AUTO&TÉCNICA FILES #118 – 2005: GM e Chrysler Híbrido “Two-Mode”. Quando gigantes se uniram pela eficiência
AUTO&TÉCNICA resgatou, de seus arquivos históricos, o raro material da GM que você confere nessa reportagem, após mais de 20 anos de “descanso”.
por Rubens Caruso Junior
No final de 2004, há 22 anos, o setor automotivo testemunhou uma aliança improvável: General Motors e DaimlerChrysler uniram forças para criar o sistema híbrido de dois modos (Two-Mode). O objetivo era provar que veículos pesados, como SUVs e picapes, poderiam ser eficientes sem sacrificar a capacidade de reboque. O projeto saiu do papel e chegou às ruas em modelos icônicos como o Chevrolet Tahoe Hybrid e o Dodge Durango Hybrid, oferecendo economia de combustível de até 25% em relação aos modelos a combustão.
O sistema utilizava uma transmissão complexa com dois motores elétricos e três conjuntos de engrenagens planetárias, e por isso enfrentou barreiras intransponíveis como o custo de produção alto, que elevava o preço final ao consumidor numa época em que o mercado ainda via os híbridos com ceticismo.

A crise financeira de 2008 e a subsequente reestruturação das montadoras, descontinuou o projeto, mas o legado técnico do Two-Mode serviu de base para patentes e aprendizados que moldaram os sistemas de eletrificação da GM.

O GMC Graphyte (acima) foi um carro-conceito apresentado no Salão de Detroit em 2005 para demonstrar que o sistema híbrido de dois modos era viável em SUVs. Utilizava motor 5.3V8 com tecnologia Displacement on Demand (desativação de cilindros) trabalhando em conjunto com a transmissão Two-Mode. O protótipo serviu de base direta para o lançamento do Chevrolet Tahoe Hybrid e do GMC Yukon Hybrid em 2008.
No mesmo ano, a GM apresentou o Opel Astra Diesel Hybrid (abaixo) no Salão de Genebra. Foi um marco importante demonstrando a versatilidade do sistema e a capacidade de se integrar a motores diesel. Combinava um motor 1.7 CDTI de 125 cv com o sistema elétrico de dois modos, alcançando médias de consumo superiores a 25 km/l e zero a 100 km/h em menos de oito segundos.

Já o Dodge Durango Hybrid existiu, mas detém um título curioso e melancólico na história automotiva: foi um dos veículos de produção mais curtos da história da Chrysler. Lançado como modelo 2009, o Durango Hybrid (junto com seu “irmão” Chrysler Aspen Hybrid) utilizava exatamente o sistema Two-Mode desenvolvido na parceria com a GM. Apenas dois meses depois de apresentado, em outubro de 2008, a Chrysler anunciou o fechamento da fábrica e o fim da linha para o Durango e o Aspen híbridos.
As duas tiveram a grande chance nas mãos, mas não apostaram de maneira correta na tecnologia. Então, vieram os chineses…
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