Classic Cars

Os melhores Camaro da história

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Pela segunda vez em sua jornada, o Camaro foi morto pela General Motors. A história é surreal: a Chevrolet tirou de linha o Camaro em 2002 -após 32 anos de produção- o ressuscitou em 2010 e o matou novamente no dia 14 de dezembro de 2023 (data em que a última unidade da sexta geração saiu da linha de montagem da fábrica de Lansing Grand River, em Michigan, nos Estados Unidos). Há sempre um ou outro boato jamais confirmado pela GM de que ele retornará como um carro elétrico de alto desempenho, possivelmente um sedã ou até mesmo um SUV. Só o tempo poderá confirmar isso, mas se acontecer, precisará estar à altura do estilo esportivo e do bom desempenho que fizeram a história do Camaro desde 1966.

por Ricardo Caruso, com MA.

Ao longo de sua história, o Camaro teve seis gerações, e cada uma delas produziu modelos especiais que elevaram ainda mais o já alto padrão de desempenho do modelo. Era o Chevrolet que rivalizava com Dodge Challenger e Ford Mustang; do trio, só restou o Ford. Dos modelos SS iniciais, passando pela crise do petróleo dos anos 1970, pelo renascimento dos motores de alto desempenho nos anos 1980, até seu retorno com duas gerações de inspiração retrô nos anos 2000, AUTO&TÉCNICA traz o que considera os 12 melhores Camaro da longa história deste inesquecível muscle car.

Chevrolet Camaro 1967

Camaro 1967

O Camaro foi apresentado em 12 de setembro de 1966 como um cupê e conversível de quatro lugares. Era a resposta da GM ao já imensamente popular Ford Mustang de 1964, mas a Chevrolet flertava com a ideia desde 1962. O carro era baseado na plataforma monobloco Chevy II/Nova de próxima geração, com subchassi dianteiro. O preço básico do Camaro de 1967 era de US$ 2.466 (aproximadamente US$ 25 mil hoje) e, assim como o Mustang, era um pony car, com grande variedade de motores de seis cilindros em linha e V8 disponíveis, tudo isso em um “pacote” compacto. O Camaro de linha padrão mais potente era o SS396 de 325 cv de potência máxima, mas um número limitado de SS396 (6,5 litros) sob encomenda especial entregava 375 cv. A Chevrolet vendeu 220.917 Camaro naquele primeiro ano, enquanto a Ford vendeu 472.121 Mustang.

Camaro RS 1967

Camaro Z-28 1967

Embora não fosse o Camaro mais potente naquele primeiro ano de produção, o Z-28 era a melhor opção em termos de dirigibilidade. Desenvolvido para qualificar o Camaro para a nova categoria Trans Am das provas do Sports Car Club of America, o Z-28 apresentava um motor 302V8 (4,9 litros) que gerava 290 cv e atingia altas rotações. Era basicamente o bloco do 327 com o virabrequim do 283. A suspensão F41, mais firme, melhorava a dirigibilidade, e as mudanças externas incluíam faixas duplas no capô e na tampa do porta-malas, além de rodas Rally com pneus de faixa vermelha. Apenas 602 unidades do Z-28 foram produzidas para 1967, tornando-o um carro muito desejado ainda hoje. Os Camaros Z-28 venceram três das 12 provas da Trans Am em 1967, ficando apenas uma atrás dos Mustang campeões, mas os Camaro dominariam a temporada de 1968.

Camaro Yenko de 1969

Camaro Yenko/SC 1969

Por meio do programa COPO ( Central Office Production Order) de encomendas da Chevrolet, o concessionário Don Yenko encomendou Camaro especialmente equipados e os vendeu em sua concessionária na Pensilvânia como Yenko/SC (SC abreviação de “Super Camaro”). Os carros fabricados na fábrica contavam com o motor 427V8 (7 litros) com bloco de ferro fundido L72 da Chevrolet, que oficialmente produzia 425 cv, embora Yenko afirmasse ter 450 cv. Eles também possuíam freios a disco, diferencial autoblocante, capô com saída de ar e suspensão reforçada. A concessionária adicionou as faixas decorativas, emblemas e os logotipos “SYC” nos encostos de cabeça. Um total de 201 Camaro Yenko 1969 foram vendidos, e os exemplares sobreviventes são muito caros hoje em dia.

O primeiro Camaro ZL1 de 1969. Imagem: Leilões Mecum.

