O céu é o limite? Leilão no Monterey Car Week 2026: os carros mais caros
Um leilão recorde, que totalizou US$ 748 milhões em vendas, colocou um Shelby Cobra Daytona Coupé, o primeiro carro elétrico da Ferrari e um McLaren F1 GTR exclusivo em novo patamar na história automotiva.
O “Monterey Car Week” é um dos maiores e mais famosos eventos automotivos do mundo, com destaque para o antigomobilismo. Ele acontece todos os anos no mês de agosto, na região de Monterey, na Califórnia. A semana reúne leilões milionários, desfiles, corridas de carros antigos e grandes lançamentos de hipercarros, terminando com o tradicional concurso de elegância, o “Pebble Beach Concours d’Elegance”, que elege os carros clássicos mais bonitos, bem cuidados e caros do mundo. O que sempre chama atenção são os leilões para colecionadores, onde grandes empresas desse segmento leiloam carros raros por valores que invariavelmente se transformam em recordes mundiais.
por Ricardo Caruso

Assim, ano após ano o Monterey Car Week se consolidou como o principal evento de automóveis dos Estados Unidos, justamente com apelo trazido pelo “Pebble Beach Concours d’Elegance” e os leilões, definindo o mercado para carros de coleção de alto padrão. Uma boa forma de investir aqueles milhões de dólares que você tem parados em aplicações complexas.
Os leilões deste ano — que aconteceram entre 7 e 16 de agosto — atingiram patamares sem precedentes, gerando o recorde de US$ 748 milhões em vendas, aumento de mais de US$ 315 milhões em relação a 2025 e US$ 277 milhões acima do recorde anterior, estabelecido em 2022. Pelo menos 130 carros ultrapassaram a marca de US$ 1 milhão, enquanto 11 foram vendidos por mais de US$ 10 milhões.
Ao longo do evento, recordes de leilão foram quebrados para carros norte-americanos e britânicos, enquanto outra venda estabeleceu novos parâmetros tanto para um carro novo quanto para um veículo elétrico.
Aqui estão as três transações mais caras que aconteceram:
1. Shelby Cobra Daytona Coupé 1964 (US$ 42.905.000)

Estabelecendo o recorde de “carro americano mais caro já vendido em leilão”, este Shelby Cobra Daytona Coupé representa um dos capítulos mais marcantes do automobilismo americano. Um dos apenas seis construídos para desafiar o dominante Ferrari 250 GTO, o chassi CSX2300 ajudou a Shelby American a conquistar o Campeonato Mundial de Marcas da FIA em 1965. O desenhista e projetista Peter Brock deu ao cupê sua inconfundível linha de teto alongada e traseira dramaticamente truncada, silhueta radical que melhorou o desempenho em altas velocidades, apesar de Brock admitir que o formato “era realmente muito estranho na época”.

A Carrozzeria Grandsport, em Modena, fabricou essa carroceria leve de alumínio, conferindo ao carro de corrida americano uma inesperada conexão italiana. O legendário piloto e projetista Carroll Shelby foi proprietário deste exemplar de 1975 a 1998, tornando-o o único dos Daytona Coupé que pertenceu ao seu criador.
2. Ferrari Luce “Tailor Made” 2026 (US$ 40.000.000)

Um exemplar exclusivo do primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari , o recém-lançado e polêmico Luce, foi vendido por US$ 40 milhões, quebrando recordes de leilão para um “carro novo” e para um “veículo elétrico”. Conhecido como “Chassi 0”, este exemplar único apresenta acabamento em pintura semi-fosca perolizada, cujo pigmento muda de verde para violeta conforme a luz incide sobre sua carroceria —que, aliás, foi uma mudança drástica em relação à linguagem angular mais conhecida da montadora italiana.

No interior, a Ferrari desenvolveu revestimentos em “couro metalizado” Perla Le Mans especificamente para esse carro, combinado com elementos pretos contrastantes para um efeito visual impressionante. Toda a renda da venda — a bagatela de US$40 milhões — será destinada a iniciativas educacionais da Fundação Ferrari.
3. McLaren F1 GTR 1996 (US$ 34.655.000)

Quando o martelo do leiloeiro bateu por US$ 34.655.000 em Monterey, o chassi 10R tornou-se o carro britânico e o McLaren mais caro já vendido em leilão. Conhecido como o “Pop Art F1”, o veículo ostenta pintura acabamento em vermelho sólido enfeitada com enormes adesivos amarelos “96 GTR” —um tratamento de fábrica exclusivo que transforma o esportivo em uma tela sobre rodas. O legendário projetista Gordon Murray o descreveu como um verdadeiro “carro de arte”, acrescentando: “existem apenas alguns desses GTR, mas só existe um como este”. O baterista do Pink Floyd, Nick Mason, adquiriu o esportivo direto da McLaren em 1999 e o manteve em sua coleção pessoal por quase um quarto de século. De 1996 até ser vendido em 1999, o carro ficou retido pela própria McLaren como veículo de testes e desenvolvimento.
Do quarto ao 10o. lugar em preços, temos os seguintes carros:







