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TESTE: Fiat Pulse Drive 1.3 CVT

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O segmento dos SUVs compactos continua sendo o mais disputado do mercado brasileiro, e a Fiat sabe muito bem disso. Desde o lançamento do Fiat Pulse, em 2021, o modelo rapidamente se tornou um dos pilares da marca italiana no Brasil, principalmente por unir visual moderno, posição de dirigir elevada e custo de manutenção relativamente baixo.

por Ricardo Caruso

Na linha 2026, o Pulse recebeu atualizações pontuais de desenho e equipamentos, mantendo a estratégia de oferecer versões para atender diferentes perfis de consumidores. Entre elas, a configuração Drive 1.3 CVT, que AUTO&TÉCNICA avaliou, e que aparece como uma das mais racionais da gama. É o exemplo de um carro que amadureceu bem. E mais, por R$ 107.990, é o automático mais barato do mercado brasileiro (hávia o Renault Kwid e-Tech elétrico, que custava menos, R$ 99,9 mil, mas que teve as vendas encerradas no Brasil).

A versão Drive do Pulse não tem a sedutora pretensão esportiva do Abarth, nem o desempenho mais vigoroso das variantes turbo T200. Em compensação, aposta em um conjunto conhecido, robusto, equilibrado em todos os sentidos e voltado para quem prioriza conforto no uso urbano, economia de manutenção e suavidade ao dirigir. Durante os vários dias de avaliação, o Fiat Pulse Drive 1.3 CVT 2026 mostrou exatamente isso: um SUV descomplicado, compacto, perfeitamente equilibrado, confortável e honesto em suas propostas, embora também revele limitações quando exigido além de sua vocação urbana, o que é normal.

A linha 2026 adotou novos frisos e detalhes mais cuidados na grade e nos apliques, que não estavam presentes nos modelos 2025. Mantém a iluminação externa 100% em LED, o DRL (luz diurna) e as rodas de de 16 polegadas calçadas com pneus 195/60. O preço sugerido é de R$ 107.990 como vimos e o “pacote” Plus de opcionais (R$ 2.990) adiciona rodas liga leve, sensor de estacionamento traseiro e câmera de ré.

A linha 2026 do Pulse passou por pequenas mudanças estéticas que deixaram o SUV com aparência mais refinada. A dianteira ganhou leves retoques na grade e no para-choque, enquanto detalhes de acabamento escurecidos ajudam a modernizar o conjunto. Não houve revolução visual, o que nem seria necessário, já que o Pulse continua sendo um dos SUVs compactos mais harmoniosos do segmento.

O modelo mantém o confiável motor 1.3 aspirado Firefly de quatro cilindros, que entrega até 107 cv de potência máxima (com etanol) e torque de 13,6 mkgf (com qualquer combustível). A transmissão é a automática CVT (com simulação de sete marchas) e conta com o modo “Sport” -acionado por um botão junto ao volante- para respostas mais ágeis.

O câmbio CVT trabalha bem ajustado para manter o motor na rotação adequada, tornando as arrancadas e o trânsito urbano muito confortáveis. Em subidas mais íngremes ou ultrapassagens na estrada com o carro cheio, pode ser necessário pisar um pouco mais fundo e subir o giro, já que falta o torque imediato característico de um motor turbo.

Na versão Drive 1.3 CVT que avaliamos, o acabamento externo mantém uma proposta intermediária. As rodas de liga leve de 16 polegadas combinam bem com as caixas de roda elevadas, e os pneus de perfil mais alto (195/60) favorecem o conforto. A carroceria tem linhas “musculosas” e com vincos bem definidos, principalmente nos para-lamas traseiros, transmitindo sensação de robustez sem exageros estilísticos.

As dimensões permanecem adequadas ao uso urbano: são 4,09 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,55 m de altura e 2,53 m de distância entre-eixos. O tamanho compacto facilita a agilidade, as manobras e estacionamento, um dos grandes trunfos do modelo para quem enfrenta trânsito pesado diariamente.

Outro ponto positivo é a altura livre do solo, de 18,9 cm, que ajuda bastante ao enfrentar valetas, lombadas e ruas esburacadas, eterna realidade encontrada na maioria das cidades brasileiras.

