TESTE: Leapmotor B10 REEV
O elétrico que não depende exclusivamente da tomada: SUV médio combina tração exclusivamente elétrica, motor-gerador a gasolina, autonomia estendida e tecnologia para enfrentar um dos segmentos mais disputados do mercado brasileiro hoje em dia.

O avanço da eletrificação automotiva trouxe uma transformação importante na maneira de conceber e utilizar os automóveis, em especial no mercado brasileiro. Se, inicialmente, os veículos elétricos eram vistos como alternativas essencialmente urbanas, limitadas pela autonomia das baterias e pela disponibilidade de infraestrutura de recarga, a rápida evolução tecnológica ampliou consideravelmente suas possibilidades de utilização.
por Ricardo Caruso

O Leapmotor B10 REEV representa uma das soluções mais interessantes dessa nova realidade. Em vez de recorrer à arquitetura híbrida convencional, na qual motores elétricos e a combustão podem atuar mecanicamente sobre as rodas, o SUV chinês -parceira da Stellantis- utiliza um sistema de propulsão elétrica com extensor de autonomia. O motor a gasolina não participa direto da movimentação do veículo: sua função é produzir eletricidade para alimentar o sistema de tração e assim recuperar a carga da bateria.

Essa característica muda completamente a experiência ao volante e estabelece uma diferença importante em relação aos híbridos tradicionais Sem contar toda a tecnologia embarcada, que faz do ato de dirigi-lo uma experiência interessante. . A “chave”, por exemplo, é um cartão magnético. Basta você aproximar o cartão do retrovisor esquerdo, e as portas destravam. Em seguida, acomode o cartão no console e pronto: o SUV já está ligado.
O B10 REEV chegou ao mercado brasileiro na linha 2026, em versão única, com preço anunciado de R$ 179.990. A configuração combina motor elétrico traseiro de 218 cv, bateria de 18,8 kWh e um propulsor a gasolina de 1,5 litro que é utilizado exclusivamente como gerador. A autonomia combinada anunciada pela fabricante chega a aproximadamente 900 quilômetros (pelo ciclo WLTP), enquanto a homologação brasileira indica alcance 100% elétrico de 68 km.

A proposta é particularmente relevante para o Brasil, onde a utilização de automóveis envolve situações bastante diferentes. Há consumidores que percorrem diariamente trajetos urbanos relativamente curtos, mas também motoristas que enfrentam longas distâncias, estradas com infraestrutura de recarga limitada ou mesmo inexistente e viagens frequentes entre cidades.


Nesse contexto, o B10 REEV procura oferecer o comportamento de um elétrico sem impor ao proprietário a necessidade de depender exclusivamente da energia armazenada na bateria. A avaliação desse modelo exig]iu, portanto, compreender não apenas seus números de potência, autonomia e consumo, mas principalmente a maneira como os diferentes componentes trabalham em conjunto.
O resultado é um SUV que utiliza a eletrificação como princípio fundamental de funcionamento, mas mantém a gasolina como recurso para ampliar sua capacidade de utilização.
A ESTRATÉGIA DA LEAPMOTOR
A Leapmotor nasceu na China e foi apresentada ao mundo em 2015, ou seja, tem apenas 11 anos de exstência. Veio com uma proposta centrada no desenvolvimento de veículos eletrificados e na integração de sistemas eletrônicos, baterias e motores elétricos.

A recente associação com a Stellantis ampliou suas possibilidades de atuação internacional, particularmente no Brasil, onde a estrutura comercial e industrial do Grupo europeu representa um importante elemento para a expansão da marca. O B10 ocupa posição estratégica nessa operação.

A marca chinesa oferece no Brasil os SUVs C10 e B10, disponíveis cada um em duas configurações: 100% elétrico (BEV) ou ultra-híbrido com extensor de autonomia (REEV). Na configuração elétrica convencional, o modelo utiliza uma bateria de maior capacidade e depende exclusivamente da energia armazenada para movimentar o veículo. A versão REEV -como a avaliada- acrescenta o sistema de geração elétrica a bordo, permitindo que a bateria tenha sua carga recuperada durante a utilização.

Essa combinação oferece uma alternativa para consumidores que desejam migrar para a propulsão elétrica, mas ainda não estão preparados para depender integralmente de pontos de recarga. O lançamento também amplia a presença da tecnologia REEV na gama brasileira da Leapmotor, que já havia introduzido o sistema no SUV C10.
➤ Leia aqui o teste do Leapmotor C10 REEV
A marca pretende, dessa maneira, construir uma identidade própria, associada à eletrificação com autonomia estendida, diferenciando seus produtos de híbridos convencionais e de veículos elétricos que não possuem um sistema auxiliar de geração.
Assim, o B10 REEV chega em um momento no qual a competição entre fabricantes chineses se intensifica em mercados de todo o mundo, com destaque para o Brasil. O segmento de SUVs médios reúne modelos com diferentes soluções de motorização, desde veículos exclusivamente elétricos até híbridos plug-in e automóveis convencionais com motores turboalimentados.

O diferencial do Leapmotor está justamente na arquitetura de propulsão. Em vez de tentar combinar mecanicamente dois motores para movimentar as rodas, a marca utiliza a eletricidade como única forma de tração.
Essa decisão permite concentrar o desenvolvimento em uma experiência de condução semelhante à de um veículo elétrico, enquanto o motor a combustão trabalha em condições determinadas pelo gerenciamento eletrônico.
DESENHO: SUV MÉDIO E JEITÂO ELÉTRICO
O B10 apresenta linhas contemporâneas, com superfícies relativamente limpas e visual que procura equilibrar aparência robusta e eficiência aerodinâmica. A carroceria possui proporções típicas de um SUV médio, com capô curto, cabine avançada e traseira de desenho compacto.

