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TESTE ESPECIAL: Ram Rampage Rebel Turbodiesel 4X4

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Há alguns veículos que chegam ao mercado certos do papel que irão desempenhar. Outros, entretanto, precisam amadurecer um pouco até atingir seu verdadeiro potencial e assim ganhar mais espaço no mercado. A Rampage pertence ao segundo grupo. Quando foi lançada, em meados de 2023, representou um movimento ousado da marca: produzir, pela primeira vez em sua história, uma picape concebida prioritariamente para a América do Sul.

Não era apenas mais um utilitário na crescente lista de modelos da marca americana. Era um projeto estratégico, pensado para um mercado que exige conforto de automóvel, capacidade de carga de picape e tecnologia comparável à de um SUV premium. Claro que o carisma da Ram, como tudo que vem da Chrysler e da Dodge, ajuda muito.

por Ricardo Caruso

Desde os primeiros quilômetros de sua jornada, lá em 2023, a Rampage impressionava pelo refinamento de sua estrutura monobloco, pela qualidade construtiva e pelo nível de equipamentos. Entretanto, havia um ponto que despertava críticas até mesmo entre admiradores da marca: o motor diesel, importado da Itália, era o turbodiesel 2.0 Multijet de 170 cv de potência máxima e 38,8 mkgf de torque também máximo, que não acompanhava a sofisticação do conjunto. Não se tratava de um motor ruim, muito pelo contrário. Era confiável, econômico e já havia demonstrado sua robustez em inúmeros modelos do Grupo Stellantis, como Jeep Compass e Commander, e Fiat Toro.

O problema era outro. Em uma picape de quase duas toneladas, com proposta premium e preço competitivo com modelos maiores, e o desempenho simplesmente não correspondia às expectativas criadas pelo emblema Ram estampado na enorme dianteira. No segmento das picapes, um bom motor diesel pode ser o fator principal de seu sucesso

A resposta veio com a introdução do novo motor 2.2 Turbodiesel Multijet II, agora argentino. Embora o aumento de potência, de 170 para 200 cv, pareça quase modesto quando analisado apenas em números, a transformação prática é muito maior. O torque passou para expressivos 45,9 mkgf, disponível em baixíssimas rotações, modificando completamente a personalidade da Rampage Rebel. A sensação ao volante é de um veículo muito mais leve, disposto e eficiente em qualquer situação.

Foi exatamente essa versão, a Rebel equipada com o novo turbodiesel e tração integral, que AUTO&TÉCNICA avaliou durante duas semanas, em diferentes condições de uso. O roteiro incluiu trânsito urbano intenso, longos trechos rodoviários, serras sinuosas, estradas vicinais de terra, pisos de cascalho, lama e percursos carregando peso na caçamba. O objetivo era simples: descobrir na prática se a Rampage finalmente alcançou o equilíbrio prometido e esperado desde seu lançamento.

A resposta veio antes mesmo do fim dos primeiros quilômetros rodados.


Projeto brasileiro

Embora carregue uma respeitável marca norte-americana, a Rampage é, em grande parte, uma picape brasileira. Seu desenvolvimento ocorreu sob liderança da engenharia do Grupo instalada no Polo Automotivo Stellantis, de Goiana (PE), que acumulou ampla experiência com veículos destinados às condições severas encontradas na América Latina. De lá saem, por exemplo, os Jeep Renegade, Compass e Commander, e a picape Fiat Toro.

A base estrutural deriva da arquitetura “Small Wide 4×4” daStellantis, uma plataforma monobloco moderna, originalmente desenvolvida para SUVs médios. Essa escolha representa uma ruptura em relação ao conceito tradicional das picapes médias, normalmente construídas sobre chassis de longarinas. O parentesco com a Fiat Toro -um fenômeno de vendas- é óbvio.

A decisão pela plataforma monobloco não foi tomada por acaso. Enquanto um chassi separado privilegia a robustez extrema para aplicações severas, a estrutura monobloco oferece vantagens importantes em termos de rigidez, comportamento dinâmico, conforto acústico e precisão direcional. Em outras palavras, aproxima a experiência de condução daquela encontrada em um automóvel de passeio (ou SUV), sem abrir mão da resistência necessária para enfrentar estradas ruins e transportar cargas significativas.

Essa filosofia explica boa parte da personalidade da Rampage. Ela não pretende substituir uma grandalhona -e maravilhosa- Ram 2500, por exemplo, destinada ao trabalho pesado, tampouco competir direto com uma picape média tradicional utilizada em locais de mineração ou agricultura intensiva. Seu foco é outro: atender ao consumidor que utiliza a picape no dia a dia, alternando compromissos urbanos, viagens em família e incursões ocasionais por estradas rurais. É nesse cenário que a Rampage encontra sua razão de existir.


Picapes premium em alta

Nos últimos 15 anos -um pouco mais, um pouco menos- o mercado brasileiro mudou bastante. Se antes uma picape era adquirida quase exclusivamente como ferramenta de trabalho, hoje ela exerce múltiplas funções. Muitos compradores jamais irão transportam uma carga sequer próxima da capacidade máxima do veículo, na faixa dos 1000 kg. No máximo as malas da família ou as comprar do supermercado. Em compensação, exigem silêncio a bordo, bancos confortáveis, conectividade, sistemas avançados de assistência ao motorista e acabamento digno de um SUV de luxo. Esse novo perfil abriu espaço para um segmento quase inexistente até poucos anos atrás: o das picapes intermediárias premium.

Nesse contexto, a Ram percebeu uma oportunidade interessante para seu produto. Em vez de enfrentar direto modelos consagrados, como Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Nissan Frontier em um terreno dominado pela tradição, decidiu criar um veículo diferente. Menor, mais sofisticado, mais refinado e com comportamento dinâmico claramente voltado ao uso cotidiano.

A estratégia da Stellantis na área das picapes mostrou-se mais uma vez acertada. Em pouco tempo, a Rampage conquistou compradores que antes circulavam de SUVs médios ou grandes sedãs e desejavam migrar para uma picape, mas sem abrir mão do conforto.


Desenho: sem exageros

Visualmente, a Rebel transmite exatamente aquilo que se espera de uma Ram. Não recorre a exageros estéticos, mas impõe respeito imediatamente. É quase intimidadora.

A dianteira é dominada pela enorme grade em preto fosco que ocupa praticamente toda a largura frontal e integra, de maneira harmoniosa, os faróis Full LED. A assinatura luminosa diurna confere identidade marcante, em especial durante a noite, quando a iluminação branca e intensa destaca o desenho horizontal do conjunto.

Os para-choques da versão Rebel adotam acabamento escurecido, reforçando sua vocação aventureira. Diferente das versões mais luxuosas da linha, que utilizam cromados em abundância, a Rebel aposta em superfícies foscas, molduras pretas e detalhes discretos, transmitindo uma imagem mais robusta e voltada ao trabalho.

As caixas de roda são “musculosas”, com largas molduras, e acomodam o conjunto de rodagem de perfil mais alto -rodas aro 17 e pneus 235/65 all terrain, capazes de enfrentar pisos irregulares com maior desenvoltura. Não se trata apenas de estética. Esse conjunto melhora a capacidade de absorção de impactos em terrenos acidentados e amplia a segurança em pisos de baixa aderência. Não é 100% maravilhoso no asfalto, nem na terra, mas é um bom e eficiente meio termo.

Observada de perfil, a Rampage revela proporções muito bem resolvidas. O longo capô, a cabine avançada e a caçamba integrada criam uma silhueta equilibrada, sem o aspecto truncado encontrado em algumas rivais derivadas de utilitários esportivos. Tudo parece estar no lugar certo.

Na traseira, as lanternas de LED possuem desenho sofisticado (com a bandeira estadunidense estilizada nas lentes) e excelente visibilidade. A caçamba tem cobertura e é revestida, e a tampa incorpora sistema de amortecimento que reduz significativamente o esforço necessário para abertura e fechamento, detalhe simples, mas muito apreciado no uso diário. Ela possui um volume de 980 litros e capacidade de carga útil impressionante, de até 1.015 kg. A caçamba mede 1.05 m de largura e tem 59,5 cm de profundidade,


Dimensões

Embora seja classificada como uma picape média, a Rampage transmite sensação de ser um veículo maior. Com 5.028 mm de comprimento, 1.886 mm de largura (ou 2.040 mm incluindo os retrovisores), 1.780 mm de altura e distância entre-eixos de 2.994 mm, oferece presença visual comparável à de muitas picapes maiores tradicionais.

Essa percepção é reforçada pela altura elevada da linha de cintura, pelos largos para-lamas e pela posição alta de condução. O motorista enxerga o trânsito de uma perspectiva privilegiada, característica muito valorizada por quem utiliza esse tipo de veículo em deslocamentos urbanos.

