Conceito Nissan Figaro 1989
Há cerca de 37 anos, no já distante 1989, a Nissan ousou e decidiu trazer uma lufada de originalidade —alguns diriam pura extravagância— ao conservador mercado japonês, uma iniciativa agora lembrada como a era dos “Pike Cars” da marca.
por Marcos Cesar Silva

Por trás desse nome simples, que remete à Pike Factory, onde eram produzidos, encontra-se uma série de carros urbanos voltados para motoristas japoneses então mais jovens e modernos, modelos tão excêntricos (alguns diriam absurdos) que pareciam ter saído de uma história em quadrinhos ou desenho animado.

As origens do Figaro remontam ao Salão de Tóquio de 1989, onde a dupla Naoki Sakai e Shoji Takahashi, desenhistas industriais, foram os responsáveis pela criação dos conceitos Nissan Chapeau e Figaro, exibidos no estande da marca.

O Nissan Chapeau estava destinado a permanecer apenas como um protótipo, tão bizarro era seu estilo, com para-brisa vertical, detalhes em rosa e teto tão alto que era possível ficar em pé dentro dele (veja na imagem abaixo).

Já o Nissan Figaro teve destino diferente, pois fez tanto sucesso entre o público que o conheceu no Salão que se tornou modelo de produção em pequena escala dois anos depois. A intenção era fabricar 8.000 unidades, mas no final, aproximadamente 20.000 Figaro saíram da fábrica Pike, quase todos vendidos por meio de algum tipo de sorteio. Este pequeno carro, com suas linhas inconfundivelmente retrô, foi comercializado em edição limitada sem a marca Nissan e construído pelo grupo de projetos especiais da empresa, chamado “Pike Factory”. Quase toda a produção ficou restrita ao mercado do Japão.

O chassi e a mecânica ainda eram os da primeira geração do Micra, mas o desenho era puramente japonês dos anos 1950, e lembrava uma réplica do antigo Datsun Fairlady.
As dimensões eram mínimas, caracterizando um 2+2 com teto branco contrastante com o resto da carroceria e capota de lona de acionamento elétrico. Pela primeira vez na “família Pike”, o motor era o 1.0 turbo de 76 cv, acoplado à transmissão automática de três velocidades e com o volante à direita.
Cada detalhe, inclusive os cromados, foi projetado e trabalhado para remeter aos carros do passado, como o clássico Bianchina Cabriolet. O extenso pacote de equipamentos incluía freios ABS, rodas de liga leve, bancos revestidos de couro, ar-condicionado, CD Player e tapetes combinando.
O carro era disponível em quatro cores, relacionadas com as estações do ano: Topaz Mist (outono), Emerald Green (primavera), Pale Aqua (verão) e Lapis Grey (inverno).
O Nissan Figaro de produção, ainda mais do que os outros “Pike Cars”, conquistou um público inesperado também na Grã-Bretanha e Irlanda, onde chegou em grande número por meio de importadores paralelos. O modelo foi produzido apenas em 1991, com a produção terminando no mesmo ano. Exatas 20.073 unidades do carro foram fabricadas