A dianteira concentra boa parte da identidade visual. Os conjuntos ópticos utilizam iluminação totalmente em LED, com os elementos superiores destinados à assinatura luminosa e indicadores de direção, enquanto os faróis principais ficam posicionados em uma região mais central.
A solução permite construir uma frente visualmente mais horizontal, com aparência tecnológica. A ausência de uma grande grade convencional também acompanha a tendência dos veículos eletrificados, nos quais as necessidades de arrefecimento são diferentes das encontradas em automóveis com motores a combustão tradicionais.
Embora o B10 REEV possua um motor-gerador dianteiro, o sistema não exige uma abertura frontal tão ampla quanto a de um SUV convencional como naqueles com motor turbo de elevada potência. Isso permite manter uma identidade visual muito próxima à do B10 elétrico.

Na lateral, as maçanetas embutidas contribuem para a aparência mais limpa da carroceria. As rodas de liga leve de 18 polegadas tem acabamento diamantado e utilizam pneus de medidas diferentes nos dois eixos: 225/50 na dianteira e 235/50 na traseira.
Aqui cabem duas informações Importantes:
- O modelo não possui estepe. No compartimento sob o assoalho do porta-malas há um kit de reparo de furos, além do gancho de reboque e do carregador portátil. Importante se familiarizar com o funcionamento do reparo dos pneus antes de colocar o carro na rua.
- Devido à diferença de medidas entre o conjunto de rodagem dianteiro e traseiro, não é recomendado o rodízio de pneus entre os eixos no Leapmotor B10, apenas a troca de lado..
A configuração com pneus de diferentes medidas acompanha a distribuição de esforços de um veículo com tração traseira, embora a diferença de largura entre os pneus também precise ser considerada na avaliação de comportamento dinâmico, resistência ao rolamento e custo de reposição.
O conjunto de iluminação traseiro adota lanternas conectadas por uma faixa luminosa horizontal, recurso visual que amplia a percepção de maior largura. A tampa do porta-malas possui acionamento elétrico, favorecendo a utilização cotidiana.
DIMENSÕES E PROPORÇÕES
O B10 REEV apresenta as seguintes dimensões:
- Comprimento; 4.530 mm
- Largura (sem retrovisores): 1.885 mm
- Largura (com retrovisores: 2.110 mm
- Altura: 1.655 mm
- Distância entre-eixos: 2.735 mm
- Altura mínima do solo: 170 mm
- Ângulo de entrada: 18,3°
- Ângulo de saída: 25°
- Porta-malas: 350 litros
Os números mostram um veículo que privilegia o espaço interno e a estabilidade em rodovias. A distância entre-eixos de 2.735 mm é especialmente importante para o aproveitamento do espaço da cabine. Em um SUV de aproximadamente 4,5 metros, esse entre-eixos permite acomodar os ocupantes com bom espaço também na traseira, reduzindo a necessidade de avançar excessivamente o banco dianteiro para liberar espaço na segunda fileira. A largura de 1.885 mm também favorece a acomodação de três passageiros no banco traseiro.

A altura livre em relação ao solo de 170 mm atende à utilização urbana típica brasileira (com lombadas, valetas e buracos) e permite enfrentar irregularidades moderadas, mas não transforma o B10 em um veículo destinado a percursos fora de estrada. Os ângulos de entrada e saída são compatíveis com a proposta de SUV urbano e rodoviário. Sua vocação é oferecer conforto, espaço e versatilidade, e não enfrentar trilhas severas.
ARQUITETURA REEV: A PRINCIPAL DIFERENÇA
O aspecto mais importante do B10 está na maneira como a energia é produzida e transmitida. REEV significa Range Extended Electric Vehicle, expressão utilizada para identificar veículos elétricos com extensor de autonomia.
Essa arquitetura possui três componentes fundamentais: motor elétrico de tração, bateria de alta tensão e motor a combustão como gerador.
No B10 REEV, o motor elétrico fica instalado no eixo traseiro e movimenta diretamente as rodas, e o motor a gasolina, localizado na dianteira, não possui ligação mecânica com o eixo de tração. Essa característica diferencia o sistema do Leapmotor de um híbrido paralelo, no qual o motor a combustão pode movimentar as rodas por meio de transmissão mecânica.

