Túnel do tempo: 14 falecidas marcas britânicas de automóveis
Existe alguma coisa no visual dos carros mais antigos que simplesmente adoramos. Eles não são econômicos em termos de combustível, nem aerodinâmicos e nem seguros quando comparados a um carro atual. Dão mais despesas do que uma amante argentina, mas a estética desses carros antigos dos séculos 19 ou 20 são inigualáveis. O sonho é um dia dizer: “Podem ficar com seus eletrificados, pois nós vamos rodar no dia a dia com um antigão”, o que raramente é possível.
por Ricardo Caruso

Para isso, não iremos nem pensar nos custos para manter um carro antigo desses em funcionamento minimamente confiável. Você sabe a dureza de procurar peças para um carro que não é mais fabricado. E o gasto com gasolina? E os custos com oficinas?! E a busca por mecânicos de confiança? Estaríamos falidos, mas seríamos felizes.
Em vez disso, vamos dar um passeio pelo nosso mundo de sonhos e levá-lo de volta ao passado para relembrar momentos especiais, visitando o nicho das outrora melhores montadoras britânicas que dominaram o cenário automotivo do início do século XX, até que a inevitável passagem do tempo (juntamente com inovações tecnológicas e falta de dinheiro) levou elas de nós e as relegou a nada além de uma memória nostálgica. Para nós brasileiros, carros britânicos antigos são raros por aqui.
Lanchester Motor Company

Fundada pelos três irmãos Lanchester –Frederick, George e Frank– a Lanchester Motor Company era uma fabricante sediada em Birmingham que caiu no esquecimento na década de 1950, quando foi incorporada à Jaguar Cars juntamente com a Daimler (que fabricava seus carros desde o final da década de 1930).
Frederick Lanchester é considerado há muito tempo um dos melhores engenheiros automotivos pioneiros do Reino Unido, sendo responsável pela construção do primeiro carro britânico de quatro rodas em 1895.
A empresa começou a vender carros ao público em 1901 e, ao longo dos 30 anos seguintes, desenvolveu uma boa reputação pela sensação de luxo e acabamento de alta qualidade que oferecia. Entre 1901 e 1930, a Lanchester Motor Company desenvolveu e construiu centenas de carros, incluindo os blindados militares Lanchester (imagem abaixo) durante a Primeira Guerra Mundial, e o Lanchester Forty, que era mais caro que um Rolls-Royce Silver Ghost.

Mas a Lanchester Motor Company não estava destinada a durar muito. Com a chegada da crise econômica nos anos 1930, a fabricante não sobreviveu. As ações da Lanchester foram vendidas para o Grupo BSA (que tinha instalações ao lado da sua fábrica) e a produção de automóveis foi transferida para a Daimler, que passou a fabricar seus carros em Coventry.
O último modelo Lanchester projetado após a Segunda Guerra Mundial, que chegou apenas à fase de protótipo, já nos anos 1950, chamava-se Spirit. Mas a Daimler estava em declínio, e a BSA vendeu a Daimler (e, com ela, a Lanchester) para a Jaguar Cars em 1960. Desde 2008, a marca Lanchester pertence à Tata Motors, e não há muita chance de um ressurgimento.
Triumph Motor Company

Talvez mais conhecida do que a pobre Lanchester foi a Triumph Motor Company. Fundada em 1885 como S. Bettman & Co., a empresa passou vários anos importando bicicletas de outros países europeus e vendendo-as com sua própria marca em Londres. A marca passou a se chamar “Triumph” em 1886 e, em 1889, a empresa começou a produzir suas próprias bicicletas.
A S. Bettman & Co. foi rebatizada para Triumph Cycle Co. Ltd em 1897 e começou a produzir motocicletas Triumph em sua fábrica em Coventry em 1902. Durante a Primeira Guerra Mundial, o exército britânico fez tantos pedidos do Modelo H de 550 cm3 que, em 1918, a Triumph se tornou a maior fabricante de motocicletas da Grã-Bretanha.
Na verdade, foi apenas em 1923 que a Triumph fabricou seu primeiro carro, o modelo 10/20, com motor de 1.4 litros projetado pela Lea-Francis, marca também britânica que produziu bicicletas, motos e automóveis Este primeiro carro não fez muito sucesso, mas a sorte da Triumph mudou em 1927 com o lançamento do Super 7.
O nome da empresa foi alterado mais uma vez em 1930, tornando-se a Triumph Motor Company que conhecemos e muitos ainda amam.
Mas, após entrar em processo de falência em 1939, a empresa e a marca foram compradas pela Standard Motor Company em 1944. Os Triumph pré-guerra nunca mais voltaram a ser produzidos, sendo uma nova linha anunciada em 1946, começando com o Triumph Roadster com carroceria de alumínio.
Diversos modelos da Triumph foram fabricados durante esse período, incluindo o Renown (abaixo), o TR2 e o Herald, sendo que a marca Triumph se mostrou mais comercializável do que a Standard.

