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O inexplicável caso do buraco do Hyundai Creta

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Nos últimos dias, circulam pelas redes sociais publicações e vídeos de indignados compradores do Hyundai Creta Action configurados para PCDs, que estão sendo entregues sem a central multimídia original do carro. Pior, no seu lugar não há sequer a mísera e barata tampinha plástica para disfarçar a situação e, pior ainda, com os fios da instalação aparentes. Confesse, você já viu tamanho esculacho?

por Ricardo Caruso

É isso mesmo que você leu. A Hyundai do Brasil, em total pouco caso e desrespeito com o consumidor, está entregando o Creta Action para PCD sem a central multimídia com sua tela de oito polegadas, e alega que isso foi uma decisão comercial para adequar o valor do SUV na faixa de preço pretendida e necessária para ajustar o preço do modelo ao seu público, que mesmo despido de vários itens, não é barato e tem preço sugerido de R$ 119.990.

Poderia ter sido instalada uma versão mais simples e barata, ou alguma boa alma colocado a tal tampinha, que provavelmente não fez parte do projeto do painel e que custará uma pequena fortuna para ser desenvolvida agora, ganhar um molde e ser validada e produzida. Se existe em outros mercados, só reforça o desleixo da marca sulcoreana para com o mercado brasileiro. Uma vergonha sem tamanho.

Invariavelmente as marcas “depenam” seus carros ofertados para PCD. Uns perdem as rodas de liga-leve e ganham rodas de aço com calotas plásticas; outros são entregues sem o tampão do porta-malas; outros são vendidos apenas na cor branca; alguns sem o multimídia, mas devidamente disfarçado, e por aí vai.

O requinte de crueldade da Hyundai dessa vez superou o bom senso. Mesmo o SUV sendo uma configuração com foco na redução de custos e viabilidade para o enquadramento no programa PCD. Há um terrível custo oculto agora para a marca, que é a perçepção negativa de seu produto, que entrará como piada na história do automóvel brasileiro. Estamos curiosos em saber como o departamento de marketing da empresa vai se virar para resolver isso.

Como a solução da tampa plástica ainda não deu as caras, o remédio sugerido fica pior ainda. A alternativa que a marca oferece e os concessionários esfregam as mãos de satisfação é a compra de uma central multimídia por fora, como acessório, no preço que chega a quase R$ 8 mil nas revendas, e que pode ser instalada direto no carro no momento da compra, acabando com boa parte da vantagem de preço do comprador.

Uma questão importante: o equipamento usa medida padrão ou é exclusivo do modelo, forçando uma venda casada que é combatida pelo Código de Defesa do Consumidor. Se o comprador receber o carro sem o multimídia, será obrigado a comprar um caro equipamento original ou poderá recorrer à Galeria Pagé ou à Shopee e instalar um genérico, sem problemas de funcionamento ou perda de garantia? Aguardamos curiosos cenas do próximo capítulo…


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