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Custos elevados, e a Mercedes ameaça fechar fábricas da Alemanha

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Outrora exemplo de eficiência e qualidade, a Mercedes-Benz hoje vive outra realidade, diametralmente oposta. Quer reduzir US$ 900 milhões em custos com funcionários na Alemanha e parte para a pressão: ameaça fechar duas de suas fábricas se não houver acordo com os sindicatos.

da Redação

Houve um tempo não muito distante, em que as marcas alemãs faziam carros excelentes e sofisticados, e cobravam o que queriam por eles. Afinal, não havia concorrência. Isso durou até a recente chegada dos chineses, que também fazem carros excelentes e sofisticados (e eletrificados), com custos de produção e de projetos menores e preços difíceis -para não dizer impossíveis- de acompanhar. Resumindo: as marcas europeias dormiram no ponto, não acreditaram no potencial dos chineses e agora não tem para onde correr. Ou melhor, tem sim: sacrificar seus funcionários e fábricas em busca de maiores margens de lucro.

A indústria automotiva da Europa atravessa assim uma profunda crise e, na Alemanha, a pressão é ainda maior, com o Grupo Volkswagen e a BMW também capengando como um boxeador nas cordas tentando escapar do nocaute. Por lá, as dificuldades são ainda mais evidente, e os motivos são vários: a implacável concorrência chinesa, quebra da vendas em diversos mercados, as tarifas norte-americanas, a crise econômica mundial e os custos de produção elevados estão obrigando os grandes fabricantes a reprogramarem suas estruturas industriais.

Diante desse cenário, e depois do Grupo Volkswagen e da BMW, agora também a Mercedes-Benz está preparando medidas para reduzir custos e, claro, empregos. Para a Mercedes-Benz, produzir veículos na Alemanha deixou de ser competitivo diante do que se percebe em outros países, muito por conta dos elevados custos trabalhistas. Assim, Michael Schiebe, chefão de produção da marca, deixou uma ameaça aos trabalhadores: “sem redução dos custos, poderá ser necessário fechar uma das fábricas de automóveis e outra, dedicada a sistemas de propulsão”.

Apesar do alerta, não identificou as fábricas em situação de risco de encerramento de atividades. “O nosso objetivo é manter todas as nossas unidades de produção na Alemanha”, disse Schiebe.

Para o conseguir isso, a Mercedes-Benz tem como foco reduzir em 800 milhões de euros (equivalente a US$ 900 milhões) os custos trabalhistas na Alemanha. Segundo a agência Reuters, que cita informações da publicação econômica “WirtschaftsWoche”, entre as medidas já em discussão estão alterações dos horários de trabalho e dos pagamentos de horas extras e de subsídios de férias e de Natal. Consultada por eles, a marca não comentou as negociações em curso.

A pressão não surge apenas por causa dos custos internos. Tal como acontece com os restantes grandes fabricantes alemães, a Mercedes-Benz está também sofrendo com a transformação do mercado chinês, onde os fabricantes locais têm ganhado cada vez mais mercados, em especial com os seus veículos eletrificados. Ao mesmo tempo, as marcas europeias têm que lidar com a concorrência crescente dentro da própria Europa e com as tarifas aplicadas por Donald Trump às importações de automóveis.

Com os chineses produzindo carros modernos, tecnológicos, mais eficientes que os europeus e com preços extremamente competitivos -praticamente impossíveis de serem acompanhados- a fórmula do fracasso dos fabricantes alemães coloca em risco a estrutura industrial construída ao longo de décadas. Produzir na Alemanha hoje implica custos trabalhistas superiores aos de outros locais e a pressão sobre as margens de lucro torna mais difícil manter a capacidade produtiva ociosa.

As negociações entre a administração da Mercedes-Benz e os sindicatos representantes dos trabalhadores prometem, por isso, serem fundamentais. O representante dos trabalhadores já rejeitou a utilização do encerramento de fábricas como forma de pressionar os funcionários a aceitar concessões, enquanto o IG Metall (maior sindicato industrial e metalúrgico do mundo, com sede na Alemanha e mais de 2,2 milhões de filiados) se prepara para novas negociações sobre os custos trabalhistas no setor.


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