A Standard-Triumph acabou sendo vendida para a Leyland Motors Ltd. em 1960, que posteriormente se fundiu com a British Motor Holdings para formar a British Leyland Motor Corporation. Sob a gestão da Leyland e da BL, a Triumph vendeu uma série de sedãs e carros esportivos, incluindo o Dolomite Sprint.
Mas o sucesso da Triumph dentro dessa grande corporação não duraria muito, e o último carro da Triumph lançado foi o Acclaim (abaixo, mas pode chamar de Honda Ballade), em 1981. Era essencialmente um Honda com emblema da Triumph e desapareceu quando o Acclaim foi substituído pelo Rover 200.

Assim como muitos outros nomes famosos da época, a Triumph começou a cair no esquecimento após a descontinuação da marca.
A BMW é a atual proprietária da marca Triumph, que adquiriu o espólio e os direitos do antigo Grupo Rover em 1994, e sempre surgem rumores de que a marca poderá retornar. Há três anos, a Makinna (empresa de desenho e design automotivo) revelou o protótipo Triumph TR25 (abaixo) para celebrar seu 25º aniversário, bem como o centenário dos carros Triumph.
Para motocicletas, proprietário da marca Triumph Motorcycles é o empresário britânico John Bloor. A empresa é totalmente privada e pertence ao grupo Bloor Holdings Limited.

O Triumph TR25 foi apenas um conceito, deixando rapidamente para trás os sonhos de quem queria desfilar de novo em um Triumph novinho em folha.
Dawson Car Company

Uma das marcas menos lembrada entre as que foram relegadas à implacável crueldade do tempo. A Dawson Car Company foi formada em junho de 1918 (e lançada em 1919) por AJ Dawson, que havia trabalhado anteriormente na Hillman. A Hillman era uma das melhores fabricantes locais de carros familiares, e foi Dawson qyueprojetou o Hillman Nine de 1913.
Ele era um homem que entendia de automóveis, mas a Dawson Car Company só fabricou um modelo. Era o 11-12 HP, com um motor de quatro cilindros arrefecido a água e 1.795 cm3, disponível em quatro estilos de carroceria. As carrocerias eram em sua maioria fabricadas pela Charlesworth e, algo incomum para a época, os clientes não podiam comprar apenas o chassi.
A maioria dos carros vendidos pela Dawson eram na cor Blue Dawson, com para-lamas pretos mas, como eram mais caros (o mais barato custava 600 libras -R$ 243 mil atualizados pela inflação- por um modelo de dois lugares), a empresa não conseguia competir com marcas como Morris e Austin. Apenas 65 carros desses foram fabricados, e a produção terminou em 1921, apenas dois anos após o lançamento da Dawson Car Company.
Embora a Triumph Cycle Company (como era chamada na época) tenha comprado as instalações e equipamentos da Dawson em Coventry, não mais do que 11 ou 12 carros foram fabricado. Há alguma chance de o nome Dawson ser revivido algum dia? Zero.
Hillman Motor Car Company

