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Os 18 Volkswagen mais incompreendidos dos últimos 35 anos

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Nos últimos 35 anos, a Volkswagen assumiu uma posição de destaque no cenário mundial — o que inclui o Brasil — construindo boa reputação em termos de engenharia, inovação e desenho. No entanto, nem todos os modelos receberam o reconhecimento ou foram valorizados como realmente mereciam. No Brasil, os grandes tropeços aconteceram no início da década de 1990, período em que a fusão com a Ford gerou a Autolatina.

por Ricardo Caruso, com MJ

Enquanto alguns Volkswagen alcançaram popularidade instantânea nos diversos mercados onde foram vendidos, outros foram mal interpretados pelo público e/ou pela imprensa especializada. Ideias equivocadas e virtudes subestimadas levaram muitos veículos a serem injustamente descartados pelos consumidores, ou simplesmente apenas foram mal interpretados.

AUTO&TÉCNICA analisou 18 modelos da Volkswagen das últimas três décadas e meia, que merecem uma segunda olhada. É hora de desafiar aquelas narrativas ultrapassadas, rever conceitos e descobrir o que torna todos esses modelos realmente especiais.

1. Volkswagen Phaeton

O Volkswagen Phaeton é o exemplo clássico do sedã de luxo incompreendido por excelência. Lançado no início dos anos 2000, era frequentemente criticado por seu alto preço, que parecia em desacordo com a imagem pregada pela VW desde sua origem de “carro popular”.
No entanto, a engenharia do Phaeton igualava — se não superava — muitos rivais alemães de luxo, oferecendo conforto excepcional, tecnologia avançada e qualidade de construção meticulosa. Era montado na mesma plataforma do Bentley e podia ser equipado com o motor 6.0W12.
Como observou a imprensa especializada, seu refinamento era de nível mundial, mas os compradores não estavam prontos para ver o emblema da VW em um carro tão sofisticado. Afinal, a marca nasceu como “o carro do povo”.

2. Volkswagen Corrado

Corrado traseiro

O Volkswagen Corrado (1988-1995) estreou como um cupê esportivo de desenho marcante, mas sua recepção no mercado foi tímida. Os críticos da época o consideraram caro e sem potência, uma avaliação injusta, dada sua boa dirigibilidade e recursos inovadores. O motor G60 superalimentado, em particular, o diferenciava, proporcionando uma experiência de direção única que agora é celebrada pelos entusiastas da marca. Por outro lado, algumas publicações elogiaram o estilo e engenharia do Corrado, reconhecendo-o como um verdadeiro clássico moderno.

3. Volkswagen Touareg V10 TDI

O SUV Touareg V10 TDI trouxe potência de sobra para o segmento de SUVs, graças ao seu monstruoso motor a diesel. Mas muitos o rejeitaram devido ao seu preço exorbitante e apelo limitado, mas aqueles que olharam mais de perto encontraram um veículo com desempenho notável e capacidade de reboque legendária. O torque e o refinamento do motor V10 TDI lhe renderam, desde então, seguidores devotados entre os entusiastas que apreciam sua combinação única de utilidade e potência.

4. Volkswagen Passat W8

O Passat W8 se destaca por seu raro e complexo motor W8, uma maravilha da engenharia que intrigou muitos compradores. Preocupações com a complexidade da manutenção e a confiabilidade a longo prazo muitas vezes ofuscaram seus pontos fortes, ou seja, uma faixa de potência suave e tranquila e uma série de recursos sofisticados incomuns em sua classe.
Hoje, o Passat W8 vem ganhando reconhecimento por sua ousadia e refinamento, especialmente entre colecionadores que valorizam sua singularidade. Descubra mais informações em AUTO&TÉCNICA.

5. Volkswagen Eos

O Volkswagen Eos (2006-2016) nunca encontrou seu espaço, enfrentando críticas por seu teto retrátil com vazamentos e posicionamento de mercado pouco claro. Apesar desses problemas, o Eos oferecia uma experiência de direção versátil e ao ar livre, raramente vista em seu segmento, graças ao seu teto rígido retrátil. Com o passar do tempo, mais motoristas estão reconhecendo o Eos por seu charme único e praticidade no dia a dia.

