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Chevrolet/GMC: cinco conceitos esquecidos de picapes

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Antes mesmo de entrar no processo de decadência em que se encontra atualmente, a General Motors acumulou um longo histórico de lançar concept trucks (picapes-conceito) que eram impressionantes, mas que simplesmente desapareceram após o término de suas turnês pelos salões de automóveis. Algumas dessas picapes até tiveram parte de suas tecnologias e recursos chegando aos modelos de produção, mas a grande maioria foi engolida pelo silêncio do tempo e jazem em armazéns escuros, nunca mais mostrando suas caras outrora cuidadosamente polidas ao mundo. 

por Ricardo Caruso

E quais conceitos esquecidos de picapes da Chevrolet e da GMC foram os mais interessantes? O que a General Motors escolheu produzir no lugar desses flertes pontuais com o futuro? Aqui está a análise de AUTO&TÉCNICA, mostrando cinco dos conceitos mais impressionantes da GM nesse terreno de utilitários, mas que nunca chegaram à produção.

O que foi isso?

O final dos anos 1980 foi um período de transição para as montadoras, que adotaram uma série de novas tecnologias que encerrariam a “Malaise Era” (“Era do Mal-Estar”) e introduziriam desenhos e projetos de veículos mais avançados. Isso tornou os conceitos da época bastante ousados ​​em termos de apresentação visual, e o GMC Centaur não foi exceção.

O termo “era do mal-estar” refere-se ao período da indústria automotiva dos Estados Unidos situada, entre o início da década de 1970 até meados da década de 1980, caracterizado por produtos de má qualidade e um mal-estar generalizado na indústria. Foram tempos de profundo ajustamento, à medida que a indústria se adaptava para satisfazer exigências totalmente novas de produtos mais eficientes em termos de combustível, segurança e ambientalmente responsáveis.

Projetado para dividir a diferença entre carros e picapes, o Centaur adotou um visual alongado, ultrafuturista na frente e com uma caçamba longa atrás.

Por que nunca foi construído?

O AMC Eagle 1979 (abaixo), foi o primeiro verdadeiro crossover, mas não foi exatamente um grande sucesso de vendas, enquanto a picape Chevrolet El Camino tinha sido aposentada no ano anterior. Então não havia um caminho claro no mercado para um modelo excêntrico como o Centaur.

Havia no Centaur o sistema de direção nas quatro rodas, combinado com o motor V6 traseiro posicionado sob a caçamba. Este último era um projeto de engenharia que proporcionava dinâmica de direção estranha com o carro vazio e um empurrão assustador com o carro totalmente carregado.

O que recebemos em vez disso?

Basta observar o Centaur para ver claramente nele as raízes das interessantes minivans Chevrolet Lumina/ Pontiac Trans Sport/ Oldsmobile Silhouette que seriam lançadas apenas alguns anos depois.

Na verdade, o Centaur estava mais próximo do produto final do que o conceito Pontiac Trans Sport (foto acima), que havia surgido em 1986. No que diz respeito às picapes, foi preciso esperar até 2002 para que a GM introduzisse o “Quadrasteer” em suas picapes de tamanho normal. Era um sistema de direção nas quatro rodas desenvolvido pela GM e pela Delphi para as picapes grandes, disponível entre 2002-2005, 

O que foi isso?

O nome Chevrolet Cheyenne remonta à década de 1970, quando foi usado pela primeira vez para batizar versões especialmente sofisticadas das picapes da linha C/K. Em 2003, o nome foi revivido para um conceito incomum que apresentava uma série de recursos não encontrados normalmente no mercado de picapes.

Entre eles, os mais interessantes eram o chassi de alumínio, o uso de suspensão traseira independente em vez de um eixo rígido e um capô curto que reduzia o balanço dianteiro da picape. Um sistema de compartimentos de armazenamento integrados e portas de acesso lateral para a caçamba também foram incluídos, juntamente com um piso de carga bastante baixo, possibilitado pela configuração compacta do conjunto de suspensão traseiro.

Por que nunca foi construído?

Embora o sistema de direção nas quatro rodas do Cheyenne já estivesse em uso em várias picapes da GM (como mencionado antes), era difícil entender por que a Chevrolet abandonaria a sua plataforma de picape com estrutura de aço e eixo rígido — na qual confiava há décadas — que era robusta e mais barata de construir.

A gasolina ainda era barata o suficiente para deixar preocupações como o peso do veículo em segundo plano, e a marca já tinha um sistema de gerenciamento de carga disponível na picape Avalanche.

O que recebemos em vez disso?

A grade bipartida do Cheyenne era semelhante à dianteira genérica da Chevrolet que foi usada em toda a linha de modelos da marca por muito tempo, com seu “primo” mais próximo em termos de visual sendo encontrado no Uplander, um veículo de transporte de pessoas.

Do ponto de vista das picapes, no entanto, foi a tecnologia de desativação de cilindros do motor oferecida pelo V8 superalimentado de 500 cv do conceito que acabaria chegando às picapes de produção no final daquela década.

O que foi isso?

Logo no início do novo milênio, as picapes pesadas norte-americanas começaram a se transformar nos gigantescos veículos que são hoje.

Embora a GM estivesse um pouco atrás da Ford em termos de ampliar a caçamba de suas picapes, o conceito GMC Terradyne mostrou o que estava por vir, com seus ângulos retos, caçamba e capô volumosos e enorme distância do solo, tudo bastante premonitório.