Apesar das dimensões avantajadas, a dirigibilidade surpreende. A direção elétrica possui assistência progressiva muito bem calibrada, facilitando manobras de estacionamento sem comprometer a estabilidade em velocidades elevadas.


Qualidade de construção

Durante toda a avaliação, um aspecto chamou atenção: a solidez estrutural. Mesmo enfrentando pisos extremamente irregulares, a carroceria não apresentou rangidos, vibrações, ruídos estranhos e indesejados ou torções perceptíveis. As portas fecham com som sólido, típico de veículos de categoria superior, enquanto o alinhamento entre painéis da carroceria demonstra o correto controle durante o processo de fabricação.

A pintura também merece elogios. A uniformidade do verniz aplicado, a profundidade da cor e o acabamento das áreas menos visíveis evidenciam evolução significativa dos padrões produtivos adotados pela Stellantis em Goiana. É o nível de construção compatível com o posicionamento premium pretendido pela Ram.


Primeiras impressões

Basta rodar poucas centenas de metros para perceber que esta não é uma picape convencional. A posição de dirigir lembra muito mais a de um SUV sofisticado do que a de um utilitário tradicional. A direção responde com rapidez, o isolamento acústico impressiona e a suspensão filtra imperfeições do asfalto com eficiência pouco comum no segmento.

O novo motor também demonstra imediatamente sua superioridade. As respostas ao acelerador são vigorosas desde baixíssimas rotações, enquanto o câmbio automático ZF de nove marchas trabalha quase sempre de forma imperceptível.

Em ambiente urbano, a Rampage desloca-se de forma surpreendente para um veículo desse porte. A direção leve, a excelente visibilidade e o comportamento previsível reduzem a sensação de estar conduzindo uma picape.

Mas as verdadeiras qualidades desse conjunto mecânico só aparecem quando a estrada se abre à frente. É justamente aí que começaremos a nossa avaliação,

Ao abrir a porta da Ram Rampage Rebel, a primeira impressão é clara: esta picape não foi concebida para ser apenas uma ferramenta de trabalho. A cabine transmite a atmosfera próxima da encontrada em SUVs premium, e não em picapes médias tradicionais. É uma diferença perceptível não apenas pela aparência, mas principalmente pela forma como motorista e passageiros interagem com o veículo durante horas de viagem.

Enquanto muitas concorrentes ainda preservam soluções derivadas de típicos veículos utilitários, a Rampage foi projetada para atender um consumidor que exige conforto, tecnologia e refinamento no uso diário. Essa filosofia aparece em praticamente todos os detalhes do habitáculo.

Uma das maiores virtudes da Rampage está na ergonomia. É comum encontrar veículos repletos de equipamentos, mas que exigem adaptação do motorista para localizar comandos ou ajustar a posição de condução. Na Rebel, ocorre justamente o contrário. Ao sentarmos ao volante, percebemos que a posição de dirigir foi cuidadosamente estudada e tudo está facilmente identificável.

O banco possui ampla faixa de regulagens elétricas (o banco do motorista com ajuste elétrico de 12 vias é item de série; já o banco elétrico para o passageiro dianteiro é opcional, em geral incluso no “Pacote Elite”), permitindo acomodar desde motoristas de baixa estatura até pessoas com mais de 1,90 metro. A regulagem lombar oferece bom apoio, reduzindo a fadiga em viagens longas, enquanto o volante, com ajustes de altura e profundidade, facilita encontrar uma posição natural para braços e pernas.

O resultado é imediato: mesmo após centenas de quilômetros, não surgem desconfortos típicos das picapes de proposta mais utilitária. Outro aspecto positivo é a altura do assento. O motorista permanece em posição dominante, enxergando o trânsito à frente com facilidade, sem que isso prejudique o acesso à cabine.


Bancos confortáveis

Os bancos dianteiros merecem destaque especial. Revestidos em material sintético que imita couro, de boa qualidade, tem suas espumas de densidade bem calibrada. Não são excessivamente macios, característica que poderia gerar fadiga em longas viagens, nem excessivamente rígidos. É a dose certa.

O apoio lateral é suficiente para manter o corpo firme em curvas rápidas, sem dificultar o embarque e desembarque dos ocupantes. A área do assento é ampla, acomodando com conforto os ocupantes de diferentes biotipos. O encosto distribui adequadamente a pressão nas costas, reduzindo o cansaço em deslocamentos prolongados. Na prática, é possível permanecer várias horas ao volante sem a necessidade constante de alterar a postura.

Já o banco traseiro surpreende pelo espaço disponível para pernas e joelhos. O entre-eixos generoso proporciona conforto para três adultos, embora o ocupante central seja naturalmente prejudicado pelo túnel elevado e pelo encosto mais vertical. Nesse quesito, o único ponto que merece crítica é realmente a inclinação do encosto traseiro. Não chega a comprometer o conforto, mas poderia ser ligeiramente mais reclinado para maior tranquilidade em viagens muito longas.


Materiais: acabamento superior

Poucas picapes nacionais oferecem um ambiente interno tão bem executado quanto a Rampage. A parte superior do painel, por exemplo, utiliza material macio ao toque, revestido por superfície de textura agradável. As portas recebem o mesmo tratamento, criando uma sensação de continuidade visual que transmite sofisticação.

As costuras aparentes reforçam a impressão de qualidade artesanal, enquanto os detalhes em preto brilhante e acabamento acetinado evitam excessos decorativos. Outro aspecto digno de elogio é a montagem interna.

Mesmo trafegando por estradas de terra extremamente esburacadas durante nossa avaliação, não surgiram ruídos, rangidos ou vibrações provenientes do painel. Essa rigidez estrutural demonstra excelente controle de qualidade durante a fabricação. Os encaixes entre painéis internos apresentam folgas uniformes, algo que no Brasil ainda diferencia veículos de categoria superior.


Painel digital

À frente do motorista está um painel de instrumentos totalmente digital, configurável e com tela de 10,3 polegadas. Sua resolução impressiona pela nitidez, mesmo sob incidência direta de luz solar.

A interface permite selecionar diferentes modos de visualização. O motorista pode priorizar velocímetro e conta-giros tradicionais, mapa de navegação em tela cheia, informações do computador de bordo ou dados específicos do sistema de tração. Ele exibe, claro, os indispensáveis velocímetro, conta-giros, nível de combustível e temperatura, e por meio das teclas do volante multifuncional, você pode personalizar as tela e o layout com ou sem conta-giros, além de dados de pressão dos pneus e computador de bordo.

Entre as informações disponíveis encontram-se:

  • pressão individual dos pneus;
  • temperatura do óleo do motor;
  • temperatura do líquido de arrefecimento;
  • tensão da bateria;
  • consumo instantâneo;
  • consumo médio;
  • autonomia;
  • velocidade média;
  • dados do “piloto automático” adaptativo;
  • alertas dos sistemas de assistência.

A organização dos menus é intuitiva, permitindo alternar rapidamente entre as diferentes telas utilizando apenas os comandos no volante.


Central multimídia

No centro do painel encontra-se uma das melhores centrais multimídia atualmente produzidas pela Stellantis. A tela de 12,3 polegadas possui ótima resolução, elevada sensibilidade ao toque e resposta rápida aos comandos.

Durante toda a avaliação não foram observados travamentos, lentidão ou reinicializações inesperadas. A interface privilegia ícones grandes e menus organizados, facilitando o uso durante a condução. Android Auto e Apple CarPlay funcionam sem necessidade de cabo, estabelecendo conexão poucos segundos após a partida do veículo.

Também estão disponíveis:

  • navegação integrada;
  • comandos por voz;
  • atualizações remotas;
  • múltiplos perfis de usuário;
  • informações do veículo;
  • monitoramento da pressão dos pneus;
  • configuração dos modos de condução;
  • ajustes dos sistemas eletrônicos.

Há ainda carregador de celular por indução e “pacote” de internet nativo (Ram Connect). Um aspecto particularmente positivo é a possibilidade de acessar rapidamente funções relacionadas ao sistema de tração e aos modos off-road sem necessidade de navegar por diversos submenus. A internet a bordo é cortesia da operadora TIM no primeiro ano do veículo; para usá-la, basta ativar o chip nativo e o plano de dados pelas configurações do carro. 


Sistema de som

Embora não seja o equipamento mais sofisticado disponível na indústria, o sistema de áudio da Rampage Rebel oferece qualidade muito acima da média.

Os graves são encorpados, os médios apresentam boa definição e os agudos permanecem limpos mesmo em volumes elevados. A distribuição sonora dentro da cabine é homogênea, permitindo conversas entre os ocupantes sem necessidade de elevar excessivamente o volume da voz ou baixar o da música. Em viagens longas, o isolamento acústico eficiente potencializa ainda mais essa experiência.

