“O meu é maior que o seu”: Europa vai proibir telas gigantes nos carros
A Europa entrou em guerra contra as telas digitais dos automóveis — cada vez maiores — e prepara limites para sua utilização. A entrada em vigor aponta para 1o. de abril de 2027, e não é pegadinha do Dia da Mentira.
por Marcos Cesar Silva

Há muito tempo que os automóveis de Primeiro Mundo deixaram de se limitar a ter motor, volante, pedais e a dose necessária de bom senso. A Europa se cansou da complexidade crescente para operar um veículo e das telas digitais gigantes com que os motoristas são obrigados a interagir para conviver e entender seus carros.
A Comissão Europeia avançou com a proposta que é uma espécie de regresso ao passado, quando os interiores dos automóveis eram mais intuitivos e funcionavam melhor. A solução vai passar por menos área útil de telas nos interiores: ou seja, mais Motorola PT 500 (o bom e velho “tijolão”) e menos iPhone 17 Pro Max. Segundo especialistas, os automóveis não podem ser tablets com rodas. “As interfaces atuais parecem desenhadas mais para impressionar do que para funcionar”, explicam. E o que preocupa a Comissão é como tudo isto se traduz em segundos adicionais de atenção desviada nas ruas e estrada. Nos bastidores das instituições europeias, o fenômeno chegou a ser descrito como “armas de distração em massa”. Os botões de controle de diversos sistemas e recursos estão retornando ao método físico e abandonando os digitais.
O tamanho das telas é outro dos pontos críticos. Crescem de geração em geração: em dimensão, em número e, segundo especialistas envolvidos no processo, também em “falta de noção”. Já existem automóveis em que a superfície digital se estende de forma contínua de uma extremidade à outra do painel, como a Mercedes-Benz mostrada na abertura dessa matéria. São realmente impressionantes, servem para impressionar seu cunhado, mas vão se tornando cada vez menos práticas e perigosas. Em outros casos, a solução passa por multiplicar telas digitais, distribuídas pelo motorista, passageiro da frente e ocupantes traseiros. E nem o retrovisor escapa disso. Isso aumenta os estímulos visuais e a complexidade da interação e diminui o foco da função principal do motorista, que é dirigir.

É neste contexto que a Comissão Europeia trabalha com uma proposta que promete travar esta escalada e dar mais uma dor de cabeça aos fabricantes: limitar a área das telas durante a condução. E chegaram a um valor concreto de apenas 300 cm² por veículo.
Na prática, corresponde a uma medida diagonal em torno de 10 polegadas (25,4 cm), dependendo do formato; existem tablets que são maiores. O mais interessante não é a limitação do tamanho, mas sim a lógica.
A proposta não proíbe a instalação de telas gigantes, daqueles que atravessam o painel de uma ponta a ponta. Mas, com o carro em movimento, só podem usar 300 cm2 da superfície total. Se o tela for maior, parte terá que ficar escuras. Uma espécie de “dieta digital” obrigatória. Por outro lado, algo fácil de resolver na parte eletrônica.
O mesmo aplica-se ao número de telas. Podem existir várias, desde que a soma das áreas ativas não ultrapasse o limite imposto. Um painel de instrumentos digital, uma tela central e até uma adicional para o passageiro continuam possíveis, desde que alguém nas montadoras faça bem as contas. Literalmente.
E é aqui que surge um detalhe inesperado: o smartphone também entra nessa conta. Escolher entre o celular num suporte e a tela do multimídia deverá ser a decisão a ser tomada antes de colocar o carro em movimento.

