Mais uma de Trump: guerra contra o Start/Stop!
“Toda mundo o odeia”: e o governo Trump declara guerra a um simples botão que pode ter no seu carro
Criticado por alguns usuários, o sistema Start/Stop, embora comprovadamente benéfico dentro de uma perspectiva ambiental e energética, está agora -acredite- na mira da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos, liderada por Lee Zeldin, que é muito próximo de Donald Trump.
por Marcos Cesar Silva

Lee Zeldin, recentemente nomeado chefe da EPA pela administração Trump, causou polêmica ao anunciar na rede social X, a sua intenção de “consertar” o sistema Start/Stop, afirmando que “toda mundo o odeia” e que, portanto, pretendia “consertar a situação”. Uma afirmação estranha, mas não sem consequências para uma tecnologia integrada em mais de 60% dos veículos novos vendidos nos Estados Unidos. Na Europa, mais de 90% dos carros vendidos são equipados com esse dispositivo.
O dispositivo Start/Stop desliga automaticamente o motor quando o carro está parado e reinicia-o assim que o motorista solta o pedal do freio ou pressiona a embreagem. Este sistema aparentemente simples ajuda a reduzir o consumo de combustível e as emissões de CO2 nos grandes centros urbanos.
Na Europa, como nos Estados Unidos, este sistema não é obrigatório. O seu uso generalizado na verdade decorre de créditos de carbono concedidos pela EPA aos fabricantes que o aplicam nos seus veículos. Nos Estados Unidos, em 2016, apenas 9% dos carros novos estavam equipados com eles. Essa taxa subiu para 60% em 2022. Segundo relatório interno da Agência, o sistema permitiu redução média de emissões de mais de 2 gramas de CO2 por km percorrido em toda a frota em circulação.
Ao mesmo tempo, vários estudos independentes atestam a eficácia do Start/Stop. Segundo especialistas, cada carro que utiliza esse sistema alcança a economia média de combustível de 9%. Da mesma forma, a Agência Canadense de Recursos Nacionais observou redução no consumo entre 4% e 10% nas áreas urbanas. Na Europa, os números são bastante semelhantes, com testes de homologação a mostrarem que o Start-Stop reduz o consumo de combustível de entre 5 e 10% na cidade, ou uma economia de 0,4 a 1,2 litros a cada 100 km rodados.
O problema é que o ataque a esse sistema Start/Stop não faz parte de uma abordagem técnica, mas sim de uma estranha lógica política mais ampla de desmantelamento de medidas ambientais federais nos Estados Unidos promovida por Donald Trump. Desde março de 2025, a EPA revogou 31 regulamentações e cerca de US$ 20 bilhões em subsídios destinados ao combate à crise climática. Lee Zeldin chegou a estimar que essas ações permitirão “reduzir o custo de vida, revitalizar a indústria automobilística e restaurar a soberania energética dos Estados Unidos”. Uma sandice.