Um nome de peso no mercado automotivo de massa durante o século XX, a Hillman ainda é reconhecida por muitos como a fabricante de diversos modelos icônicos, incluindo o Imp, o Avenger e o Minx. A Hillman Motor Car Company foi oficialmente fundada em 1907 por William Hillman em Ryton-on-Dunsmore, perto de Coventry, e especializou-se em carros familiares.
Como muitas empresas da época, começou como uma fabricante de bicicletas, antes de se voltar para o setor automotivo no início do século XX, quando o mercado de automóveis começou a decolar. O sucesso de Hillman na empresa de bicicletas o tornou milionário, dando-lhe o dinheiro necessário para montar uma fábrica de carros no terreno de sua casa.
O primeiro carro a sair da fábrica foi o Hillman-Coatalen de 24 cv (Louis Coatalen havia se juntado à Hillman como projetista e engenheiro-chefe), e foi inscrito na corrida “Tourist Trophy”. O carro se envolveu em um acidente e foi retirado de competição, mas já havia causado uma grande impressão.
O primeiro grande sucesso da Hillman foi o pequeno 9HP produzido em 1913 que, após vender em grande quantidade, foi relançado depois da Guerra como o ligeiramente maior 11 HP. O motor de 14 HP de 1925 também se provou um sucesso, e a Hillman se consolidou como grande nome em um mercado em expansão.
Assim como muitos outros fabricantes da época, a Hillman passou para o controle dos irmãos Rootes em 1928, eventualmente se fundindo com a Humber. Ela se tornou a marca mais conhecida dentro do império dos Rootes –ao lado de outros grandes nomes como Humber, Sunbeam e Singer– e produziu muitos carros bastante famosos durante aquele período, incluindo o Minx e, finalmente, o Hillman Imp em 1963.
A Chrysler assumiu o controle da Rootes em 1967, 60 anos depois de Hillman ter fundado sua empresa automotiva, e produziu o Avenger de 1970.
Mas o nome foi perdendo força aos poucos, com as linhas Avenger e Hunter sendo comercializadas como Chrysler até 1979, quando a marca estadunidense vendeu sua divisão europeia para a Peugeot. O Hunter foi descontinuado e o Avenger passou a ser comercializado como Talbot, antes de ser retirado de linha em 1981. E esse foi o fim da Hillman. Em tempo: o nome Avenger foi ressuscitado pela Jeep recentemente.
Daimler Motor Company

Não se trata de um nome estranho para quem conhece automóveis. A Daimler foi uma das maiores marcas do setor automotivo mundial, e uma das melhores fabricantes britânicas de automóveis do século XX.
Fundada por H.J. Lawson em 1896, a Daimler Motor Company Limited era conhecida por seus luxuosos sedãs, limusines e pelo icônico carro esportivo SP250 do final dos anos 1950. Após receber um “Alvará Real” em 1902, a empresa forneceu carros à monarquia por um longo período, tornando seu nome sinônimo de prestígio e estilo.

Na verdade, todos os monarcas britânicos, de Eduardo VII a Elizabeth II, e agora ao rei Charles III, foram transportados em uma limusine Daimler (não confundir com a Daimler-Mercedes alemã), o que contribui para a imagem de luxo da marca.
A Daimler foi realmente uma das primeiras a se estabelecer no emergente mercado automotivo britânico, com o primeiro carro saindo da fábrica em janeiro de 1897. Em meados daquele ano, a empresa já produzia três carros próprios por semana, além de modelos Leon Bollee sob licença. Com a afirmação de Lawson de que a fabricante havia produzido 20 carros até julho de 1897, o Daimler foi considerado o primeiro automóvel britânico a entrar em sistema de produção em série.
No entanto, após recorrentes dificuldades financeiras, a Daimler foi adquirida pela Birmingham Small Arms Company em 1910 e prosperou ao longo da década de 1920.
Mas as dificuldades financeiras que afetaram muitas empresas automotivas de qualidade no final da década de 1920 impactaram a Daimler de forma bastante significativa, com queda nas vendas em 1927 e 1928. A empresa sobreviveu com dificuldades durante a década de 1930 e até a Segunda Guerra Mundial, quando voltou a se dedicar à produção militar, mas a Daimler nunca se recuperou totalmente após a Guerra.
Apesar de ter lançado diversos modelos ao longo das décadas de 1930 e 1940, e de ter celebrado os 50 anos da empresa em 1946, a Daimler enfrentou dificuldades diante de rivais como a Rolls-Royce e a Jaguar. Antigos clientes da Daimler começaram a migrar para o Rolls-Royce Phantom IV, enquanto a Jaguar produzia carros mais acessíveis e que se distanciavam da imagem opulenta porém um tanto formal, pela qual a Daimler era conhecida.
Ao longo dos anos 1960 e depois, a Daimler teve diversos proprietários diferentes, incluindo Jaguar, British Leyland e Ford. Mas nunca mais decolou, e hoje a marca agora pertence à Tata Motors. A Tata já falou sobre planos para relançar a Daimler, mas nada de concreto aconteceu. E só resta agora esperar para saber o que acontecerá com essa antiga gigante do setor automotivo.
Austin Motor Company

