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Keith Black: a lenda dos motores HEMI

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Existem homens para quem apresentações são desnecessárias. Ficaram tão conhecidos em suas áreas de especialização que até mesmo suas iniciais se tornaram legendárias. O estadunidense Keith Black é um desses homens. As lanchas que ele construiu cortavam o mar de Salton, no sudeste da Califórnia, estabelecendo recordes mundiais e ultrapassando a barreira dos 160 km/h. Os motores Ford V8 de cabeçote plano que ele fabricava para essas lanchas eram tão procurados que ele construiu um negócio próspero fornecendo seus motores para outros pilotos. E, principalmente, ele era conhecido mundialmente por construir alguns dos melhores motores Hemi que existiram para dragsters Top Fuel.

da Redação

O nome Keith Black era conhecido nos Estados Unidos por milhares e milhares de entusiastas de corridas de arrancada e lembrado até hoje como um dos melhores projetistas e construtores de motores da história do esporte. A sua empresa “Keith Black Racing Engines” se destacou em um esporte extremamente competitivo, e durante toda a sua vida, ele sempre se manteve intransigente e francamente honesto.


Black nasceu em Lynwood, Califórnia, em 1926. Como muitos outros adolescentes no sul da Califórnia, ele se interessou por hot rods ainda no ensino médio, no início dos anos 1940. Depois de se formar, ingressou no programa de cadetes da Força Aérea do Exército, mas felizmente a Segunda Guerra Mundial terminou antes que ele fosse convocado.

Desde cedo, demonstrou habilidade excepcional para reparar e preparar motores. Sua carreira, na verdade, começou com barcos, não com carros. Tudo começou quando um amigo lhe pediu para dar um jeito nos problemas do carburador de seu barco. Assim, o hobby se tornou uma profissão, e ele começou a trabalhar no quintal de casa.



“À medida que fui obtendo sucesso”, dizia Black, “mais pessoas vinham até mim e perguntavam: ‘Você poderia consertar meu motor?'” Trabalhei em alguns motores Cadillac e Oldsmobile porque foram os meus primeiros clientes com motores V8. A primeira vez que me envolvi em um projeto de corrida, onde tinha algo de porte considerável, optei por um Chrysler HEMI, porque achava que era um motor mais adequado para competição do que os outros. Naquela época, eu preparava motores para corridas de barco com 246 pol3 (4031 cm3), a partir do pequeno motor Dodge HEMI “Red Ram”. Nós os preparávamos com injeção de combustível, alguns deles para trabalhar com metanol. Também fizemos um DeSoto HEMI de 265 polegadas (4342 cm3) cúbicas”.

Nos primórdios da construção dos motores de corrida Chrysler HEMI de Keith Black, ou simplesmente KB, o foco era a classe sem limites de preparação das corridas de barcos de longa distância em lagos do interior dos Estados Unidos. Os motores HEMI de KB dominaram as competições em locais como o Salton Sea, a Parker Dam, o Clear Lake e o Berryessa Lake. Seus motores “Chrysler Fire Power” 392 HEMI (6423 cm3) podem ser vistos a seguir nessas raras fotos promocionais da velas Champion. A corrida de barcos “Salton City 500” era considerada, naquela época, uma espécie de Indy 500 das provas de resistência de barcos.

Na foto abaixo, Keith e sua esposa Jane Black aparecem em uma rara foto de família feita durante um evento náutico na Califórnia. Foi com os motores HEMI para barcos que ele realmente começou a conquistar clientes que buscavam sua experiência.

Em 1959, ele fundou a “Keith Black Racing Engines”. Em 1961, suas façanhas em corridas de barcos já incluíam quase 50 recordes nacionais e internacionais. À medida que sua reputação crescia, pilotos de arrancada também começaram a solicitar sua experiência.

Equipado com coletores de escapamento “weedburner”, aqui está o dragster Gireth & Carpenter com um motor HEMI antigo preparado por Keith Black.,

O dragster “Greer-Gireth-Black” derretendo a pista de arrancada de Lion.

Tommy Greer, um amigo de longa data, então abordou Keith com a ideia de correrem juntos em um carro. Foi preciso muita conversa, mas o resultado final foi o famoso Top Fueler “Greer-Black-Prudhomme”, o GBP. Durante as temporadas de 1962 e 1963, ele venceu mais de 250 baterias eliminatórias e perdeu menos de 25! Don Prudhomme, famoso piloto de arrancadas, foi sucinto em sua avaliação das habilidades de Black: “Era inacreditável o quão inteligente era aquele Keith Black”.

O famoso carro GBP começou com a cor laranja e tornou-se amarelo quando surgiu a oportunidade de ser produzido como um kit de modelo de plastimodelismo. O chassi foi construído por Kent Fuller, o dinheiro veio de Tommy Greer, o motor HEMI de Keith Black e a pilotagem de Don Prudhomme. Em 1964, este carro fez uma prova de 400 metros em 7,77 segundos, cruzando a mais de 315 km/h.

Don Prudhomme, que trabalhava pintando carros na oficina de funilaria do pai nessa época, observando os injetores de um dos primeiros motores HEMI de Black.

