Volkswagen planeja 30 modelos para a China. E a Europa fica fora…
A Volkswagen focaliza a produção de novos carros na China e busca outras rotas de exportação, mas a Europa fica de fora. A questão é: por que isso está acontecendo?
A Volkswagen decidiu aprofundar a sua presença na China, num momento em que enfrenta dificuldades naquele mercado, que é um dos maiores do mundo e domina o setor dos veículos eletrificados. Apesar de se manter forte nos modelos com motor de combustão, a VW em termos globais não figura entre as marcas mais vendidas no segmento dos 100% elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV), exatamente para onde caminha a indústria automotiva.
por Marcos Cesar Silva
Por esse motivo, o grupo alemão está recorrendo cada vez mais às suas unidades de produção na China para desenvolver e produzir novos modelos eletrificados. O objetivo passa também por ampliar as exportações para mercados internacionais, como o Oriente Médio e vários países do Sudeste Asiático e da Ásia Central.
Mas há uma estranha exceção estratégica que chama atenção: a Europa não irá receber os Volkswagen “Made in China”, mesmo com os fortes incentivos econômicos que essa alternativa representa para o construtor alemão.
Segundo o Financial Times, a Volkswagen afirmou que consegue desenvolver e construir um novo veículo elétrico na China por cerca de metade do custo necessário em outros mercados, incluindo a Europa. Uma diferença que, de acordo com a marca, encontra explicação com os custos de desenvolvimento e testes mais baixos, processos de desenvolvimento mais rápidos, maior eficiência logística e acesso mais simples ao fornecimento de baterias.
A Volkswagen tem investido alguns bilhões de dólares no mercado chinês e concentrou grande parte desse esforço no novo centro de pesquisa e desenvolvimento de Hefei, naquele país. Esta unidade está permitindo aos alemães reduzirem o tempo necessário para desenvolver um novo modelo em 30%.
Apesar da eficiência e da redução de custos que a China oferece, a Volkswagen não tem planos para levar os modelos que serão produzidos na China para a Europa. Segundo Thomas Ulbrich, diretor de tecnologia do Volkswagen Group China, existem duas razões claras para esta decisão.
A primeira é a arquitetura eletrônica dos modelos chineses, que segundo ele não está alinhada com os padrões exigidos no mercado europeu. A segunda está relacionada com as tarifas aplicadas na Europa aos veículos produzidos na China, que anulariam a vantagem econômica conseguida. Por estes motivos, a Europa continuará recebendo modelos desenvolvidos em outros centros da Volkswagen, mesmo que os custos de produção sejam superiores.
A Volkswagen já exporta modelos a gasolina produzidos na China para o Oriente Médio e está avaliando operações semelhantes para o Sudeste Asiático e para a Ásia Central. A marca admite que estas rotas vão crescer, mesmo com a exclusão da Europa. Do Brasil e mercado latino-americano, nada se falou.
Nos próximos cinco anos, a marca alemã vai lançar 30 novos modelos eletrificados, especialmente criados para o mercado chinês. Estes serão fundamentais para recuperar participação num país onde a marca perdeu protagonismo no segmento elétrico, apesar de continuar responsável por cerca de 20% de vendas de modelos equipados com motor de combustão.