O sistema de som de fábrica da Rampage Rebel traz seis alto-falantes. Opcionalmente, pode receber o sistema premium Harman Kardon, com 360W de potência e 10 alto-falantes (incluindo um subwoofer de seis polegadas). Alguns usuários estão reclamando que os alto-falantes não são da famosa marca de equipamentos de áudio, e sim genéricos.

Os alto-falantes na verdade são fornecidos pela Mopar (divisão de peças da Stellantis), mas com assinatura, projeto, equalização e calibração da Harman Kardon. Muitos usuários protestaram alegando propaganda enganosa. Mesmo com o som “sabor Harman Kardon”, a qualidade entregue é muito boa e a publicidade passou agora a destacar que o som é “certificado” pela HK.


Climatização

O ar-condicionado automático digital de duas zonas mantém excelente estabilidade térmica. Mesmo sob temperaturas externas superiores a 35 °C, a cabine resfria rapidamente. Os difusores possuem vazão abundante e distribuição eficiente do fluxo de ar.

O painel de controle do ar-condicionado da Rampage utiliza botões físicos de acesso rápido posicionados logo abaixo da central multimídia, permitindo controlar de forma simples a velocidade do ventilador, o desembaçador e a temperatura, complementando os ajustes digitais que são feitos por meio da tela da central multimídia. Os passageiros traseiros também recebem saídas dedicadas, reduzindo significativamente o tempo necessário para climatizar toda a cabine.


Porta-objetos

A Rampage foi claramente projetada pensando em quem utiliza a picape todos os dias, e não apenas em incursões fora de estrada. Assim, há compartimentos distribuídos por praticamente toda a cabine. O console acomoda objetos volumosos; as portas possuem bolsões capazes de transportar garrafas de água mineral; existe espaço para acomodar o smartphone com carregador por indução, posicionado em área de fácil acesso; as conexões USB-A e USB-C atendem tanto passageiros dianteiros quanto traseiros e o apoio de braço central abriga compartimento refrigerado, útil para bebidas ou pequenos alimentos durante viagens.

Esses detalhes fazem diferença no uso cotidiano e demonstram cuidado extra durante o desenvolvimento do projeto.


Isolamento acústico

Um dos aspectos mais surpreendente da Rampage Rebel é seu refinamento acústico. Mesmo equipada com um motor turbodiesel de elevada taxa de compressão (15,5:1), o nível de ruído percebido no interior da cabine é extremamente baixo.

Em marcha lenta, o funcionamento do propulsor permanece discreto. Durante acelerações mais vigorosas, o “ronco” do motor torna-se presente, mas nunca invasivo. E em velocidade de cruzeiro, predominam apenas leves ruídos aerodinâmicos provenientes dos retrovisores externos.

A suspensão também trabalha de maneira silencios, e mesmo em pisos bastante deteriorados, não foram observadas batidas secas ou vibrações estruturais.

É um comportamento incomum entre as picapes nacionais e bastante próximo ao encontrado em utilitários esportivos de categoria superior.


Tecnologia

Além da boa central multimídia, a Rebel incorpora uma ampla lista de equipamentos voltados à conveniência e à segurança. Entre eles destacam-se:

  • carregador de celular por indução;
  • chave presencial;
  • partida remota;
  • freio de estacionamento eletrônico;
  • Auto Hold;
  • câmera de ré de alta definição;
  • sensores de estacionamento dianteiros e traseiros;
  • monitoramento da pressão dos pneus;
  • iluminação ambiente;
  • retrovisor interno eletrocrômico;
  • retrovisores externos com rebatimento elétrico.

Todos funcionaram de forma impecável durante nossa avaliação.


Vida a bordo

Ao final de vários dias de utilização intensa, uma conclusão tornou-se inevitável: a Rampage Rebel consegue algo raro no universo das picapes. Ela faz o motorista esquecer que está dirigindo um veículo destinado também ao trabalho.

O conforto dos bancos, a ergonomia, a qualidade construtiva, o silêncio interno e o elevado nível tecnológico criam uma experiência muito próxima daquela proporcionada por SUVs premium significativamente mais caros, como já repetimos. Em um mercado dominado há décadas por picapes construídas sobre chassi de longarinas, a Ram tomou a decisão ousada ao desenvolver a Rampage. Em vez de seguir a fórmula tradicional, adotou uma arquitetura monobloco reforçada, amplamente evoluída para suportar as exigências de uma picape de uso misto.

À primeira vista, essa escolha poderia parecer um compromisso em relação à robustez. No entanto, basta dirigir a Rampage por alguns quilômetros para perceber que a decisão foi muito mais estratégica do que experimental. A plataforma não apenas suporta as exigências de carga e de uso fora do asfalto, como também proporciona um comportamento dinâmico inalcançável para a maioria das picapes médias tradicionais. Sem contar o custo mais baixo de produção.

Depois de duas semanas de testes em diferentes condições, fica evidente que a engenharia da Rampage é um dos seus maiores diferenciais. Para compreender a proposta da Rampage, é importante entender as duas filosofias construtivas predominantes no universo das picapes.

É o sistema utilizado por modelos como Toyota Hilux, Chevrolet S10, Nissan Frontier e Mitsubishi Triton. Nesse conceito, o veículo é formado por duas estruturas independentes:

  • um chassi metálico robusto, responsável por suportar esforços mecânicos e cargas;
  • uma carroceria fixada sobre esse chassi.

As vantagens são conhecidas: enorme capacidade para suportar torções extremas; excelente resistência ao uso severo; facilidade de reparos e alta capacidade para reboque.

Entretanto, se existem vantagens, as desvantagens são inevitáveis: maior peso; maior custo, centro de gravidade mais elevado; menor rigidez torcional do conjunto completo; tendência a vibrações; comportamento menos refinado em curvas e menos conforto em pisos urbanos.


Na Rampage, a carroceria e a estrutura fazem parte de um único conjunto. Isso permite distribuir os esforços por toda a carroceria, aumentando significativamente a rigidez estrutural. Os benefícios aparecem de imediato: a carroceria flete menos, a suspensão trabalha de maneira mais eficiente, os ruídos internos diminuem e as respostas ao volante tornam-se muito mais precisas.


Rigidez estrutural

Durante nosso teste, percorremos longos trechos de estradas de terra bastante deterioradas, em especial pelo Sul de Minas Gerais. Em muitas picapes convencionais, esse tipo de piso costuma provocar pequenas torções perceptíveis entre cabine e caçamba.

Na Rampage, praticamente não existe essa sensação. O veículo transmite a impressão de bloco único. Mesmo atravessando valetas profundas ou lombadas diagonais, não surgiram rangidos provenientes das portas ou do painel.

Essa rigidez influencia diretamente diversos aspectos da condução: menor fadiga estrutural; redução de ruídos; melhor precisão da suspensão; maior eficiência dos sistemas eletrônicos de estabilidade e sensação geral de qualidade superior.

É um daqueles atributos que dificilmente aparecem em uma ficha técnica, mas fazem enorme diferença no uso diário.


Suspensão

Na dianteira, a Rampage utiliza suspensão independente do tipo McPherson, configuração consagrada e mais comum hoje na indústria automotiva. Entretanto, é um erro imaginar que se trata de um sistema convencional, por conta de sua correta eficiência.

Os engenheiros da Ram recalibraram dentro desse conceito as molas, amortecedores, buchas e barras estabilizadoras, especificamente para aplicação na picape. O objetivo foi combinar três características normalmente difíceis de conciliar: conforto em uso urbano; estabilidade em alta velocidade e resistência no uso fora do asfalto. Na prática, conseguiram.

Durante a condução urbana, a suspensão absorve buracos, emendas de dilatação e paralelepípedos com eficiência impressionante. Não existem impactos secos transmitidos ao volante e os pneus mantêm correto contato com o solo. Mesmo pisos bastante deteriorados são filtrados de maneira progressiva pela Ram.

Na suspensão traseira temos um dos maiores trunfos da Rampage. Enquanto praticamente todas as picapes médias utilizam eixo rígido traseiro sustentado por feixes de molas ou molas helicoidais, a Rampage adota uma sofisticada suspensão independente multilink.

Essa solução muda completamente o comportamento do veículo. Cada roda traseira trabalha de forma independente. Quando apenas uma roda encontra um obstáculo, a outra permanece praticamente inalterada.E isso reduz significativamente os movimentos laterais da carroceria e também diminui o conhecido efeito de “quicar” presente em muitas picapes quando a caçamba está vazia.

