O primeiro Dodge Challenger a gente nunca esquece… Mesmo se ele for de 1959!

A história “moderna” do Dodge Challenger, um dos mais icônicos modelos da marca, começa em 1970. Mas, muitos anos antes, o sobrenome Challenger foi usado em um produto totalmente diferente da divisão Dodge da Chrysler.
por Ricardo Caruso

Para muitos entusiastas, o Challenger tem uma longa e interessante história na Chrysler. Em sua aparição mais conhecida, o emblema Challenger foi usado no belíssimo pony car da Dodge, montado na plataforma E e fabricado de 1970 a 1974. Foi reeditado pela marca entre 2008 e 2023, com mais sucesso ainda, depois da apresentação em 2006 do Challenger Concept. Fez história como um cupê esportivo de alto desempenho, principalmente nas versões superalimentadas Hellcat e Demon.


Curiosidade: alguns anos depois de sair de linha em 1970, o nome foi reaproveitado para uma versão do cupê Mitsubishi Galant Lambda, fabricado no Japão e comercializado pelas concessionárias Dodge dos Estados Unidos de 1978 a 1983 (abaixo).

Mas, voltando ao que interessa, antes do Challenger 1970-1974 consolidar o carro junto ao público comprador e fãs da marca, o sobrenome Challenger foi usado, ainda que brevemente, em um modelo promocional especial do Dodge Coronet. Apresentado em 1º de maio de 1959 para animar a temporada de vendas de verão nas concessionárias, o Silver Challenger era oferecido apenas como um imenso e maravilhoso sedã de duas portas e, como o nome sugere, disponível somente na cor prata metálica (código L da Chrysler).
O “pacote” promocional também incluía carpete preto, revestimento interno em vinil prateado e tecido Black Manchu (brocado), pneus com faixas brancas e rodas com calotas integrais; cromados por todos os lados faziam parte do visual do carro. Como muitas promoções de verão da Chrysler, o Silver Challenger incluía diversos opcionais normalmente cobrados à parte, mas com preço de tabela baixo: US$ 2.530, apenas alguns dólares a mais que o Coronet básico, que custava US$ 2.466.
Portanto, este Challenger foi oferecido como um modelo de entrada em termos de preço, e não como um modelo de alto desempenho. Uma espécie de carro popular daqueles tempos goriosos. Entre os motores, a primeira opção era o venerável 230, de seis cilindros em linha (3,8 litros) com 135 cv, e o 326V8 “Getway” (5,3 litros) de 255 cv de potência, que equilibrava eficiência e desempenho. Essa pequena diversidade de motores garantia que houvesse um Silver Challenger para cada tipo motorista: os que focalizavam o uso estritamente familiar, e os que gostavam de acelerar a cada semáforo aberto (longe dos olhos da polícia).

As opções de transmissão incluíam câmbio manual de três marchas com alavanca na coluna de direção ou câmbio automático Powerflite de duas marchas, por US$ 189 a mais. Os opcionais mais populares eram o rádio AM com seletor por botões, por US$ 86,50 e um espelho retrovisor externo por US$ 6,45. Assim, o Silver Challenger com certeza não era nada sensacional no mercado americano daqueles tempos, especialmente quando comparado ao impacto dos mais recentes Challenger Hellcat ou Demon com supercharger, mas oferecia aos consumidores de 1959 a possibilidade de um pouco mais de desempenho pelo dinheiro investido.
Resumindo, o Dodge Silver Challenger não tinha nada em comum com o antológico Challenger que chegou às ruas 10 anos depois. Não era tão elegante, faltava um pouco de potência e surgiu numa época em que a Dodge já se preparava para descontinuar a linha Coronet (e que regressou em 1965).
Mas, mesmo assim, era um carro interessante, bem raro de se encontrar hoje em dia. Claro, não é exatamente desejável e cobiçado de maneira histérica, mas é uma parte interessante da história da Chrysler por ser o primeiro carro a ostentar o orgulhoso emblema “Challenger”.