Também o distingue de determinadas arquiteturas híbridas em série-paralelo, que permitem diferentes combinações de funcionamento. No B10 REEV, a tração é sempre elétrica. O motorista não precisa esperar que o motor a combustão alcance determinada rotação para receber torque.
A resposta do acelerador depende da capacidade do sistema elétrico de fornecer potência ao motor de tração. O gerador pode entrar em funcionamento para recuperar a carga da bateria ou atender à demanda energética do conjunto. Essa operação é coordenada por uma sofisticada central eletrônica.
O sistema considera fatores como carga disponível, solicitação de potência, temperatura, condições de funcionamento e estratégia de gerenciamento energético. O resultado é uma arquitetura na qual o motor a combustão trabalha de maneira relativamente independente das solicitações instantâneas do acelerador.
Essa independência constitui uma das principais vantagens técnicas do sistema REEV.
O motor elétrico traseiro
O propulsor de tração desenvolve potência máxima de 218 cv e torque instantâneo de 24,5 mkgf. A tração é sempre traseira. Assim, a potência corresponde a aproximadamente 160 kW, e o torque de 24,5 mkgf é disponibilizado pelo motor elétrico de maneira característica desse tipo de propulsão, com respostas rápidas desde baixas rotações, quase instantâneo.
Em um motor elétrico, a entrega de torque não depende do preenchimento dos cilindros, da pressão de turboalimentação ou da necessidade de elevar a rotação para atingir a faixa de maior eficiência. Por sua característica, a pronta disponibilidade de torque permite ao mesmo tempo arrancadas suaves e respostas imediatas.
Na condução urbana, o benefício do torque aparece principalmente nas retomadas, nos cruzamentos e nas mudanças de velocidade. Em rodovias, a disponibilidade de torque também facilita ultrapassagens, embora o desempenho em velocidades elevadas dependa da combinação da potência efetivamente disponível, da massa do veículo e da capacidade de gerenciamento térmico.
O motor elétrico traseiro proporciona ainda uma distribuição de esforços diferente daquela encontrada em SUVs de tração dianteira. A aceleração transfere carga para o eixo posterior, favorecendo a utilização da força motriz pelas rodas traseiras.
Isso não significa necessariamente comportamento esportivo, mas cria uma base interessante para o acerto de suspensão e direção, direcionados para um desempenho quase esportivo. A aceleração de zero a 100 km/h é feita em cerca em 7,5 segundos, e a velocidade máxima é limitada eletronicamente a 170 km/h.
Potência e desempenho
Os 218 cv do motor elétrico colocam o B10 REEV em uma faixa de desempenho adequada para um SUV médio eletrificado, acima de muitos modelos de combustão. O tempo de aceleração de 7,5 segundos até 100 km/h demonstra que o modelo não depende apenas de eficiência energética. Existe uma reserva de potência suficiente para situações de utilização rodoviária, desde que a estratégia de gerenciamento da bateria permita disponibilizar a energia necessária.
Esse último ponto merece atenção. Em um veículo elétrico com extensor de autonomia, a potência máxima anunciada pelo motor de tração não deve ser interpretada isoladamente. A bateria precisa fornecer energia ao motor elétrico, enquanto o gerador contribui para a sustentação do sistema.
Em situações de aceleração prolongada, a capacidade de manter a potência depende da combinação entre energia armazenada, capacidade de geração e gerenciamento térmico. No caso de exigência de desempenho de curta duração, as coisas podem ser diferente daquelas disponíveis continuamente.
Por isso, a avaliação técnica completa desse quesito deve considerar não apenas acelerações pontuais, mas também a capacidade de manter velocidade em subidas longas e durante viagens com o veículo carregado. No caso do modelo avaliado, tudo funcionou de maneira correta.
O MOTOR 1.5 GERADOR, NÃO PROPULSOR
O motor a combustão do B10 REEV tem uma função muito específica. Trata-se de um quatro-tempos de 1,5 litro, com 88 cv de potência máxima, quatro cilindros e 16 válvulas, desenvolvido para trabalhar como gerador. O funcionamento utiliza ciclo Atkinson e elevada taxa de compressão, de 15,3:1.