Durante nosso teste em estradas de terra, essa característica ficou evidente. A traseira permaneceu estável, não ocorreram saltos excessivos e a suspensão copiou as irregularidades do terreno de forma eficiente. Em pisos ondulados, o ganho de conforto é enorme.

Outro aspecto interessante está na calibração adotada nos amortecedores. Muitas picapes priorizam capacidade de carga em detrimento do conforto, o que é a função primária desse tipo de veículo. O resultado é que, quando estão vazias, tornam-se excessivamente rígidas.

Na Rampage ocorreu exatamente o contrário. Mesmo sem carga, a suspensão trabalha]ou sempre de forma continua. Os amortecedores possuem excelente controle dos movimentos da carroceria, não existem oscilações excessivas após lombadas ou depressões e a carroceria sempre retornou de imediato à posição original.

Esse comportamento transmite enorme sensação de controle ao motorista. Talvez seja aqui que a Rampage mais surpreenda. Em curvas rápidas de rodovias, o comportamento está muito mais próximo de um SUV do que de uma picape. A carroceria inclina pouco, a distribuição de massas favorece mudanças rápidas de direção os controles eletrônicos atuam apenas quando realmente necessários.

Mesmo conduzindo de forma mais esportiva, dificilmente o motorista percebe intervenções bruscas do controle de estabilidade. O limite de aderência é elevado, e por isso mesmo, em se tratando de uma picape alta e pesada, as implacáveis leis da física continuam presentes, o que coloca limite em certos abusos. Mas a margem de segurança oferecida é claramente superior à média do segmento.


Direção e Freios

A assistência elétrica da direção também merece elogios. Em baixa velocidade, o volante é extremamente leve, e manobrar uma picape de mais de cinco metros torna-se tarefa surpreendentemente simples. À medida que a velocidade aumenta, a assistência diminui progressivamente e o volante fica mais pesado. E em curvas rápidas, a precisão impressionou.

A direção possui relação relativamente direta para uma picape. A relação é de 14,6:1, o que se traduz em cerca de 2,8 voltas do volante de batente a batente. Mesmo pequenos movimentos do volante provocam respostas imediatas. Não existe a sensação de lentidão de reação típica de veículos maiores.

Nos freios, a Rampage utiliza discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira. Durante nosso teste, realizamos sucessivas frenagens intensas em diferentes velocidades. O sistema mostrou excelente resistência ao fading, e mesmo após várias desacelerações fortes consecutivas, o pedal permaneceu firme.

A modulação foi sempre precisa, o sistema ABS trabalha de forma discreta e o controle eletrônico distribui a força de frenagem com eficiência. Em pisos molhados, o comportamento permaneceu bastante previsível.


Conforto em viagens

Percorremos centenas de quilômetros em rodovias de boa qualidade. O resultado impressionou. A Rampage viaja com enorme estabilidade direcional e o volante exige poucas correções. O isolamento acústico reduz significativamente a fadiga, a suspensão absorve pequenas ondulações sem transmitir desconforto aos ocupantes e, em velocidades de cruzeiro, a sensação é de estar conduzindo um SUV de luxo.

Esse é o típico comportamento que incentiva viagens longas. Mesmo após quatro ou cinco horas ao volante, o motorista permanece descansado e poucas picapes conseguem proporcionar esse nível de conforto. Mas foi nas estradas de terra que a calibração da suspensão mostrou toda sua competência. Em pisos de cascalho, a Rampage manteve excelente tração, a direção sempre precisa, e os amortecedores controlaram muito bem as oscilações.

Mesmo trafegando em velocidade relativamente elevada para o local, a carroceria permaneceu estável, a frente sempre apontando para a direção certa e não observamos movimentos laterais exagerados. A suspensão copia o terreno sem transmitir impactos violentos para os ocupantes, num comportamento que inspira confiança.


Capacidade de carga

Naturalmente, uma suspensão mais refinada como a da Rampage desperta dúvidas sobre sua capacidade de trabalho. Durante nossa avaliação, transportamos cargas próximas ao limite permitido. A carroceria baixou dentro do esperado, o comportamento permaneceu equilibrado e a estabilidade não foi comprometida.

O sistema mostrou excelente capacidade para conciliar conforto e resistência. É evidente que uma picape de chassi tradicional ainda leva vantagem em aplicações extremamente severas e uso agrícola contínuo. Mas, para o perfil da maioria dos consumidores brasileiros, a engenharia aplicada na Rampage oferece um equilíbrio muito mais interessante.

O verdadeiro diferencial da Rampage não está apenas no motor ou na lista de equipamentos. Sua maior qualidade é a forma como todos os componentes trabalham em conjunto. A plataforma rígida, a suspensão independente nas quatro rodas, a direção precisa, os freios eficientes e a excelente calibração eletrônica criam uma experiência de condução interessante no segmento.

Ela não tenta ser uma picape de trabalho pesado como uma de uma tonelada de capacidade montada sobre chassi, e também não pretende ser apenas um SUV com caçamba. A Rampage criou uma categoria própria, a das picapes médias de luxo, entregando comportamento dinâmico extremamente refinado sem abrir mão da robustez necessária para enfrentar estradas ruins quando necessário, transportar carga e explorar trilhas de dificuldade moderada.

Motor

Durante o lançamento da Rampage, uma pergunta era recorrente entre os jornalistas especializados: por que uma picape com acabamento sofisticado, excelente dinâmica e proposta premium utilizava um motor a diesel que, embora confiável, parecia trabalhar constantemente próximo do seu limite?

A resposta surgiu pouco tempo depois, no final de 2024, já como linha 2025. Os engenheiros da Stellantis já trabalhavam em uma evolução da “família” Multijet, destinada a atender normas de emissões mais rigorosas, aumentar a eficiência energética e, principalmente, entregar um desempenho compatível com o posicionamento da marca Ram.

O resultado foi o motor 2.2 Turbodiesel Multijet II, um propulsor profundamente revisado, que foi muito além do simples aumento de cilindrada. Embora externamente lembre o antigo 2.0, trata-se de um conjunto mecânico amplamente redesenhado, com melhorias em praticamente todos os componentes críticos. Não é exagero afirmar que este motor mudou completamente a personalidade da Rampage diesel.

Os motores turbodiesel modernos enfrentam um desafio complexo. Não basta entregar potência. Eles precisam combinar baixo consumo, oferecer torque abundante em baixas rotações, ter emissões reduzidas, durabilidade elevada e funcionamento silencioso. Na prática, trata-se de um complexo exercício de busca de equilíbrio.

A Stellantis optou por privilegiar a característica mais importante para uma picape: o torque disponível logo acima da marcha lenta. Em vez de buscar números elevados de potência máxima em rotações altas, o novo 2.2 foi desenvolvido para oferecer força praticamente instantânea, tornando a condução mais agradável em qualquer situação.

Essa filosofia fica evidente ao rodar com a Rampage Rebel. Não há necessidade de acelerar profundamente para colocar a Rampage em movimento. Pequena pressão no pedal do acelerador é são suficiente para deslocar quase duas toneladas com surpreendente facilidade.

O aumento da cilindrada em 200 cm3 pode parecer modesto à primeira vista. Entretanto, passar de aproximadamente 2,0 litros para 2,2 litros representa um ganho significativo de volume deslocado em cada ciclo do motor.

Na prática, isso significa maior quantidade de ar admitida, maior volume de combustível queimado de forma controlada e, consequentemente, mais torque disponível.

O resultado aparece nos números:

  • Potência máxima de 200 cv.
  • Torque máximo de 45,9 mkgf disponível em rotações muito baixas.
  • Respostas mais rápidas ao acelerador.
  • Menor esforço mecânico para mover o veículo.

Mas limitar a análise apenas aos números seria injusto. O grande mérito do novo propulsor está na maneira como entrega essa força.

O bloco do motor continua sendo construído em ferro fundido de alta resistência. Alguns podem questionar essa escolha em uma época em que muitos fabricantes utilizam alumínio nos blocos. No caso de motores diesel, entretanto, o ferro ainda oferece vantagens importantes.

A combustão em motores de ignição por compressão ocorre sob pressões extremamente elevadas. Essas pressões geram enormes esforços sobre cilindros, mancais e virabrequim. O ferro fundido suporta essas cargas durante centenas de milhares de quilômetros com deformação mínima.

Além disso, apresenta excelente estabilidade térmica, característica importante em aplicações severas como reboque, transporte de carga e uso prolongado sob altas temperaturas. Durante nossos testes, mesmo após longos trechos em subida e temperatura ambiente elevada, o motor permaneceu com funcionamento absolutamente estável.

