Trump declara guerra ao Start/Stop. E carros podem até baixar de preço…
O sistema Start/Stop vai deixar de receber incentivos da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, medida que faz parte de um “pacote” mais abrangente. Confira.
Foi condenado à morte nos Estados Unidos o sistema Start/Stop, pela Agência de Proteção Ambiental local, a Environmental Protection Agency (EPA). A organização tomou uma medida histórica ao eliminar os créditos de economia de combustível fora de ciclo de testes, que serviam de incentivo para os fabricantes instalarem o recurso Start/Stop nos seus veículos.
por Ricardo Caruso

Esta medida faz parte de um “pacote” mais abrangente, de afrouxamento do controle de emissões, que revoga a “Declaração de Perigo de Gases de Efeito Estufa” (GEE) de 2009, implementada durante a presidência de Barack Obama. O que também faz com que sejam revogados todos os regulamentos federais de emissões subsequentes para todos os veículos e motores dos anos (ano-modelo) 2012 a 2027 e posteriores. Leia aqui o comunicado na totalidade.
O chefão da EPA, Lee Zeldin, em comentários feitos na Casa Branca, defendeu esta reformulação dos regulamentos com a desculpa de que é uma forma de ajudar os consumidores a poupar em média US$ 2400 na compra de um carro novo.

Classificado pelo governo Trump como uma funcionalidade “quase universalmente odiada”, o Start/Stop deixa de ser premiado pelos regulamentos federais, devolvendo aos fabricantes a liberdade de produzir veículos sem esta tecnologia.
“Como um bônus adicional, o crédito regulatório atribuído fora dos testes oficiais de emissões ao sistema Start/Stop foi removido”. Lee Zeldin, administrador da EPA
Em comunicado, a agência afirmou que “os fabricantes não devem ser forçados a adotar ou mesmo ser recompensados por tecnologias que são um mero troféu climático de participação, sem benefício material”. Podemos ler ainda que “o anúncio de hoje encerra todos os créditos fora do ciclo normal de emissões, elimina os incentivos da EPA para o botão Start/Stop e restaura a liberdade de escolha do consumidor”.
Embora não exista uma proibição formal, a continuidade do uso do sistema passa agora a depender das decisões comerciais das marcas e não da regulamentação estatal. Com estas novas medidas, a administração norte-americana abre espaço para que os construtores simplifiquem os seus veículos. O Start/Stop exige componentes mais caros, como baterias reforçadas e motores de partida mais robustos, custos que as marcas podem agora optar por cortar para tornar o preços dos seus modelos mais competitivos.
O interessante sistema Start/Stop perde assim relevância e poderá, futuramente, deixar de ser equipamento de série ou até mesmo desaparecer totalmente dos futuros modelos comercializados no mercado estadunidense.
O que é o Start/Stop?
O sistema Start/Stop foi desenvolvido com o objetivo de reduzir médias de consumo e emissões de poluentes em contexto urbano. Sempre que o veículo imobiliza —por exemplo, num semáforo— o motor desliga automaticamente e volta a ligar quando o motorista solta o pedal do freio ou aciona a embreagem.
Nos ciclos de testes de homologação, esta função permite reduzir ligeiramente o consumo declarado e, consequentemente, as emissões oficiais de dióxido de carbono (CO2).
Ainda assim, importante destacar que esta é uma decisão que se aplica apenas ao mercado dos Estados Unidos. Na União Europeia, não existem médias de consumo para se atingir, mas sim metas de emissões de CO2 e, por isso, o sistema continua a ser uma ferramenta relevante para os fabricantes cumprirem os limites impostos. No Brasil, com regras cada vez mais rígidas de emissões, em etapas futuras da regulamentação o sistema acabará sendo imprescindível.
Desvantagens?
É possível considerar que não existem desvantagens no uso do sistema, uma vez que é sempre possível desativar o mesmo. No entanto, quando isso não era feito, no início podíamos ter alguma hesitação ao colocar o carro em movimento, mas rapidamente os sistemas evoluíram e agora permitem partidas do motor cada vez mais suaves e imediatas.
Já na vida útil de um automóvel há que se considerar o preço das baterias, que como citamos antes, que são maiores e com capacidade superior para suportar o sistema, sendo também consideravelmente mais caras, com preços variando no Brasil entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, ou até mais.

Oficialmente, o primeiro carro no mercado mundial com Start/Stop foi o Fiat Regata ES (Energy Saving), que foi mostrado em 1982 e lançado em 1983, batizado pela marca italiana de Citymatic. A Toyota, nos anos 1970, fez testes com esse tipo de sistema, mas não foi adiante.
No Brasil, o pioneiro foi o Fiat Uno Evolution (acima), lançado em 2014 (linha 2015), na atualização da segunda geração do compacto. Assim, há mais de 10 anos, o Start/Stop era um equipamento restrito a carros mais caros e sofisticados, e a chegada do sistema no Fiat Uno Evolution, recurso desenvolvido pela Bosch, permitia economia de combustível de até 20% e até 10% menos emissão de poluentes,, dependendo das condições de uso.
Apenas para situar na história a chegada do Start/Stop aos automóveis, 1982 foi quando o Reino Unido deu início à Guerra das Malvinas, declarando guerra à Argentina; a Sony lançou o primeiro CD player; Michael Jackson chegava ao topo das paradas com o álbum Thriller e a Itália despachou o Brasil e se sagrou Campeã Mundial de Futebol pela terceira vez, enquanto na Fórmula 1 o campeão mundial foi Keke Rosberg e Chico Serra era piloto da Fittipaldi…