A combinação procura reduzir o consumo de combustível quando o motor opera como fonte de energia elétrica. Em um automóvel convencional, o motor precisa responder de forma direta e rápida às solicitações do motorista. Quando o pedal do acelerador é pressionado, a unidade de controle precisa ajustar a quantidade de ar, combustível e o momento de ignição para produzir o torque exigido pelas rodas.
No REEV, essa relação é diferente. O motor a combustão pode operar em condições determinadas pelo gerenciamento energético, sem precisar acompanhar continuamente as variações do acelerador. Isso abre a possibilidade de trabalhar em faixas de rotação e de carga mais favoráveis à eficiência.
O objetivo é produzir eletricidade com menor consumo de combustível. A potência máxima do motor-gerador não deve ser confundida com a potência de tração do veículo. O B10 possui 218 cv no motor elétrico responsável pela movimentação, o que não se soma aos 88 cv do motor a combustão.
O propulsor a gasolina participa apenas da geração de energia, mas não transmite torque direto às rodas. Essa distinção é essencial para compreender o funcionamento do conjunto.
Ciclo Atkinson e eficiência
O ciclo Atkinson é utilizado em diversas aplicações híbridas por favorecer a eficiência térmica em determinadas condições de funcionamento. Em termos simplificados, o sistema busca aproveitar melhor a expansão dos gases de combustão, reduzindo perdas e permitindo uma operação eficiente em cargas relativamente estáveis.
Nos motores mais comuns, de ciclo Otto, o tempo de compressão e o tempo de expansão são praticamente iguais. No ciclo Atkinson, ao contrário, a fase de expansão é maior do que a de compressão
A elevada taxa de compressão contribui para essa estratégia no Leapmotor. Entretanto, o funcionamento eficiente depende de diversos fatores: controle da combustão, temperatura de operação, gerenciamento de carga, estratégia de ignição, perdas nos componentes elétricos e demanda de energia do motor de tração.
A operação como gerador permite que o sistema escolha condições de funcionamento mais favoráveis do que aquelas impostas por uma ligação mecânica direta às rodas. Isso não elimina as perdas de conversão, pois a energia produzida pelo motor a combustão precisa ser transformada em eletricidade, distribuída pelo sistema e utilizada pelo motor de tração.
Cada etapa possui rendimento próprio. Portanto, a eficiência global do sistema depende da integração entre motor térmico, gerador, bateria, inversor e motor elétrico. A principal vantagem do REEV não está em eliminar as perdas energéticas, mas em permitir que o motor a combustão trabalhe de maneira mais controlada.
O tanque de combustível
O B10 REEV utiliza tanque de gasolina com capacidade de 50 litros. A marca informa que o sistema emprega tanque pressurizado, solução destinada a reduzir perdas por evaporação. Esse recurso é relevante porque os sistemas de controle de emissões evaporativas precisam impedir que vapores de combustível sejam liberados para a atmosfera.
O gerenciamento da ventilação do tanque e o controle dos vapores fazem parte da integração entre o sistema de alimentação e os requisitos ambientais. A utilização de gasolina também oferece uma vantagem prática importante.
O proprietário pode reabastecer o veículo em postos convencionais de combustíveis, sem depender exclusivamente de infraestrutura de recarga elétrica. Isso amplia a possibilidade de utilização em viagens. Entretanto, o consumo real de combustível dependerá do percurso, da velocidade, da temperatura, da carga transportada e da quantidade de energia elétrica disponível no início da viagem.
A autonomia combinada é de aproximadamente 900, mas não deve ser interpretada como uma distância garantida em qualquer condição de utilização; tudo vai depender da forma como o carro é conduzido.
BATERIA LFP: CAPACIDADE, RECARGA E GERENCIAMENTO
O sistema de armazenamento utiliza bateria de 18,8 kWh, e a química empregada é LFP, sigla para fosfato de ferro-lítio. Essa tecnologia possui características interessantes para aplicações automotivas, e entre suas vantagens estão a estabilidade térmica, a durabilidade potencial e a ausência de níquel e cobalto na composição do material catódico. A bateria LFP também apresenta boa capacidade de suportar os constantes ciclos de carga e descarga.
Entretanto, como acontece com qualquer sistema de armazenamento de energia, sua vida útil depende de fatores como temperatura, profundidade de descarga, corrente de carregamento e estratégia de gerenciamento.
O conjunto possui sistema de arrefecimento líquido independente. Esse recurso permite controlar a temperatura da bateria, condição importante para preservar desempenho e durabilidade. A temperatura influencia direto a resistência interna, a capacidade de receber energia e a disponibilidade de potência.
Em condições muito frias, a bateria pode apresentar limitações de recarga, enquanto em temperaturas elevadas, o sistema precisa controlar a dissipação de calor para evitar degradação acelerada. A aplicação de gerenciamento térmico representa, portanto, um elemento importante para a utilização do B10 em diferentes condições climáticas brasileiras.
Autonomia elétrica
A autonomia exclusivamente elétrica homologada no Brasil para o B10 REEV é de 68 km. Esse alcance parece pequeno, mas permite atender a uma parcela significativa dos deslocamentos urbanos cotidianos, dependendo é claro da distância percorrida.
Para quem utiliza o automóvel em trajetos curtos, a possibilidade de recarregar em casa pode reduzir consideravelmente a necessidade de funcionamento do motor-gerador. Em um cenário ideal, o proprietário poderia utilizar energia elétrica durante boa parte da semana e recorrer à gasolina apenas quando a distância percorrida ultrapassasse a capacidade da bateria.
Entretanto, a autonomia real varia. A velocidade média, a temperatura ambiente, o uso do ar-condicionado, a topografia e o estilo de condução influenciam direto no consumo energético. O trânsito urbano pode favorecer a recuperação de energia durante desacelerações, mas por outro lado, trajetos com subidas frequentes, acelerações intensas e velocidades elevadas podem reduzir o alcance.
Assim, a autonomia elétrica deve ser entendida como uma capacidade extra de utilização, não como uma possibilidade de distância fixa.
Recarga externa
O B10 REEV permite recarga em corrente alternada e corrente contínua. A potência máxima informada para recarga AC é de 6,6 kW, e nessa condição, a recarga completa pode levar aproximadamente três horas e meia, dependendo da situação inicial e das condições de carregamento.
Em corrente contínua, o sistema aceita potência de até 46 kW. A fabricante informa que nesse caso a bateria pode passar de 30% a 80% em aproximadamente 18 minutos. Esses números tornam o modelo ainda mais versátil do que um veículo que dependa exclusivamente de recarga lenta.
A recarga externa permite que o proprietário aproveite a energia da rede elétrica, enquanto o motor-gerador funciona como recurso complementar. O sistema também pode ser utilizado sem recarga frequente. Essa flexibilidade constitui uma das principais características da arquitetura REEV.
COMO FUNCIONA
A experiência de condução do B10 REEV depende como vimos da integração entre motor elétrico, bateria e gerador. O motorista seleciona o modo de condução, mas o gerenciamento energético permanece sempre sob responsabilidade do sistema eletrônico.
A marca disponibiliza diferentes estratégias de funcionamento. É possível ajustar a regeneração de energia, a resposta do acelerador e a assistência da direção. O sistema oferece os modos de condução Conforto, Padrão e Esportivo, além de configurações personalizadas.
Esses ajustes modificam a maneira como o veículo responde aos comandos. No modo Conforto, a tendência é privilegiar suavidade e progressividade. No modo Esportivo, a resposta do acelerador fica mais imediata, favorecendo uma condução mais dinâmica, e o modo personalizado permite modificar diferentes parâmetros de acordo com as preferências do motorista.

