Star Wars? O insano Chevette Hatch 1983 “The Vader”

“The Vader” é um Vauxhall Chevette Hatch de 1983, que foi desmontado até o último parafuso e completamente reconstruído e preparado. O custo final ultrapassou em muito o preço de um Ferrari novo, mas o que vale é a diversão.
da Redação, fotos Iconic Auctioneers

Este Chevette foi construído (ou reconstruído?) para um cliente da Retropower, de Leicestershire, Inglaterra. Esta é a mesma empresa que foi contatada por Gordon Murray, legendário projetista de carros de Fórmula 1 e superesportivos, quando ele quis monta um Escort Mk1 ao seu gosto. Isso é o maior elogio que uma oficina poderia receber. O “Vader” é um carro da Vauxhall, subsidiária britânica da General Motors.


Informações rápidas
- “The Vader” é um Vauxhall Chevette 1983, completamente reconstruído pela Retropower Ltd., com carroceria reforçada, “gaiola” de proteção, o cobiçado motor C20XE “Redtop” de 265 cv e caixa de câmbio sequencial Quaife de seis velocidades. Inclui também um body kit alargado, rodas de liga leve e interior personalizado.
- O motor C20XE é o icônico 2.0 16V da Opel/GM, batizado de “Red Top”, que originalmente gera 150cv de potência máxima. Muito utilizado no Calibra e Vectra GSi, é conhecido pelo alto desempenho, cabeçote de fluxo cruzado (Coscast/KS) e excelente potencial para preparação turbo ou aspirada, sendo comum em adaptações no Brasil.

- O Vauxhall Chevette (acima), lançado em 1975, era um modelo com tração traseira baseado na plataforma do Opel Kadett C. Ganhou popularidade pelo seu sucesso nos ralis, particularmente nas suas versões de competição do Grupo 4, os Chevette HS e o HSR, que apresentavam kits de carroceria alargados e motores de 2,3 litros mais potentes.
- O “Vader” chamou a atenção por sua meticulosa reconstrução, incluindo suspensão aprimorada, spoilers e pintura preta brilhante, que contribuíram para seu apelido. O carro foi destaque em programas de televisão e agora é considerado um dos melhores exemplos de Chevette modificado do mundo.
- Este Chevette incomum foi leiloado no ano passado e vendido por US$ 90 mil, bem abaixo do custo de sua construção, que ultrapassou US$ 270.000.

- Vader significa “pai”, em holandês, mas remete ao personagem Darth Vader, de Star Wars (acima, em foto da Lucas Film), que usava vestimenta preta, a mesma cor do Chevette que mostramos aqui.


O Vauxhall Chevette foi um modelo desenvolvido no início da década de 1970 e lançado para venda em 1975. O seu “irmão” Chevrolet Chevette Hatch foi produzido no Brasil entre 1979 (linha 1980) e 1987, destacando-se por ser um modelo compacto com detalhes de desenho exclusivos para nosso país.

Era um pouco incomum, pois era um dos poucos hatchbacks da época com tração traseira disponíveis no mercado, enquanto a maioria dos outros usava um motor transversal de quatro cilindros em linha e tração dianteira. O fato da potência ser enviada para as rodas traseiras atraiu muitos que preferiam essa configuração, e versões posteriores de rali do carro europeu conquistariam vitórias (e campeonatos) tomados do venerado Ford Escort.

O Chevette nasceu baseado na plataforma do Opel Kadett C, da General Motors. Outros carros que compartilharam essa plataforma incluem modelos compactos populares em diversos mercados mundiais, como o Isuzu Gemini (Japão), o Holden Gemini (Austrália), o Chevrolet Chevette (Estados Unidos, Canadá, Brasil, Colômbia, Equador e Argentina), e outros carros baseados no Kadett C nos Estados Unidos e Canadá, onde foram rebatizados como Pontiac Acadian/Pontiac T1000.