Por dentro, o Pulse Drive 1.3 CVT aposta mais na funcionalidade do que no requinte. O painel utiliza predominantemente plásticos rígidos, mas o encaixe das peças é bom e bem cuidado, e não transmite sensação de fragilidade. A montagem agrada e mostra a evolução da Fiat em comparação com modelos antigos da marca.

O desenho interno continua bastante atual, especialmente pelo posicionamento elevado da central multimídia e pelo painel de instrumentos parcialmente digital. O Fiat Pulse Drive 2026 combina no cluster mostradores analógicos e digitais, com o conta-giros e o velocímetro nas extremidades e uma tela central personalizável de 3,5 polegadas. Tudo focaliza na praticidade, e o modelo inclui a central multimídia como item de série. O volante multifuncional possui tem bom diâmetro, empunhadura correta e comandos bem distribuídos.

A posição de dirigir é um dos melhores aspectos do Pulse. O motorista fica acomodado em posição mais alta, típica dos SUVs, com ótima visibilidade frontal. Os ajustes do banco e da coluna de direção ajudam a encontrar rapidamente uma postura confortável para dirigir.

No banco traseiro, o espaço é razoável para dois adultos. O entre-eixos mais curto não faz milagres, mas atende bem as famílias pequenas. Um terceiro ocupante no centro já sofre mais com a largura do banco e o túnel central, dentro da normalidade na categoria.

O porta-malas de 370 litros também está dentro da média do segmento. Não impressiona, mas acomoda bem as bagagens de uma viagem familiar

A versão Drive 1.3 CVT entrega um “pacote” interessante de equipamentos, principalmente considerando sua posição intermediária na linha Pulse. Entre os itens disponíveis estão:

  • Central multimídia com conectividade Android Auto e Apple CarPlay;
  • Direção elétrica;
  • Ar-condicionado;
  • Piloto automático;
  • Computador de bordo;
  • Vidros, travas e retrovisores elétricos;
  • Controles de tração e estabilidade;
  • Assistente de partida em rampas;
  • Volante multifuncional;
  • Sensor de estacionamento e câmera de ré em algumas configurações.

A central multimídia tem funcionamento rápido e interface intuitiva. O sistema da Fiat continua sendo um dos melhores entre marcas de volume no Brasil, especialmente pela rapidez de resposta e simplicidade operacional. Já o painel digital parcial agrada visualmente, embora pudesse oferecer mais possibilidades de personalização.

Debaixo do capô está o conhecido motor 1.3 Firefly aspirado de quatro cilindros, que entrega até 107 cv com etanol e 13,7 mkgf de torque (etanol ou gasolina), máximos.

Trata-se de um motor já bastante conhecido no mercado brasileiro e amplamente utilizado pela Fiat em modelos como Argo, Cronos e Strada. Seu maior mérito está na robustez mecânica e no custo de manutenção relativamente baixo.

Acoplado ao câmbio automático CVT que simula sete marchas, o conjunto privilegia suavidade e conforto ao dirigir, em especial no trânsito urbano. As arrancadas são progressivas e o funcionamento do câmbio agrada por evitar trancos e ruídos.

O Fiat Pulse Drive 1.3 CVT 2026 focaliza no custo/benefício e na economia de combustível e manutenção. Faz de zero a 100 km/h em 11, 2 segundos, oferecendo agilidade na cidade e conforto para o dia a dia. A velocidade máxima é de 179 km/h.

Na cidade, o Pulse Drive 1.3 CVT mostra comportamento sempre agradável. A direção elétrica é leve nas manobras, o isolamento acústico é correto e o motor responde bem em baixas velocidades.

O problema aparece quando o motorista exige retomadas rápidas ou acelerações mais fortes nas rodovias. O conjunto claramente sente o peso da carroceria (1180 kg). Em ultrapassagens em estradas, o CVT mantém rotações altas por alguns segundos, típico desse tipo de transmissão. Para uso cotidiano urbano, atende o que se espera dele sem dificuldades.