A regeneração de energia também pode ser ajustada. Esse recurso determina a intensidade com que o motor elétrico recupera energia durante desacelerações. Quando o motorista reduz a velocidade, o motor elétrico pode atuar como gerador, e a energia cinética do veículo é convertida em eletricidade e enviada à bateria.
Esse processo ajuda a recuperar parte da energia que seria dissipada pelos freios convencionais. Entretanto, a regeneração não substitui completamente os freios mecânicos. Em desacelerações intensas, frenagens de emergência ou situações nas quais a capacidade de recuperação é limitada, os freios convencionais continuam indispensáveis.
O sistema eletrônico coordena a atuação dos dois recursos para garantir estabilidade, segurança e eficiência.
AVALIAÇÃO DINÂMICA
A configuração de tração traseira é um dos elementos que mais influenciam o comportamento do B10 REEV. Em um SUV médio, essa solução permite distribuir de maneira diferente os esforços de aceleração.
Durante uma arrancada, a transferência de carga desloca parte do peso para o eixo posterior. Como as rodas traseiras são responsáveis pela tração, essa transferência pode favorecer a capacidade de transmitir força ao solo. A tração traseira também permite que as rodas dianteiras permaneçam concentradas nas funções de direção.
Essa separação favorece a precisão direcional, especialmente porque o sistema de suspensão é bem calibrado, como veremos mais adiante. Entretanto, não é possível atribuir comportamento típico esportivo a esse SUV apenas por conta da configuração de tração.

A massa do veículo, o centro de gravidade, a distribuição de peso e a resposta dos amortecedores continuam sendo fatores determinantes para o comportamento dinãmico O B10 REEV trabalha bem para equilibrar características diferentes.
De um lado, existe a necessidade de oferecer conforto para utilização familiar. De outro, a carroceria relativamente alta e o peso associado à bateria exigem controle adequado dos movimentos. O acerto consegue reduzir inclinações excessivas em curvas, limita a transferência de carga e preserva a estabilidade em mudanças rápidas de direção.
Suspensão e conforto
O Leapmotor B10 REEV possui suspensão independente nas quatro rodas: na dianteira usa sistema tipo McPherson (com bandejas independentes e, na traseira, configuração multilink.
O comportamento de um SUV eletrificado depende em especial do controle da massa. Nessa configuração REEV, o peso é de 1850 kg. A bateria acrescenta peso à estrutura, enquanto o motor elétrico e o gerador precisam ser acomodados sem comprometer a distribuição dos componentes.
Com isso, o sistema de suspensão deve trabalhar para controlar os movimentos da carroceria e absorver irregularidades. Em pisos urbanos, a capacidade de filtrar buracos e remendos influencia direto a percepção de qualidade. E isso é bem cuidado pela Leapmotor.

Em rodovias, a estabilidade direcional e o controle dos movimentos verticais da carroceria tornam-se mais importantes. A generosa distância entre-eixos de 2.735 mm favorece a estabilidade longitudinal e a largura da carroceria também contribui para uma base relativamente ampla. Entretanto, o conforto não depende apenas das dimensões.
A correta calibração das molas, amortecedores, buchas e pneus define a maneira como o veículo reage às irregularidades. Um conjunto excessivamente firme pode transmitir impactos para a cabine, enquanto uma suspensão muito macia, por outro lado, pode permitir movimentos excessivos em curvas e frenagens.
O correto equilíbrio entre essas características foi bem cuidado e é fundamental para a proposta mais urbana do B10.
Direção
O sistema de direção possui assistência elétrica, solução que permite ajustar a assistência de acordo com a velocidade e o modo de condução. Em manobras urbanas, a assistência facilita o movimento do volante e, em velocidades mais elevadas, o sistema oferece maior peso e precisão.

A possibilidade de selecionar diferentes níveis de assistência permite adaptar o comportamento do B10 às preferências individuais. Ainda assim, o mais importante é a progressividade. As respostas são previsíveis, sem alterações bruscas de esforço durante a condução.
DESEMPENHO CIDADE E ESTRADA
A arquitetura REEV apresenta vantagens diferentes conforme o ambiente de utilização. Na cidade, o motor elétrico oferece respostas imediatas e funcionamento silencioso; só se percebe um discreto e inevitável zumbido vindo do motor elétrico.
A ausência de trocas convencionais de marcha também contribui para a suavidade. Em trânsito congestionado, a regeneração pode recuperar parte da energia durante desacelerações. O motor-gerador pode permanecer desligado durante determinados períodos, dependendo da carga da bateria e da estratégia de gerenciamento. Quando necessário, entra em funcionamento para produzir eletricidade.
Essa operação permite que o veículo continue utilizando tração elétrica mesmo depois de a energia armazenada atingir níveis reduzidos.
Em rodovias, a situação é diferente. A velocidade constante exige energia continuamente e a resistência aerodinâmica aumenta com a velocidade, elevando a demanda do motor elétrico. Com isso, o sistema precisa produzir energia suficiente para manter o deslocamento e ainda preservar uma margem de carga.
Em subidas longas, a demanda de energia pode aumentar consideravelmente. O gerador precisa contribuir para sustentar a potência solicitada, enquanto a bateria funciona como reserva e elemento de estabilização. Essa combinação permite que o veículo continue operando, mas o consumo de gasolina tende a aumentar quando a demanda energética é elevada.
O comportamento do B10 REEV deve ser avaliado, portanto, considerando a diferença entre utilização urbana e rodoviária. A vantagem da autonomia ampliada não significa que o consumo será sempre baixo. O sistema oferece liberdade de utilização, mas a eficiência depende da maneira como a energia é consumida e produzida.
CONSUMO: ENERGIA ELÉTRICA E GASOLINA
A avaliação de consumo de um REEV exige uma metodologia diferente daquela utilizada em automóveis convencionais. Em um veículo a combustão, o consumo é normalmente apresentado em quilômetros por litro, mas em um elétrico, a eficiência é expressa em energia consumida por distância.
No REEV, os dois parâmetros precisam ser considerados. O B10 possui autonomia puramente elétrica homologada de 68 km. A marca informa consumo de gasolina de 13,5 km/litro na cidade e 12,3 km/l na estrada, conforme os dados divulgados para o mercado brasileiro, marcas muito boas para o porte desse SUV.
Esses valores devem ser interpretados considerando a estratégia de funcionamento do sistema e a condição de carga da bateria. Quando o veículo utiliza energia previamente armazenada, parte do deslocamento não exige consumo imediato de gasolina.
Por isso, uma média obtida após recarga externa pode ser diferente daquela observada em uma viagem longa. A comparação com um SUV convencional exige considerar a quantidade de energia elétrica utilizada.
Não seria tecnicamente correto comparar apenas o consumo de gasolina de um REEV que percorreu parte do trajeto utilizando energia da rede com o consumo de um veículo que depende exclusivamente do combustível. O ideal é registrar dados como distância, energia consumida, comndições de trãnsito etc. A combinação do motor a gasolina (tanque de 50 litros) com o sistema elétrico permite autonomia de até 900 km nesse caso, o que é uma marca muito boa.
No dia a dia
Para um motorista que percorre distâncias relativamente curtas e dispõe de recarga residencial, o B10 REEV pode funcionar frequentemente como um elétrico. Nesse cenário, a gasolina tende a ser utilizada com menor frequência.
Para quem percorre centenas de quilômetros por dia, o motor-gerador assume papel mais importante. A eficiência dependerá da capacidade de produzir eletricidade com consumo moderado. Em viagens longas, a velocidade de deslocamento também terá influência. A resistência aerodinâmica aumenta rapidamente com a velocidade, exigindo mais potência e mais energia.

