TESTE: Hyundai Creta Ultimate 2.0
A versão Ultimate do Hyundai Creta é a de topo de linha do modelo e custa R$ 187.890. É a única da linha equipada com motor 2.0, o que deixa claro que o downsizing -motores pequenos em geral equipados com turbocompressor- não contaminou toda a linha nesta geração que está em vias de se despedir do mercado. O Creta Ultimate usa não só o motor 2.0 aspirado, como traz um “pacote” bastante completo de equipamentos, o que inclui vários assistentes de condução não aplicados nos demais. Confira a avaliação de AUTO&TÉCNICA do SUV compacto da marca sul-coreana, um campeão de vendas, que é controverso pelo visual, mas com muitas qualidades e mimos que agradam os motoristas.
por Marcos Cesar Silva

Entre os destaques do carro, chama a atenção o bom espaço interno. Com 4,30 metros de comprimento e 2,61 m de entre-eixos, está entre os maiores SUVs compactos do mercado. O espaço no banco traseiro é generoso e acomoda bem três ocupantes, e as portas não só são amplas, como tem grande ângulo de abertura. O porta-malas é um dos maiores do seu segmento, com 422 litros de capacidade. Além do conforto interno, o Hyundai Creta também oferece bom nível de conforto ao rodar.

A suspensão tem calibragem que privilegia o conforto sem interferir na segurança, e a direção segue essa mesma ideia, sendo leve sem comprometer a boa dirigibilidade. Afinal, é um carro familiar, e não um esportivo, o que atrai o público feminino. O trabalho de aplicação de material fono-absorvente foi bem feito, garantindo o correto isolamento acústico interno, como havíamos notado na avaliação da versão Platinum Safety que fizemos recentemente.

A sensação ao dirigir o Creta é a de que estamos ao volante de um modelo de categoria superior, praticamente um sedã médio de luxo. Esta versão é a topo de linha e traz uma invejável lista de equipamentos e recursos. Traz bancos revestidos de material sintético perfurado que imita couro, ar-condicionado automático digital, carregador de smartphone por indução, chave presencial, seis airbags, painel digital e multimídia com tela de 10,25 polegadas. O que vale destaque é o banco do motorista, que tem ventilação, bom apoio lombar e oferece muito conforto para longas viagens.


O interior do Creta Ultimate 2.0 deixa claro que se trata de uma versão realmente luxuosa, pois combina acabamento nas cores creme e marrom, o que deixa tudo muito claro e arejado, além da aparência sofisticada. As duas cores estão espalhadas pelos bancos, revestimentos, forros de porta e painel, tudo muito bem aplicado. Brasileiro gosta de interior todo preto, para esconder sujeira, e por isso a combinação bege/creme pode não agradar a todos, mas realmente é muito elegante e foge da mesmice.
E mais: freio de estacionamento elétrico com auto hold, sensor de estacionamento traseiro, câmeras com visão 360 graus (esse sistema de câmeras, por exemplo, mostra a visão do ponto-cego ao se acionar o pisca, imagem que é exibida no centro do painel de instrumentos) , acendimento automático dos faróis, banco ventilado para o motorista, seletor de modos de condução, luz diurna de LED com “assinatura” no formato bumerangue e rebatimento elétrico dos espelhos, entre outros. Os faróis nesse caso são do tipo full-LED (ausentes no Platinum).


Itens como central multimídia com tela de 10,25 polegadas com conexão de Android Auto e Apple CarPlay com fio, teto solar panorâmico, painel de instrumentos com tela de sete polegadas colorida, monitor de ponto cego, monitor de pressão dos pneus e sistema Bluelink (que permite ligar o motor por meio de aplicativo no smartphone, abrir as janelas, regular o ar-condicionado e mais outras funções) também fazem parte da lista. Nesta versão mais luxuosa, temos ainda detector de fadiga, farol alto/baixo com comutação adaptativa, lanternas de LED, rodas de liga-leve de 18 polegadas, o já citado acabamento interno em creme e marrom, volante revestido de couro marrom e sistema de som com dois tweeters.
No visual, o este Creta traz detalhes cromados na bela grade, aplique em cor contrastante que contorna a borda do teto até a coluna “C” e rodas com acabamento diamantado. É verdade que o visual desta geração do Creta nunca foi unanimidade desde sua apresentação. Com o tempo teve algumas atualizações -em especial no futurista conjunto de faróis e lanternas-, e hoje o desenho se destaca no cenário das ruas.




O Creta nesta segunda geração foi uma espécie de “filho ingrato” e se afastou totalmente da primeira geração. Manteve apenas os vidros das portas da frente e o motor 2.0 aspirado. A Hyundai deu uma leve recalibrada no motor, que passou para 167 cv de potência máxima e 20,6 mkgf de torque máximo a 4.700 rpm, ganho de 1 cv e 0,1 mkgf, imperceptíveis. Este SUV é equipado com um câmbio automático de seis velocidades, o mesmo do antigo, mas com calibragem diferente, mas de funcionamento sempre suave.
Abastecido com etanol, o Creta fez a média de 6,6 km/litro na cidade. O modelo conta com quatro de modos de condução (Normal, Eco, Sport e Smart, esse último exclusivo do 2.0), que altera a reação do acelerador, tempo de troca de marchas e direção. No “Smart”, exclusivo do Ultimate 2.0, o carro se adapta ao estilo de condução do motorista no momento. Nesse caso, a média de consumo em estrada foi de 11,1 km/l. Por fim, no modo “Eco’, as trocas são feitas mais rapidamente, e na “Sport” o SUV acaba esticando as marchas. A melhor marca de aceleração de zero a 100 km/h que obtivemos foi de 9,4 segundos (com etanol e modo Sport). Já a velocidade máxima foi de 191 km/h.

O Creta Ultimate 2.0 usa a mesma suspensão dianteira independente McPherson e eixo de torção na traseira das demais versões, num ajuste digno de elogios. Mesmo usando rodas maiores (aro 18), tudo está correto, filtrando bem as imperfeições do piso, e se mantendo firme quando se busca andar mais rápido. Boa notícia são os freios a discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira; o Creta de primeira geração usava tambor na traseira.

Em termos de dimensões, o Creta tem 4.300 mm de comprimento, 2.610 mm de distância entre-eixos, 1.790 mm de largura e 1.635 mm de altura. O porta-malas, como já vimos, tem 422 litros de capacidade, superando por exemplo o Chevrolet Tracker, que tem 393 litros, e o Jeep Renegade, que tem 320 litros.![]()
CONCLUSÃO
Tudo isso ajuda um pouco a explicar o sucesso do SUV no mercado. Nas vendas no varejo, o Chevrolet Onix foi o carro mais vendido no ano passado, superando o Creta por apenas 380 unidades. Uma façanha da Hyundai, pois é preciso considerar que o preço do SUV compacto é alto, com a versão mais barata começando em R$ 137.990
O Creta é fabricado em Piracicaba (SP). Se não é o maior dos SUVs compactos, nem o mais barato e nem o mais equipado, por que tem números tão expressivos de vendas? A resposta passa pelo conjunto mecânico equilibrado e tecnologia que oferece. É o típico carro onde parece não faltar nada. Temos à disposição itens como sensor de estacionamento dianteiro, ajuste elétrico para o banco do motorista, faróis com LEDs, cruise control adaptativo e monitor de ponto cego.


