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AUTORAMA: RECORDE MUNDIAL!

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Quando James May transformou a nostalgia de infância em um recorde mundial histórico

Muitos jovens de hoje ficam espantados diante de uma máquina de escrever, um telefone de disco ou um toca-discos. O mesmo acontece quando deparam com um carrinho de autorama (como são conhecidos por aqui osslot cars), questionando como é que alguém poderia brincar com aquilo: “não tem tela nem joystick“! Não fazem ideia de como era bom: horas entre montar a pista, ajustar o carro (pinhão e coroa, pneus maiores, alívio de peso, contatos novos…) e muita competição. Foi um dos brinquedos favoritos da nossa infância!

por Rubens Caruso Junior

James May contempla o Mercedes SLR e o Aston Martin: recordistas!

Em agosto de 2009, James May, famoso apresentador britânico do programa “Top Gear”, mobilizou centenas de voluntários no lendário circuito de Brooklands para montar a maior pista de autorama já vista, unindo engenharia improvisada, paixão e muita fita isolante.

Para quem cresceu nas décadas de 1960 ou 1970, o cheiro do motor elétrico aquecido e o zumbido característico que antecipava um carrinho de autorama escapando da curva na sala de casa, são memórias que não se apagam. No entanto, o que para a maioria das pessoas permaneceu como uma inofensiva lembrança de infância, para May transformou-se em uma missão de proporções épicas.

Em 16 de agosto de 2009, nas dependências do histórico autódromo em Surrey, na Inglaterra —o primeiro circuito de automobilismo propriamente dito do mundo, inaugurado em 1907—, May cravou seu nome no “Guinness World Records” ao liderar a construção da maior pista de autorama do planeta.

Carros prontos para começar a volta histórica

Da sala de estar para o asfalto histórico

A façanha fez parte da célebre série televisiva James May’s Toy Stories, projeto do canal BBC que buscava testar os limites de brinquedos clássicos infantis no mundo real. O objetivo inicial era ambicioso o suficiente para assustar qualquer equipe de engenharia: recriar inteiramente o traçado original de 2,75 milhas (cerca de 4,43 km) do circuito de Brooklands usando apenas peças comercializadas de autorama.

Com a ajuda crucial de 300 voluntários, entusiastas locais e membros de clubes de modelismo, a empreitada exigiu a união de aproximadamente 20.000 seções individuais de pistas de plástico. O traçado final, serpenteando por gramados, cruzando ruas locais e superando barreiras improvisadas, acabou medindo mais que a pista real, com impressionantes 4,75 km (2,95 milhas) de extensão total.

Um carreta para transportar as pistas de autorama

“O desafio não era apenas encaixar as pistas perfeitamente; era garantir que a corrente elétrica conseguisse viajar quilômetros de fios de metal minúsculos sem perder a voltagem necessária para mover os carrinhos”, relembraram engenheiros que acompanharam o projeto.

O dia da corrida e os percalços técnicos

A execução do recorde esteve longe de ser um mar de rosas. Durante o processo de montagem, a equipe enfrentou quedas de energia e a complexidade de superar riachos e calçadas. No dia do grande evento, moradores da região e especialistas em autorama formaram equipes rivais para disputar a bateria inaugural na colossal pista.

Obstáculos superados com criatividade, fita isolante e muitas baterias

Contrariando as previsões iniciais de que os carrinhos completariam o trajeto em poucos minutos, a vastidão da pista provou que a pilotagem exigia precisão cirúrgica. Qualquer aceleração excessiva significava que os carrinhos (Aston Martin e o Mercedes SLR Mclaren) voariam para fora da pista, perdendo-se na imensidão do parque ou em arbustos.

O legado de um sonho de criança

Mesmo anos após a sua realização, o recorde de Brooklands permanece como um marco definitivo da cultura pop automobilística e automotiva. Mais do que garantir um certificado na famosa publicação de recordes mundiais, a empreitada de James May serviu como uma carta de amor à engenharia recreativa e à capacidade que os brinquedos têm de unir comunidades em prol do impossível.

James May recebe o certificado do Guiness World Records

Confira no vídeo a história do recorde:


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