Assim, a diferença entre conduzir a 90 km/h e a 120 km/h pode ser significativa em termos de consumo energético. O peso do veículo, a pressão dos pneus e o uso do ar-condicionado também interferem. A grande vantagem do B10 REEV é a flexibilidade energética; sua eficiência real continua dependendo das condições de utilização.
INTERIOR: TECNOLOGIA E ESPAÇO
O interior do B10 procura combinar aparência contemporânea, minimalista, com espaço e recursos eletrônicos. O painel possui desenho horizontal, com pouquíssimos comandos físicos e predominância de duas telas.


A central multimídia é grande, de 14,6 polegadas, e concentra grande parte do controle das funções do carro. À frente do motorista, uma tela menor, de 8,8 polegadas, exibe a velocidade em tempo real, além de informações como nível de bateria, quilometragem e dados do “pacote” ADAS. O sistema utiliza processador Snapdragon 8155, componente desenvolvido para aplicações automotivas de processamento e conectividade. A estrutura eletrônica permite integrar diferentes sistemas do veículo e reduzir a necessidade de módulos independentes.
A fabricante destaca a utilização de revestimentos premium nos bancos com certificação OEKO-TEX, associação internacional e sistema de certificação global para a indústria têxtil e de couro garante que os produtos e as fábricas atendem a rigorosos padrões de segurança para a saúde humana e de sustentabilidade ambiental. Esses materiais procuram oferecer conforto, qualidade e facilidade de utilização.
A iluminação ambiente permite modificar a atmosfera da cabine, com várias opções de cores; as molduras das saídas de ar também são iluminadas. O teto panorâmico de 1,83 m2 amplia a sensação de luminosidade e tem uma cortina elétrica que oferece a possibilidade de reduzir a incidência solar quando necessário.
Ergonomia
O volante possui regulagem de altura e profundidade, e o quadro de instrumentos acompanha os ajustes da coluna de direção, facilitando a visualização das informações. Essa solução é importante porque ajuda o motorista a encontrar a posição de condução ideal para sua estatura.
A tela central reúne funções de entretenimento, climatização e gerenciamento do veículo, e o sistema permite configurar diferentes parâmetros de condução e energia. Essa integração reduz a quantidade de comandos físicos (há quem goste, há quem abomine), mas exige familiarização. O motorista precisa compreender a organização dos menus e identificar rapidamente as funções mais utilizadas.
Com o tempo, você se habitua. Em um veículo com tantos recursos eletrônicos, a facilidade de operação é tão importante quanto a quantidade de equipamentos.

Os bancos dianteiros utilizam espumas de diferentes densidades, numa configuração que procura equilibrar apoio e conforto. Os ajustes elétricos facilitam a adaptação da posição de condução, com o sistema possuindo memória de ajustes para diferentes usuários.
A ventilação dos bancos também contribui para o conforto em condições de temperatura elevada. Em um país como o Brasil, esse recurso pode ser particularmente útil durante o verão.
Banco traseiro
A boa distância entre-eixos favorece o espaço para os passageiros da segunda fileira. Por ali, três adultos se acomodam bem. E a largura da carroceria permite acomodar três ocupantes, embora a posição central normalmente seja menos confortável do que as laterais. Em viagens longas, o espaço para pernas e a possibilidade de apoiar os braços são fundamentais para garantor o conforto.
O B10 REEV procura atender famílias que utilizam o SUV tanto em deslocamentos urbanos quanto em viagens. O compartimento de bagagem possui capacidade de 350 litros, e com os bancos traseiros rebatidos, o volume aumenta para aproximadamente 1.419 litros.

