SSP, a nova plataforma da VW, receberá motor a combustão
A plataforma SSP do Grupo Volkswagen —batizada de Scalable Systems Platform (scalable pode ser traduzido como ajustável)— foi anunciada há cerca de quatro anos e estava prevista para chegar à produção em 2026, também conhecido como “ano que vem”. Com todos os problemas e dificuldades que o Grupo alemão enfrentou nos últimos tempos, desde o desenvolvimento de softwares às vendas de elétricos muito abaixo do esperado, a estreia desta nova plataforma foi adiada, e foi especulado que só seria aplicada na nona geração do Golf, em 2029. A novidade é que esta nova plataforma, que seria usada apenas para modelos elétricos, também receberá motores a combustão, para gerar eletricidade.
por Ricardo Caruso

Mas a VW não tem tempo a perder e, ao que consta, não será assim e a nova plataforma poderá chegar mais cedo, provavelmente 2027, mas em modelos da Audi, com o sucessor do A3 ou com um inédito A4 elétrico.
Mas a maior novidade nem é sobre quando ou onde acontecerá sua estreia, mas sim o fato de que essa plataforma SSP também poder receber motores de combustão.

Sempre bom lembrar que a plataforma SSP foi anunciada como a substituta da atual MEB e da ainda nova PPE, usada pelos novos Porsche Macan ou Audi A6 e-tron. Ou seja, só para modelos elétricos a bateria.

A novidade promete ser a base para quase tudo no futuro do Grupo alemão, desde carros urbanos até SUVs de grandes dimensões, passando até por mesmo modelos esportivos. Para isso, a SSP contará com oito versões de configurações para se adaptar a todas as necessidades.
Esta plataforma SSP, assim como a MEB, é modular e pode ser usada em veículos com propostas diferentes. Foi anunciada em 2021 como o ponto principal do projeto Trinity, que daria vida aos modelos elétricos de próxima geração para o Grupo, substituindo de uma só vez tanto a MEB atual como a PPE, a plataforma “Premium Platform Electric”, que é usada no Porsche Macan e nos Audi A6 e Q6 e-tron.
Em comparação com a atual, a plataforma SSP será construída com um número menor de componentes, sendo portanto mais simples, mais rápida e mais barata de produzir, sem perder a versatilidade. O destaque é o alto grau de padronização, pois os carros que nascerão na base SSP terão os mesmos software de gerenciamento, powertrain, motores, baterias e tecnologias de assistência à condução. Apenas esses componentes ou sistemas serão intercambiáveis, para assim se adaptarem à aplicação em vários modelos com tamanhos, propostas e desempenho diferentes.
Mas, afinal, onde se encaixa então o motor de combustão? Ele não vai servir para locomover o veículo —o deslocamento ficará sempre a cargo do, ou dos, motores elétricos—, mas irá servir como extensor de autonomia. Isto significa que não estará ligado às rodas, e sim irá gerar energia para as alimentar baterias do veículo elétrico. Algo que já vimos, por exemplo, no BMW i3 REx ou no Mazda MX-30 R-EV.
Junto com os híbridos, os veículos elétricos com extensor de autonomia estão ganhando cada vez mais espaço, em especial na China, e a Volkswagen não se pode dar ao luxo de perder essa oportunidade. Apesar desta grande novidade sobre a SSP, a introdução de modelos da Volkswagen com extensor de autonomia na Europa e outros mercados não está garantida.
Quem disse foi Thomas Schäfer, diretor-executivo da Volkswagen, em declarações ao jornalistas no início do mês passado. Schäfer afirmou que essa nova plataforma é uma solução que faz mais sentido em modelos de grandes dimensões, como o SUV ID. É voltada para a China, e pelo caminhar das coisas, na Europa e demais áreas, os híbridos plug-in poderão fazer mais sentido.
Nos híbridos plug-in atuais do Grupo Volkswagen, as autonomias elétricas já ultrapassam os 100 km em ciclo combinado WLTP. Segundo Schäfer, introduzir ambas tecnologias não seria economicamente viável, devido aos elevados custos de desenvolvimento e à sobreposição de soluções.
A Volkswagen planeja aplicar a plataforma SSP -que devido ao alto grau de integração entre peças mecânicas e eletrônicas- é chamada de “plataforma mecatrônica”, em pelo menos 40 milhões de veículos futuros. Eles terão potências que variam de 110 a mais de 1.000 cv.

