1º de julho de 1955. E aqui estão seis dos exemplos favoritos de AUTO&TÉCNICA quando a empresa japonesa trocou projetos de duas rodas por outros de quatro.

Ford Taurus SHO

Ford Taurus SHO
Ford Taurus SHO

A Ford recorreu à Yamaha para garantir que a designação “Super High Output” (SHO) deste Taurus não fosse em vão, e o que a empresa japonesa criou foi particularmente especial. O 3.0V6 atingia 7300 rpm (mas dizem que era capaz de ultrapassar as 8000 rpm) e produzia 220 cv, o que era uma potência absurda para um motor desse tamanho e aspirado em 1989. De fato, este Taurus igualava e superava a potência de vários Mustang “Fox Body” V8 da época.

A cereja do bolo? Tinha o coletor de admissão (abaixo) com tubos de tamanhos variados, algo digno de ser exposto em uma galeria de arte.

O motor foi mantido na segunda geração do Taurus SHO em 1992, embora tenha sido substituído na terceira geração, a partir de 1996, por um 3.4V8 feito com um bloco Cosworth. Mas, e os cabeçotes? Eram da Yamaha, óbvio.

Caterham V

Caterham Project V - frente

A mais recente parceria da Yamaha no setor automotivo é um pouco diferente de tudo o que veio antes, porque estamos falando de motores elétricos em vez de pistões e gasolina.

Trata-se de um veículo elétrico, que representa grande mudança para a britânica Caterham, uma empresa definida pelo seu carro esportivo ultraleve e assumidamente tradicional, o Seven, cujo desenho básico existe desde 1957, na forma do Lotus Seven.

Ainda assim, se existe alguém capaz de tornar um veículo elétrico verdadeiramente divertido e envolvente de dirigir, acreditamos que seja a Caterham, e é por isso que estamos cautelosos e otimistas em relação ao seu próximo cupê, atualmente conhecido apenas como “Projeto V”. Foi apresentado em 2023 e prometido para 2027.

Nossa expectativa aumenta ainda mais pelo fato de a Yamaha estar projetando a maior parte do conjunto motopropulsor na forma de um eixo elétrico –unidade única que integra o motor elétrico, a transmissão e o eixo traseiro. Isso é vantajoso em muitos aspectos, incluindo otimização do espaço, redução de peso e equilíbrio, o que demonstra que a Caterham leva muito a sério sua filosofia de leveza, mesmo com a transição para a eletrificação. São 270 cv e 400 km de autonomia.

Lexus LFA

Lexus LFA - traseira

Após já ter produzido os cabeçotes para o potente motor V8 aspirado do Lexus IS-F, a Yamaha foi além com o LFA e projetou o motor inteiro. Sim, estamos falando do glorioso 4.8V10, considerado por muitos um dos melhores motores de carros de rua já fabricados.

Há também uma segunda ligação com a Yamaha aqui, mas não com a indústria automotiva: parte da entrada de ar foi otimizada harmonicamente pela divisão de tecnologia de som da Yamaha Corporation. Assim, conhecimento musical foi empregado para tornar o som do V10 ainda mais agradável. É esse tipo de atenção aos detalhes que tanto apreciamos.

Toyota Altezza RS200

Quando os projetos IS-F e LFA chegaram às ruas, a Toyota já tinha uma longa e rica história com a Yamaha. Grande parte dessa história se deve ao motor 3S-GE de quatro cilindros em linha, desenvolvido em conjunto com a Yamaha, que equipou modelos como o Celica , o MR2 e até mesmo o RAV4. Mas para evitar que esta lista se torne apenas uma coleção de Toyota, vamos nos concentrar em apenas um carro com motor 3S-GE: o Toyota Altezza RS200, uma versão de alto desempenho exclusiva para o Japão do carro que conhecíamos como o Lexus IS original.

Foi o único carro equipado com a quinta e última geração do motor 3S-GE, então conhecido como BEAMS ou “Breakthrough Engine with Advanced Mechanism System” ou “Motor Revolucionário com Sistema de Mecanismo Avançado”. Um nome bem atraente.\..

Este motor possuía um sistema de variação da abertura das válvulas, válvulas de titânio e um pico de potência impressionante de 207 cv a 7600 rpm, momento em que eram enviados para as rodas traseiras.

Volvo XC90 V8

Volvo XC90 V8
Volvo XC90 V8

O motor V8 da Volvo se destaca por dois motivos principais. Primeiro, ele foi projetado especificamente para ser montado transversalmente e, segundo, a Volvo não o construiu –ele foi desenvolvido e fabricado pela Yamaha.

A Volvo havia decidido que o XC90 original realmente precisava de um V8 para ter alguma chance real no mercado de SUVs dos Estados Unidos, mas a fabricante sueca não tinha muita experiência nessa área. Comprar um motor já existente de outra fonte também não funcionaria, já que um V8 convencional comprometeria a zona de deformação programada dianteira do XC90.

Em vez disso, a Volvo recorreu à Yamaha com suas exigências rigorosas, e assim nasceu o “B8444S”. O motor resultante dessa parceria é incrivelmente compacto, com ângulo estreito entre as bancadas de cilindros de 60 graus, em vez dos usuais 90 graus. O bloco foi fundido com suportes para os componentes auxiliares, eliminando a necessidade de suportes que ocupam muito espaço, e a Yamaha chegou a deslocar as bancadas de cilindros em meio cilindro para otimizar o encaixe no compartimento do motor do XC90.

Esse motor também foi usado no S80, antes de ser descontinuado em 2010. Uma versão bastante modificada e biturbo acabou instalada no supercarro britânico Noble M600. Como tinha acontecido antes, ele podia fazer rugir um som impressionante com alguns ajustes no escapamento.

Toyota 2000GT

Toyota 2000GT

Vamos incluir nessa lista mais um modelo da Toyota, porque é um modelo importante: o clássico 2000GT, que envolveu muito mais do que a Yamaha simplesmente projetar um cabeçote ou mesmo um motor inteiro.

Diz a história que o 2000GT começou como um projeto conjunto entre a Yamaha e a Nissan, com a intenção de criar um sucessor para o Fairlady. Depois que a Nissan desistiu do projeto, a Yamaha recorreu à Toyota para tornar seu sonho de carro esportivo em realidade.

Desejosa de se desvencilhar de sua imagem pacata, a Toyota concordou em unir forças, presenteando o mundo com o 2000GT. No fim, o desenho final foi concebido por Satoru Nozaki, da Toyota, mas a Yamaha desempenhou papel fundamental no projeto, engenharia e fabricação do carro, produzindo 351 unidades ao longo de três anos.


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