SlideTestes

TESTE: Fiat Argo Drive 1.0 MT

Compartilhe!

Anunciado recentemente pelo governo federal, o programa “Carro Sustentável” — parte do MOVER (Mobilidade Verde e Inovação) — busca agora tentar esclarecer os critérios e regras para montadoras e consumidores. Não chega a ser a volta dos “Carros Populares” que custavam US$ 7.500, e a principal mudança é que os veículos que se enquadrarem nas exigências governamentais terão a alíquota de IPI zerada; para isso, precisa atender objetivos técnicos, ambientais e de fabricação estabelecidos no Decreto.

por Ricardo Caruso

Para que um veículo seja considerado “sustentável” e receba o benefício da alíquota zero de IPI, deverá atender quatro requisitos: emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro; utilizar em sua fabricação ao menos 80% de materiais recicláveis ou reutilizáveis; realizar as etapas básicas de fabricação no Brasil, como prensagem, soldagem, pintura, produção do motor e montagem, e se enquadrar em uma destas categorias: sub-compacto, compacto, SUV compacto ou picape compacta. 

Até agora, cinco marcas fizeram o pedido de credenciamento no programa: GM, Hyundai, Renault, Volkswagen e Fiat. A marca italiana disponibilizou o Moby Like 1.0, Moby Trekking 1.0 e o Fiat Argo Drive 1.0, todos com câmbio manual. E é este último que AUTO&TÉCNICA avaliou, já na ótica de “carro sustentável. Assim, o Argo Drive 1.0 MT teve, dentro do programa, seu preço reduzido de R$ 94.990 para R$ 86.990.

O Fiat Argo é o modelo hatch da Fiat que foi lançado no Brasil no dia 31 de maio de 2017 para substituir de uma só tacada o Punto, o Bravo e o Palio. Aqui vai nossa tradicional dose de cultura inútil: para quem ainda não sabe, o nome remete à mitologia grega, onde Jasão e os Argonautas viajavam a bordo da nau Argo, construída pelo semideus Argos, sob orientação da deusa Atena. Depois de cumprida sua missão, Argo foi consagrado a Poseidon e se transformou na Constelação de Argo.

Voltando ao Fiat Argo, o hatch é uma das estrelas do portfólio da Fiat e ajuda a marca a ser a que mais vende carros no Brasil. Com oito anos de mercado, o Argo vive há algum tempo momentos difíceis, enfrentando a concorrência interna do Pulse, que chama atenção dos consumidores pelo seu jeitão de SUV. No lançamento em 2017, ele chegou com oito configurações, três motores e três câmbios. Mas com o passar dos anos e a movimentação do mercado, perdeu versões pelo caminho. Hoje é vendido em três versões: 1.0 (a partir de R$ 80.990), Drive 1.0 (R$ 86.990) e Drive 1.3 CVT (R$ 94.390); Trekking 1.3 (R$ 92.990) e Trekking 1.3 CVT (R$ 97.990).

AUTO&TÉCNICA avaliou a versão Drive 1.0 Drive, o Argo 1.0 é voltado mais para frotistas e, assim, a Drive 1.0 acaba sendo a de entrada para o consumidor particular. Será que, depois de oito anos e cerca R$ 8 mil mais barato, ainda é uma boa opção? Confira.

Foi na linha 2023 que o Fiat Argo recebeu pequenas mudanças de estilo — o chamado face lift de meia vida — as primeiras desde seu lançamento. Ganhou nova grade, teve o logotipo “Fiat” atualizado e trouxe mudanças de estilo bem sutis. O destaque ficou mesmo para a grade dianteira, que foi bastante modificada e que adotou o logotipo por extenso da Fiat e a bandeirinha estilizada da Itália. O para-choque foi redesenhado e perdeu as entradas de ar próximas das rodas, que ficavam nas extremidades dos para-choques. Nesta versão Drive 1.0, as rodas são de aço, pretas, de 15 polegadas com calotas plásticas e pneus 185/60 de baixa resistência à rolagem. Na traseira, nenhuma mudança, afinal o desenho é bastante harmonioso por ali; em geral, as marcas priorizam modificar a “cara” dos carros, mantendo a traseira por mais tempo sem mudanças.Fiat Argo Drive 1.0 2023

Internamente, as características já famosas do Argo continuam bem claras, como a posição de dirigir mais elevada, o generoso espaço interno, conforto na traseiro e boa ergonomia. Mesmo com 2,52 metros de distância entre-eixos, que não é a maior da categoria, é fácil observar que o projeto dele privilegiou o espaço interno desde o início dos desenhos.