O cabeçote de alumínio recebeu importantes revisões. Os dutos de admissão, por exemplo, foram reprojetados para melhorar a turbulência do ar dentro da câmara de combustão. Isso pode parecer um detalhe pequeno mas na realidade esse fluxo controlado é fundamental. Quanto melhor o ar se mistura ao diesel pulverizado pelos injetores, mais eficiente torna-se a combustão. Os benefícios aparecem em diversos aspectos:

  • menor consumo;
  • menor emissão de partículas;
  • funcionamento mais silencioso;
  • aumento do torque;
  • redução das vibrações.

Outro componente profundamente revisado foram os pistões. Seu formato passou por alterações visando otimizar o processo de combustão. A geometria da cavidade superior controla o movimento do ar comprimido, favorecendo uma queima mais homogênea.

Além disso, os novos materiais empregados suportam temperaturas superiores às encontradas na geração anterior. Essa evolução permite trabalhar com pressões de combustão mais elevadas sem comprometer a durabilidade.


Pistões e bielas em motores diesel modernos, são componentes trabalham sob esforços gigantescos. Cada detonação dentro do cilindro produz forças muito superiores às encontradas em motores a gasolina ou etanol. Por isso, bielas e virabrequim passaram por reforços estruturais, não só com o objetivo de apenas suportar maior torque. Também buscaram reduzir vibrações torsionais e aumentar a suavidade de funcionamento. O resultado é um motor claramente mais refinado e de baixa vibração.

Grande parte da eficiência do novo Multijet II está no sofisticado sistema de injeção Common Rail. Ao contrário dos antigos motores diesel, nos quais a quantidade de combustível era determinada por bombas mecânicas, aqui tudo é controlado eletronicamente. Uma bomba de alta pressão envia combustível para um tubo acumulador, o chamado common rail. A partir desse reservatório pressurizado, os injetores recebem diesel em pressão extremamente elevada.

Essa estratégia oferece enorme precisão. Em vez de realizar apenas uma injeção por ciclo, o sistema pode executar diversas micro-injeções durante a mesma combustão. Essas pequenas pulverizações trazem vantagens importantes: redução do ruído típico dos motores diesel; combustão mais completa; menor consumo; redução de fumaça e aumento da eficiência térmica. É uma tecnologia invisível para o motorista, mas decisiva para o comportamento refinado do motor.

O turbo é, sem dúvida, um dos protagonistas deste conjunto mecânico. Ao contrário dos turbocompressores convencionais, que possuem geometria fixa, o sistema adotado pela Rampage utiliza palhetas móveis. Essas palhetas alteram continuamente o fluxo dos gases de escapamento que movimentam o equipamento.

Quando o motor gira em baixa rotação, as palhetas se fecham parcialmente. Isso acelera os gases, o turbo enche mais rapidamente e o torque se manifesta quase de imediato. Em rotações elevadas ocorre o processo inverso: as palhetas se abrem, o fluxo aumenta, evita excesso de pressão e melhora a eficiência; praticamente desaparece o conhecido “turbo lag”. Por isso o motorista sente força disponível desde as rotações mais baixas.

Mas tem mais. Ao comprimir o ar admitido, o turbocompressor aumenta significativamente sua temperatura. Ar quente possui menor densidade e, por consequência, contém menos oxigênio. É justamente aí que entra em ação o intercooler.

É uma espécie de radiador ar-ar, e sua função consiste em resfriar o ar antes que ele entre na câmara de combustão. Quanto menor a temperatura do ar admitido, maior a quantidade de oxigênio, melhor a combustão, maior o torque e menor o consumo.

Durante nosso teste, mesmo enfrentando clima quente, o motor manteve desempenho constante. Esse comportamento demonstra a boa eficiência do sistema de arrefecimento do ar admitido.

Quem controla tudo isso é a central eletrônica, que monitora centenas de parâmetros por segundo, como pressão do turbo, quantidade de combustível, avanço da injeção, temperatura do motor, temperatura dos gases de escapamento, posição do acelerador, carga do veículo, altitude e qualidade da combustão.

Com essas informações, o sistema ajusta continuamente o funcionamento do motor. O objetivo é sempre o mesmo: extrair o máximo desempenho consumindo a menor quantidade possível de combustível. Por fim, a questão de emissões. Os motores a diesel modernos são muito mais limpos do que aqueles produzidos há apenas duas décadas.

No caso da Rampage, isso é possível graças à combinação de diferentes sistemas. O filtro de partículas (DPF) retém praticamente toda a fuligem produzida durante a combustão. Periodicamente ocorre a regeneração automática, queimando essas partículas acumuladas.

Já o sistema SCR utiliza ARLA 32 para reduzir drasticamente a emissão de óxidos de nitrogênio. Esse processo químico transforma gases potencialmente nocivos em nitrogênio e vapor d’água.

O motorista quase não percebe o funcionamento desses sistemas. Apenas precisa manter o reservatório de ARLA 32 abastecido conforme indicado pelo veículo. Há um bocal junto ao de abastecimento do diesel para isso e um indicador de nível no painel.


Como anda

Depois de compreender toda a engenharia por trás da picape e do novo motor 2.2 Turbodiesel Multijet II, chega o momento de responder à pergunta mais importante: como toda essa tecnologia se traduz no uso?

É comum que as fichas técnicas impressionem no papel, mas não produzam a mesma sensação que se obtem ao volante. Com a Rampage Rebel ocorreu isso. Os números divulgados já são convincentes, porém a experiência de condução supera as expectativas, especialmente para quem conheceu a versão equipada com o antigo 2.0 turbodiesel.

Durante os dias de avaliação, submetemos a picape a um roteiro semelhante ao de um proprietário real. Foram centenas de quilômetros percorridos em trânsito urbano, rodovias duplicadas, serras, estradas vicinais, pisos ruins, trechos muito enlameados e percursos com carga na caçamba. Em cada ambiente, o novo conjunto mecânico revelou uma personalidade bastante distinta da geração anterior.

Logo ao girar a chave, chama a atenção o refinamento do motor. Ainda existe de fundo o característico ruído de um turbodiesel de quatro cilindros, mas ele é mais discreto e menos metálico. Em marcha lenta, a vibração transmitida ao volante e aos pedais é mínima.

Ao selecionar a posição “D” da transmissão automática de nove marchas e aliviar o pedal do freio, a Rampage começa a se mover suavemente, sem exigir aceleração. Esse comportamento facilita muito as manobras em garagens e congestionamentos.

Nas primeiras acelerações, percebe-se imediatamente a maior disponibilidade de torque. O motor responde com vigor desde rotações muito baixas, eliminando a sensação de esforço observada na versão anterior.

No ambiente urbano, a principal qualidade do novo 2.2 é a elasticidade. Em velocidades entre 30 e 60 km/h, o motor trabalha quase sempre abaixo das 2.000 rpm. Ainda assim, basta um leve toque no acelerador para que a picape se transforme e acompanhe o fluxo do trânsito com facilidade.

A transmissão automática exerce papel fundamental nessa situação. As nove marchas permitem manter o motor em sua faixa ideal de torque praticamente o tempo todo. Em condução tranquila, o câmbio antecipa as trocas para privilegiar economia. Quando o motorista exige aceleração mais intensa, as reduções são rápidas e quase imperceptíveis.

Outro ponto positivo é a ausência de hesitação. Em muitos turbodiesel modernos, existe um pequeno atraso (delay) entre a solicitação do acelerador e a resposta do turbo, o tal turbo lag que falamos antes. Na Rampage, esse intervalo foi reduzido a um nível quase imperceptível.

Mas é na estrada que o novo 2.2 revela todo o seu potencial. Mantendo velocidade de cruzeiro entre 100 e 120 km/h, o motor gira em baixas rotações graças às relações longas da nona marcha. Isso reduz o consumo, o ruído e a fadiga em viagens longas.

Ao solicitar uma ultrapassagem, o câmbio reduz uma ou duas marchas rapidamente e o torque abundante entra em ação. A resposta é vigorosa, transmitindo segurança mesmo quando o veículo está carregado.

Em comparação com a antiga versão 2.0, a diferença é marcante. Antes, algumas ultrapassagens exigiam planejamento mais cuidadoso. Agora, a aceleração é muito mais imediata, diminuindo o tempo de exposição na faixa contrária.

Os trechos de serra nas estradas representam um excelente laboratório para avaliar um turbodiesel moderno. Em aclives longos, a Rampage mantém velocidade elevada sem necessidade de reduções frequentes. O torque disponível desde baixas rotações permite vencer inclinações acentuadas utilizando marchas altas, reduzindo o esforço mecânico e o consumo.

Em curvas fechadas seguidas de retomadas, o motor responde prontamente, demonstrando que a calibração entre turbo e transmissão foi cuidadosamente trabalhada.