Quem nunca ouviu falar da Austin? Uma das maiores fabricantes do século XX, a Austin colocou os britânicos nas ruas e estradas com carros icônicos, como o Seven, o Mini e o Metro.
É também uma das fabricantes mais antigas do Reino Unido, fundada em 1905 por Herbert Austin. Ele começou a construir carros –nas suas horas vagas– em 1895 e, em 1899, já tinha montado três automóveis, que estavam entre os primeiros fabricados na Grã-Bretanha. Em 1906, Austin já tinha o seu próprio negócio, suas próprias instalações e um carro pronto para venda.
Era um modelo convencional de quatro cilindros, disponível com 15/20 hp por £500 (cerca de R$ 550 mil, atualizados pela inflação) e com 25/30 hp por £650 (R$ 720 mil).
Eram modelos de luxo, construídos para figuras como nobres russos, princesas e bispos, e a Austin tinha uma lista de clientes repleta de nomes da nobreza britânica. Em 1914, a marca ocupava o quinto lugar na Grã-Bretanha em termos de fabricação de automóveis, atrás de marcas como Wolseley, Humber, Sunbeam e Rover.
A situação financeira da empresa oscilou no período entre as duas Guerras Mundiais, mas após uma reestruturação financeira em 1921, a Austin introduziu carros menores em sua linha de produtos, numa tentativa de expandir sua participação de mercado novamente. O icônico Seven foi lançado em 1922, um carro pequeno, simples e barato, voltado para o mercado de massa. E foi um sucesso.
O Baby Austin foi o carro mais produzido em 1930 e reverteu a situação financeira da Austin. Ajudou a empresa a superar a Grande Depressão e a manteve lucrativa durante toda a década de 1930.
Em 1952, a Austin fundiu-se com a Morris, outra das grandes montadoras da época. Essa fusão foi um sucesso para ambas e resultou no lançamento do antológico Mini em 1959, com a Austin e a Morris tendo suas próprias variantes do pequeno carro, embora a marca Austin-Morris tenha sido eventualmente abandonada em 1970 e o modelo tenha passado a ser conhecido simplesmente como Mini.
Em 1970, a Austin passou a fazer parte do enorme conglomerado British Leyland, e a marca entrou em declínio na década seguinte até o lançamento do Austin Metro, uma espécie de mini moderno, que permitiu à empresa voltar a competir no mercado de massa.
Mas as vendas começaram a despencar, e a Austin praticamente desapareceu na década de 1990. A marca Austin pertence atualmente à SAIC Motors, fabricante da atual linha MG, e há esperança de que algum modelo com o nome Austin ainda possa retornar.
Wolseley Motors

Embora não tenha se tornado um nome popularar como Austin, Rover e Morris, a Wolseley foi, na verdade, uma das maiores vendedoras de carros na Grã-Bretanha no início do século XX.
Fundada inicialmente em 1901 pela Vickers Armaments em conjunto com Herbert Austin (sim, “aquele” Austin), a Wolseley fabricou uma linha bastante extensa de carros de luxo grandes e sofisticados, e dominou completamente o mercado automotivo na era eduardiana.
Em 1913, a Wolseley havia se tornado a maior fabricante de automóveis da Grã-Bretanha, vendendo 3.000 carros. Após a Primeira Guerra Mundial e a morte dos irmãos Vickers, a Wolseley continuou a expandir-se rapidamente, chegando a produzir 12.000 carros em 1921.
Mas a expansão rápida nem sempre é bom negócio. A Wolseley, ficando um pouco ambiciosa demais para o seu próprio negócio, entrou em processo de falência em 1927 e foi comprada por William Morris (sim, “aquele” Morris) como um investimento pessoal. A Wolseley foi incorporada ao império Morris Motors, e foi a partir desse momento que os carros da Wolseley passaram a ser apenas Morris com emblemas diferentes.
Juntamente com a Morris e a Austin, a Wolseley acabou sendo incorporada à British Leyland, onde o nome caiu em desuso e a marca finalmente desapareceu.
Singer Motor

