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TESTE: Jeep Wrangler Rubicon 2.0 Turbo

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Pense num veículo off-road realmente radical e disposto a enfrentar terrenos muito ruins sem maiores dificuldades, e você com certeza trará à sua mente um Jeep Wrangler Rubicon. Pense num carro carismático e versátil, e novamente você vai pensar num Wrangler Rubicon. Pense num carro que vai durar para sempre, e lá vem o Wrangler Rubicon de novo. Um modelo para chamar atenção e matar o cunhado de inveja? Mais uma vez Wrangler Rubicon…

A marca abandonou o motor 3.6V6 em sua linha Wrangler em favor de um motor de quatro cilindros em linha de 2 litros turbo, aplicado no Rubicon que AUTO&TÉCNICA avaliou. Tudo bem que é um carro de meio milhão de reais (R$ 499.990 para ser exato), mas é o preço de ter o melhor possível do segmento na garagem.

por Ricardo Caruso

Poucos veículos no mundo detêm há tanto tempo o mesmo status de legendário na cena off-road dentro da história o automóvel quanto o Jeep Wrangler. Ficam para trás nomes celebrados, como o Land Rover Defender ou o Toyota Land Cruiser; o Wrangler transcende sua marca, simbolizando aptidão para aventura e robustez. Agora, com a mais recente versão Rubicon, de quatro portas, a Jeep promete ainda mais capacidade off-road do que nunca.

Passamos um bom tempo com o Wrangler Rubicon 2.0 turbo 2025, testando-o no asfalto e em trilhas. E fora delas também. Ele ainda oferece aquela atitude quase arrogante de poder ir a qualquer lugar, ao mesmo tempo em que atende às expectativas dos motoristas mais exigentes, em termos de recursos, segurança e equipamentos.

O Jeep Wrangler tem sua árvore genealógica partindo do Willys MB original, o veículo militar da Segunda Guerra Mundial. A produção civil começou em 1945 com a série CJ (Civilian Jeep), evoluindo ao longo das décadas até chegar ao Wrangler que conhecemos hoje.

O Wrangler moderno ainda mantém boa parte da sua filosofia original, como capacidade off-road acima de tudo, desenho sem excessos e muita tecnologia. Ao longo dos anos, a Jeep foi refinando a fórmula, incorporando melhores soluções, maior conforto e motores e sistemas de transmissão mais robustos, mantendo-se fiel ao seu desenho original, quadrado e utilitário.

O Rubicon mais recente mantém a clássica grade de sete fendas (detalhes patenteado e registrado pela marca), os faróis redondos e o visual quadradão, quase intimidador. No entanto, refinamentos o tornam um veículo mais atual. A grade é mais estreita, conferindo um visual mais agressivo, enquanto o sistema de iluminação com LEDs são mais eficientes e melhor definidos.

Apesar de compartilhar pelo mundo seu desenho quadrado com modelos como o Mercedes-Benz Classe G, Land Rover Defender, Suzuki Jimny, BAIC B40 e Ineos Grenadier, entre outros menos conhecidos no Brasil, o Wrangler Rubicon ainda se destaca no cenário graças à sua postura elevada, aos pneus robustos Nexen para lama, às novas rodas de liga-leve de aro 17, às tomadas de ar no capô e aos ganchos de reboque expostos. Para quem gosta de personalização, o número de possibilidades disponíveis para o Wrangler é impressionante, nem tanto aqui, mas nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a possibilidade de os proprietários removerem o teto e as portas e baixarem o para-brisa significa que é raro encontrar dois Wrangler iguais pelas ruas e trilhas! No Brasil a chance é praticamente zero.

O interior do Rubicon não deixa por menos, sendo robusto e funcional, mas a marca adicionou materiais mais macios ao toque e melhor isolamento para aprimorar a sensação de refinamento. Ao volante, temos a certeza de que o Wrangler é um produto realmente premium, que justifica seu preço astronômico e, apesar da abundância de plásticos no interior, os materiais escolhidos parecem bem pensados ​​para um veículo deste tipo. Os bancos — em material sintético que imita couro com costuras contrastantes — oferecem mais apoio do que antes, embora o Wrangler ainda seja mais voltado para a funcionalidade do que para o luxo, o mais genuíno merecedor da classificação SUV que existe.

Uma das melhorias — o isolamento acústico aprimorado — torna a condução em rodovias mais confortável. No entanto, com seus pneus grandes e suspensão apta ao off-road, você se lembra de que este carro é na verdade mais confortável em uma pista longe de estradas asfaltadas do que nas rodovias, por causa da quantidade de vento e ruídos de rodagem em velocidades mais altas.

Em relação ao info-entretenimento, há o sistema Uconnect 5 com tela de 12,3 polegadas, que oferece  Apple CarPlay e Android Auto sem fio. É rápido, intuitivo e muito à frente dos sistemas aplicados nos Jeep mais antigos. O recurso também é combinado com um eficiente sistema de som Alpine. Em termos de praticidade, o Wrangler se destaca, com 548 litros de porta-malas (que acomoda a capota de lona) e impressionantes 2.050 litros quando totalmente rebatido. Possui capacidade de reboque com freio de 2.495 kg e tanque de combustível de 81 litros. Como curiosidade, os para-lamas são feitos de plástico, para serem facilmente substituídos caso se danifiquem em aventuras off-road, os tapetes são removíveis e laváveis e há drenos no assoalho.

