Carros

Renault Kardian Vibe por R$ 99,9 mil

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A Renault apresentou uma novidade importante na linha  Kardian 2027: a chegada da versão Vibe. Posicionada mais abaixo das configurações equipadas com câmbio automatizado EDC de dupla embreagem, a Vibe chega com preço de R$ 99,9 mil, o que coloca o SUV como o “carros turbo mais barato do Brasil”. Não é pouco. Isso reposiciona o modelo no mercado, que passa a disputar compradores não só entre os SUVs compactos, como também com os hatches nessa faixa de preço.

por Ricardo Caruso

Essa mudança é estratégica, num momento em que o segmento está agitado e ganhou uma série de novos modelos. A Chevrolet mostrou o Sonic, a Jeep lançou o Avenger e a Fiat está finalizando o Argo X, enquanto o VW Tera ganha cada vez mais destaque. São todos carros posicionados entre os SUVs menores e os hatches compactos, mas que cresceram um pouquinho em tamanho.

Lançado em 2023, o Kardian chegou ao mercado repleto de qualidades, mas não brilhou em vendas como a Renault esperava. A chegada da nova versão Vibe custando “apenas” R$ 100 mil quer alterar essa história, preservando o motor -mais potente que os concorrentes- e brigando em preço com modelos menores e SUVs, ou nem tanto, de entrada.

O mais recente competidor nesse espaço é o Jeep Avenger, que desembarcou nas concessionárias por R$ 114,9 mil (preço promocional). As versões superiores do Kardian até então ficavam entre R$ 113,7 mil (Evolution 1.0 manual, que agora passa a ser automática) e R$ 149,9 mil (Iconic com transmissão EDC de seis marchas). Assim, a Vibe é uma nova configuração básica e abre espaço em termos de preço para o SUV, usando ainda o bom desempenho como argumento de vendas.

A dieta para chegar ao preço mais baixo foi caprichada, o que é natural nesse tipo de operação; não há ganho sem perda. Com isso, o Kardian Vibe só é disponível com câmbio manual de seis marchas e deixou pelo caminho alguns dos equipamentos das versões acima, como as rodas de liga-leve, carregador de smartphone por indução, chave presencial e o cluster (painel de instrumentos) digital mais completo.

A central multimídia também pagou seu preço: é menor (tela de 8 polegadas) mas continua com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. A versão mantém o condicionador de ar digital automático, seis airbags, controle/limitador de velocidade e sensores de estacionamento traseiros.

A Renault trabalhou pesado para que o Vibe não tivesse aquele jeitão de “carro popular”, aquela aparência franciscana de carro básico. As rodas, por exemplo, agora de aço, são aro 15 e enfeitadas com calotas plásticas que tentam imitar o desenho das rodas de liga-leve. Grade, espelhos retrovisores, maçanetas, antena e spoiler traseiro são em preto brilhante, o que não compromete o visual, e o teto tem cor contrastante opcional.

No interior, painel e bancos receberam detalhes em azul, criando uma combinação mais agradável e menos despojada. O belo conjunto de faróis e lanternas em LED felizmente foram mantidos.

As mudanças não ficaram limitadas ao conteúdo. O carro ficou, segundo a Renault, 43 kg mais leve. A engenharia da marca também diminuiu um pouco a altura do veículo, em 5 cm (passando para 1,54 m) com a remoção do rack do teto, o que reduziu em 6% sua área frontal. Isso melhora o fluxo de ar em torno da carroceria, reduz a resistência e melhora a aerodinâmica. Os reflexos positivos disso vem no consumo e no desempenho.

A transmissão manual JX22 teve a relação final do diferencial alongada em cerca de 11%, passando de 4,500:1 para 3,867:1. As primeiras marchas permanecem curtas, para maior agilidade em trânsito urbano, e as últimas baixam o giro em estradas. Com isso, o motor trabalha em rotações menores e a alteração melhora o consumo, nível de ruído e controle de emissões.

A redução de peso e as alterações feitas na transmissão também melhoraram o desempenho. Abastecido com etanol, a aceleração de zero a 100 km/h foi de 11 para 10,1 segundos, e com gasolina, passou de 11,4 para 10,6 segundos. A velocidade máxima segue em 180 km/h, já que o menor peso não interfere nisso.

Em números oficiais do Inmetro, com gasolina o Kardian Vibe roda 13,7 km/litro na cidade e 15,3 km/l na estrada; com etanol, faz 9,3 km/l no ciclo urbano e 10,9 km/l na rodovia. A Renault informa ganhos de 6% em eficiência energética e redução de 7% nas emissões de CO₂ em relação à configuração manual anterior.

O motor 1.0 TCe turbo flex segue com seus 125 cv de potência máxima e 22,4 mkgf de torque, também máximo, 90% disponível já a apenas 1.750 rpm. Boa parte dos seus concorrentes limita a potência em algo em torno dos 115 cv para pagar menos IPI, mas a Renault manteve no Kardian os 125 cv das versões mais caras.

Isso significa que o Kardian Vibe tem o menor preço entre os carros turbo do mercado, mas com potência maior que seus concorrentes. Isso não é comum em versões mais simples, que em geral perdem desempenho, consomem mais combustível e sofrem redução de potência e/ou torque. A Renault se preocupou em não fazer isso.

A marca destaca ainda que houve melhora de 8% no consumo urbano. Significa que a engenharia da Renaut usou a redução de equipamentos e fez alterações que, na prática, melhoraram o rendimento, o consumo e o conforto, especialmente no uso rodoviário, sem empobrecer visualmente o SUV. Com isso, se tornou um concorrente de peso entre os carros da sua faixa de preço.

Com 4,12 m de comprimento, largura de 1,75 m e altura de 1,54 m, o Kardian tem dimensões ideais para a utilização urbana. Já os ângulos de entrada e saída de 20° e 36°, respectivamente, reforçam sua versatilidade. A distância entre-eixos de 2,60 m, referência entre os concorrentes diretos, contribui para a excelente habitabilidade interna, especialmente para os ocupantes do banco traseiro. Por fim, o porta-malas, com 410 litros, é o maior entre seus concorrentes.


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