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Até US$ 700 mil para quem se demitir da BMW: adesões batem recorde

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A BMW está disposta a pagar centenas de milhões de dólares para reduzir o número de funcionários. Em alguns casos, as indemnizações chegam a US$ 700 mil por trabalhador. E, pelo jeito, não faltam interessados em aceitar a proposta e deixar a empresa.

da Redação

Por detrás destas indenizações está o plano de reestruturação da marca para fugir da crise, que prevê a eliminação de aproximadamente 8000 vagas de emprego até ao final de 2027, dos quais mais de metade na Alemanha; não se sabe se isso afetará a discreta operação da marca no Brasil. A fábrica de Araguari (SC) anunciou no ano passado investimentos de R$ 1,1 bilhão até 2028, focalizado no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias a partir da engenharia local.

O programa de saídas voluntárias destina-se aos trabalhadores das áreas indiretas, como administração, gestão, pesquisa e desenvolvimento. Os funcionários das linhas de produção ficaram excluídos do programa.

A BMW terá reservado cerca de US$ 1,2 bilhão para financiar a reestruturação, mas espera recuperar esse investimento por meio de uma redução permanente dos custos. Segundo informações divulgadas pela imprensa alemã, o objetivo é conseguir poupar uS$ 1,2 bilhão por ano a partir de 2028.

O que a marca alemã não esperava era uma adesão tão elevada. Em menos de duas semanas, milhares de funcionários manifestaram interesse em deixar a empresa, levando a BMW a encerrar o seu programa de saídas voluntárias bem antes do previsto.

Segundo o jornal alemão Handelsblatt, o programa de demissões voluntárias (PDV) foi iniciado 8 de outubro e as inscrições foram encerradas no dia 20, apenas 12 dias depois. A BMW confirmou que tinha atingido antecipadamente o objetivo estabelecido, embora não tenha revelado quantos trabalhadores se inscreveram.

De acordo com estimativas da agência de notícias alemã DPA, teriam sido mais de 5000 os funcionários interessados em abandonar a BMW. Número que impressiona e assustou a marca, considerando o curto período de tempo em que os funcionários puderam se inscrever no programa.

O ponto principal para tamanha adesão está nas condições oferecidas. Ainda segundo o Handelsblatt, que teve acesso a um modelo de contrato e ouviu fontes internas da empresa, existem casos em que as indenizações ultrapassaram os US$ 700 mil. A maioria dos valores ofertados pela BMW situa-se na faixa dos US$ 200 mil a US$ 300 mil.

A marca não confirmou os valores envolvidos, e explicou apenas que as propostas foram calculadas individualmente, seguindo critérios internos. A remuneração e a antiguidade dos trabalhadores a empresa estão entre os fatores que influenciam os valores oferecidos.

E as vantagens não se ficam pelo dinheiro. Os contratos contemplam condições especiais relacionadas com a aquisição de veículos e, para determinados trabalhadores de mais idade, benefícios semelhantes aos atribuídos aos aposentados da BMW.

Há ainda um incentivo adicional para quem aceitar sair da BMW mais cedo. Os funcionários podem escolher entre terminar o contrato em 31 de março ou 31 de outubro de 2027, sendo que a primeira opção permite receber uma compensação extra.

O interesse foi tão grande que o site interno da BMW, onde os trabalhadores podiam consultar as respectivas propostas e se inscreverem, chegou a ficar temporariamente indisponível devido ao excesso de acessos. Porém, não basta querer sair para receber a indenização. O programa funciona por meio de rescisões em comum acordo. Ou seja, tanto o funcionário como a BMW têm que aceitar o encerramento do contrato. Segundo o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, houve departamentos onde a maioria dos trabalhadores manifestou interesse em sair, obrigando a empresa a selecionar as inscrições para não comprometer o funcionamento das equipes.

A decisão surge numa altura particularmente complicado para a marca. A queda das vendas na China, o aumento da concorrência dos modelos chineses e as barreiras comerciais estadunidenses estão pressionando para pior os resultados da empresa. Isso se chama “crise”.

Em julho último, Milan Nedeljković, chefão do Grupo BMW, já havia anunciado a necessidade urgente de tornar a estrutura do Grupo mais eficiente e reduzir os custos fixos.

Agora, a marca pretende concluir a seleção das candidaturas até a metade de novembro. Será nessa época que os funcionários interessados em abandonar a marca saberão se foram agraciados pelo PDV da BMW.

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Fernando Gomes


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