Camaro ZL-1 1969

O Camaro mais potente e raro da década de 1960 foi o lendário ZL-1, essencialmente um carro de fábrica pronto para provas de arrancada, destinado à categoria “Super Stock” da National Hot Rod Association (NHRA). Disponível apenas por meio do programa COPO, o coração do ZL-1 era um motor 427V8 (7 litros) com bloco de alumínio, que oficialmente produzia 430 cv, embora a potência real provavelmente ultrapassasse os 500 cv. Os carros também contavam com sistema de indução de ar frio, radiador Harrison de quatro núcleos, ignição transistorizada, molas traseiras multi-lâminas e eixo traseiro reforçado de 12 parafusos com relação 4.10 —equipamento essencial para arrancadas. Apenas 69 desses Camaro monstruosamente potentes foram construídos, tornando o ZL-1 um dos Camaro mais valiosos da atualidade. O carro mostrado na foto acima é o primeiro construído e está totalmente equipado para corridas de arrancada. Foi vendido por US$ 400.000 em 2012 em um leilão da Mecum. Imagine em quanto está avaliado hoje.

Chevrolet Camaro Z28 1970 1/2

Camaro Z28 1970 1/2

A segunda geração do Camaro foi apresentada em 26 de fevereiro de 1970, oferecida apenas na versão cupê. Com elementos de design inspirados nos Jaguar e Ferrari daqueles tempos, é considerado um dos carros mais bonitos já produzidos em Detroit. O novo modelo era mais longo, mais baixo e mais largo que o anterior, o que conferia mais espaço interno. A dirigibilidade também melhorou e o conforto ao dirigir foi aprimorado. O “pacote” Z-28 vinha equipado com o motor 350V8 LT1 (5,7 litros) e 360 ​​cv, o mesmo motor do Corvette. Acelerava de zero a 100 km/h em cerca de seis segundos. O preço inicial de um Camaro V8 era de US$ 2.726 (em torno de US$ 23 mil atualizados), e o pacote Z-28 custava mais US$ 5 mil (também atualizados).

Chevrolet Camaro IROC-Z conversível de 1987

Camaro IROC-Z 1987

A escassez de petróleo e o consequente preço alto da gasolina, mais as regulamentações governamentais estadunidense sobre emissões reduziram a potência dos Camaros em meados da década de 1970, mas a vitalidade retornou uma década depois. O Camaro IROC-Z substituiu o Z-28 como o Camaro de melhor desempenho a partir de 1985, mas o modelo de 1987 foi significativo por dois motivos. Primeiro, o motor 305V8 deu lugar a um V8 de 350 pol3 (5,7 litros), gerando 10 cv a mais, totalizando 225 cv. Segundo, a carroceria conversível retornou à linha pela primeira vez desde 1969. O motor 5.7 era um opcional de US$ 1.045 (hoje US$ 9 mil) para o IROC-Z e impulsionava o carro a uma aceleração de zero a 100 km/h em 6,5 segundos.

O IROC-Z recebeu esse nome em homenagem à “International Race of Champions”, corrida que reunia pilotos renomados do mundo todo em Camaro igualmente preparados. Emerson Fittipaldi participou de diversas provas de IROC na época (acima).

Chevrolet Camaro Z28 Edição de 35º Aniversário, 2002

Camaro de 2002, 35th Anniversary

A queda na demanda por cupês esportivos, causada em parte pela proliferação de SUV, decretou o fim do Camaro após o ano modelo de 2002. A Chevrolet deu a ele uma despedida à altura com o “pacote” de 35º Aniversário do Camaro, que acrescia de US$ 2.500 (US$ 4600 hoje), para o cupê e conversível SS. Oferecido apenas na cor vermelha, o “pacote” incluía faixas prateadas com um padrão de bandeira quadriculada, emblemas exclusivos nos para-lamas, logotipos bordados nos encostos dos bancos e rodas especiais de 10 raios com superfícies diamantadas e detalhes em preto. A motorização era fornecida pelo V8 LS1, agora com 325 cv. O desempenho era interessante, com aceleração de zero a 100 km:h em 5,5 segundos. No entanto, nada disso foi suficiente para sustentar as vendas em alta, e o Camaro saiu de linha, repousando no purgatório dos automóveis por oito anos.

Primeiro test drive do Chevrolet Camaro ZL1 2012

Camaro ZL1 2012

O Camaro retornou à vida para a linha 2010, tanto na versão cupê quanto na conversível, e os engenheiros da Chevrolet rapidamente se empenharam em desenvolver um carro digno da reverenciada designação “ZL1”. Sob o capô, instalaram o motor 6.2V8 LSA superalimentado do Cadillac CTS-V, que entregava 580 cv de potência máxima. Outras melhorias de desempenho incluíam pneus Goodyear Supercar maiores calçando rodas de liga leve, amortecedores Magnetic Ride Control de resposta rápida da GM e grandes freios a disco Brembo nas quatro rodas. O ZL1 acelerou de zero a 100 km/h em 4,2 segundos cravados. Com preço em torno de US$ 57.000 (incluindo o imposto sobre consumo de combustível), o ZL1 2012 era o Camaro mais caro até então fabricado, mas seria superado em preço dois anos depois.