Um veículo com estas características e capacidades merece mais espaço em nosso modelo de avaliação, para que possamos discorrer sobre os vários sistemas que o colocam entre os veículos off-road mais capazes que se pode comprar hoje. O Wrangler Rubicon continua sendo uma referência em capacidade no fora de estrada, equipado com o sistema Rock-Trac 4×4 da marca, com caixa de transferência permanente e relação de marcha reduzida de 4:1.

Ele conta com diferenciais dianteiros e traseiros Tru-Lok com bloqueio automático e desconexão eletrônica da barra estabilizadora dianteira para melhorar a articulação em terrenos extremos. Eixos rígidos Dana 44 reforçados garantem durabilidade, e os pneus são 255/75-17, ótimos para enfrentar muita lama. Há também o Selec-Speed ​​Control, que permite modulação precisa do acelerador e da frenagem em trechos mais complicados, além de ajuste refinado da suspensão para 2025.

Os números a seguir explicam muita coisa:


Raio de esterço (metros): 12,3
Distância ao solo (mm): 252
Ângulo de ataque (graus): 36,0
Ângulo de saída (graus): 31,4
Profundidade de mergulho (mm): 800

Debaixo do capô — que usa as típicas travas externas dos Jeep clássicos, uma de cada lado — do Jeep Wrangler Rubicon 2.0 2025 está o motor turbo de quatro cilindros em linha da Stellantis, todo em alumínio com injeção direta, que entrega 272 cv de potência máxima e 40,7 mkgf de torque máximo. Este motor 2.0, chamado Hurricane, utiliza um turbocompressor twin-scroll com um intercooler integrado arrefecido a água, comando de válvulas duplo no cabeçote (DOHC) e comando de válvulas variável (VVT). Estreou aqui no Brasil nas Ram Rampage.

A Jeep afirma que o Wrangler Rubicon faz 7,7 km/litro de gasolina na cidade e 8,2 km/l na estrada. Na prática chegamos a 8,1 km/l e 10,9 km/l, respectivamente. Apesar de ser menos beberrão que o V6, nada disso importa para quem gasta meio milhão num carro. Concorda?

O motor é acoplado a uma transmissão automática TorqueFlite de oito velocidades, uma versão do ZF 8HP fabricada pela Chrysler. A caixa de câmbio possui lógica de troca de marchas inteligente, que se adapta ao terreno e às ações do motorista. Ao mesmo tempo, sua relação de primeira marcha curta funciona em conjunto com a caixa de transferência Rock-Trac do modelo, para proporcionar melhor capacidade de locomoção em baixa velocidade. 

Dirigir um Wrangler e esperar o tipo de refinamento e “educação” de um SUV médio é o primeiro erro que muitos cometem ao buscar suas impressões iniciais; veja bem, apesar de toda a imensa capacidade off-road do Wrangler, há um compromisso em seu projeto, e isso cobra seu preço na forma como ele se comporta nas ruas e estradas, onde obviamente não é um ótimo veículo para viagens excessivamente longas. Este modelo de quatro cilindros é mais agradável de dirigir do que o V6 que usamos pela última vez, nos Estados Unidos, com o motor turbo se mostrando mais animado em situações de estrada.

Levar o Wrangler Rubicon para o off-road é onde ele realmente brilha e não tem adversários. Com todo arsenal de recursos off-road que mencionamos acima à disposição, tudo, exceto os obstáculos off-road intransponíveis, é uma brincadeira para o Rubicon. A bela Fazenda Santa Maria, em Águas da Prata, SP, onde avaliamos muitos veículos 4×4, não era nem de longe desafiadora o suficiente para que se explorasse os limites do que o modelo pode fazer. Mesmo com lama, estradinhas de terra e sulcos profundos, é só ativar o modo 4Le transformar o Wrangler em um tanque de guerra, praticamente imparável. Não existe nenhum carro de produção no mercado mais capaz do que ele.

CONCLUSÃO

O Jeep Wrangler Rubicon continua sendo o sonho de qualquer purista e adepto de modelos 4×4 e off-road, à medida que o mundo caminha para a eletrificação e SUVs ficam cada vez mais voltados para as ruas. É praticamente incomparável no off-road, instantaneamente reconhecível em qualquer lugar e mais moderno do que nunca. Não há como evitar; o Wrangler é caro e o motor 2.0 oferece desempenho espetacular.

Também não é o carro mais fácil de se conviver no dia a dia, mas esses são aspectos que você, como potencial comprador, precisa considerar. Sempre há um compromisso a ser feito com carros que oferecem desempenho radical para suas características, e se você quer ter à disposição a capacidade de ir a quase qualquer lugar, terá que lidar com o fato de que talvez não goste de dirigi-lo em todos os lugares. Mas é uma grande curtição, acredite.

*Agradecimentos a Gizela Junqueira Jacomini, Fazenda Santa Maria


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