Necessariamente uma picape precisa manter desempenho consistente mesmo transportando peso. Durante nossa avaliação, utilizamos carga próxima (pouco menos de 1 tonelada) ao limite recomendado (1015 kg) para verificar o comportamento do conjunto.

Naturalmente, a aceleração se torna um pouco mais lenta, mas a perda de desempenho é menor do que se poderia imaginar. O motor continua oferecendo torque suficiente para arrancadas em rampas, retomadas e ultrapassagens, sem transmitir sensação de sobrecarga. O 2.2 Turbodiesel, sem carga, com seus 200 cv e 45,9 mkgf máximos, vai de zero a 100 km/h em 9,7 segundos e chega a 196 km/h.

O câmbio também adapta sua estratégia, mantendo marchas mais curtas por mais tempo para aproveitar a faixa de torque máximo.



Consumo

O ganho de desempenho não comprometeu a eficiência. Em nosso roteiro de medição de consumo, obtivemos médias bastante competitivas para uma picape desse porte: Cidade, entre 10 e 11 km/l, dependendo da intensidade do trânsito, e Estrada, entre 13,5 e 14,7 km/l mantendo velocidades compatíveis com os limites legais. O consumo oficial da Ram Rampage Rebel 2.2 Turbodiesel, segundo o Inmetro, é de 10,6 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada. No entanto, testes reais indicam as médias de consumo melhores.

Com seu tanque de 60 litros, em percursos predominantemente rodoviários, a autonomia chega a 882 km, em condições favoráveis. Esses números demonstram que o aumento de cilindrada foi acompanhado por melhorias significativas de eficiência térmica.

Uma boa parcela do sucesso da Rampage deve-se ao excelente casamento entre motor e transmissão. As relações curtas das primeiras marchas favorecem arrancadas mais entusiasmadas, as marchas intermediárias mantêm o motor sempre dentro da faixa de torque ideal, e a nona marcha funciona praticamente como uma sobremarcha, reduzindo rotação em velocidade de cruzeiro.

Durante toda a avaliação, as trocas mostraram-se suaves e rápidas, e o funcionamento do câmbio silencioso e preciso. Em modo de trocas automáticas, dificilmente o motorista sente necessidade de utilizar as trocas manuais feitas pelas “borboletas” atrás do volante

Toyota Hilux 2.8 – A Hilux continua sendo referência em robustez e confiabilidade para aplicações severas. Seu motor oferece excelente torque, mas transmite mais vibração e ruído do que o conjunto da Rampage. No uso urbano, a Ram leva vantagem em conforto, refinamento e suavidade, sem contar o visual mais moderno.

Chevrolet S10 2.8 – O motor da S10 entrega desempenho convincente e boa elasticidade, mas a transmissão ZF de nove marchas da Rampage proporciona respostas mais refinadas e melhor aproveitamento da faixa de torque.

Mitsubishi Triton – A Triton evoluiu bastante em dirigibilidade e capacidade off-road, tem motor 2,4 turbodiesel, mas sua proposta continua claramente voltada ao uso em terrenos difíceis. Para quem prioriza conforto e comportamento rodoviário, a Rampage oferece uma experiência mais sofisticada.

Nissan Frontier – A Frontier destaca-se pela suspensão traseira multilink, solução semelhante em conceito à adotada na Rampage. Ainda assim, a arquitetura monobloco da Ram proporciona menor nível de vibração e comportamento mais próximo ao de um SUV.

Ford Maverick – Embora utilize motorização a gasolina turbo e proposta diferente, a Maverick é uma concorrente natural da Rampage em alguns mercados. Ela entrega desempenho muito bom em acelerações, mas o turbodiesel da Rampage oferece autonomia significativamente maior, melhor capacidade de carga e excelente aptidão para viagens longas.


A TRANSMISSÃO

Ao analisar uma picape moderna, é comum que toda a atenção recaia sobre o motor. Afinal, potência e torque costumam a dominar as discussões de mesa de bar entre entusiastas. No entanto, existe um componente igualmente importante para transformar esses números em desempenho real: a transmissão.

Na Ram Rampage Rebel, o motor 2.2 Turbodiesel encontrou uma parceira praticamente ideal na caixa de câmbio automática de nove velocidades. Mais do que simplesmente trocar marchas, ela interpreta continuamente o estilo de condução, a inclinação da pista, a aderência do piso, a carga transportada e a posição do acelerador, para manter o conjunto sempre trabalhando na faixa de maior eficiência.

É justamente essa integração entre motor, câmbio e sistema de tração que explica por que a Rampage parece muito mais ágil do que seus quase 2.000 kg (exatos 1.951 kg) sugerem.

Durante décadas, as transmissões automáticas de quatro ou cinco marchas representavam um compromisso inevitável. As relações curtas favoreciam aceleração, mas aumentavam o consumo e o ruído em velocidade de cruzeiro. Relações longas reduziam o consumo, porém sacrificavam retomadas.

Com nove marchas disponíveis, esse dilema praticamente desaparece. Como vimos, as primeiras relações são bastante curtas, permitindo arrancadas vigorosas mesmo em aclives ou com carga. As intermediárias mantêm o motor permanentemente na faixa de torque máximo, enquanto as últimas marchas funcionam como sobremarchas, reduzindo a rotação durante viagens.

Uma das maiores virtudes dessa transmissão ZF é justamente sua discrição. Em condução tranquila, as trocas ocorrem com extrema suavidade. Em muitos momentos, apenas o conta-giros denuncia que uma nova marcha foi selecionada. Mesmo acelerações moderadas dificilmente provocam reduções abruptas.

Quando é necessário obter desempenho máximo, entretanto, a lógica muda completamente. Ao pressionar com rapidez o acelerador, a transmissão reduz duas, três ou até quatro marchas em sequência, colocando imediatamente o motor na faixa de maior torque. Essa rapidez é que transmite enorme sensação de segurança durante ultrapassagens.


A transmissão da Rampage não segue programação fixa. Ela adapta continuamente de maneira eletrònica sua estratégia ao estilo de condução. Durante nossa avaliação foi possível perceber claramente esse comportamento. Após vários quilômetros dirigindo de maneira tranquila, o câmbio passou a privilegiar trocas antecipadas, mantendo o motor sempre em baixas rotações.

Bastaram alguns minutos de condução mais esportiva para que toda a lógica fosse modificada. As reduções passaram a ocorrer mais cedo, as marchas permaneceram engatadas por mais tempo e o motor passou a trabalhar em rotações mais elevadas.

Essa capacidade de adaptação torna a condução muito natural. Motor, transmissão, controle de estabilidade, direção elétrica e sistema de tração comunicam-se continuamente.

Diversos sensores monitoram parâmetros como:

  • posição do acelerador;
  • velocidade das rodas;
  • ângulo do volante;
  • aceleração lateral;
  • inclinação longitudinal;
  • temperatura do óleo da transmissão;
  • temperatura do motor;
  • carga do veículo;
  • nível de aderência.

Essas informações permitem que a eletrônica tome decisões em frações de segundo. É um trabalho praticamente invisível para o motorista, mas decisivo para a segurança e o desempenho.


Tração

A Rampage Rebel utiliza um sofisticado sistema de tração integral eletronicamente controlado. Em condições normais de aderência, praticamente toda a força é enviada ao eixo dianteiro. Essa estratégia reduz perdas mecânicas e melhora o consumo de combustível.

Entretanto, basta que sensores detectem qualquer tendência de escorregamento para que parte do torque seja transferida ao eixo traseiro. Esse processo ocorre em milissegundos, e o motorista sequer percebe que a redistribuição aconteceu.

O sistema sob demanda seleciona diferentes estratégias de funcionamento, sem necessidade de acionar botões. Outros conteúdos que auxilia a condução do modelo em diferentes tipos de terreno é o assistente de descida em rampa (HDC – Hill Descent Control) e o controle de tração. 


No uso

Existe uma frase bastante utilizada entre jornalistas automotivos mais experientes (uma raça em extinção): “os melhores carros são aqueles que desaparecem enquanto dirigimos”. Não significa que sejam carros insípidos, sem personalidade ou pouco envolventes. Pelo contrário. Significa que tudo neles funcionam de maneira tão natural, a ergonomia é bem resolvida e seu comportamento dinâmico é tão previsível que o motorista deixa de pensar no veículo e passa simplesmente a aproveitar a viagem.

Depois de aproximadamente quase 2000 quilômetros percorridos durante nossa avaliação, essa foi exatamente a sensação transmitida pela Ram Rampage Rebel 2.2 Turbodiesel. Sua maior virtude talvez não seja um item específico, mas a harmonia entre todos os componentes. Motor, transmissão, direção, suspensão, freios e eletrônica trabalham em boa sintonia, criando uma experiência de condução surpreendentemente refinada para uma picape.