É uma história tão antiga quanto o tempo: um fabricante de bicicletas do século XIX chega ao século XX, tem a premonição do que está por vir e muda o foco para a fabricação de carros. Essa era mais ou menos a regra.
George Singer fundou a Singer & Co. em 1874 como fabricante de bicicletas, mas a partir de 1901 começou a produzir carros e veículos comerciais como Singer Motor Co. A Singer foi a primeira a produzir um carro econômico pequeno, que era a réplica de um modelo maior, demonstrando pela primeira vez que um veículo menor era viável.
O Singer Ten -nome usado em diversos modelos da marca- foi lançado no “Olympia Cycle and Motor Cycle Show”, realizado em Londres em 1912, e tornou-se um sucesso de vendas para a empresa, garantindo o lugar da Singer entre as grandes marcas do setor automotivo.

Na verdade, o Singer Ten foi usado como parte de uma ação publicitária para vender mais carros, quando Beatrice Blore dirigiu o carro pelo morro Great Orme, no País de Gales, tornando-se a primeira mulher a enfrentar o terreno íngreme. E ela estava grávida de seis meses na época…
As vendas da Singer continuaram a subir durante a década de 1920, e a fabricante tornou-se a terceira maior montadora de automóveis da Grã-Bretanha (atrás da Austin e da Morris) em 1928. Mas esse sucesso não estava destinado a durar.
Os carros da Singer começaram a perder espaço para os novos modelos da Austin, Morris e Ford e, com seus preços mais altos e pouco competitivos, as vendas começaram a declinar na década de 1930. O Grupo Rootes (um dos gigantescos conglomerados automotivos que absorviam marcas tradicionais na época) comprou a Singer em 1956 e, após 1958, todos os carros da Singer passaram a ser os mesmos modelos com emblemas diferentes.

Quase 100 anos depois de George Singer ter construído a primeira bicicleta, o último carro Singer (acima), o Vogue, saiu da linha de produção em 1970, e o nome Singer foi aposentado, provavelmente para nunca mais voltar.
Swift Motor Company

A Swift Motor Company surgiu, na verdade, da Coventry Sewing Machine Company (máquinas de costura), de James Starley, após uma breve experiência na fabricação de bicicletas, e começou a produzir automóveis em 1902.
Após o fim da Primeira Guerra Mundial, a Swift se reergueu, com sua linha de carros vendendo com bastante sucesso ao longo da década de 1920, incluindo o Swift 15 e o Swift 10. Mas a empresa era simplesmente pequena demais para competir com as grandes fabricantes de grande volume, como a Ford e a Morris.

A empresa lutou bravamente, com o lançamento do Swift Cadet em 1930, que foi a tentativa do fabricante de competir com os carros na faixa de 100 libras (R$ 100 mil, atualizados) da época.
Mas não foi o que aconteceu, e a Swift acabou fechando as portas em 1931, para nunca mais ser vista ou ouvida.
Bean Cars

“Chegou um novo feijão (bean, em inglês) na cidade”. Não da variedade cozida, mas sim de quatro rodas, cinco lugares, com motor e talvez algumas janelas. Um carro, em outras palavras, embora alguns acreditem que exista uma maneira de abastecer carros com feijão cozido, da mesma forma que existe quem acredite que a Terra é plana.
Em comparação com algumas empresas da nossa lista, a Harper, Sons & Bean começou a fabricar veículos motorizados relativamente tarde, com seus primeiros modelos lançados em 1919 e seus primeiros modelos comerciais leves aparecendo em 1924.
Mas, apesar do início tardio, a Bean foi um sucesso quase instantâneo, com a fabricante superando as vendas da Austin e da Morris por vários anos no início da década de 1920, com os modelos Bean 14 e Bean 12, de menor porte.
Mas, infelizmente, o orgulho exacerbado costuma preceder a queda. Após a empresa enfrentar algumas dificuldades financeiras (você pode perceber que isso é um padrão aqui) e lançar um modelo mal planejado em 1928, a fabricação de carros foi interrompida em 1929, apenas 10 anos depois de seus primeiros modelos chegarem às ruas.
Os modelos comerciais continuaram a ser produzidos até junho de 1931, e a empresa foi relançada em 1933 como Beans Industries, com o objetivo de fundir peças para a indústria automotiva. Isso foi um sucesso, e a empresa voltou a ser lucrativa. Mas nunca mais fabricou seus próprios carros.
E depois que a British Leyland foi desmembrada (a BL havia comprado a Bean em 1960), a empresa acabou sendo forçada a entrar em processo de falência, e esse foi o fim oficial da Bean.
Sunbeam Motor Car Company Limited

