Esse você não conhece: WiLL Vi 2000, o mais estranho Toyota de todos os tempos

Nós, de AUTO&TÉCNICA, ficaríamos surpresos se você tivesse ouvido falar do Toyota WiLL Vi. Embora com estilo diferentão, este pequeno sedã de quatro portas foi produzido por apenas dois anos, de 2000 a 2001, dentro de um cronograma de fabricação realmente de baixo volume. Ele também estava disponível apenas no Japão, então é um autêntico JDM (Japan Domestic Market). E para tentar garantir sua invisibilidade mundo afora, você não consegue encontrar um logotipo sequer da Toyota em nenhuma parte do estranho carrinho, no exterior ou interior.
por Ricardo Caruso

O carro foi apresentado em janeiro de 2000, como resultado de um projeto de conjunto entre um grupo de empresas japonesas de ponta, sendo a Toyota a única fabricante de veículos entre elas. O objetivo desse grupo tão diverso era criar uma ampla gama de produtos com a marca WiLL que apelassem à individualidade e às preferências dos millennials como a nova geração de consumidores. Ou seja, a marca WiLL foi uma abordagem de marketing compartilhada por um pequeno grupo de empresas japonesas, que decidiram oferecer produtos e serviços focados em um público consumidor mais jovem. A Will durou de agosto de 1999 até julho de 2004 no Japão.

As empresas que participaram foram a Kao Corporation (fabricante de produtos de higiene pessoal, detergentes domésticos e cosméticos), Toyota, Asahi Breweries (cervejaria), Panasonic (eletrônicos), Kinki Nippon Tourist, Ezaki Glico Candy e Kokuyo (fabricante de móveis e artigos de papelaria para escritório). A Toyota também se envolveu depois em uma abordagem similar “orientada para os jovens” na América do Norte, com o programa “Projeto Genesis” e os carros com a marca Scion. Esse experimento coma marca Will, de marketing seletivo, refletia uma filosofia de engenharia japonesa chamada “Engenharia Kansei”, que foi usada por outras empresas locais. Todos os produtos eram oferecidos e vendidos online no “willshop.com”.

O WiLL Vi (o Vi pronuncia-se “vee-eye”) foi a contribuição de abertura da Toyota para esta linha de itens e comunicou as qualidades marcantes da marca WiLL -de diversão e autenticidade- ao combinar um estilo neo-retrô moderno com desempenho ao volante de última geração.

Seu desenho geométrico e simétrico era cheio de planos convergentes e ângulos expressivos, com ondulações distintas nas laterais e o vidro traseiro em ângulo reverso, que criava a silhueta oficialmente descrita como “uma reminiscência das carruagens puxadas por cavalos de antigamente”. A janela traseira “ao contrário”, de aparência única, foi um recurso que apareceu anteriormente no Mazda Carol, no Ford Anglia (1959–1968) e no
Citroen Ami dos anos 1960. A frente e a traseira eram quase idênticas em aparência e moldadas para formar um visual amigável, enquanto os para-lamas em forma de bolhas e as rodas de 15 polegadas davam ao desenho uma forte sensação de estabilidade.

O Toyota WiLL Vi cumpriu essa promessa sobre rodas, com desempenho que não comprometia, sustentado por uma plataforma e powertrain vindos direto do Toyota Vitz (o Yaris de primeira geração), que tinha acabado de ser aclamado o “Carro Japonês do Ano”. Ele adotou o motor 1.3 (o 2NZ-FE) 16V de 84 cv, o mais potente do Yaris, acoplado a uma caixa de câmbio automática de quatro velocidades; esta combinação alcançou economia de combustível líder na categoria na época.


Nesse sentido, as qualidades ambientais do modelo também foram particularmente destacadas para seu público-alvo. O polímero altamente reciclável da Toyota foi adotado para os para-choques e plásticos internos, e o isolamento acústico foi feito usando materiais sintéticos triturados de veículos em fim de vida. Todo o uso de chumbo também foi excluído da produção do radiador, núcleo do aquecedor e fiação.

Por dentro, o peculiar WiLL Vi foi apresentado com uma variedade de formas arredondadas, texturas ricas e suaves tons pastéis. Ele criou uma atmosfera relaxante que deveria parecer mais como estar em casa do que em um automóvel. Nesse sentido, bancos móveis foram instalados na frente e atrás, para gerar a sensação de estar sentado em um sofá de sala de estar, o que exigiu o uso da alavanca de câmbio montada na coluna de direção. As oportunidades de armazenamento foram generosamente espalhadas pela cabine, para transmitir uma sensação amigável ao usuário. Da mesma forma, o painel principal tinha desenho simples e intuitivo, e os instrumentos foram centralizados para minimizar o desvio da atenção.


A produção do Toyota WiLL Vi foi concluída em dezembro de 2001, após cerca de 16.000 unidades terem sido vendidas no mercado japonês. Durante o mesmo período de dois anos, a Toyota produziu mais de 697.000 exemplares do Yaris no Japão… Então, o WiLL Vi era uma raridade nas ruas mesmo quando novo, e agora, 25 anos depois, se tornou uma espécie de unicórnio no mundo automotivo.