Por que nunca foi construído?

Portas generosas na traseira estavam na moda em certas picapes grandes da época, mas os conjuntos deslizantes e a falta de “coluna B” do Terradyne nunca teriam passado nos testes de colisão, nem teriam resistido aos mesmos níveis de abuso que uma porta tradicional no mesmo período de tempo.

Mais importante, no entanto, o Terradyne nunca foi construído porque sua intenção era apenas exibir tendências do departamento de estilo e engenharia da GM, em vez de prever um veículo de produção real.

O que recebemos em vez disso?

As ideias apresentadas pelo GMC Terradyne continuam causando impacto hoje, já que as picapes comerciais da marca claramente descendem da mesma tendência ou aspiração que norteou as formas das enormes e implacáveis chapas metálica do conceito.

O motor turbodiesel V8, instalado no amplo compartimento do motor do conceito, também estava perfeito, com mais de 97 mkgf de torque, e o laptop Compaq armazenado no console central era uma referência ao mercado de “escritórios móveis” que os fabricantes de picapes estavam apenas começando a conhecer na época, antecipando as telas de multimídia atuais.

O que foi isso?

Em 2006, a Chevrolet teve sua última chance de construir uma picape de rua realmente espetacular, com a apresentação do conceito Silverado 427. Contava com um motor 7.0V8 LS7 de 505 cv de potência máxima e transmissão manual de seis velocidades.

A 427 tinha suspensão rebaixada, dispensava tração nas quatro rodas e contava com uma entrada de ar enorme no capô. Rodas de 22 polegadas, inéditas em um veículo de fábrica, ajudavam a transmitir toda aquela força ao solo.

Por que nunca foi construído?

Na época, a Chevrolet estava fora do jogo, apenas olhando de longe o mercado de picapes de altíssimo desempenho, que havia gerado a Ford SVT Lightning e a Dodge Ram SRT-10. Embora comercializasse a Silverado SS, com um motor 6.0V8, ela não era nem de longe tão rápida quanto a Ford superalimentada ou a Ram com motor Viper.

Essas monstruosidades destruidoras de pneus, no entanto, brilharam intensamente e desapareceram quase que com a mesma rapidez; a Ford já havia decidido na época não lançar um Lightning de terceira geração, enquanto a Ram SRT-10 deixaria de existir no final daquele ano.

Sem concorrência, a GM teve que decidir se queria absorver o interesse dos consumidores restantes em muscle trucks ou interpretar a decisão de seus rivais de abandonar o segmento como o sinal de que os lucros simplesmente não estavam lá. Ela escolheu o segundo caminho, que mais adiante foi retomado pela Ford e pela Ram…

O que recebemos em vez disso?

A Chevrolet nunca mais se aventurou no território das picapes musculosas de rua, mas continuou a provocar os admiradores delas com conceitos como o Cheyenne revitalizado em 2014 (abaixo), que causou furor no SEMA daquele ano.

O Cheyenne oferecia um motor de 6,2V8 com 420 cv combinado com uma plataforma de picape mais leve, reforçada com fibra de carbono e vários componentes de suspensão originários do Camaro.

O que foi isso?

O GMC Denali XT Concept foi uma versão ousada e monobloco do SUV de luxo da marca.

Combinando a qualidade de condução de um sedã com a utilidade de uma caçamba de carga tipo picape, o Denali XT foi projetado especificamente para uma esperada onda de picapes importadas descoladas, mas que nunca se materializou. Pense nele como o que seria a resposta da GM, com tração traseira, ao desconjuntado Honda Ridgeline (abaixo, no modelo de 2008). Arrasaria.

Por que nunca foi construído?

O GMC Denali XT teve o azar de ser inspirado por três tendências que estavam prestes a desaparecer da indústria automotiva em 2008. A primeira foi a das picapes derivadas de carros — que começou no final dos anos 1950 com Ford Ranchero e Chevrolet El Camino — e definitivamente havia morrido na América do Norte 20 anos antes, mas que ainda estava viva e bem na Austrália, e pela qual um pequeno, porém barulhento, grupo de entusiastas vinha clamando.

Isso nos leva ao segundo ponto problemático do Denali XT, que eram as sinergias possíveis entre a GM e sua subsidiária Holden australiana, que nunca se materializariam (apenas teve o Pontiac GTO e o G8, com vendas baixas, como resultado no mercado norte-americano).

Por fim, houve a esperada febre das picapes monobloco, que simplesmente nunca aconteceu por lá, já que as empresas chinesas permaneceram bloqueadas dos Estrados Unidos por questões de segurança e de política, e a Toyota e a Hyundai esperaram o momento certo para manter o A-BAT e o Veracruz apenas em formato de conceito.

O que recebemos em vez disso?

Os “utilitários esportivos picapes”, ou SUTs, estavam em declínio quando o Denali XT apareceu, com o Explorer Sport Trac e o Hummer H3T representando os últimos suspiros da categoria.

A falência da GM em 2009 acabaria com a parte mais promissora do XT, seu sistema de transmissão híbrido de dois modos, o que poderia ter dado aos compradores de picapes uma segunda geração do sistema de sucesso que havia sido oferecido anteriormente no Chevrolet Silverado e no GMC Sierra (assim como em vários outros SUVs da GM).


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