Chevrolet Camaro 1LE 2013

Camaro 1LE 2013

Quando retornou como modelo 2010, o Camaro não tinha um rodar ou dirigibilidade exatamente dos melhores. No entanto, a Chevrolet fez melhorias contínuas, e o “pacote” 1LE de 2013 foi o resultado de grande parte desse trabalho. Inspirado em um conjunto de competição pouco conhecido do final da década de 1980, o 1LE era um “pacote” opcional de US$ 3.500 para o Camaro SS. Ele incluía os pneus dianteiros de alta aderência e as rodas dianteiras leves do ZL1 (embora aqui presentes nas quatro rodas), barras estabilizadoras dianteira e traseira mais grossas, amortecedores traseiros especiais, barra de reforço da torre de suspensão dianteira, bomba de combustível de alta capacidade e alavanca de câmbio de curso curto. As mudanças estéticas incluíam capô preto fosco, spoiler dianteiro e traseiro pretos, e volante com raios em formato de V. Com um preço razoável, o 1LE transformou o Camaro no muscle car com a melhor dirigibilidade abaixo de US$ 40 mil daqueles tempos.

Chevrolet Camaro Z/28 2014

Camaro Z/28 2014

Com uma atualização de desenho na metade do ciclo de vida, temos o Camaro com a melhor dirigibilidade até então. Isso porque este carro foi equipado com componentes focalizados em desempenho em pista. O Camaro Z/28 repaginado apresentava os ajustes de suspensão empregados no Camaro 1LE, mas com amortecedores mais rígidos, barras estabilizadoras mais grossas, amortecedores exclusivos e rodas e pneus de 19 polegadas ainda mais leves. O peso foi reduzido em 136 kg em comparação com o ZL1, até então o “rei da performance”, e um body kit melhorou a força descendente. Os grandes responsáveis ​​pelo desempenho em pista, no entanto, foram os pneus Pirelli P Zero Trofeo R, que eram basicamente pneus de corrida homologados para uso nas ruas, mais os freios de carbono-cerâmica de série. É claro que o motor 7.0V8 de 505 cv do Corvette Z06 também contribuiu para o desempenho deste modelo de pista. A aceleração de zero a 100 km/h foi feita em 4,6 segundo. Isso significava que o Z/28 não era tão rápido quanto o ZL1 em ​​linha reta, mas era mais veloz em uma pista graças à grande aderência e aos freios potentes. Ele também era mais caro, com um preço salgado de US$ 76.000.

Chevrolet Camaro 1LE 2017

Camaro SS 1LE 2017

A Chevrolet redesenhou o Camaro para 2016. Uma nova plataforma derivada do Cadillac ATS reforçou a carroceria e reduziu o peso em pelo menos 100 kg. A direção elétrica com ajuste muito bem cuidado tornou a condução mais agradável, e o motor V8 LT1, o mesmo do Corvette, proporcionou números de desempenho que antes só eram possíveis com motores especiais nos Camaro anteriores. Na versão SS, ele gerava 455 cv, permitindo aceleração de zero a 100 km/h em cerca de quatro segundos. O SS, no entanto, atingiu seu auge no ano modelo 2017, quando a Chevrolet adicionou o “pacote” SS 1LE. Ele vinha com excelentes amortecedores magnéticos, diferencial eletrônico blocante, freios Brembo com pinças de seis pistões e discos de 370 mm de duas peças, bancos Recaro e, o mais importante para as pistas, arrefecimento extra para o óleo do motor, diferencial e transmissão.

Chevrolet Camaro ZL1 2017

Camaro ZL1 2017

A Chevrolet guardou o melhor do Camaro para o final. O auge do desempenho do Camaro chegou com o Camaro ZL1 2017. Ele contava com motor 6.2V8 LT4 superalimentado, que produzia impressionantes 650 cv e 88 mkgf de torque mpaximos, reduzindo o tempo de zero a 100 km/h para míseros 3,5 segundos e elevando a velocidade máxima para 318 km/h. Vinha com transmissão manual de seis velocidades ou automática de 10 velocidades com reduções de marcha sincronizadas. Além de ser assustadoramente rápido, também era extremamente seguro graças aos seus pneus Goodyear Eagle F1 Supercar 285/30R20 na dianteira e 305/30R20 na traseira. Sua suspensão tinha todos os aprimoramentos do “pacote” 1LE do SS, além de trocadores de calor adicionais (11 no total) e discos de freio dianteiros bipartidos maiores, de 390 mm. Para quem buscava algo ainda mais radical, havia a opção do conjuntgo ZL1 1LE, que substituía os amortecedores Multimatic DSSV por amortecedores dianteiros com altura ajustável e pneus Goodyear Eagle F1 Supercar 3R (305 na frente e 325 atrás). Essa versão definitiva para pistas também contava com um banco traseiro mais leve, aberturas maiores na grade dianteira para melhor fluxo de ar, aletas laterais dianteiras e um aerofólio traseiro de fibra de carbono para maior downforce, além de capô de alumínio com detalhes em fibra de carbono.


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