Nossa avaliação começou em ambiente urbano, exatamente onde a maioria das picapes costuma revelar suas limitações. Trânsito intenso da eternamente congestionada São Paulo, ruas estreitas, lombadas, buracos, cruzamentos frequentes e inúmeras manobras de estacionamento representam um desafio para qualquer veículo, ainda por cima com mais de cinco metros de comprimento.

Curiosamente, bastaram poucos minutos para que essas dimensões deixassem de intimidar. A posição elevada de condução proporciona excelente visão do tráfego ao redor. O amplo para-brisa, os retrovisores externos de grandes dimensões e a boa resolução da câmera traseira facilitam significativamente as manobras.

A direção elétrica, extremamente leve em baixas velocidades, reduz o esforço necessário para estacionar. O raio de giro não é o menor da categoria, mas a precisão do volante compensa parcialmente essa característica.

Em poucos quilômetros, o motorista passa a conduzir a Rampage com a mesma naturalidade de um SUV. Durante congestionamentos prolongados, comuns nas grandes cidades, por exemplo, a combinação entre o novo motor 2.2 e a transmissão automática de nove marchas mostra suas qualidades. A progressividade é constante, e não existem arrancadas bruscas nem hesitações.

Ao aliviar o pedal do freio, a picape desloca-se suavemente. Basta um toque no acelerador para que ela ganhe velocidade. Essa suavidade reduz significativamente a fadiga em deslocamentos urbanos. Outro aspecto positivo é o excelente isolamento acústico. Mesmo cercado por ônibus, caminhões e motocicletas, o interior permanece silencioso. Em marcha lenta, o motor diesel praticamente desaparece sob o eficiente tratamento acústico da cabine.

As ruas brasileiras representam um verdadeiro exercício de sobrevivência para qualquer veículo. Buracos profundos, lombadas, remendos de asfalto, tampas de bueiro desniveladas e pavimentos irregulares desafiam constantemente a engenharia dos fabricantes e são aceitos com passividade pelos usuários

Nesse cenário a Rampage surpreendeu. A suspensão independente nas quatro rodas absorve impactos com enorme competência. Em vez das tradicionais batidas secas que encontramos em muitas picapes, os movimentos são progressivos e a carroceria permanece controlada.

Mesmo passando rapidamente por imperfeições maiores, não surgem vibrações estruturais nem ruídos provenientes do painel. Como já dissemos, é um comportamento que lembra muito mais um utilitário esportivo de luxo do que uma caminhonete convencional.

Outro elemento que contribui para essa sensação é a direção. Em ambiente urbano, o volante exige esforço mínimo. Nas primeiras manobras, chega a causar estranheza para quem está acostumado com as picapes tradicionais.

Entretanto, basta ganhar velocidade para perceber que a assistência diminui gradualmente e o volante adquire peso. As respostas tornam-se extremamente previsíveis e essa progressividade inspira confiança desde os primeiros quilômetros.

Ao deixar o perímetro urbano e ingressar nas rodovias, a personalidade da Rampage Rebel muda novamente. A suspensão continua confortável, mas agora revela excelente controle da carroceria. Em velocidades próximas aos limites legais (de vez em quando acima deles, já que todos somos filhos de Deus), a estabilidade impressiona.

A carroceria permanece plana. Pequenas correções de volante são suficientes para manter a trajetória; mesmo sob rajadas laterais de vento, a picape transmite segurança. Boa parte desse comportamento deve-se à elevada rigidez estrutural do monobloco e ao eficiente trabalho da suspensão traseira multilink.


Poucos segmentos evoluíram tanto no Brasil quanto o das picapes premium. Há 20 anos, só malucos e irresponsáveis pensariam em cruzar o País a bordo de uma picape. Insanidades tipo “do Oiapoque ao Chui”. Hoje, veículos como a Rampage transformam longas viagens em experiências bastante agradáveis.

Durante nosso percurso rodoviário, percorremos centenas de quilômetros praticamente sem interrupções. Ao final da jornada, o nível de fadiga era surpreendentemente baixo, e diversos fatores contribuíram para isso.

Os bancos oferecem excelente apoio lombar; o isolamento acústico reduz o desgaste mental, a direção exige poucas correções, potência e torque disponíveis não permitem sustos, a suspensão filtra continuamente e bem as irregularidades, o motor trabalha em baixíssimas rotações graças à nona marcha e o ambiente interno é agradável. Tudo isso cria um ambiente extremamente favorável e relaxante.

Nas retomadas e ultrapassagens o motor 2,2 demonstra toda sua evolução. No modo automático, basta pressionar como se deve o acelerador. A partir disso a transmissão reduz rapidamente, o turbocompressor entra em ação e a força disponível empurra a Rampage com vontade.

As ultrapassagens tornam-se rápidas e previsíveis e em nenhum momento surgiu sensação de falta de potência. Mesmo em subidas nas estradas, o conjunto mantém excelente capacidade de aceleração.

Escolhemos uma ampla sequência de curvas para avaliar o comportamento dinâmico, na serra entre Águas da Prata (SP) e Poços de Caldas (MG), com cerca de 30 curvas de todos os tipos em sequência. Naturalmente, nenhuma picape deve ser conduzida como um esportivo, mas ainda assim, a Rampage surpreendeu.

A inclinação lateral da carroceria permaneceu contida, com baixo rolling. A direção comunicava claramente o nível de aderência disponível, os pneus mantiveram excelente contato com o asfalto e o controle de estabilidade atuou discretamente apenas quando realmente necessário.

As serras de rodovias representam um dos cenários mais exigentes para qualquer veículo. As subidas prolongadas exigem torque e as descidas colocam os freios à prova. Curvas sucessivas deixam claro o bom ou mau acerto da suspensão e foi justamente nesse ambiente que a Rampage consolidou sua excelente impressão.

Nas subidas, o motor 2.2 mantém velocidade elevada praticamente sem esforço e a transmissão raramente precisa reduzir mais de uma marcha. O torque abundante aparece cedo e as acelerações permanecem prontas e constantes. Já nas descidas, o câmbio utiliza inteligentemente as reduções, diminuindo o uso dos freios e inevitáveis fadigas.

Após mais de seis horas alternando cidade, rodovia e serra, a conclusão tornou-se inevitável: a Rampage Rebel figura entre as picapes mais confortáveis produzidas no Brasil. Sua dirigibilidade é realmente muito próxima dos SUVs mais sofisticados, como repetimos diversas vezes, do que de uma picape tradicional. É um veículo que convida o motorista a seguir viagem, e esse refinamento faz enorme diferença para quem percorre dezenas de milhares de quilômetros por ano.

Até aqui, a Rampage Rebel havia demonstrado qualidades suficientes para convencer qualquer motorista que procura conforto, tecnologia e desempenho ao trocar de “carro”. No entanto, uma picape 4×4 não pode ser avaliada apenas pelo comportamento no asfalto. Seu verdadeiro teste começa quando termina o piso bom.

Foi exatamente isso que fizemos. Ao longo de dois dias, levamos a Rampage para um roteiro composto por estradas de terra e todo tipo de piso ruim, onde a aderência praticamente desaparecia. Também simulamos situações comuns para muitos proprietários: transporte de carga, reboque de equipamentos e viagens para fazendas. O objetivo era simples: descobrir se todo o refinamento apresentado no asfalto comprometeria sua aptidão como picape.

Logo ao deixar o asfalto, percebemos que a suspensão mudou completamente a maneira como a Rampage interagia com o terreno. Enquanto picapes equipadas com eixo rígido traseiro costumam transmitir parte das irregularidades direto para a cabine, a suspensão independente da Ram trabalhou de forma muito mais progressiva.

Pedras soltas, erosões e “costelas de vaca” praticamente desaparecem sob as rodas. A carroceria se manteve estável e não houveram movimentos laterais bruscos. Você esquece rapidamente que está trafegando sobre um piso bastante irregular. Após uma noite de chuva, parte do nosso percurso transformou-se em um verdadeiro martírio para o sistema de tração integral.

O comportamento impressionou. O generoso torque do motor 2.2 exigiu alguma sensibilidade no acelerador, mas a eletrônica trabalhou continuamente para conter os exageros excessivos. Quando uma roda perdia contato efetivo com o solo, a distribuição de torque rapidamente alterava e o resultado era progressão constante.

Naturalmente, a utilização fora do asfalto aumenta o consumo. Durante nossos percursos em terra, lama e areia, registramos médias em torno de 8 km/l. Considerando o peso do veículo, o tipo de terreno e o elevado torque disponível, trata-se de resultado bastante satisfatório.