6. Volkswagen Routan

O Volkswagen Routan (2009-2014) é frequentemente ignorado por ser uma simples minivan Chrysler rebatizada. Isso mesmo. A Routan foi uma minivan apresentado pela Volkswagen no Salão de Chicago de 2008, fabricada no Canadá pela Chrysler. Embora compartilhasse seus fundamentos americanos, a Routan oferecia um estilo VW único e uma sensação de direção mais envolvente, de inspiração europeia, em comparação com seu irmão local. Mesmo para famílias que buscavam uma minivan com um toque de personalidade alemã, a Routan chamou pouca atenção.  .

7. Volkswagen New Beetle Turbo S

O New Beetle Turbo S (2002-2004) surpreendeu a muitos com suas credenciais genuínas de desempenho, mas seu visual retrô muito aplaudido e característico, o impediu de ser levado a sério pelos entusiastas. Ele era potente (180 cv), tinha seis marchas e rodas aro 17, e proporcionava uma direção divertida e responsiva, tornando-o um carro diferenciado no segmento dos compactos. Hoje, o Turbo S é apreciado por sua mistura única de nostalgia e capacidade.

8. Volkswagen Golf R32 (Mk4)

O Golf R32 (Mk4, de 2003) elevou o desempenho de um hot hatch a novos patamares com seu glorioso motor VR6 e sistema de tração integral. No lançamento, muitos questionaram a sensatez de pagar um preço tão alto por um Golf, ignorando a engenharia e o prazer de dirigir contidos neste “foguete” compacto. Com seu ronco profundo e aderência impressionante, o R32 se tornou um clássico moderno, agora altamente cobiçado por colecionadores e entusiastas dentro e fora do Brasil; a versão foi vendida aqui em apenas 15 unidades.

9. Volkswagen Jetta TDI (Dieselgate…)

O Jetta TDI já foi aclamado por sua notável eficiência de combustível e desempenho a diesel, conquistando compradores e motoristas preocupados com o meio ambiente. Sua reputação sofreu um duro golpe durante o escândalo Dieselgate, ofuscando as genuínas conquistas de engenharia do carro. Pelo menos é o que sua publicidade alardeava. Apesar da controvérsia, o Jetta TDI continua sendo um sedã tecnicamente sofisticado, com bom nível de consumo de combustível e torque elevado.

10. Volkswagen Arteon

O Volkswagen Arteon chegou em 2017 com ambições em nível premium e desenho marcante, gerando incertezas quanto ao seu lugar na linha de produtos VW. Seus recursos de luxo e visual marcante não se traduziram em vendas fortes, mas os críticos destacavam consistentemente sua dinâmica refinada, interior espaçoso e tecnologia avançada. O Arteon se destaca como uma espécie de joia subestimada para quem busca sofisticação, sem o carisma esperado. Há pelo menos um exemplar no Brasil.

11. Volkswagen Tiguan (MK1)

A primeira geração do Tiguan chegou em 2008, entrou em um mercado saturado de SUVs e foi frequentemente descartada por seu tamanho compacto, considerado insuficiente para famílias mais numerosas. No entanto, destacou-se pela dirigibilidade esportiva, semelhante à de um carro de passeio, e pelo interior com acabamento nível premium, combinação rara entre seus concorrentes na época. Para motoristas que valorizavam a dinâmica em vez do espaço, o Tiguan oferecia algo excepcionalmente gratificante.

12. Volkswagen Scirocco (MK3)

O Scirocco Mk3 (2008-2017) continua sendo uma fonte de curiosidade, especialmente para entusiastas norte-americanos que nunca o viram nas estradas locais. Sua ausência no mercado americano gerou ideias equivocadas sobre seu apelo e desempenho globais. Na Europa, no entanto, o Scirocco foi aclamado por sua dirigibilidade, ágil e responsiva, e pelo estilo, que é um verdadeiro hatch muito bem desenhado.