Se tivermos recebido um dólar para cada montadora de carros que começou como fabricante de bicicletas na Europa, teríamos dinheiro suficiente para fabricar nossa própria linha de carros (que eventualmente cairia no esquecimento, para ser mencionada por algum saudosista daqui 100 anos, e assim o ciclo nasce-vive-morre automotivo continuaria).
O nome Sunbeam foi inicialmente registrado por John Marston em 1888 para sua empresa de bicicletas, mas a fabricação de automóveis começou em 1901, e a Sunbeam Motor Car Company Limited foi oficialmente formada em 1905.
Era um nome ilustre antes da Segunda Guerra Mundial, com a empresa produzindo cerca de 650 carros por ano em 1911. Os carros da Sunbeam também estabeleceram vários recordes de velocidade em terra e se tornou o primeiro carro britânico a vencer uma corrida de Grand Prix em 1923.
Mas –você já deve imaginar onde quero chegar– o sucesso deles não era para durar. Se fosse, a Sunbeam não estaria nesta lista. A Sunbeam acabou não sobrevivendo à Grande Depressão. Um período de vendas lentas e o endividamento excessivo levou a empresa à falência, sendo posteriormente adquirida pelo Grupo Rootes em 1934. Eles tinham grande interesse em comprar marcas em dificuldades.
E eles gostavam muito de reestilização de marcas. A Rootes encerrou a produção de todos os modelos existentes da Sunbeam, substituindo-os por desenhos da Hillman e da Humber, com o nome Sunbeam estampado no capô. A Sunbeam, como marca independente, desapareceu em 1938, quando se fundiu com a Talbot para criar a Talbot-Sunbeam, antes de finalmente desaparecer por completo na década de 1950.
Morris Motors

Esse -com certeza- você não só já ouviu falar, como deve ter visto em algum momento nas ruas. O modelo chegou aqui em boa quantidade e alguns sobrevivem até hoje. sabe-se lá como…
Fundada em 1919 por William Morris, a Morris Motors produziu muitos carros famosos do século XX ao longo de sua existência, incluindo o Oxford, o Bullnose, o Marina e – é claro – o Morris Minor.
De fato, a Morris foi uma das maiores fabricantes de automóveis do século passado, com sua produção representando 42% da fabricação britânica de carros em 1926. Isso foi um feito notável, frequentemente atribuído ao esforço do próprio William Morris.
Ele era um empresário astuto e construiu rapidamente a empresa graças à sua prática de comprar componentes principais e secundários e, em seguida, montá-los em sua própria fábrica. Embora a Morris fosse definitivamente uma fabricante de grande volume, também era flexível, capaz de se adaptar às mudanças de gostos e fortunas maiores ou menores onde outras marcas talvez não tivessem conseguido.
O lançamento oportuno no mercado de carros compactos com o primeiro Morris Minor (o segundo foi lançado após a Segunda Guerra Mundial), e foi este modelo que se tornou o famoso carro que conhecemos e que ajudou a empresa a superar o pior da depressão econômica na década de 1930.
No entanto, a Morris acabou se fundindo com a Austin em 1952 para formar a British Motor Corporation.
Embora essa fusão tenha funcionado por um tempo, a BMC acabou se tornando fadada ao fracasso British Leyland (BL), e em 1984 a BL confirmou que a marca Morris continuaria existindo.

