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TESTE: Citroën Basalt Feel 1.0 MT

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O Citroën Basalt, em sua versão de entrada Feel, 1.0 aspirado com transmissão manual, é o SUV mais barato do mercado brasileiro, transformando-se numa espécie de carro popular da categoria. E onde ele se destaca? No bom espaço interno, excelente capacidade do porta-malas (490 litros) e desenho cupê de quatro portas que se diferencia no cenário. Tudo distribuído numa carroceria de 4.343 mm de comprimento, 2.645 mm de entre-eixos e 1.821 mm de largura, onde cinco adultos se acomodam com algum conforto. O preço desta versão de entrada, que AUTO&TÉCNICA avaliou, é de R$ 91.990.

por Ricardo Caruso

Como dissemos e não cansa repetir, com alguma folga o Citroën Basalt Feel é hoje o mais barato dos SUVs vendidos no Brasil. Para isso, disfarça bem uma certa simplicidade, que começa no motor 1.0 Firefly, utilizado pela Stellantis em hatches do mesmo porte, como o Citroën C3, Peugeot 208 e Fiat Argo.


E por ser uma versão com a missão de ser o mais barato da linha, era de se esperar, por exemplo, que fosse equipado com rodas de aço aro 15, mas ele traz rodas de liga-leve de 16 polegadas calçadas com pneus 205/60; por fora, nota-se apenas a falta dos faróis auxiliares e outros pequenos detalhes.

No interior, nada de muitos cromados, e esta versão traz o painel de instrumentos em uma tela de sete polegadas com conta-giros e sistema multimídia de 10 polegadas com conexão sem fio; uma versão mais simples do Basalt deve chegar em breve, segundo boatos, um pouco mais despojada. Há também retrovisores e vidros com acionamento elétrico (one touch para todos os passageiros); por outro lado, incomoda os acionamentos dos vidros traseiros posicionados na extremidade traseira do console, questão simples de resolver.

O desenho dos bancos é o mesmo da versão Shine, porém o acabamento em tecido deixa caro que a Feel focaliza a redução de custos. Outra diferença é o sistema de ar-condicionado manual, que substitui o sistema digital da versão top de linha. Levando em conta que o Citroën Basalt Feel MT é um projeto que busca o melhor custo/benefício, ele cumpre bem com a sua proposta sem parecer um carro franciscano. 

O que chama atenção nesse modelo é o espaço interno, graças aos 4.343 mm de comprimento (23 mm mais longo que o C3 Aircross) e à boa distância entre-eixos, de 2.645 mm. Para as famílias mais numerosas, o porta-malas é uma das atrações, com 490 litros. No quesito segurança, temos os obrigatórios freios ABS e controle de tração e estabilidade, e quatro airbags (dois dianteiros e dois laterais). O acabamento abusa dos plásticos, mas tudo é bem aplicado. Com preço de R$ 91.990, está dentro do que se espera de seu compromisso e de acordo com seus concorrentes da mesma categoria.

E como anda? Não espere grande desempenho ou agilidade do motor Firefly 1.0 de três cilindros aspirado e com duas válvulas por cilindro. A potência e torque máximos é de 71 cv e 10 kgfm (gasolina) e 75 cv e 10,7 kgfm (etanol). Com 1.120 kg, a relação peso x potência explica o desempenho, com 14,9 kg/cv.

Tem diâmetro x curso de 70 x 86,5 mm e potência específica de 75,1 cv/litro. O Basalt precisou de 16,8 segundos para fazer a aceleração de zero a 100 km/h em nossos testes e atingiu a velocidade máxima de 158 km/h. O desempenho é apenas suficiente, também dentro da proposta do carro, por sua vez é compensado pelo excelente nível de consumo de combustível, com 10,6 km/litro na cidade e 17,8 km/l (ambos casos com gasolina) na estrada.

Ao volante, o Basalt 1.0 Feel MT (para quem não está habitado, MT significa Manual Transmission, ou Transmissão Manual) provavelmente decepcionará aqueles que já tiveram oportunidade de andar em algum dos modelos da linha com o motor 1.0 T200 turbo bem casado com o câmbio CVT. Mas esse tipo de transmissão, manual, é bastante divertida. No caso, são cinco marchas (caixa C513), com a alavanca bem posicionada e os engates sempre suaves e precisos.

É necessário se acostumar cm as suas reações e ter alguma paciência para utilizar bastante o câmbio, em especial em aclives e ultrapassagens em estradas. Mas em pouco tempo voce está adaptado com as reações do carro, e no uso urbano do dia a dia, o Basalt 1.0 MT se dá bem, mais do que suficiente para enfrentar a rotina diária. A calibragem da suspensão privilegia o conforto, e a altura em relação ao solo garante certa tranquilidade para enfrentar lombadas, valetas e buracos; a distância livre para o solo é de 18 cm. Mesmo a velocidades mais elevadas, a direção com assistência elétrica tem boa calibragem e peso; o diâmetro mínimo de giro é de 11 metros.

CONCLUSÃO

Para quem lembra dos carros populares de décadas passadas (Uno Mille, Chevette Junior, Escort Hobby e outros), o Basalt Feel dá uma ideia de como seria a categoria se tivesse evoluído em vez de desaparecer — o modelo seria um ótimo representante dos populares se eles existissem hoje em dia. Mais que isso, a opção pela versão de entrada do Basalt é para quem busca um veículo realmente com bom espaço interno e não se preocupa tanto com desempenho e, sim, com o consumo.

Quem procura um SUV que não seja radical, e busca um modelo de porte adequado, com bom espaço para bagagem, que acomode até três adultos no banco traseiro, que tenha potência suficiente para o dia a dia, consumo de combustível baixo e sem sofisticações que sempre custam caro, talvez a escolha mais racional, numa marca agora confiável, o Basalt Feel é a principal oferta a ser considerada.


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