Pneus usados: riscos e vantagens
Comprar pneus usados — também conhecidos como semi-novos ou meia-vida — é um recurso válido? Sim e não. Deixamos aqui algumas dicas para o que deve ser considerado antes de ir por esse caminho.
Num país empobrecido e sem renda como o Brasil, o preço de pneus novos — e até mesmo dos remoldados, a opção intermediária entre o pneu novo e o usado — mantém o produto fora do alcance de muitos e muitos motoristas. A verdade é que pneus novos são absurdamente caros por aqui. Para contornar isso, surgiu o mercado de pneus usados, e a questão é se valem a pena ou não. Esta é uma dúvida que muitos motoristas ponderam, ainda mais quando o orçamento aperta ou quando aparece uma oportunidade aparentemente vantajosa.
por Ricardo Caruso

No Brasil existem pneus que custam até em torno de um salário mínimo ou mais, o que é inviável para muita gente; na média normal, um par de pneus pode custar um salário mínimo, dependendo da marca e medida. No caso dos pneus usados, o preço é significativamente inferior ao de pneus novos. Mas será que compensa? Depende.
da Redação
Recomenda-se sempre a compra de pneus novos e de marcas conhecidas, o que não é garantia de nada, mas pelo menos você tem para quem tentar reclamar. Por isso, para quem dispõe de verba para tanto, é a opção mais segura e equilibrada a longo prazo. Mas, por conta da falta de verba, há situações em que comprar um pneu usado pode fazer sentido; melhor um usado em condições de uso do que um pneu careca colocando sua segurança (e a dos outros!) em risco.
Isso pode justificar o uso de pneus usados:
- Pneus para estepe;
- Pneus para veículos que não são usados com frequência ou para curtas distâncias;
- Pneus para veículos clássicos ou raros, já que pode ser difícil encontrar pneus novos nas medidas necessárias.
Riscos
Apesar da indiscutível vantagem econômica, os riscos existem e não devem ser ignorados. Um pneu usado tem, como regra geral, histórico desconhecido. Não é possível saber ao certo como foi utilizado ou se apresenta danos internos quase imperceptíveis a olho nu. Mesmo uma inspeção visual cuidada, pode não revelar fragilidades estruturais. Por isso, atenção a cortes nas laterais, bolhas e deformações.
Outra desvantagem dos pneus usados é que não vão ter o desempenho de um pneu novo. Você estará comprando o que restou do pneu. Isso pode se traduzir em menor aderência, em especial em pisos mais escorregadios, maior propensão para aquaplanagem, e distâncias de frenagem mais longas. Adicionalmente, pneus usados não duram tanto tempo quanto um conjunto novo —entre 40 mil e 60 mil km—, podendo obrigar a substituições mais frequentes; montagem, desmontagem e balanceamento custam algum dinheiro, o que a longo prazo pode reduzir ou até anular a economia inicial.
Todas as consequências se devem, claro, ao desgaste da banda de rodagem. Pneus próximos do limite legal (1,6 mm) oferecem desempenho muito reduzido em condições adversas e podem ser considerados perigosos. O marcador de limite do pneu, conhecido como TWI (Tread Wear Indicator), são pequenas barras de borracha situadas dentro dos sulcos (fendas) do pneu. Quando a banda de rodagem atinge o mesmo nível dessas barras (1,6 mm), o pneu atinge o limite legal de desgaste e deve ser substituído imediatamente, podendo trazer problemas em blitz e comandos ou mesmo vistorias veiculares. Até o estepe entra nesse cuidado. Já soubemos de muitos casos em que o borracheiro amigo “risca” os sulcos do pneu, eliminado o TWI, o que obviamente não é nada recomendado em termos de segurança.
Por fim, como já dissemos antes, há a questão da garantia. Ao contrário dos pneus novos, os usados raramente incluem algum tipo de proteção por parte do vendedor. Tudo é por sua conta e risco.
O que verificar
Caso opte por pneus usados, há alguns pontos essenciais a analisar:
- Profundidade dos sulcos: O limite legal mínimo é de 1,6 mm, mas recomenda-se que o pneu usado tenha pelo menos 5 mm de profundidade; o novo, por norma, tem cerca de 8 mm em média;
- Estado das paredes laterais e banda de rodagem: a área de contato com o piso deve apresentar desgaste uniforme, enquanto os “ombros” não podem ter rachaduras, cortes, lascados ou áreas remendadas (o conhecido “manchão”);
- Data de fabricação (DOT): Na parede lateral encontra-se a sigla “DOT”, seguida de quatro dígitos. Os primeiros dois indicam a semana e os últimos o ano de fabricação do pneu. Não é conclusivo, mas recomenda-se não comprar pneus usados com mais de seis anos de fabricação, pois a borracha degrada-se com o tempo, perdendo elasticidade e aderência.
Na verdade todo mundo queria comprar jogos de pneus Michelin novos nas lojas, mas o preço impede isso. Assim, caso a opção seja por pneus usados, a recomendação é clara: inspecionar cuidadosamente a profundidade dos sulcos, a idade (código DOT), procurar sinais de danos e desgaste excessivo. Cada um sabe onde a situação econômica aperta, e com alguns cuidados, é possível contornar isso. Se der, evite, mas se for necessário, observe os cuidados que recomendamos.