Quem busca desempenho mais entusiasmante provavelmente ficará mais satisfeito com as versões turbo T200. E quem pode gastar mais, o Abarth é o prato cheio para um novo patamar de emoções

Se o desempenho em estrada não empolga -afinal, não é um esportivo-, o conforto urbano compensa bastante. A suspensão do Pulse está entre as melhores do segmento na questão de absorção de irregularidades. Um bom trabalho da engenharia da Stellantis. A calibragem privilegia maciez ao rodar, absorvendo bem buracos e imperfeições, sem transmitir impactos excessivos para a cabine.

Na dianteira, usa sistema independente tipo McPherson com mola helicoidal e mortecedores hidráulicos, e na traseira, eixo de torção com mola helicoidal e amortecedores hidráulicos. Os ângulos de entrada e saída são de 20,4° e 32,2°, respectivamente, adequados ao uso urbano e um off-rod bem leve.

Por sua vez, o Pulse Drive tem freios a disco ventilados na dianteira e a tambor na traseira, equipados com sistema ABS e distribuição eletrônica de frenagem (EBD). Mais do que adequados ao compromisso da versão.

Mesmo em pisos ruins, o SUV compacto mantém rodagem agradável e silenciosa. Há um discreto balanço lateral em curvas mais rápidas, algo esperado pela proposta do carro e por sua carroceria mais alta, mas nada que preocupe.

Outro destaque é a facilidade de condução. O Pulse é extremamente amigável no uso diário. Tem boa visibilidade, comandos leves e tamanho adequado para rodar em centros urbanos.

Segundo aferimos em nossos testes, o Pulse Drive 1.3 CVT faz cerca de 9,4 km/litro na cidade e 13,1 km/l na estrada com etanol, enquanto com gasolina os números ficam próximos de 10,7 km/l na cidade e 14,5 km/l na estrada.

Na prática, durante a avaliação, os números ficam nessas marcas em uso moderado. Porém, quando exigido com acelerações mais fortes e uma direção mais “exagerada”, o consumo sobe ligeiramente, algo comum em motores aspirados trabalhando em conjunto com câmbio CVT. Ainda assim, o conjunto oferece economia em termos de manutenção, mais do que opções turbo mais sofisticadas.

O “pacote” de segurança do Pulse Drive 1.3 CVT atende bem ao básico esperado atualmente. Há controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, airbags frontais e laterais, além de estrutura moderna derivada da plataforma MLA da Stellantis.

Porém, pode ser que alguém reclame a falta de recursos mais sofisticados, como assistência à condução presentes em rivais mais caros, do tipo frenagem autônoma de emergência ou controle de cruzeiro adaptativo. Mas isso é para carros obviamente mais caros. Dentro de sua proposta, este Pulse está mais do que adequado, dentro do compromisso de oferecer adequada relação custo/benefício.

CONCLUSÃO

Vale a pena? A resposta é sim. O Fiat Pulse Drive 1.3 CVT 2026 é um SUV compacto extremamente coerente para quem busca conforto urbano, confiabilidade mecânica e facilidade de condução. Ele não tenta ser esportivo, premium ou tecnológico além da conta nessa versão quase de entrada. E talvez justamente por isso agrade em cheio.

Seu conjunto mecânico com motor aspirado pode decepcionar quem espera respostas rápidas ou desempenho vigoroso em estrada. Porém, como já dissemos, não é um esportivo, e para uso urbano diário, entrega suavidade, conforto e boa dirigibilidade, com economia de combustível.

O Pulse também agrada pelo visual ainda moderno, pela ergonomia correta e pela suspensão muito bem acertada para o piso brasileiro. Em compensação, o preço já começa a flertar com uma faixa em que rivais com motor turbo oferecem um pouco mais de desempenho e mais equipamentos. Mas aí a confiança na marca, rede de assistência técnica e custo de manutenção viram o jogo de novo para o Fiat,

Assim, dentro da proposta racional de um SUV compacto automático, voltado ao uso no dia a dia, o Fiat Pulse Drive 1.3 CVT 2026 continua sendo uma opção equilibrada e bastante competitiva no mercado brasileiro.


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