A tampa do porta-malas possui acionamento elétrico, e o acesso é facilitado pela abertura ampla. Sua capacidade de bagagem é compatível com a proposta de um SUV médio dos bons, embora o volume inicial não seja particularmente elevado. Afinal, a presença do sistema REEV também exige considerar a distribuição de mais componentes mecânicos e elétricos, ou seja reduz um pouco o espaço. É preciso acomodar bateria, motor-gerador, sistema de combustível e componentes de alta tensão.
A engenharia do veículo procurou equilibrar essas necessidades sem comprometer excessivamente a cabine. Para utilização familiar, o porta-malas atende o necessário para bagagens de uso cotidiano. Em viagens, a organização das malas e o aproveitamento do espaço tornam-se cuidados importantes.
A possibilidade de rebater os bancos amplia a versatilidade. Entretanto, o volume divulgado não deve ser confundido com capacidade de carga em quilos. Afinal de contas, é um SUV, não uma picape.
MULTIMÍDIA E CONECTIVIDADE
A central multimídia de 14,6 polegadas constitui o principal elemento eletrônico da cabine. É o centro de operações do carro. O sistema oferece conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay, plataformas que permitem integrar smartphones e utilizar aplicativos de navegação, comunicação e entretenimento.
A interface também reúne praticamente todas as funções e configurações do veículo. O motorista pode alterar modos de condução, ajustar parâmetros energéticos e visualizar informações sobre o sistema. A tela permite ainda acompanhar imagens das câmeras e o excelente sistema de áudio possui 12 alto-falantes e subwoofer, com potência anunciada de 840 W.

O isolamento acústico também contribui para oconforto a bordo. Em um veículo elétrico, a ausência do ruído contínuo de um motor convencional permite perceber com maior clareza sons de pneus, vento e suspensão. Por isso, o controle de ruído de rodagem e a vedação da carroceria tornam-se particularmente importantes.
SEGURANÇA: AIRBAGS E ADAS
O B10 REEV possui sete airbags. Além dos frontais, laterais e de cortina, o conjunto inclui uma bolsa de ar central posicionada entre os bancos dianteiros. Esse recurso procura reduzir o contato entre motorista e passageiro dianteiro em determinadas colisões laterais.
A carroceria utiliza aços de diferentes graus de resistência, necessário para a estrutura distribuir esforços de impacto e preservar o espaço de sobrevivência dos ocupantes. A segurança de qualquer carro depende da integração entre estrutura, cintos, airbags e sistemas eletrônicos, e nesse B10 não é diferente.
O veículo também possui freios a disco nas quatro rodas. O sistema de frenagem precisa atuar em conjunto com a regeneração elétrica; durante desacelerações moderadas, o motor elétrico pode recuperar energia. Em situações de maior demanda, os freios convencionais complementam a atuação.
Essa combinação exige controle eletrônico preciso. A transição entre regeneração e frenagem mecânica deve ser progressiva para preservar a sensação no pedal.
Leap Pilot
O “pacote” Leap Pilot reúne sistemas de assistência à condução (ADAS) de Nível 2. Entre os recursos estão: controle de velocidade adaptativo, assistente de manutenção de faixa, frenagem automática de emergência, detecção de pedestres e ciclistas, monitoramento de ponto cego, assistente de tráfego cruzado, leitura de placas, comutação automática de farol alto/baixo e monitoramento de atenção do motorista, entre outros.

A classificação de Nível 2 significa que o veículo pode auxiliar simultaneamente em determinadas funções de direção e velocidade, mas o motorista continua responsável pela supervisão. O sistema não transforma o B10 em um veículo autônomo, pois o motorista precisa permanecer atento, manter as mãos disponíveis para assumir o controle e respeitar as condições de funcionamento dos assistentes.
A GRANDE VANTAGEM DO REEV
A autonomia combinada anunciada chega a aproximadamente 900 quilômetros. Esse número representa a principal característica comercial do B10 REEV. O SUV chinês pode utilizar a bateria para deslocamentos elétricos e recorrer ao motor-gerador quando a energia armazenada diminui.
A possibilidade de reabastecer em postos convencionais amplia a liberdade de utilização. Para quem viaja frequentemente, essa característica pode ser mais importante do que a autonomia elétrica isolada. O sistema permite iniciar uma viagem com a bateria carregada e utilizar a energia elétrica disponível. Quando necessário, o motor-gerador passa a produzir eletricidade.

O motorista não precisa interromper o percurso exclusivamente para procurar um ponto de recarga. Essa vantagem é especialmente relevante em regiões onde a infraestrutura elétrica ainda está em expansão. Entretanto, a autonomia combinada depende da utilização. O consumo de gasolina aumenta quando o veículo percorre longas distâncias com o gerador em funcionamento.
A autonomia também varia conforme a velocidade, o relevo e a carga. O número de 900 km deve ser entendido como referência de homologação, não como garantia de alcance real.
O MERCADO BRASILEIRO
O lançamento do B10 REEV ampliou a oferta de SUVs eletrificados no Brasil. O segmento reúne consumidores com necessidades diferentes. Alguns procuram exclusivamente um veículo elétrico, outros preferem híbridos plug-in mas, também existem compradores que valorizam a autonomia e a possibilidade de reabastecimento convencional.
O B10 REEV procura atender a esse último grupo. A combinação de motor elétrico e gerador a gasolina permite oferecer uma experiência de condução elétrica sem depender exclusivamente da infraestrutura pública. O preço de R$ 179.990 colocou o modelo em uma faixa competitiva entre os SUVs.
A marca destaca como concorrentes modelos como BYD Song Pro, Jaecoo 7 Elite, Geely EX5 Pro e Changan CS55, embora esses veículos utilizem diferentes arquiteturas de propulsão. A comparação precisa considerar não apenas preço e potência, mas também a autonomia elétrica, o consumo de combustível, a capacidade de recarga, espaço interno, equipamentos, garantia, rede de assistência, custo de manutenção e valor de revenda. São muitas variáveis.