Ao retornar ao asfalto, as médias voltaram rapidamente aos níveis observados durante a avaliação rodoviária.

É importante compreender corretamente a proposta da Rampage para depois nãobficar reclamando à toa ou injustamente. Ela não foi concebida para competir com veículos preparados para situações extremas. Não possui bloqueios mecânicos de diferencial e também não oferece pneus específicos para trilhas pesadas.

Seu ambiente natural é composto por:

  • estradas rurais;
  • cidades;
  • fazendas;
  • propriedades agrícolas;
  • trilhas leves;
  • praias;
  • áreas de pesca;
  • campings;
  • turismo de aventura.

Dentro desse universo, mostra enorme competência. Ela atende exatamente ao perfil predominante do consumidor brasileiro desse tipo de veículo: durante a semana, circula com enorme conforto na cidade, e o fim de semana, enfrenta estradas de terra, leva equipamentos esportivo e motos. reboca pequenas embarcações ou visita propriedades rurai, sem qualquer dificuldade. É uma versatilidade rara.


Ao encerrar aproximadamente 2000 km de avaliação, a impressão geral permaneceu extremamente positiva.

A Rampage Rebel consegue reunir características normalmente conflitantes. É confortável sem ser frágil, é robusta sem ser desconfortável, é rápida sem consumir excessivamente e é refinada sem perder a essência de uma verdadeira picape.

Em especial, transmite enorme confiança ao motorista. Confiança esta que nasce da maneira como todos os sistemas trabalham em conjunto. O novo motor entrega torque abundante, a transmissão interpreta corretamente cada situação, a suspensão mantém a carroceria sob controle, a direção comunica bem o comportamento do veículo e a eletrônica atua apenas quando necessário.

O resultado é uma picape extremamente fácil de conduzir, mesmo por quem nunca teve experiência com veículos desse porte.

Segurança

Poucas picapes nacionais oferecem um “pacote” de segurança tão completo. Entre os principais recursos disponíveis destacamos:

  • frenagem autônoma de emergência;
  • alerta de colisão frontal;
  • controle de cruzeiro adaptativo;
  • assistente de permanência em faixa;
  • monitoramento de ponto cego;
  • detector de fadiga;
  • reconhecimento de placas de velocidade;
  • sensores de estacionamento dianteiros e traseiros;
  • câmera de ré de alta definição;
  • monitoramento da pressão dos pneus.

Durante a avaliação, todos esses sistemas funcionaram de maneira bastante discreta. Não existem alertas excessivamente invasivos e a eletrônica auxilia o motorista sem retirar sua autonomia.

Em termos de segurança passiva, a estrutura monobloco de elevada rigidez trabalha em conjunto com diversos dispositivos destinados à proteção dos ocupantes. Entre eles:

  • múltiplos airbags;
  • cintos com pré-tensionadores;
  • controle eletrônico de estabilidade;
  • controle de tração;
  • assistente de partida em rampa;
  • sistema de controle de descidas.

A rigidez estrutural também contribui para preservar o habitáculo em caso de impactos.


Qual comprar?

A resposta depende do perfil do proprietário. Escolha a Rampage Rebel se você procura:

  • conforto semelhante ao de um SUV;
  • excelente desempenho rodoviário;
  • tecnologia embarcada;
  • interior sofisticado;
  • baixo nível de ruído;
  • uso misto entre cidade e estrada;
  • viagens frequentes.

Prefira uma picape tradicional se sua prioridade absoluta for:

  • trabalho extremamente pesado e bruto;
  • implementos agrícolas;
  • mineração;
  • transporte diário de carga máxima;
  • uso profissional contínuo em terrenos muito severos.

Ao considerar acabamento, desempenho, tecnologia, conforto, segurança e eficiência energética, a Rampage Rebel apresenta uma das propostas mais equilibradas disponíveis atualmente no mercado brasileiro. Ela não pretende substituir uma picape de serviço pesado e também não quer competir direto com um SUV de luxo.

Sua maior qualidade consiste justamente em unir características de ambos os universos. Essa combinação explica o sucesso comercial obtido desde seu lançamento e consolidado com a chegada do motor 2.2 Turbodiesel.


Quando a Ram apresentou a Rampage ao mercado brasileiro, a expectativa era enorme. Afinal, tratava-se do primeiro modelo da marca desenvolvido especificamente para a América Latina, produzido no Brasil e destinado a disputar um segmento em plena expansão. O projeto era moderno, o acabamento surpreendia e o comportamento dinâmico colocava a picape em um patamar pouco comum entre seus concorrentes. Havia ainda um grau de parentesco com a Dodge, que para os brasleiros é uma saudosa referência.

Havia, entretanto, um detalhe que impedia a obra de ser considerada completa. O antigo motor 2.0 turbodiesel era competente, econômico e confiável, mas não conseguia explorar todo o potencial do conjunto. A plataforma aceitava mais potência, a suspensão suportava mais desempenho e a transmissão de nove marchas podia trabalhar com um motor mais vigoroso. Faltava apenas um “coração” mais saudável, capaz de acompanhar o restante da engenharia aplicada nela.

Com a chegada do novo 2.2 Turbodiesel, essa lacuna desapareceu. Ao final de nossa avaliação em diferentes cenários, fica evidente que a Rampage atingiu muito rápido sua maturidade técnica.


Durante todo o período de testes, um aspecto permaneceu constante: o equilíbrio. Não existe um único item cercado por deficiências importantes (fora os alto-falantes…). Ao contrário. Motor, transmissão, suspensão, direção, eletrônica, acabamento e ergonomia evoluem na mesma direção. Esse tipo de coerência é raro na indústria automotiva.

Normalmente um veículo impressiona pelo desempenho, mas decepciona no conforto. Ou oferece excelente tecnologia, porém deixa a desejar na qualidade construtiva. Na Rampage Rebel, praticamente todos os componentes apresentam nível elevado, o que faz enorme diferença na experiência diária.


Talvez o maior mérito da Rampage -em qualquer versão- esteja justamente onde poucas picapes conseguem se destacar. O conforto. A suspensão independente nas quatro rodas transforma completamente o comportamento do veículo e as irregularidades do piso são absorvidas com eficiência.

A carroceria permanece estável, o isolamento acústico reduz drasticamente o ruído percebido na cabine, os bancos oferecem excelente ergonomia e ao final de longas viagens, o motorista desembarca muito menos cansado do que normalmente ocorre em picapes tradicionais.

Claro que nem tudo é perfeito. Alguns poucos pontos podem ainda evoluir. Seria muito pedir uma versão com motor V8, mas o banco traseiro poderia oferecer inclinação um pouco maior do encosto para aumentar o conforto em viagens muito longas; alguns comandos importantes permanecem concentrados na central multimídia, exigindo maior atenção do motorista, e em uso off-road realmente severo, pneus de características mais agressivas fariam melhor aproveitamento da excelente capacidade do sistema de tração. Nenhum desses pontos compromete a qualidade geral do veículo, mas representam oportunidades para futuras atualizações.


Cusrando R$ 252.990, a resposta é sim. A chegada do motor 2.2 Turbodiesel fez exatamente aquilo que uma atualização importante deve fazer: não alterou a essência do veículo, apenas eliminou sua principal limitação e mudou seu patamar para cima.

Hoje, a Rampage Rebel apresenta um conjunto extremamente coerente. É confortável na cidade, silenciosa na estrada, segura em viagens, visualmente bonita, competente fora do asfalto, tecnológica e bem construída. E possui desempenho compatível com o emblema Ram estampado dianteira.

Poucos lançamentos nacionais dos últimos anos evoluíram de maneira tão consistente em tão pouco tempo. A Rampage já nasceu com excelente projeto estrutural, acabamento de alto nível e comportamento dinâmico diferenciado. Faltava apenas um motor diesel capaz de explorar todo esse potencial. O novo 2.2 Turbodiesel resolveu essa questão de forma definitiva.

Sem recorrer a soluções extravagantes ou promessas exageradas, a Ram entregou uma picape que reúne conforto, tecnologia, desempenho e robustez em um equilíbrio raro no mercado brasileiro. Ela talvez não seja a melhor escolha para quem passa os dias transportando carga pesada em operações severas. Mas para a enorme maioria dos consumidores —aqueles que usam a picape como veículo de trabalho, lazer e família ao mesmo tempo— a Rampage Rebel se destaca como uma das propostas mais completas e bem executadas atualmente disponíveis no mercado brasileiro.

Mais do que uma simples atualização mecânica, a adoção do novo motor consolidou a Rampage Rebel como uma referência entre as picapes premium a diesel produzidas no Brasil. E isso explica por que ela deixou de ser apenas uma promessa interessante para se tornar, efetivamente, uma das melhores opções do segmento.


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