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Renault 8 Gordini Concept: elétrico e com 270 cv

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Para fugir da mesmice, a Renault nos últimos cinco anos vem revisitando de maneira brilhante seu passado e, com o 8 Gordini Concept, acabou de mostrar sua obra mais ambiciosa dessa sequência: um cupê elétrico de dois lugares com 270 cv que não está em nenhuma concessionária da marca. Por enquanto… O que realmente impressiona: dos 300 esboços que os desenhistas da Renault enviaram espontaneamente, o conceito que você vê nas imagens não é nenhum deles; é uma terceira proposta, construída a partir do melhor das duas finalistas.

por Ricardo Caruso

Se você pensa que isso é apenas uma visão nostálgica com algum toque de bom humor, as medidas vão fazer você mudar de ideia: 4,12 metros de comprimento, 1,88 m de largura e apenas 1,27 m de altura não são as de uma simples homenagem. São as de um carro que quer competir de verdade no mercado. E as referências escondidas para quem conhece a história do modelo 8 original são mais numerosas do que você imagina.

O Renault 8 Gordini é pouco conhecido no Brasil. Alguns carros têm seu próprio capítulo na história automotiva, como aquele pequeno sedã com motor traseiro que, em meados da década de 1960, transformou milhares de motoristas comuns em aspirantes a pilotos. A Renault decidiu trazer essa filosofia de volta, explorando a fundo a nostalgia, agora na forma de um cupê elétrico de dois lugares com 270 cv e a alma de um carro de rali.

O reencarnado modelo se chama Renault 8 Gordini Concept e foi apresentado no evento “Renault Carwalk”. Depois, o carro seguirá para o Salão de Paris, onde poderá ser visto pelo público e jornalistas no estande da marca.

Como dissemos, a Renault passou os últimos cinco anos vasculhando seus próprios arquivos. E encontrou um tesouro de valor incalculável: inegociáveis 128 anos de história. Essa pesquisa recriou peças únicas, como o R17 elétrico restaurado e modificado, projetado em colaboração com o desenhista francês Ora Ïto, ou o Renault 5 Diamant, uma espécie de obra de arte sobre rodas criada com o desenhista e arquiteto Pierre Gonalons. Este novo Gordini é o próximo capítulo.

Para entender o porque desse modelo ser tão importante nessa sequência, precisamos voltar a 1964. Naquele ano, chegou às ruas o Renault 8 Gordini, com motor traseiro de 95 cv e tração traseira. Era rápido, era eficiente e também era exigente, um daqueles carros que não perdoava descuidos dos motoristas mais entusiasmados.

Os fãs franceses carinhosamente o carro -original e o recriado- de “La Gorde “, e toda uma geração de pilotos passou pelos seus assentos, incluindo uma das lendas do rali, Jean Ragnotti . Mas o legado do Renault 8 vai muito além das corridas. Ao associar o nome Gordini a uma versão esportiva de um carro de produção, a Renault democratizou o bom desempenho muitos anos antes do surgimento do fenômeno 5 Turbo (1980-1984). E sua pintura azul com faixas duplas brancas longitudinais se tornou, quase que involuntariamente, um símbolo.

O Renault 8 Gordini dos anos 1960: um clássico.

Assim, este conceito é um produto 100% Renault. Tudo começou com um concurso interno na Renault Design, que despertou um entusiasmo inesperado: os desenhistas da empresa enviaram espontaneamente mais de 300 esboços para seus gerentes.

Havia um pouco de tudo. Propostas retrô, ideias futuristas, misturas de tradição e modernidade, referências ao mundo dos GTs… Desse dilúvio de criatividade, dois projetos foram escolhidos e transformados em modelos em escala. A comparação entre eles permitiu a criação de uma terceira proposta. que combinava o melhor dos dois mundos.

O resultado é um cupê baixo e largo, com presença inconfundível. Já falamos sobre suas medidas (4,12 metros de comprimento, 1,88 m de largura e apenas 1,27 m de altura) e é sempre interessante destacar as belas rodas, de 19 polegadas na dianteira e 20 polegadas na traseira.

Enquanto o Renault 8 tinha quatro portas, o conceito tem duas. A dianteira agressiva apresenta um rebaixo em forma de V e seis faróis redondos. A traseira larga e musculosa lembra os carros com motor traseiro de antigamente. Só que agora, ele é movida por um motor elétrico de 270 cv .