Os componentes principais do Vauxhall Chevette não tinham nada de particularmente especial, com suspensão dianteira independente, eixo traseiro rígido, carroceria monobloco de aço estampado e motor longitudinal de quatro cilindros em linha na dianteira, que enviava a potência para as rodas traseiras por meio de uma caixa de câmbio manual de quatro velocidades. Receita mais básica, impossível.

O texto acima poderia descrever inúmeros carros daqueles tempos, embora alguns tenham alcançado status mítico e outros sejam ridicularizados até hoje, décadas depois. A principal diferença parece ter sido a execução do projeto, onde os engenheiros por trás da criação do Chevette (e da plataforma Kadett C) cumpriram o objetivo com maestria.

Pouco tempo depois do lançamento do primeiro modelo (o hatchback de duas portas) em 1975, o Chevette tornou-se o hatch britânico mais vendido daquele mercado. Manteve essa posição por três anos, até 1978, e mesmo depois disso, permaneceu próximo ao topo das listas de vendas.

Uma versão sedã de quatro portas foi oferecida posteriormente, assim como uma versão wagon de duas portas (a nossa Marajó) e um furgão de duas portas para uso comercial. Ficou claro desde o início do desenvolvimento do modelo que ele teria potencial para corridas, particularmente no mundo dos ralis, competindo contra carros de engenharia semelhante, onde a referência era o imbatível Ford Escort.

As duas versões de competição mais conhecidas foram desenvolvidas para o Grupo 4 de rali: o Chevette HS e, posteriormente, o HSR. Esses carros precisavam ser homologados, o que significava vender um mínimo de 400 unidades ao público em geral –todas facilmente distinguíveis dos modelos comuns atuais graças aos seus kits de carroceria alargada.



Eles receberam um motor slant-four (quatro cilindros em linha) de 2,3 litros, muito mais potente, com cabeçote de 16 válvulas e carburadores duplos Stromberg. Este motor rendia 135 cv na versão de rua. As suspensões dianteira e traseira foram aprimoradas, sendo provenientes do Opel Kadett C GT/E, incluindo um novo eixo traseiro e caixa de câmbio Getrag de cinco marchas.

As versões de rali do carro provaram ser bem-sucedidas, vencendo o Escort graças aos esforços de pilotos como Pentti Airikkala, Jimmy McRae e Tony Pond. O Chevette conquistou o Campeonato Britânico de Pilotos de Rali em 1979 e o Campeonato Britânico de Fabricantes de Rali em 1981.

Hoje, o Chevette continua sendo um exemplo respeitado dos primórdios dos hatchs esportivos, e os exemplares sobreviventes são procurados pela história e pelo fato de ser um carro com tração traseira. Isso menos no Brasil e mais na Europa.

Chevette “The Vader”
O carro que você vê nesta apresentação ficou bastante conhecido nos círculos automobilísticos e automotivos graças a uma matéria no programa “The Late Brake Show”. Incorporamos abaixo o episódio completo para quem quiser assistir. Vale a pena conferir.
O carro foi completamente reconstruído, a carroceria foi reforçada, uma gaiola de proteção foi adicionada para maior segurança e um novo motor C20XE “Redtop” foi instalado. preparado por Paul Exon. Este motor agora produz 265 cv e transmite a potência por meio de uma caixa de câmbio sequencial Quaife de seis velocidades.


O carro é movido por um novo motor C20XE “Redtop” construído por Paul Exon, que produz 265 cv e transmite a potência para as rodas traseiras através de uma caixa de câmbio sequencial Quaife de seis velocidades.

Ele foi equipado com um body kit largo, rodas de liga leve, spoiler dianteiro, discreto spoiler traseiro (semelhante ao do Chevette S/R brasileiro), suspensão aprimorada e um interior primorosamente acabado. Um olhar para a pintura preta e a dianteira do carro é tudo o que você precisa para entender por que ele recebeu o nome inspirado em Darth Vader…