No interior, a novidade foi o volante, o mesmo do Pulse, com o botão de buzina mais quadrado e com o novo logo “Fiat” por extenso. De resto, o bom acabamento, dentro da proposta do carro para a sua categoria, com diversos materiais combinados, texturas e detalhes que valorizam o ambiente e conforto. O interior é preto, o que para o brasileiro representa esportividade, sabe-se lá o porquê. Interessante é que o modelo não mostra já ter oito anos de mercado, pois ainda está bastante atualizado e agradável.

Sob o capô do Argo Drive encontramos o excelente motor de três cilindros em linha, o 1.0 Firefly, de seis válvulas, com 71/75 cv (gasolina/etanol) de potência máxima a 6.000 rpm e 10/10,7 kgfm (G/E) de torque máximo a 3.250 rpm. Este motor estreou na marca em 2017 no bem resolvido Fiat Uno e ainda agrada oito anos depois, em 2025; tão bom que a Stellantis o aplica em vários compactos do Grupo.

Seu uso no Argo garante bom desempenho e bom nível de consumo. Em termos de desempenho, com etanol, a aceleração de zero a 100 km/h foi feita em 15,1 segundos e de zero a 80 km/h em 10 segundos. Nada excepcional, mas não se trata de um esportivo, e sim de um hatch 1.0, o que deve ser lembrado nas ultrapassagens mais espremidas. No quesito consumo, o Argo fez 9,3 km/litro de etanol, e na estrada chegou a 12,6 km/litro. Os números de consumo fornecidos pelo Inmetro são de 9,8 km/l (urbano) e 11 km/l (estrada), com etanol.

Ao volante, o hatch é bastante agradável de dirigir. Tem direção elétrica bem leve em manobras e baixas velocidades e com aumento de peso progressivo; no carro testado e embreagem se mostrou macia, enquanto o câmbio manual de cinco velocidade mostrou engates precisos e bom escalonamento, com relação final um pouco mais curta; a alavanca tem o curso um pouco mais longo do que apreciamos. O volante não tem ajuste de distância, só de inclinação, mas é fácil encontrar a melhor posição de dirigir. Quem lembra dos embates com a alavanca de câmbio dos Fiat 147 ainda vai se espantar sobre o quanto a Fiat evoluiu nesse ponto.

Um ponto de destaque da versão é o correto isolamento acústico. A dirigibilidade do Argo é seu maior chamariz, com a suspensão bem calibrada, estabilidade impecável e boa altura do solo, suficiente para enfrentar sem maiores dramas as valetas e lombadas que encontramos pela vida. A equação segurança/conforto está bem resolvida e garante até mesmo alguns exageros em curvas.

Não se nota falta de potência no motor 1.0, com torque suficiente em rotações mais baixas, sempre lembrando que se trata de um 1.0 aspirado. Mérito do motor três cilindros Firefly, com seu torque máximo de 10,7 kgfm a 3.250 rpm; a 90 km/h em quinta marcha o motor está a 3.000 rpm, o que deixa claro a relação final de transmissão um pouco mais curta para garantir agilidade e boas retomadas.

No seu lançamento, o Argo Drive 1.0 custava pouco mais de R$ 46 mil. Pós-pandemia, crises e reajustes, o preço praticamente dobrou, chegando hoje a R$ 86.990. Naquela época estava entre as melhores opções de custo/benefício, mas o mundo mudou. E os preços dos automóveis também. Traz itens e mimos — além de todos os equipamentos da versão 1.0 — como banco do motorista com regulagem de altura, banco do passageiro com bolsa porta-mapas no encosto, central multimídia Uconnect de sete polegadas touchscreen com Android Auto e Apple Carplay, Bluetooth, duas tomadas USB, sistema de reconhecimento de voz, volante com comandos de rádio e telefone, iluminação do porta-luvas e do porta-malas, luz de leitura dianteira, maçanetas e retrovisores externos na cor do veículo e iTPMS (monitoramento de pressão dos pneus), entre outros.

O Drive 1.0 conta com o kit de opcionais “Pack Safety”, que inclui ESC (Controle Eletrônico de Estabilidade), Hill Holder (sistema ativo do freio com controle eletrônico que auxilia nas arrancadas do veículo em subida) e TC (Controle de Tração), por R$ 1.980 adicionais. O Argo tem apenas os dois obrigatórios airbags frontais, enquanto alguns concorrentes no mercado já contam com até seis.

CONCLUSÃO

O Argo Drive 1.0 2025, agora com rótulo SUSTENTÁVEL, é uma ótima boa opção para quem busca um carro abaixo de R$ 90 mil. É um hatch compacto interessante, com bom espaço interno, excelente acabamento e desempenho, e consumo dentro do que se espera na categoria. Com oito anos, ainda é um carro atual e interessante.



Compartilhe!