13. Volkswagen CC

O Volkswagen CC chegou ao limites entre sedã e cupê, graças ao seu estilo elegante e teto amplo. Embora alguns compradores estivessem inseguros sobre sua verdadeira identidade, o CC proporcionou uma experiência premium, com materiais de alta qualidade e dinâmica de direção refinada, a um preço inferior ao de seus concorrentes de luxo. Para aqueles que valorizam estilo e sofisticação sem gastar demais, o CC foi uma escolha atraente.

14. Volkswagen Golf Alltrack

O Golf Alltrack trouxe tração nas quatro rodas e uma robustez inesperada para o setor de wagons, mas teve dificuldades para ganhar força em um mercado obcecado por SUVs e crossovers. A maioria ignorou sua versatilidade, dirigibilidade semelhante à de um carro de passeio e genuína capacidade off-road. Agora, fora de linha, o Alltrack é lembrado com carinho pelos que apreciam sua combinação única de praticidade e aventura.

15. Volkswagen ID.4

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O Volkswagen ID.4 chegou em 2020 e representa o salto ambicioso da VW para o mercado de veículos elétricos convencionais, mas tem enfrentado críticas tanto de fãs fiéis da marca quanto de puristas de veículos elétricos. Alguns questionam sua herança, enquanto outros debatem seu lugar no cenário de veículos elétricos em constante evolução. Apesar disso, o ID.4 sinaliza um compromisso ousado com a inovação e a sustentabilidade, abrindo caminho para o futuro elétrico da VW. Está disponível no Brasil por assinatura.

16. Volkswagen Pointer

O hatch Pointer foi fabricado pela Volkswagen no Brasil entre 1994 e 1996. Resultado da Autolatina (parceria entre a Volkswagen e a Ford por aqui), o Pointer na verdade era uma reestilização do Ford Escort de quinta geração (MK4, segunda geração no Brasil), que recebeu outra carroceria, faróis, lanternas, para-choques e interior no estilo Volkswagen. Ou seja, é um Escort redesenhado pela Volkswagen. É considerado um dos VW mais bonitos feitos no Brasil, mas a fórmula não deu certo.

17. Volkswagen Logus

Outro produto Autolatina, o cupê Logus foi fabricado pela Volkswagen no Brasil entre 1993 e 1997, com 125.332 unidades fabricadas. Foi mais um carro que surgiu tendo como base a plataforma da quinta geração europeia do Ford Escort (MK4 no Brasil), do qual herdou sua parte mecânica e suspensões. A linha Logus/Pointer foi o último fruto da Autolatina.

18. Volkswagen Apollo

O Apollo foi fabricado no Brasil entre 1990 e 1992, um dos primeiros produtos da Autolatina. Da fusão saíram o Ford Verona e o Volkswagen Apollo. O VW Apollo era na prática um Ford Verona (por sua vez inspirado no Ford Orion europeu), com discretas mudanças estéticas e mecânicas. Algumas concessionárias da marca pintavam os dois “L” do nome de verde e amarelo, alusão ao logo usado pelo então presidente Collor, que não era muito admirado pela população. Duraram apenas esses dois anos, carro e presidente…

Então…

De sedãs de luxo a wagons off-road e veículos elétricos ousados, estes 18 Volkswagen desafiaram as convenções e, por vezes, a percepção do público. Embora muitos tenham sido ignorados ou incompreendidos em sua época, entusiastas e colecionadores estão agora revisitando seu verdadeiro valor, inclusive no Brasil, reconhecendo a inovação, o desenho ousado e a ambição da engenharia por trás de cada modelo. Talvez seja hora de olhar além do emblema e reconsiderar o que torna um carro verdadeiramente memorável. O legado às vezes nem sempre é óbvio à primeira vista, ele é simplesmente incompreendido…


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