Há um novo detalhe: a vigia apresenta uma ligeira inclinação, algo que o modelo histórico, quase simétrico entre dianteira e traseira, nunca teve. Embora as proporções pouco se assemelhem ao original, o conceito está repleto de referências para quem tem um olhar mais apurado. A grafia “Gordini” é inspirada na versão aplicada em 1964 e incorpora as estrias do emblema clássico. Ao lado, na traseira, aparece um novo logotipo “8”.

A linha de cintura alta da carroceria foi mantida, agora também canalizando ar para uma nova entrada de ar, assim como os para-lamas alargados com as bordas retangulares. A dianteira, sem grade, mantém o contorno chanfrado, enquanto os faróis adicionais das versões de rali se integram ao desenho característico, agora com seis projetores. Os espelhos retrovisores tipo esportivo, a cobertura dos limpadores na base do para-brisa e as saídas de ar traseiras também retornaram .

A cor merece um capítulo à parte. Começa com o clássico “Bleu de France” do modelo original, reinterpretado com uma pintura de três camadas que combina madrepérola e um pigmento azulado. A faixa dupla branca tornou-se a referência, em torno do qual outros elementos marcantes são dispostos, como a grade do para-brisa ou as lanternas traseiras, que ficam completamente niveladas e quase invisíveis quando desligadas.

E não fica apenas do lado de fora. A faixa entra pela cabine, percorre a parte superior do painel e muda gradualmente de branco para azul .

O painel de instrumentos é uma faixa horizontal de alumínio escovado sobre a qual flutuam mostradores circulares, na verdade telas digitais com molduras grossas, que remetem ao desenho dos faróis. O plástico desaparece. Em seu lugar, bastante alumínio e alcântara (camurça sintética, a grosso modo). Os bancos tipo “concha” reinterpretam os originais, com uma seção central em veludo azul, lembrança daqueles antigos bancos planos sem encosto de cabeça. A costura nas portas imita as zebras de uma pista de corrida .

O modelo original de 1964 -R8 Gordini (modelo R1134)- era equipado com motor Cléon-Fonte de 1.108 cm3 com cabeçote de fluxo cruzado e dois carburadores Solex de 40 mm, produzindo 90 cv. Em 1967, a versão R1135 teve sua cilindrada aumentada para 1.255 cm3, manteve o cabeçote de fluxo cruzado e a caixa de câmbio de quatro velocidades, e sua potência subiu para 100 cv, além de incorporar dois faróis auxiliares.

Quem foi Gordini

O nome Gordini se tornou popular no Brasil por dar nome à versão mais luxuosa do Dauphine, produzido aqui sob licença pela Willys no início dos anos 1960. Hoje batiza uma divisão esportiva da Renault. Na verdade, tudo isso homenageia Amédée “Le Sorcier” Gordini (23/06/1899 – 25/05/1979), que foi piloto e preparador de motores ítalo-francês que se destacou por aprimorar mecanicamente os motores da Fiat e da Simca com soluções de baixo custo, o que lhe rendeu o apelido de “o Mago da Mecânica”. A partir de 1956, colaborou com a Renault na criação de versões esportivas de produção, aperfeiçoando motores e suspensões que deram origem ao legado Gordini.

O conceito elétrico R8 Gordini é baseado na plataforma modular CMF-EV do Grupo Renault, a mesma arquitetura técnica originalmente apresentada com o conceito Megane eVision e que serve de base para o Renault Scénic E-Tech Electric. A Renault informou que, após o término de sua exibição no Salão de Mondial de Paris, o protótipo R8 Gordini Concept passará a fazer parte do acervo do novo museu que a marca está finalizando na histórica fábrica de Flins, na região de Île-de-France. Ficará aguardando a decisão de ser produzido ou não.

Entre os conceitos elétricos mais notáveis ​​da Renault nos últimos anos estão o cupê de dois lugares TREZOR, revelado em 2016; o R5 Turbo 3E E-Tech, apresentado em 2026 como uma versão elétrica modificada do icônico R5 Turbo, e o 4Ever Trophy E-Tech, exibido em Paris em 2023.

O Renault 8 está ligado direto à trajetória de Emerson Fittipaldi, que em 1965 obteve sua primeira vitória como piloto profissional (correndo pela equipe Willys). Foi no dia 7 de novembro de 1965, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro (RJ), na 4ª etapa do Campeonato Carioca de Automobilismo. Detalhe: Emerson tinha apenas 19 anos. O resto é história.


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