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Maxx Concept, o “Smart da Opel”, completa 30 anos: a oportunidade perdida

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O visionário Opel Maxx Concept completa 25 anos: o aniversário de uma oportunidade perdida

Trinta anos atrás, a Opel apresentou o Maxx Concept, uma interessantíssima proposta para um carro urbano do futuro próximo, construído em uma plataforma modular que permitia várias possibilidades de uso. É importante observar que isso aconteceu no Salão de Genebra de 1995 (praticamente junto com o nascimento da revista AUTO&TÉCNICA), e mais de três anos antes da Smart revelar seu o Fortwo.

por Ricardo Caruso

Para ser justo, a Daimler e a Swatch já haviam apresentado seus carros de exposição, batizados de “Micro Compact Car” um ano antes. Com isso em mente, vamos ver o que havia de tão especial no pequeno projeto da Opel, então a subsidiária alemã da General Motors.

Projetado por Danny Larsen e Frank Leopold, o Maxx estava muito, mas muito à frente de seu tempo. Medindo apenas 2.975 mm de comprimento e 1.575 mm de largura e de altura, o Maxx de duas portas tinha proporções incomuns. Em uma das fotos para a imprensa, o Maxx é mostrado estacionado em uma posição perpendicular ao meio-fio. Coincidentemente ou não, isso se tornou um dos motes do Smart Fortwo três anos depois.

A ideia do estacionamento perpendicular do Opel (acima) foi bem explorada pela Smart (abaixo).

Apesar de sua pegada minúscula, o Opel Maxx oferecia uma quantidade surpreendente de espaço interno: na configuração de dois assentos, ele apresentava uma área de carga do mesmo tamanho que uma wagon Astra contemporânea. Um banco traseiro acomodaria mais duas pessoas, mas abdicando do espaço para bagagem.

Mas veja bem, o Opel Maxx tinha muito mais a oferecer do que apenas o visual. Em vez de painéis de aço, a carroceria era feita de alumínio extrudado, facilitando para a fábrica produzir seções de vários formatos e tamanhos. As seções eram soldadas para formar uma “gaiola” parcialmente exposta, que era incluída nos desenhos exterior e interior. Isso foi visto em outros estudos de micro carros de outras marcas depois.

Mais importante, a estrutura de alumínio extrudado formou a base para o desenho modular, algo que consideramos natural em 2025, mas não 30 anos atrás. A construção modular foi a chave para o conceito Maxx e precursora das plataformas modernas de veículos flexíveis, que permitem diversas configurações..

Graças a essa criatividade modular, vários estilos de carroceria do Opel Maxx eram possíveis na mesma plataforma, incluindo conversível, picape, off-road, van ou táxi. Não era um conceito do tipo “tudo-em-um”, mas no entanto o cliente decidiria qual carroceria queria ao encomendar o veículo. Ainda assim, os clientes podiam mudar a aparência externa e os equipamentos internos mesmo depois de receber o veículo.

Com um veículo tão pequeno e leve, que pesava apenas 650 kg, a segurança era levada muito a sério pela Opel. Além da estrutura de alumínio que envolvia a traseira e fornecia uma área deformável na frente, o Maxx apresentava um airbag para o motorista e freios anti-bloqueio (ABS), algo que na época impressionava, mas hoje é comum. Ele também apresentava suspensão dianteira tipo McPherson e um tanque de combustível colocado entre as rodas traseiras, para segurança ideal.

Projeto modular permitia várias possibilidades na mesma plataforma. Mas A GM não quis.

Uma grande diferença entre o Opel Maxx e o Smart Fortwo que o seguiu é que o Opel apresentava motor montado na frente e tração dianteira, em oposição ao layout de motor e tração traseiros do Smart. E falando do motor, foi a única coisa do Opel Maxx que chegou à produção.

Até então, motores de três cilindros não eram bem vistos ou necessários na Europa, mas o exemplar a gasolina naturalmente aspirado do Maxx foi confirmado para produção apenas 12 meses após a estreia do carro em Genebra. Isso fez da Opel a primeira montadora europeia a desenvolver um motor moderno de três cilindros para produção. Outra prova de que a Opel era muito avançada, visto a quantidade de motores 1.0 de três cilindros que estão no mercado, inclusive nos produtos Stellantis, hoje proprietária da marca.

Esse motor a gasolina de três cilindros e 1 litro apresentava dois eixos de comando de válvulas no cabeçote e quatro válvulas por cilindro, bem como uma ótima relação diâmetro x curso. Ela entregava 49 HP) a 5.000 rpm e 9 mkgf de torque a apenas 2.500 rpm, e era acoplada a uma transmissão automática sequencial de cinco marchas. Isso não era ruim para um carro que pesava quase nada, e dava ao Maxx um desempenho bastante decente: zero a 100 km/h em 12,1 segundos e velocidade máxima de 151 km/h. Mais importante, o motor de 1,0 litro consumia apenas 3,9 l/100 km (espantosos 25 km/litro!) à velocidade constante de 90 km/h, de acordo com o ciclo de teste Euromix adotado na época.

Antes de encerrarmos essa apresentação, é preciso abordar o por que do Maxx não ter entrado em produção. O principal motivo foi que a estrutura de alumínio e a tecnologia sofisticada tornaram sua construção cara, mas isso era contornável. No entanto, a falta de visão da então empresa-mãe da Opel, a General Motors, também não pode ser descartada. Mais uma oportunidade desperdiçada pela GM, pois o Maxx parece atual até hoje, 30 anos depois, trazia o refinamento mecânico típico dos Opel e receberia bem motores elétricos. Esse foi realmente uma falta de visão absurda e gigantesco desperdício de possibilidades.


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