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Capricorn 01 Zagato, o hipercarro analógico

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O história da alemã Capricorn é discreta, mas a marca já teve participação em grandes projetos de automóveis.

A indústria automotiva não tem outra opção a não ser acelerar rumo à eletrificação, mas ainda há quem resista à essa corrente. O Capricorn 01 Zagato é um desses raros exemplos. Este hypercar totalmente analógico nasceu da colaboração entre o histórico estúdio italiano de desenho Zagato e a empresa alemã Capricorn, mais conhecida no setor pelo desenvolvimento de componentes de alto desempenho para marcas como Bugatti, McLaren e Porsche.

por Ricardo Caruso

De acordcom com a imprensa internacional, o modelo combina engenharia artesanal e visual clássico, deixando de lado a tendência dos sistemas híbridos ou elétricos, asas e down force. O objetivo é devolver ao motorista a experiência pura da condução, filosofia que o chefão da Capricorn descreve como “a arte de dominar a máquina, e não de ser dominado por ela”.

Com apenas 19 unidades previstas para serem produzidas, o 01 Zagato promete exclusividade em nível máximo. O número de unidades escolhido é alusão ao ano de fundação da Zagato (1919), relembrando a herança histórica e a atenção a cada detalhe que caracterizam o projeto e o passado da empresa.

O “coração” do Capricorn 01 é um motor 5.2V8 superalimentado, desenvolvido a partir de uma base Ford (Mustang GTD) totalmente modificada. A potência máxima chega a 887 cv e o torque máximo é de 100 mkgf. Traduzindo isso para a vida prática, esses números permitem acelerações de zero a 100 km/h em menos de três segundos e velocidade máxima de 360 km/h.

A transmissão é manual de cinco velocidades, com esquema de engate dog-leg (padrão de câmbio manual onde a primeira e a segunda marchas são separadas por um layout em “L” na guia), pensada para um controle direto e mecânico dos engates. Nada de “borboletas” no volante nem software de apoio à condução; o prazer ao dirigir está todo nas mãos -e nos pés- do motorista.

A carroceria é toda em fibra de carbono, e envolve um monobloco ultraleve que permite manter o peso do carro em torno dos 1.200 kg. O desenho, obviamente assinado pela Zagato, privilegia linhas limpas e elegantes em detrimento de asas exageradas ou penduricalhos aerodinâmicos.

Ao invés disso, a aerodinâmica é trabalhada internamente, com dutos e difusores que gerenciam o caminho do ar de forma sutil, proporcionando estabilidade sem comprometer a estética. O resultado é um interessante equilíbrio entre a sofisticação visual italiana e a precisão técnica alemã, como muitos dizem, a melhor receita de todas para um carro.

O interior é uma homenagem à condução “em modo analógico”: instrumentação clássica, botões metálicos, acabamentos em couro Connolly e Alcântara, e a possibilidade de optar por detalhes em carbono exposto. Cada um dos 19 exemplares poderá ser personalizado ao gosto do freguês.

Com preço rondando os US$ 3,5 milhões (R$ 18,7 milhões!), o Capricorn 01 Zagato será fabricado na Alemanha e distribuído por mercados selecionados —Europa, Japão, Canadá, México e Oriente Médio— ficando de fora dos Estados Unidos devido às restrições de homologação e do Brasil por falta de compradores.

Segundo a imprensa especializada internacional, o 01 Zagato não pretende ser o mais rápido nem o mais tecnológico dos supercarros, mas sim o mais puro deles. É tão tecnológico quanto um Fusca em termos de eletrônica. É uma celebração da engenharia mecânica e da experiência humana de pilotar. É um verdadeiro manifesto contra a era dos algoritmos e da automação, dirigido a quem ainda valoriza o som de um V8 urrando e o clique metálico dos engates de marchas de uma caixa de câmbio manual.

Resumindo: o Capricorn 01 Zagato é mais do que um novo hypercar: é um lembrete de que, mesmo em plena era digital, a paixão envolvendo automóveis continua a ter som, cheiro e tato.


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