Maus resultados: Nissan vai demitir 15% de seus funcionários
A arapuca cinematográfica criada para o ex-presidente Carlos Ghosn -que valeu ate um documentário da Netflix- começou a cobrar seu preço. A Nissan vai cortar mais 10 mil postos de trabalho em todo o mundo, incluindo o Brasil, elevando o total de redução de colaboradores -somando demissões anunciadas anteriormente- em cerca de 15% da sua força de trabalho. Os novos cortes elevarão as demissões na fabricante japonesa para algo em torno de 20.000 empregados, afirmou a imprensa japonesa.
da Redação

A Nissan segue sem rumo, tentando tornar o seu negócio mais eficiente e resiliente após o desempenho abaixo do esperado no seu mercado principal, os Estados Unidos, onde as vendas foram severamente prejudicada pela falta de híbridos e por uma linha de produtos envelhecida e pouco atraente. Pior: a empresa enfrenta também dificuldades na China, onde procura estancar uma queda drástica nas vendas pensando em lançar por lá cerca de 10 novos veículos nos próximos anos.
Em números, a Nissan sofreu sua queda mais significativa na China, com menos 14,3% nas vendas entre abril e setembro do ano passado. Nos Estados Unidos registrou queda de 2,7%, e as vendas globais caíram 3,8% em relação a 2023, incluindo perdas de 2,4% no Japão. No Brasil, a marca nunca disse a que veio. O prejuízo do ano fiscal que se encerrou em março é bilionário, e em dólares…
A Nissan, que tinha mais de 133 mil funcionários em março de 2024, já planejava cortar nove mil postos de trabalho e reduzir a capacidade global em 20%, como parte dos seus planos de reestruturação. A crise aumentou o número de demissões em cerca de 11 mil funcionários do previsto inicialmente, totalizando por enquanto 20.000 empregos penalizados. Para os especialistas, a empresa tem cerca de um ano de sobrevida. Se não encontrar um parceiro forte, quebra.
Bom lembrar que, de alguma forma, essa notícia de colapso financeiro iminente ainda não está no topo do ranking como a notícia mais constrangedora da Nissan nos últimos anos. Ao conferir a situação de hoje da empresa, rememoramos a fuga do super-executivo brasileiro Carlos Ghosn do Japão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações nunca confirmadas de má conduta financeira.
Ghosn, que também ocupou altos cargos na Renault e Michelin, teve papel fundamental na Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi e foi preso em novembro de 2018 sob alegações nunca comprovadas de subnotificação de seu salário e desvio de verbas da empresa. Sob rigorosas condições de fiança, Ghosn enfrentava a possibilidade, reconhecidamente desagradável, de uma batalha judicial prolongada em um país com uma taxa de condenação de 99,4%.

Confinado em prisão domiciliar e proibido de contatar até sua esposa Carole, ele decidiu arquitetar uma fuga. O clímax do plano foi Ghosn sendo contrabandeado para dentro de uma grande caixa de equipamentos musicais, explorando habilmente o fato de que uma série de shows estava acontecendo no Japão na época. Dois homens também disfarçados de músicos o levaram de um hotel em Osaka para um jato particular que o aguardava no aeroporto local.
Após um voo para a Turquia e uma rápida troca de avião, ele pousou em Beirute, no Líbano . Além de ser o país de origem da sua família (ele nasceu em Guajará-Mirim, Rondônia), convenientemente o Líbano não possui tratado de extradição com o Japão.