A produção desta matéria de capa da revista “Hot Rod” foi realizada em
um parque gramado e contou com Don Prudhomme ao volante do dragster GBP laranja, posteriormente repintado de amarelo.,

A revista “Speed ​​& Automotive Equipment Advertiser”, em sua edição de 1º de maio de 1963, trazia Keith Black na capa, exibindo um cabeçote de alumínio para o motor Chrysler GEN II HEMI.,
A fábricante de pistões Forgedtrue reconheceu os feitos da KB neste material promocional, destacando o recorde de 7,77 segundos alcançado a 196,30 mph (311,569 km/h).

Nas duas imagens acima, em 1965, a Chrysler Corporation ficou tão impressionada com a precisão na construção de motores realizada pela “Keith Black Racing Engines” que concedeu à oficina um contrato para desenvolver seu “Programa de Corridas Náuticas”, o que levaria a uma longa e próspera relação com a marca. Black forneceu motores HEMI, tanto versões antigas quanto novas, para Roland Leong e outros dragsters.

Em 1966, a oficina de motores de Keith Black tornou-se pequena demais para lidar com todos os negócios, então uma instalação maior (em Southgate, na California) foi adquirida para atender a todas as novas atividades. A decisão se mostrou oportuna, pois seu envolvimento com o motor HEMI estava prestes a crescer drasticamente.

Em 1973, Keith Black adicionou virabrequins à sua linha de produtos, e eles eram tão resistentes que receberam o nome de “criptonita” para descrevê-los. Começando com um bloco bruto de 68,5 cm de comprimento e 20,3 cm de diâmetro, ele se transformava em um virabrequim para motor HEMI 426, ao mesmo tempo em que o bloco de 181 kg de aço especial era reduzido para 39 kg após cerca de 22 operações de usinagem.

Em um dos catálogos antigos da “Keith Black Racing Engines”, uma seleção de imagens históricas de seus anos de glória.

Keith Black tinha também laços estreitos com a Pennzoil Company, e usava e promovia o óleo de competição da marca em seus motores nitro de corrida. Frequentemente, as principais equipes que utilizavam motores KB aplicavam o óleo de competição Pennzoil, incluindo a equipe Candies and Hughes, de Houma, Louisiana, mostrada na foto acima.

Keith, em seu escritório e na oficina, sempre trabalhando para extrair o máximo desempenho do motor HEMI .

Não é uma foto. Em 1994, James Ibusuki, um talentoso artista automotivo, criou esta espetacular ilustração (acima) intitulada “First Strike”, retratando o dragster Greer-Black-Prudhomme com motor HEMI em ação na pista de arrancada de San Gabriel. Hoje, essas suas ilustrações são muito valorizadas por colecionadores e este dragster de entre-eixos curto venceu cerca de 250 corridas, sofrendo apenas algumas poucas derrotas; o carro era praticamente imbatível.

Keith Black alcançou tanto sucesso ao longo das décadas de 1960 a 1980 que, além de suas iniciais “KB” se tornaram parte da linguagem de qualquer pessoa envolvida nas arrancadas, sua imagem estava por todo lado.

Antes de se dedicar às corridas de dragsters Top Fuel com motor traseiro, Eddie Hill era um dos melhores pilotos de barcos de arrancada daqueles tempos. Esta foto, que era exibida com orgulho na parede de um corredor da “Keith Black Racing Engines”, em South Gate, mostra seu barco com o motor KB HEMI com compressor que, é claro, funcionava com nitrometano.

Após a Chrysler interromper a produção dos motores HEMI no final de 1971, e com a assistência e o desenvolvimento do engenheiro da Chrysler Bob Tarozzi, Keith Black passou a fabricá-los em alumínio. Com o alumínio, os pilotos obtiveram diversas vantagens, incluindo redução de peso de 45 kg e a possibilidade de reparar o motor em caso de danos. Os motores se tornaram muito populares nas categorias Top Fuel e Funny Car.



A empresa de Black trabalhou com praticamente todos os pilotos de Top Fuel e Funny Car ao longo dos anos, incluindo Don Garlits, Don Prudhomme, Shirley Muldowney, Kenny Bernstein, Joe Amato, John Force, Tommy Ivo, John Mazmanian, Nelson Carter, Jim Dunn, Candies e Hughes, entre outros. Foi em 1974 que o famoso bloco HEMI de alumínio da Keith Black foi lançado, sendo sem dúvida um marco para as provas de arrancada.

O legendário piloto Don Garlits disse sobre esse motor revolucionário: “O bloco de alumínio 426 HEMI foi provavelmente a maior contribuição para as corridas de arrancada Top Fuel, e tudo isso graças a Keith Black. Que grande homem para as corridas de arrancada”!

A empresa também se envolveu em outras modalidades do automobilismo, incluindo NASCAR, SCCA Trans-Am, IndyCar e corridas off-road.

Seja em um motor nitro clássico, um hot rod, um barco ou um muscle car com motor Mopar 426 HEMI , as tampas de alumínio fundido KB sempre proporcionaram uma aparência imponente, como nenhuma outra.

Este prédio na Scott Avenue, em South Gate, Califórnia, foi onde tudo aconteceu! Na foto, o Dodge Charger Funny Car “havaiano” de 1969 restaurado, de Roland Leong, que na época era um dos seus melhores pilotos.


Como dissemos lá no inicio: honestidade, franqueza, ausência de pretensão e cordialidade eram suas marcas registradas. Black faleceu em 1991 devido a complicações decorrentes de um câncer cerebral. Ele foi tratado pelo renomado neurocirurgião de mesmo nome, Keith Black, no Centro Médico da UCLA. Foi incluído no Hall da Fama do Automobilismo da América em 1995.






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