O B10 REEV possui uma vantagem conceitual clara, que é a sua tração exclusivamente elétrica. Isso, como vimos antes, diferencia o modelo de híbridos convencionais que utilizam motores a combustão para movimentar as rodas. Por outro lado, a eficiência global depende da utilização a que é submetido.
Um consumidor que percorre distâncias curtas e recarrega frequentemente pode aproveitar melhor a bateria. Quem utiliza o veículo predominantemente em viagens longas, dependerá mais do motor-gerador. Assim, a escolha entre as diferentes tecnologias deve levar em conta sempre o perfil de uso.
Garantia
A Leapmotor informa garantia de seis anos para o veículo e oito anos para bateria, motor elétrico e componentes de alta tensão. O intervalo de revisões anunciado é de 12 meses ou 20 mil km, o que ocorrer primeiro.
A rede de assistência também é um fator importante. O consumidor precisa avaliar a disponibilidade de concessionárias, peças e técnicos capacitados em sua região. Em veículos eletrificados, a estrutura de atendimento pode influenciar tanto o custo de manutenção quanto o tempo de imobilização.
PONTOS POSITIVOS E LIMITAÇÕES
A avaliação do B10 REEV mostrou um conjunto de vantagens importantes. Entre os principais pontos positivos temos a tração exclusivamente elétrica, o fato de o motor a combustão não movimentar diretamente as rodas, não tem aquelas respostas excessivamente rápidas do acelerador comins em veículos elétricos, autonomia ampliada, o fato da combinação de bateria e gerador reduzir a dependência de infraestrutura pública de recarga e entrega de potência e torque de maneira adequada.
Entre os pontos que merecem atenção, está a autonomia elétrica relativamente limitada. Os 68 km homologados permitem atender a muitos deslocamentos urbanos, mas podem ser insuficientes para motoristas que percorrem distâncias maiores diariamente.
A interface concentrada na tela do multimídia exiege alguma familiarização, dada a quantidade de funções digitais. Já a capacidade do porta-malas (350 litros) atende à utilização cotidiana, mas podem exigir maior organização em viagens familiares. E há a complexidade tecnológica, onde a combinação de sistemas elétricos, eletrônicos e mecânicos exige uma rede de assistência preparada.
Não é nenhum problema do carro, e sim caracteristicas do projeto, que vão exigir maior ou menor adaptação por parte do motorista. Em poucos dias, tudo estará bem.
CONCLUSÃO
O Leapmotor B10 REEV chegou ao Brasil com uma proposta que procura resolver uma das principais dificuldades da eletrificação: a necessidade de conciliar autonomia, infraestrutura e utilização cotidiana. A arquitetura REEV oferece uma alternativa aos veículos elétricos convencionais.

O motor elétrico traseiro de 218 cv movimenta o SUV, enquanto o propulsor a gasolina de 1,5 litro trabalha exclusivamente como gerador. A bateria de 18,8 kWh permite deslocamentos elétricos, e o sistema de geração amplia a autonomia para aproximadamente 900 quilômetros.
O conjunto oferece uma experiência de condução 100% elétrica, com resposta imediata do acelerador e funcionamento suave. A tração traseira, o “pacote” de assistência à condução, os sete airbags e a conectividade reforçam o seu posicionamento tecnológico.
O espaço interno também atende à proposta familiar, e com louvor. O B10 REEV não é simplesmente um SUV convencional equipado com motor elétrico auxiliar. Seu projeto foi desenvolvido para utilizar a eletricidade como forma exclusiva de tração.
Essa característica representa a principal diferença em relação aos híbridos tradicionais, mas o modelo também apresenta limitações. A autonomia elétrica de 68 km exige recarga frequente para quem deseja utilizar o veículo predominantemente como elétrico.
Em viagens longas, o motor-gerador assume papel mais importante, e o consumo de gasolina passa a depender das condições de utilização. A eficiência energética, portanto, não deve ser avaliada apenas pelo alcance combinado. É necessário considerar sempre a quantidade de energia elétrica utilizada e o combustível consumido.
O B10 REEV é especialmente interessante para consumidores que desejam experimentar a condução elétrica, mas ainda precisam de liberdade para percorrer longas distâncias sem depender de pontos de recarga. Muitas vezes uma simples viagem entre São Paulo e Campinas pode dar alguns sustos se você discuidar da carga da bateria. Sua proposta também pode atrair motoristas que dispõem de recarga residencial e utilizam o automóvel principalmente em trajetos urbanos.
Nesse cenário, a bateria pode atender boa parte dos deslocamentos cotidianos, enquanto o motor-gerador permanece como recurso complementar. O Leapmotor B10 REEV demonstra que a eletrificação não precisa seguir um único caminho.
Ao combinar tração elétrica com geração de energia a bordo, o SUV oferece uma boa solução intermediária entre o automóvel convencional e o elétrico puro. Não elimina a gasolina, mas reduz sua função à produção de eletricidade. Não depende exclusivamente da tomada, mas permite aproveitar a energia externa. E não utiliza o motor a combustão como fonte direta de tração, preservando a característica fundamental de um veículo elétrico.
É justamente essa combinação que define sua personalidade. O B10 REEV representa uma alternativa tecnicamente interessante para um mercado no qual a eletrificação avança de maneira rápida e inevitável, mas a infraestrutura e os hábitos de utilização ainda apresentam diferenças importantes. Seu maior argumento não é apenas a potência ou o alcance. É a possibilidade de oferecer condução elétrica com autonomia ampliada e liberdade de utilização, combinação que pode tornar a transição para a mobilidade eletrificada mais acessível a um número maior de consumidores.
Deixando a eletrificação de lado, é um veículo de linhas atraentes, estável, rápido, confortável e que transmite a agradável sensação de muita tecnologia disponível. Vale muito a pena considera esse Leapmotor como opção de carro elétrico com um sistema híbrido muito particular e eficiente.