O Morris Ital (acima, uma versão remodelada do Marina) foi o último carro com a marca Morris, e o nome agora pertence à SAIC Motors. Resta saber se e quando veremos um Morris nas ruas novamente. Seria interessante que essa outrora gigante do setor automotivo retornasse.
Rover Company

Embora o nome Rover continue presente nos modelos Land Rover e Range Rover, a própria empresa Rover desapareceu dos livros de história. (E, sim, também começou como uma empresa de bicicletas).
A Rover iniciou a produção de automóveis em 1904 e, após o fim da Primeira Guerra Mundial em 1918, produziu alguns dos melhores carros da época, incluindo os Rover P4, P5 e P6. A marca conquistou uma reputação duradoura de qualidade e desempenho, com aquela estética romântica inglesa clássica que parece estar em falta nos carros futuristas de hoje em dia.
É verdade que a aerodinâmica e a eficiência talvez não fossem grandes preocupações na pré-história da Rover, mas é inegável que esses carros têm um certo charme.
Ao contrário de outros fabricantes (como Wolseley, Morris e Austin), a Rover não teve tanto sucesso durante a década de 1920. Passou por uma reorganização no final da década de 1920 para atender àqueles que desejavam algo um pouco mais sofisticado do que os modelos populares do mercado de massa, mas foi somente com o lançamento do utilitário Land Rover que a empresa alcançou o verdadeiro sucesso. E que sucesso foi!
As décadas de 1950 e 1960 foram anos gloriosos para a Rover, com o Land Rover permanecendo o carro mais vendido da fabricante até a década de 1970.
Mas, infelizmente, como todas as outras empresas desta lista, não demorou muito para que a Rover Company se deparasse com os problemas de relações trabalhistas e de gestão que assolavam a indústria na década de 1970. A Rover acabou se tornando parte da British Leyland Motor Corporation, mudança que marcou o início do fim para a empresa independente.
Embora a Land Rover tenha continuado como uma empresa e marca separadas, o único produto Rover a ser lançado sob esse conglomerado foi o interessante Rover SD1 (abaixo), em 1976.

O nome Rover continuou por mais algum tempo, sendo atribuído a um conglomerado que englobava a Mini, MG e Land Rover em 1986. O Rover Group seguiu operando por mais alguns anos, produzindo alguns carros bastante conhecidos durante esse período, mas acabou sendo desmembrado pela BMW em 2000.
A Jaguar Land Rover, sucessora de fato da Rover Company, detém os direitos da adormecida marca, mas é improvável que volte a existir um carro Rover que não seja um Land Rover ou um Range Rover.
Bristol Cars

Se há algo de que somos fãs, é de carros “diferentes”. Seja pelo tamanho ou pelo nome, francamente, não há nada que gostemos mais. E a Bristol Cars, desde o seu lançamento logo após a Segunda Guerra Mundial até o seu encerramento em 2011, produziu alguns dos carros de luxo mais peculiares que as humildes estradas britânicas já viram.
A Bristol Cars nasceu da necessidade de manter as pessoas empregadas após o fim das duas guerras, que resultou na queda dos pedidos de aeronaves britânicas. Sir Stanley White, diretor-geral da Bristol Aeroplane Company, estava determinado a garantir que seus funcionários não sofressem mais do que o necessário.
Com essa herança, os carros têm forte inspiração aeronáutica em seu desenho e são impulsionados pela potência americana; o modelo da foto no alto usava motor Chrysler 6.3V8big-block. Não é uma combinação que você imaginaria que daria certo, mas deu, com veículos como o Beaufighter, o Blenheim e o Brigand tendo agora incontáveis fãs.
A Bristol Cars sempre foi uma fabricante de baixo volume, produzindo apenas 104 carros em 1982 e tendo apenas um showroom em Kensington, mas isso não impediu a empresa de deixar sua marca na história automotiva britânica.

E, ao contrário de algumas outras empresas, houve tentativas de reviver o nome Bristol Cars, começando em 2015 com o anúncio do “Projeto Pinnacle” e um roadster de dois lugares chamado Bullet (abaixo). Mas, no fim das contas, esses grandes planos nunca se concretizaram, e a montadora entrou em liquidação em 2020.

E é muito provável que esse seja o fim dessa história.
